Versículo em destaque
João 16:23 - Significado e aplicação
Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje
Tradução: Bíblia BibleGuided — Português Brasileiro
" Naquele dia vocês não me perguntarão mais coisa alguma”. “Em verdade, em verdade digo a vocês: o que pedirem ao Pai em meu nome, ele lhes dará. "
João 16:23
Versículo no contexto
Entender os versículos ao redor evita interpretações incorretas:
21 Quando a mulher está para dar à luz, sofre porque chegou a sua hora. Mas, depois que deu à luz a criança, já não se lembra da aflição, por causa da alegria que sente por ter nascido um homem no mundo.
22 Assim também vocês: sem dúvida, agora estão tristes, mas eu os verei outra vez, e o coração de vocês se alegrará, e ninguém lhes tirará a sua alegria.
23 Naquele dia vocês não me perguntarão mais coisa alguma”. “Em verdade, em verdade digo a vocês: o que pedirem ao Pai em meu nome, ele lhes dará.
24 Até agora vocês não pediram nada em meu nome. Peçam e receberão, para que a alegria de vocês seja perfeita.
25 Eu disse essas coisas a vocês em termos figurados e obscuros. Vem a hora em que já não falarei com vocês por meio de comparações e parábolas, mas falarei abertamente a vocês a respeito do Pai.
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Aqui Cristo promete resposta aos pedidos deles, para maior consolo. Há dois modos de “pedir”: pedir no sentido de inquirir, como fazem os ignorantes que fazem perguntas, e pedir no sentido de rogar, como fazem os necessitados que suplicam. Cristo fala dos dois aqui.
Primeiro, ele diz que eles não precisariam mais perguntar, nem fazer indagações. “Naquele dia nada me perguntareis” significa que não teriam mais necessidade de ficar fazendo perguntas. Teriam um conhecimento tão claro da verdade do evangelho, pela abertura de seu entendimento, que não precisariam mais inquirir, como em (Hebreus 8:11), quando se diz que ninguém mais ensinará o seu próximo. Saberiam, em um só momento, mais do que tinham aprendido antes com longas escutas.
Os discípulos tinham feito perguntas tolas, ambiciosas, duvidosas, impertinentes e curiosas. Perguntaram assim em (João 9:2), (Mateus 18:1), (Mateus 19:27), (João 21:21) e (Atos 1:6). Mas, depois que o Espírito foi dado, esse tipo de perguntar cessou. Na história dos apóstolos em Atos, raramente os vemos fazendo perguntas; eles viviam sob direção divina constante. Na importante questão de levar o evangelho aos gentios, Pedro foi sem hesitar, como em (Atos 10:20).
Fazer perguntas mostra que estamos sem saída, ou pelo menos inseguros. Mesmo os melhores entre nós ainda precisam perguntar. Mas devemos buscar um entendimento tão pleno que não vacilemos, sendo conduzidos com firmeza pelo caminho simples da verdade e do dever. Cristo dá a razão disso em (João 16:25). Ele lhes tinha falado por parábolas, isto é, por ditos sábios, mas não totalmente claros. Porém, vinha o tempo em que ele lhes falaria abertamente acerca do Pai, de modo que não precisariam mais perguntar.
O grande alvo ao qual Cristo queria conduzi-los era o conhecimento de Deus. “Eu vos anunciarei abertamente acerca do Pai” significa: “Eu vos farei conhecê-lo.” É isso que Cristo concede, e é isso que todos os verdadeiros cristãos almejam. Quando Cristo fala da maior bênção para seus discípulos, diz que será o fato de lhes falar claramente sobre o Pai. Pois o que é o céu, senão ver a Deus diretamente e para sempre? Conhecer a Deus como Pai de nosso Senhor Jesus Cristo é o maior mistério que a mente pode apreciar. Conhecê-lo como nosso Pai é a maior felicidade que nossa vontade e nossos afetos podem experimentar.
Cristo lhes tinha falado em provérbios, isto é, em ditos sábios que muitas vezes usavam figuras e expressões gerais. Ele havia falado muitas coisas com clareza e explicado suas parábolas em particular aos discípulos. Contudo, em comparação com o que estava por vir, suas palavras ainda eram como provérbios. Em parte, por causa da lentidão e falta de entendimento deles. O que ele dizia era para eles como um livro selado, como em (Isaías 29:11).
Também era assim quando comparamos o ensino anterior de Cristo com o que ele lhes daria depois por meio de seu Espírito. Quando ele colocasse o Espírito em seus corações, eles veriam todas as ideias anteriores como confusas e turvas. O conhecimento presente das coisas divinas lhes pareceria como se tivessem entrado em um novo mundo. O ministério da letra não era nada comparado ao ministério do Espírito, como em (2 Coríntios 3:8-11). Cristo tinha falado em termos obscuros, se comparados à luz mais plena que logo viria, como em (Colossenses 2:2). Ele lhes falaria claramente acerca do Pai, com liberdade e abertura.
Quando o Espírito foi derramado, os apóstolos alcançaram um entendimento muito maior das coisas divinas do que tinham antes, como se vê no discurso que o Espírito lhes deu em (Atos 2:4). Foram conduzidos ao sentido das coisas que antes só entendiam de maneira vaga. O que o Espírito lhes mostrou aqui é atribuído a Cristo, pois assim como o Pai fala por meio do Filho, o Filho fala por meio do Espírito.
Ainda assim, essa promessa só será plenamente cumprida no céu, onde veremos o Pai como ele é, face a face, não de modo obscuro como agora, conforme (1 Coríntios 13:12). Isso nos consola enquanto vivemos sob a nuvem das trevas presentes, quando nem sempre conseguimos falar corretamente porque nosso entendimento ainda é limitado. Enquanto estivermos aqui, teremos muitas perguntas sobre o Deus invisível e o mundo invisível. Mas, naquele dia, veremos todas as coisas claramente e não faremos mais perguntas.
Em segundo lugar, Cristo promete que, quando eles pedirem em oração, nada pedirão em vão. Supõe-se que todos os discípulos de Cristo oram. Ele os ensinou, por mandamento e por exemplo, a serem pessoas de oração. A oração deveria ser o sustento e o consolo deles depois da sua partida. Sua instrução, direção, força e êxito deveriam ser buscados pela oração.
Há aqui uma promessa clara de resposta em (João 16:23). Cristo começa com “Em verdade, em verdade”, o que torna a promessa totalmente certa e não deixa espaço para dúvida. A promessa em si é rica e consoladora. É como o rei estendendo o cetro de ouro e dizendo: “Qual é o teu pedido?” Ele declara: “Tudo quanto pedirdes a meu Pai, em meu nome, ele vo-lo há de dar.” Já tínhamos essa promessa em (João 14:13). O que mais poderíamos desejar?
Aqui aprendemos como devemos orar. Devemos pedir ao Pai em nome de Cristo. Devemos olhar para Deus como Pai e nos aproximar dele como filhos. Devemos também nos achegar a Cristo como Mediador, aquele que está entre Deus e nós, e vir como seus clientes e dependentes. Pedir ao Pai inclui reconhecer que as bênçãos espirituais vêm somente de Deus. E inclui também humildade nas palavras e confiança confiante nele como Pai que pode e quer ajudar.
Pedir em nome de Cristo inclui admitir que não merecemos nenhum favor de Deus. Significa alegrar-nos com o modo como Deus mantém comunhão conosco por meio de seu Filho. Significa ainda descansar inteiramente em Cristo como nossa justiça, aquele que nos põe em paz com Deus. Também nos é dito quão bem seremos atendidos: “ele vo-lo há de dar.” Que mais poderíamos desejar, senão receber o que precisamos, e de fato o que pedimos conforme a vontade de Deus?
Deus dá como aquele de quem procede todo dom perfeito e toda boa dádiva. O que Cristo comprou pelo mérito de sua morte ele não precisava para si mesmo. Ele o destinou aos seus fiéis seguidores e lhes entregou isso. Como pagou um preço pleno e digno, esta promessa é como sacar uma ordem sobre o tesouro do céu. Apresentamo-la em oração, pedindo em seu nome aquilo que foi comprado e prometido, segundo o real sentido da nova aliança. Cristo lhes havia prometido grande luz por meio do Espírito, mas ainda assim eles precisavam orar por isso, e o fizeram em (Atos 1:14). Deus quer que peçamos essas coisas.
Ele lhes havia prometido perfeição na vida futura, mas o que deveriam fazer enquanto isso? Deviam continuar orando. O gozo pleno pertence à terra do nosso descanso. Pedir e receber é o consolo da terra em que ainda estamos viajando.
Aqui há um convite para que peçam. Muitos acham suficiente quando grandes homens apenas permitem que se apresentem pedidos, mas Cristo na verdade nos chama a pedir, (João 16:24). Primeiro, ele olha para a prática passada deles: “Até agora nada pedistes em meu nome.” Isso pode significar duas coisas. Pode referir-se ao tipo de oração que haviam feito. Tinham pedido muito, mas pouco em comparação com o que poderiam ter pedido, e com o que pediriam depois que o Espírito fosse dado. Vê-se quão generoso é nosso Senhor Jesus, maior do que todos os demais doadores. Ele dá liberalmente, e está longe de nos censurar por pedirmos demais ou com muita frequência. Ao contrário, ele nos censura por pedirmos de menos. Nada pedimos em comparação com o que precisamos, com o que ele tem para dar e com o que prometeu dar. Somos orientados a “alargar a nossa boca”.
Ou pode referir-se ao nome em que oravam. Eles já haviam feito muitas orações, mas ainda não tão claramente em nome de Cristo como ele agora os ensinava a fazer. Ele ainda não tinha oferecido o grande sacrifício que torna nossas orações aceitáveis, nem iniciado plenamente sua intercessão por nós, cujo suave perfume daria fragrância a todas as nossas orações e nos permitiria orar em seu nome. Até ali, eles tinham expulsado demônios e curado doenças em nome de Cristo, como Rei e Profeta, mas ainda não podiam orar claramente em seu nome como Sacerdote.
Depois, ele olha para o que seria verdadeiro para eles no futuro: “Pedi, e recebereis, para que o vosso gozo se cumpra.” Aqui ele os orienta a pedir por tudo de que precisam e por tudo o que ele prometeu. E também lhes assegura que receberão. Aquilo que pedimos de um coração transformado pela graça, Deus graciosa e livremente concede: “recebereis.” Essa promessa é ainda mais plena do que simplesmente dizer que ele dará. Ele não só dá o dom, mas também concede a capacidade de o receber, de sentir o seu conforto e benefício, e de ter um coração que possa realmente desfrutá-lo, como em (Eclesiastes 6:2).
É assim que a alegria deles seria completa. Primeiro, este é o resultado abençoado da oração cheia de fé. A oração ajuda a completar a alegria que já vem da fé. Se quisermos que a nossa alegria seja o mais cheia possível neste mundo, precisamos orar muito. Logo depois de sermos instruídos a nos alegrar sempre, somos ordenados a orar sem cessar. Vê-se, então, quão alto devemos mirar na oração: não apenas buscar paz, mas alegria, uma alegria plena. Ou, em segundo lugar, isto aponta para o resultado abençoado da oração respondida: “Peçam, e receberão aquilo que encherá a alegria de vocês.” Os dons de Deus, por meio de Cristo, enchem o depósito da alma e enchem a sua alegria (Provérbios 8:21). “Peçam o dom do Espírito Santo, e vocês o receberão. Outros tipos de conhecimento aumentam a tristeza” (Eclesiastes 1:18), “mas o conhecimento que ele concede aumentará e encherá a alegria de vocês.”
Aqui estão as razões pelas quais eles podiam esperar ser atendidos (João 16:26, João 16:27), resumidas brevemente pelo apóstolo: “Temos um Advogado junto ao Pai”, isto é, alguém que fala em nosso favor (1 João 2:1). Temos esse Advogado, embora Cristo diga que, neste momento, não vai insistir nesse ponto. Ele faz isso para que o encorajamento seguinte fique ainda mais claro: “Não vos digo que eu rogarei por vós ao Pai.” Como se dissesse: ainda que eu não afirmasse abertamente que intercederei por vocês, ou que levarei cada uma de suas causas diante do Pai, ainda assim é consolo suficiente saber que eu já abri um caminho entre vocês e Deus. Eu estabeleci um trono de graça e preparei para vocês um novo e vivo caminho até o lugar santíssimo.
Ele fala como se eles não precisassem de mais ajuda, porque ele já havia obtido o dom do Espírito Santo, que oraria dentro deles como Espírito de adoção, clamando: “Aba, Pai.” É como se, de certo modo, eles já não precisassem mais que ele orasse por eles; contudo, vemos que ele faz por nós muito mais do que afirma aqui. As promessas humanas frequentemente ficam aquém do esperado, mas as promessas de Cristo vão além.
Também lidamos com um Pai, e isso é um encorajamento tão forte que quase torna o outro desnecessário. “Pois o próprio Pai vos ama.” A expressão indica que ele é favorável a vocês, e nada poderia sustentá-los melhor do que isso. Os discípulos de Cristo são amados pelo próprio Deus. Cristo fez mais do que apenas afastar a ira de Deus e trazer-nos paz e reconciliação. Ele também conquistou para nós o favor de Deus e nos introduziu em uma aliança de amizade.
Note a ênfase nas palavras: “O próprio Pai vos ama.” O Pai é plenamente bem-aventurado em si mesmo. Seu amor por si mesmo é, ao mesmo tempo, sua perfeita justiça e sua perfeita bem-aventurança; ainda assim, ele se agrada em amar vocês. É este mesmo Pai, aquele cujo favor vocês haviam perdido, cuja ira trouxeram sobre si, e diante de quem precisavam de um Advogado. Agora, ele mesmo ama vocês.
Por que o Pai ama os discípulos de Cristo? “Porque vós me amastes e crestes que saí de Deus”, isto é, porque vocês são verdadeiramente meus discípulos. Isso não significa que o amor deles veio primeiro. Antes, quando a graça de Cristo produz em nós amor por ele, Deus se agrada da obra de suas próprias mãos. Aqui vemos o que caracteriza os discípulos de Cristo: eles o amam porque creem que ele veio de Deus, que é o único Filho do Pai e o mensageiro por ele enviado ao mundo. A fé em Cristo atua por meio do amor por ele (Gálatas 5:6). Se cremos que ele é o Filho de Deus, devemos amá-lo como aquele que é belo em si mesmo. Se cremos que ele é nosso Salvador, devemos amá-lo como o mais bondoso amigo que temos.
Observe também como Cristo fala do amor de seus discípulos com tanta ternura e com que alegria ele o recebe. Ele o apresenta como algo que os recomenda ao favor do Pai: “Vocês me amaram e creram em mim enquanto o mundo me odiou e me rejeitou, e vocês serão honrados.” Eis a bem-aventurança de que desfrutam os discípulos fiéis: o Pai os ama, e os ama porque eles amam a Cristo. Ele se agrada tanto de Cristo que se agrada de todos os que pertencem a Cristo.
Isso devia encorajá-los na oração. Eles não precisavam temer fracassar ao se aproximarem de alguém que os ama e deseja o bem deles. Primeiro, isso nos guarda de pensar mal de Deus. Quando, na oração, somos ensinados a depender do mérito e da intercessão de Cristo, não é porque toda a bondade esteja em Cristo e, em Deus, só haja ira e furor. Não é assim. O amor e a boa vontade do Pai é que designaram Cristo como Mediador, aquele que se coloca entre Deus e os homens. Portanto, devemos a obra salvadora de Cristo à misericórdia de Deus, que o deu por nós.
Em segundo lugar, isso deve aquecer e fortalecer em nós bons pensamentos sobre Deus. Os crentes que amam a Cristo devem saber que Deus também os ama e, por isso, devem se aproximar dele com ousadia, como filhos que vêm a um Pai amoroso.
Deste capítulo
João 16:1
"“Eu disse essas coisas a vocês para preservá-los de alguma queda."
João 16:2
"Eles expulsarão vocês das sinagogas, e virá a hora em que todo aquele que tirar a vida de vocês julgará estar prestando culto a Deus."
João 16:3
"Eles procederão desse modo porque não conheceram o Pai nem a mim."
João 16:4
"Porém, eu disse essas palavras a vocês para que, quando chegar a hora, vocês se lembrem de que eu lhes anunciei isso. E não lhes disse essas coisas desde o princípio, porque eu estava com vocês.”"
João 16:5
"“Agora vou para aquele que me enviou, e nenhum de vocês me pergunta: Para onde vais?"
João 16:6
"Mas, porque falei assim a vocês, a tristeza encheu o coração de vocês."
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