Versículo em destaque
João 15:1 - Significado e aplicação
Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje
Tradução: Bíblia BibleGuided — Português Brasileiro
" “Eu sou a videira verdadeira, e meu Pai é o agricultor. Todo ramo que não der fruto em mim, ele o cortará; "
João 15:1
Versículo no contexto
Entender os versículos ao redor evita interpretações incorretas:
1 “Eu sou a videira verdadeira, e meu Pai é o agricultor. Todo ramo que não der fruto em mim, ele o cortará;
2 e podará todo o que der fruto, para que produza mais fruto.
3 Vocês já estão puros pela palavra que tenho anunciado a vocês.
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Aqui Cristo fala sobre fruto, o fruto do Espírito que os seus discípulos deveriam produzir, usando a figura de uma videira. Primeiro, é preciso notar o que essa figura nos ensina. Jesus Cristo é a videira, a videira verdadeira.
Isso revela a humildade de Cristo, porque ele fala de si mesmo usando uma imagem simples. Aquele que é o Sol da justiça e a brilhante estrela da manhã se compara a uma videira. A igreja, que é o corpo de Cristo, é chamada de videira (Salmo 80:8), e Cristo é a fonte da qual essa videira cresce. Cristo e sua igreja são apresentados com essa mesma figura.
Ele é a videira plantada na vinha, não algo que simplesmente brotou por acaso. Ele foi plantado na terra, porque o Verbo se fez carne. Uma videira não impressiona pela aparência externa, e Cristo não tinha formosura nem esplendor exterior (Isaías 53:2). No entanto, a videira se estende longe, e Cristo será conhecido como salvação até os confins da terra. O fruto da videira honra a Deus e alegra o coração humano (Juízes 9:13), e assim é com o fruto da obra salvadora de Cristo. Ele é melhor do que o ouro (Provérbios 8:19).
Ele é a videira verdadeira, isto é, real e não falsa. Ele é de fato uma planta frutífera, uma planta de honra. Não é como a videira brava que enganou os que colheram dela (2 Reis 4:39), mas uma videira verdadeira que dá o que promete. Árvores vazias são vistas como mentirosas (Habacuque 3:17, na margem), mas Cristo nunca engana. Todo bem que qualquer criatura tem para beneficiar o próximo é apenas uma sombra da graça que se encontra em Cristo para o seu povo. Ele é a videira verdadeira representada pela videira de Judá, rica do sangue das uvas (Gênesis 49:11), pela videira de José, cujos ramos se estendiam sobre o muro (Gênesis 49:22), e pela videira de Israel, debaixo da qual ele habitava em segurança (1 Reis 4:25).
Os crentes são os ramos dessa videira, o que implica que Cristo é a raiz. A raiz é oculta, e a nossa vida está escondida com Cristo. A raiz sustenta toda a árvore (Romanos 11:18), envia vida para ela e é tudo para o seu crescimento e frutificação. Em Cristo há todo o auxílio e todo o suprimento de que necessitamos. Os ramos são muitos, alguns de um lado e alguns de outro, mas, por se encontrarem na mesma raiz, formam uma só videira. Assim também, todos os verdadeiros cristãos, ainda que estejam afastados uns dos outros em lugar ou em opinião, se encontram em Cristo, que é o centro da sua unidade. Os crentes, como ramos de videira, são frágeis e não podem ficar de pé sozinhos. Só permanecem firmes quando são sustentados (Ezequiel 15:2).
O Pai é o lavrador, aquele que trabalha a terra. Embora a terra pertença ao Senhor, ela não lhe dá fruto se ele não a cultivar. Deus não apenas é dono da videira e de todos os seus ramos, mas também cuida deles. Ele a plantou, regou e dá o crescimento. Somos lavoura de Deus, campo cultivado por Deus (1 Coríntios 3:9). Veja Isaías 5:1-2 e Isaías 27:2-3. Ele velou por Cristo, a raiz, o sustentou e o fez florescer em terra seca. Também vela por todos os ramos, os poda e os guarda para que nada lhes faça mal. Nenhum agricultor jamais vigiou uma vinha com tanta sabedoria e cuidado quanto Deus vela pela sua igreja. Por isso a igreja certamente há de prosperar.
A lição dessa figura é que devemos dar fruto, e para isso precisamos permanecer em Cristo. Precisamos ser frutíferos. De uma videira se esperam uvas (Isaías 5:2), e de um cristão se esperam frutos cristãos: um espírito cristão, uma conduta cristã, culto cristão, propósitos cristãos. Devemos honrar a Deus, fazer o bem e mostrar a pureza e o poder da fé que confessamos. Isso é dar fruto. Esses discípulos deveriam ser frutíferos como cristãos em toda forma de vida justa, e como apóstolos espalhando o bom perfume do conhecimento de Cristo.
Para animá-los, Cristo adverte sobre o destino dos infrutíferos em João 15:2. Tais ramos são tirados. Isso nos mostra que muitos parecem ser ramos em Cristo, mas não produzem fruto. Se estivessem realmente unidos a Cristo pela fé, dariam fruto. Porém, se estão ligados a ele apenas por uma profissão exterior, podem ter aparência de ramos por algum tempo, mas logo se mostrará que são ramos secos. Professores infrutíferos são falsos professores: apenas professam, e nada mais. O versículo também pode ser entendido como: “todo ramo que, estando em mim, não dá fruto”, o que dá na mesma. Os que não dão fruto em Cristo e no seu Espírito e graça é como se não dessem fruto algum (Oséias 10:1). Estão ameaçados de ser tirados, tanto como juízo justo sobre eles, quanto como misericórdia para com os outros ramos. Daquele que não tem verdadeira união com Cristo, e nenhum fruto decorrente dela, até o que parecia ter lhe será tirado (Lucas 8:18). Alguns entendem que isso se refere principalmente a Judas Iscariotes, o traidor.
Cristo também faz uma promessa aos que dão fruto: ele os poda para que deem mais fruto. Maior frutificação é a bendita recompensa de uma frutificação inicial. A primeira bênção foi: “Sede fecundos”, e ainda hoje isso é uma grande bênção. Até os ramos frutíferos precisam ser podados para crescerem mais. A ideia é que ele remove o que é excesso e crescimento desordenado, o que atrapalha o crescimento e a frutificação. Mesmo as melhores pessoas têm em si algo que precisa ser corrigido, algo a ser cortado: certos pensamentos, paixões ou hábitos que devem ser purificados. Cristo prometeu fazer isso por sua palavra, por seu Espírito e por sua providência, removendo essas coisas pouco a pouco, no tempo certo. Essa poda dos ramos frutíferos, para que se tornem ainda mais frutíferos, é o cuidado e o trabalho do grande lavrador para a sua própria glória.
Os crentes também se beneficiam do ensino de Cristo e devem mostrar o seu poder por uma vida frutífera. Cristo diz: “Vós já estais limpos” (João 15:3). O grupo deles estava limpo agora que Judas havia sido afastado, em resposta à palavra de Cristo: “O que tens a fazer, faze-o depressa”. Enquanto não fossem livres dele, não estavam todos limpos. A palavra de Cristo separa o precioso do vil e um dia purificará a igreja dos primogênitos no grande dia da separação.
Cada um deles estava limpo, isto é, santificado, tornado santo pela verdade de Cristo (João 17:17). A fé com que receberam a palavra de Cristo havia purificado seus corações (Atos 15:9). O Espírito de graça, agindo por meio da palavra, os refinara da escória do mundo e da carne e havia purgado o velho fermento dos escribas e fariseus. Até aqui já estavam em boa medida libertos disso, especialmente ao verem a amarga ira e o ódio do seu mestre terreno contra o seu Mestre celestial. Isso se aplica a todos os crentes. A palavra de Cristo também é dirigida a eles, e há poder purificador nessa palavra. Ela produz graça e expulsa a corrupção. Purifica como o fogo purifica o ouro e como o remédio limpa o corpo da doença. Demonstramos que fomos limpos pela palavra quando produzimos fruto que redunda em santificação.
Talvez haja aqui uma alusão à lei sobre as vinhas em Canaã. Seu fruto era tratado como incircunciso, impuro, nos três primeiros anos após ser plantado. No quarto ano, era santo, oferecido em louvor ao Senhor, e então se tornava limpo (Levítico 19:23-24). Os discípulos estavam sob o ensino de Cristo havia cerca de três anos, de modo que, em certo sentido, “agora estais limpos”.
A glória que vem a Deus por meio da nossa frutificação também traz consolo e honra para nós (João 15:8). Se dermos muito fruto, nosso Pai será glorificado. Os apóstolos, cumprindo fielmente seu chamado, glorificariam a Deus trazendo almas à conversão e oferecendo-as a ele (Romanos 15:9, Romanos 15:16). Do mesmo modo, todos os cristãos, cada um no seu lugar e chamado, glorificam a Deus pelas boas obras. Quando os cristãos vivem de forma visivelmente boa e útil, muitos são levados a glorificar nosso Pai que está nos céus.
Se dermos muito fruto, também mostramos que somos verdadeiramente discípulos de Cristo. Confirmamos isso pela vida e tornamos crível a nossa confissão. Assim, ao mesmo tempo mostramos e honramos o nosso discipulado, e nos tornamos um nome, um louvor e uma glória para o nosso Mestre, como verdadeiros discípulos (Jeremias 13:11). Então, no grande dia, ele nos reconhecerá como seus e receberemos a recompensa dos discípulos, a participação no gozo do nosso Senhor. Quanto mais fruto damos, mais crescemos no bem, e mais ele é glorificado.
Para darmos fruto, precisamos permanecer em Cristo, isto é, continuar unidos a ele pela fé e fazer tudo na vida religiosa a partir dessa união. Este é o mandamento de Cristo: “Permanecei em mim, e eu em vós” (João 15:4). É uma grande preocupação de todo discípulo manter uma dependência constante de Cristo e comunhão com ele, apegar-se a ele e continuar buscando dele toda a força. Os que vieram a Cristo devem permanecer em Cristo. Permanecemos nele pela fé, e ele permanece em nós pelo seu Espírito. Devemos permanecer na sua palavra, dando atenção a ela, e deixá-la permanecer em nós como luz para o nosso caminho. Devemos descansar no mérito de Cristo, isto é, na sua justiça e na sua obra salvadora, como fundamento da nossa esperança e consolo.
Permanecer em Cristo é necessário para dar fruto (João 15:4-5). Ele diz: “Sem mim nada podeis fazer”. Se permanecermos nele, daremos muito fruto; se formos separados dele, nada podemos fazer. Permanecer em Cristo é indispensável para fazer muito bem. A pessoa que continua confiando em Cristo, amando-o, vivendo de suas promessas e seguindo seu Espírito, produz muito fruto. Uma vida assim é útil, firme, pura, celestial e satisfatória; cumpre bem o propósito para o qual o ser humano foi criado. A união com Cristo é um princípio nobre, e dela brota tudo o que é bom.
Essa permanência em Cristo também é necessária para qualquer bem, mesmo o menor. Cristo não é apenas o caminho para o crescimento no bem que já temos; ele é a raiz e a fonte de todo bem. “Sem mim nada podeis fazer”, nem mesmo o mais simples ato espiritual. Dependemos da graça do Mediador, aquele que está entre Deus e nós, em cada parte da vida espiritual e divina, assim como dependemos da providência de Deus para a vida neste mundo. Em ambos os casos, “nele vivemos, e nos movemos, e existimos”. Sem o mérito de Cristo, nada podemos fazer em direção à justificação, isto é, sermos considerados justos diante de Deus. Sem o Espírito de Cristo, nada podemos fazer em direção à santificação, isto é, sermos tornados santos. Sem Cristo, nada podemos fazer de modo verdadeiramente correto, nem nada que produza fruto agradável a Deus ou proveitoso para nós mesmos (2 Coríntios 3:5). Dependemos de Cristo não apenas como uma videira que se apoia num muro, mas como um ramo depende da raiz para receber a seiva.
O resultado de afastar-se de Cristo é terrível (João 15:6). “Se alguém não permanecer em mim, será lançado fora como a vara.” Isso descreve a triste condição dos hipócritas, que nunca estiveram realmente em Cristo, e dos apóstatas, que pareciam segui-lo, mas não permanecem nele. Eles são lançados fora como ramos secos e murchos, cortados porque só atrapalham a árvore. É justo que aqueles que pensam não precisar de Cristo não recebam os seus benefícios. Os que o rejeitam serão por ele rejeitados. Quem não permanece em Cristo será deixado a si mesmo, cairá em pecados vergonhosos e, por fim, será justamente lançado fora da comunhão dos crentes.
Essas pessoas secam, como um galho quebrado da árvore. Podem aparentar vigor por algum tempo, com uma profissão de fé exterior, plausível ou ao menos aceitável, mas logo se ressecam e acabam em nada. Suas capacidades murcham, seu zelo e devoção murcham, sua reputação murcha, e suas esperanças e consolações também murcham (Jó 8:11-13). Quem não dá fruto logo deixará também de ostentar folhas. Quão depressa a figueira secou depois que Cristo a amaldiçoou.
“Os colhem.” Os servos e auxiliares de Satanás os ajuntam e fazem deles presa fácil. Aqueles que se afastam de Cristo logo se juntam aos pecadores. Como ovelhas que se afastam do rebanho de Cristo, o diabo está pronto para apanhá-las. Quando o Espírito do Senhor se retirou de Saul, um espírito maligno se apoderou dele. Então são lançados no fogo. Os que levam outros ao pecado, na prática, estão lançando-os ali, pois fazem deles filhos do inferno. O fogo é o lugar adequado para os ramos secos, porque não servem para mais nada (Ezequiel 15:2-4).
“E ardem.” Este é o desfecho final, e a forma de dizer torna a advertência muito séria. Não são queimados rapidamente, como espinhos debaixo de uma panela (Eclesiastes 7:6). A ideia é que estão queimando, em um fogo que não se apaga e não se consome. Esse é o resultado de deixar Cristo, e esse é o fim das árvores estéreis. Os apóstatas são “duas vezes mortos” (Judas 12), e essa palavra os apresenta como se fossem duas vezes condenados. Alguns entendem esse ajuntar dos ramos como uma figura dos anjos, no grande dia, quando recolherão do reino de Cristo tudo o que escandaliza e juntarão o joio para o fogo.
Há também uma bem-aventurada promessa para os que permanecem em Cristo (João 15:7): “Se as minhas palavras permanecerem em vós, pedireis o que quiserdes ao meu Pai em meu nome, e vos será feito”.
Vemos aqui, em primeiro lugar, como nossa união com Cristo é sustentada pela palavra. Cristo havia dito: “Se permanecerdes em mim” e também: “e eu em vós”. Agora ele explica o sentido: “as minhas palavras permanecerem em vós”. É na palavra que Cristo nos é apresentado e oferecido (Romanos 10:6-8). É por meio da palavra que o recebemos e nos apegamos a ele. Assim, quando a palavra de Cristo habita ricamente em nós, o próprio Cristo habita em nós.
Se a palavra é nossa guia constante e nosso aviso, se ela se sente em casa em nós, então permanecemos em Cristo e ele em nós. Em segundo lugar, vemos como nossa comunhão com Cristo é alimentada pela oração: “Pedireis o que quiserdes, e vos será feito”. O que mais poderíamos desejar senão receber aquilo que pedimos? Os que permanecem em Cristo e nele encontram seu prazer terão o desejo do seu coração atendido por meio de Cristo. Se temos a Cristo, não nos faltará nada do que é realmente bom para nós.
Essa promessa inclui duas coisas. Primeiro, se permanecemos em Cristo e a sua palavra permanece em nós, não pediremos nada que não seja adequado e correto para nós. As promessas vivas em nós se transformam naturalmente em orações, e orações moldadas assim não podem falhar. Segundo, se permanecemos em Cristo e na sua palavra, temos tal favor diante de Deus, e tal auxílio por meio da mediação de Cristo, que nossas orações são respondidas com paz. A mediação de Cristo é ele levar nossos pedidos diante de Deus como aquele que se coloca entre Deus e nós.
Deste capítulo
João 15:2
"e podará todo o que der fruto, para que produza mais fruto."
João 15:3
"Vocês já estão puros pela palavra que tenho anunciado a vocês."
João 15:4
"Permaneçam em mim, e eu permanecerei em vocês. O ramo não pode dar fruto por si mesmo se não permanecer na videira. Assim também vocês: tampouco podem dar fruto se não permanecerem em mim."
João 15:5
"Eu sou a videira; vocês, os ramos. Quem permanecer em mim, e eu nele, esse dá muito fruto, porque sem mim vocês nada podem fazer."
João 15:6
"Se alguém não permanecer em mim, será lançado fora como o ramo. Ele secará, e irão juntá-lo e lançá-lo ao fogo, e será queimado."
João 15:7
"Se permanecerem em mim, e as minhas palavras permanecerem em vocês, pedirão tudo o que quiserem, e será feito para vocês."
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