Versículo em destaque
João 1:19 - Significado e aplicação
Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje
Tradução: Bíblia BibleGuided — Português Brasileiro
" Este foi o testemunho de João, quando os judeus lhe enviaram de Jerusalém sacerdotes e levitas para lhe perguntar: “Quem é você?”. "
João 1:19
Versículo no contexto
Entender os versículos ao redor evita interpretações incorretas:
17 Pois a Lei foi dada por Moisés; a graça e a verdade vieram por Jesus Cristo.
18 Ninguém jamais viu Deus. O Filho único, que está no seio do Pai, foi quem o revelou.
19 Este foi o testemunho de João, quando os judeus lhe enviaram de Jerusalém sacerdotes e levitas para lhe perguntar: “Quem é você?”.
20 Ele fez esta declaração, que confirmou sem hesitar: “Eu não sou o Cristo”. —
21 “Então, quem é você?” — perguntaram-lhe eles. “Você é Elias?”. Ele disse: “Não o sou”. “Você é o profeta?” Ele respondeu: “Não”.
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Aqui temos o testemunho de João, dado aos mensageiros enviados de Jerusalém para interrogá‑lo. Primeiro, é importante notar quem os enviou e quem eles eram. Os que os enviaram foram “os judeus” em Jerusalém, isto é, o grande Sinédrio, o principal conselho de governo judaico nas questões religiosas. Seria de se esperar que os principais homens de estudo e de religião, conhecendo pelas Escrituras que o Messias estava perto, recebessem João de imediato como seu precursor. Em vez disso, enviaram homens para desafiá‑lo. Saber secular, honra e poder raramente deixam alguém pronto para receber a luz de Deus.
Os enviados eram sacerdotes e levitas, provavelmente também membros do conselho, homens de estudo, dignidade e autoridade. João Batista também era sacerdote, da família de Arão, por isso era adequado que sacerdotes fossem interrogá‑lo. Malaquias havia dito que o ministério de João purificaria os filhos de Levi (Malaquias 3:3), por isso é provável que estivessem inquietos com sua obra de reforma. Alguns desses mensageiros eram também fariseus, homens cheios de justiça própria, que achavam não precisar se arrepender. Por isso não podiam suportar um pregador cuja obra inteira consistia em chamar o povo ao arrependimento.
O objetivo deles era perguntar sobre João e sobre o seu batismo. Não mandaram chamá‑lo para vir até eles, provavelmente porque temiam a multidão, ou porque queriam mantê‑lo à distância. Suas perguntas tinham mais de um motivo. Desejavam saciar a curiosidade, como os atenienses que queriam ouvir de Paulo o seu “novo ensino”, apenas pela novidade (Atos 17:19–20). Também queriam mostrar sua autoridade, colocando em julgamento aquele que todo o povo considerava profeta. E esperavam calá‑lo, se encontrassem algum pretexto, porque seu crescente prestígio os inquietava, e sua mensagem não se encaixava no entendimento antigo que eles tinham de Moisés ou do reino do Messias.
A resposta de João, tanto a respeito de si mesmo quanto do seu batismo, deu testemunho de Cristo. Primeiro, ele falou sobre quem era e o que afirmava ser. Perguntaram‑lhe: “Quem és tu?” A aparência de João causara espanto. Vivera no deserto até o dia em que Deus o manifestou a Israel. Seu espírito, seu modo de vida e seu ensino impressionavam, mas ele nunca tentou parecer maior do que realmente era. Ao contrário dos enganadores, não se apresentava como uma grande figura. Estava mais ansioso em fazer o bem do que em atrair atenção, por isso não falava de si até ser formalmente inquirido. Aqueles que falam melhor de Cristo costumam falar menos de si mesmos, deixando que suas obras falem por eles.
Ele respondeu com clareza, primeiro negando o que não era. Não era a grande pessoa que alguns imaginavam. Os verdadeiros servos de Deus precisam se guardar não só de serem desprezados, mas também de serem superestimados. Paulo falou com firmeza tanto contra os que o supervalorizavam quanto contra os que o desvalorizavam demais. Quando João foi tomado por Messias, não permitiu que o engano prosseguisse. Declarou aberta e firmemente: “Eu não sou o Cristo.” Os ministros de Cristo devem lembrar que não são o Cristo. Não podem reivindicar a autoridade nem a honra que pertencem somente a ele. Não podem conceder nova graça e paz, nem comunicar vida espiritual e consolo, porque não são Cristo.
A forma como o texto apresenta suas palavras mostra a firmeza com que João afirmou isso. Ele confessou e não negou, mas confessou claramente. Isso revela sua força e constância ao recusar uma honra indevida. As tentações ao orgulho, e a tomar para si o crédito que pertence a Deus, devem ser resistidas com real seriedade. João não aceitou silenciosamente o erro com um indiferente “se o povo quiser se enganar, que se engane”. Ele declarou abertamente: “Eu não sou o Cristo.” Ao se abaixar, estava honrando a Cristo. Quem se humilha de verdade confessa a Cristo; quem não aceita negar a si mesmo acaba negando a ele.
Ele também negou ser Elias. Os judeus esperavam que o próprio Elias descesse do céu e vivesse entre eles, e alimentavam grandes esperanças quanto a isso. O modo de vida estranho de João, sua pregação e seu batismo, somados ao fato de ter surgido na mesma região de onde Elias subira ao céu, levaram alguns a pensar que ele fosse o próprio Elias de volta. Mas João recusou também essa honra. De fato, ele era aquele anunciado sob o nome de Elias (Malaquias 4:5), e veio no espírito e no poder de Elias (Lucas 1:17). Ele era o Elias que havia de vir (Mateus 11:14), mas não a mesma pessoa que subiu ao céu na carruagem de fogo e depois apareceu com Cristo na transfiguração. Era o Elias que Deus havia prometido, não o Elias imaginado pelo povo. Elias veio, e não o reconheceram (Mateus 17:12), e João também não se apresentou como essa figura que eles haviam inventado, porque tais expectativas Deus nunca prometera.
João ainda negou ser “o profeta”. Primeiro, ele não era aquele profeta de quem Moisés falou, que o Senhor levantaria dentre seus irmãos, semelhante a Moisés. Se se referiam a esse, nem precisariam perguntar mais, pois esse profeta é o próprio Messias, e João já havia dito: “Eu não sou o Cristo.” Em segundo lugar, ele não era o tipo de profeta que eles desejavam, alguém como Samuel ou Elias, que entraria nos assuntos públicos e os libertaria do domínio romano. Em terceiro lugar, não era um dos antigos profetas ressuscitados, como alguns esperavam que acontecesse antes da vinda de Elias e depois antes da vinda do Messias. Em quarto lugar, embora João fosse, de fato, profeta — e mais do que profeta — sua revelação não lhe vinha por sonhos e visões, como acontecia com os profetas do Antigo Testamento. Seu chamado e sua obra pertenciam a um tipo diferente de ministério e a uma aliança diferente.
Se João tivesse respondido que era Elias ou profeta, poderia haver um sentido em que isso estaria correto. Mas os ministros precisam falar sempre com cuidado. Não devem contribuir para que o povo conserve ideias erradas, nem, sobretudo, permitir que alguém pense deles mais altamente do que convém.
Em seguida vem a resposta positiva. O grupo enviado para interrogá‑lo insistiu numa declaração direta (João 1:22). Apelaram para a autoridade de quem os tinha enviado, esperando que João reconhecesse isso. Diziam, em outros termos: “Dize‑nos quem és. Não perguntamos para crer em ti e sermos batizados por ti. Precisamos de uma resposta para dar aos que nos enviaram, para que não pensem que voltamos de mãos vazias.”
João era conhecido como homem verdadeiro, por isso esperavam uma resposta simples, não evasiva. Perguntaram: “Que dizes de ti mesmo?” Ele respondeu: “Eu sou a voz do que clama no deserto.” Ele responde nas palavras da Escritura, mostrando que a Escritura se cumpria nele e que sua obra tinha a autoridade de Deus. Quem serve no ministério deve lembrar muitas vezes o que a Palavra de Deus diz sobre seu chamado, e limitar‑se a isso, e somente a isso.
A resposta de João é também profundamente humilde. Ele escolhe a passagem que fala do seu dever, não de sua honra. Em essência, está dizendo: “Eu sou apenas uma voz”, quase como se não fosse nada além de voz. Dá uma descrição de si mesmo que poderia ajudá‑los, porque desloca a atenção deles para a mensagem que precisavam ouvir.
Ele era a voz de que fala Isaías 40:3. Era voz que advertia e também voz que ensinava. Os ministros são apenas a voz, o instrumento que Deus usa para dar a conhecer o seu querer. O que são Paulo e Apolo, afinal, senão servos enviados com uma mensagem?
João era uma voz humana. O povo fora preparado, no Sinai, para receber a lei por trovões e um som de trombeta muito forte, que os fazia tremer. Mas foi preparado para o evangelho por um homem semelhante a eles, uma voz mansa, como aquela pela qual Deus se aproximou de Elias (1 Reis 19:12). Era também a voz de alguém que clamava. Isso mostra sua intensidade. Chamava as pessoas ao arrependimento com urgência, sem poupar palavras. Os ministros devem pregar como quem realmente crê no que diz, e como quem, ele mesmo, é movido pela verdade que procura imprimir nos outros.
Ele clamava também em público, de modo que todos os tipos de pessoas pudessem ouvir e prestar atenção. Não é a sabedoria também descrita como alguém que clama? (Provérbios 8:1) E ele clamava no deserto, lugar de silêncio e solidão, afastado do barulho e da pressa do mundo. Quanto mais nos afastamos das distrações dos negócios cotidianos, melhor somos preparados para ouvir a Deus.
O que ele clamava era isto: “Endireitai o caminho do Senhor.” Isso significa, primeiro, que veio corrigir as ideias erradas que o povo tinha sobre os caminhos de Deus. Os caminhos de Deus são retos, mas escribas e fariseus os tinham entortado com suas interpretações erradas da lei. João chamou o povo de volta à regra original. Significa também que veio preparar as pessoas para receberem Cristo e o seu evangelho. A figura é a de um arauto do rei, que clama: “Abri caminho.” Quando Deus se aproxima de nós, devemos nos preparar para encontrá‑lo e deixar que a palavra do Senhor corra livremente (Salmo 24:7).
João também dava testemunho a respeito do seu batismo. A pergunta que fizeram a ele foi: “Por que batizas, se não és o Cristo, nem Elias, nem o profeta?” (João 1:25). Eles já entendiam o batismo como um ato sagrado apropriado. A comunidade judaica o usava, junto com a circuncisão, na admissão de convertidos, para representar a lavagem da impureza anterior. O mesmo sinal foi usado na igreja cristã, para que fosse algo mais familiar e bem recebido. Cristo não procurou novidade, e seus ministros também não devem procurá-la.
Eles também esperavam que o batismo fosse usado nos dias do Messias, porque as Escrituras prometiam que, então, haveria uma fonte aberta e que água limpa seria aspergida (Zacarias 13:1; Ezequiel 36:25). Por isso, consideravam certo que Cristo, Elias e o profeta batizariam quando viessem para purificar um mundo contaminado. A justiça divina, em outro tempo, afogou o mundo antigo na sua imundícia, mas a graça divina providenciou purificação para este novo mundo.
Assim, queriam saber com que autoridade João batizava. Como ele havia negado ser Elias ou o profeta, insistiram mais na questão: Por que, então, batizas? Não é novidade que a humildade de uma pessoa seja usada contra ela, para prejudicá-la. Ainda assim, é melhor que outros se aproveitem da nossa baixa opinião de nós mesmos do que o diabo se aproveite do nosso orgulho.
João respondeu que era apenas ministro do sinal exterior. “Eu batizo com água, e é só isso.” Ele estava dizendo: “Faço somente o que vocês podem ver. Não tenho título mais elevado do que João, o Batista, e não posso conceder a graça espiritual para a qual o sinal aponta.” Paulo teve o cuidado de que ninguém pensasse dele além do que realmente era (2 Coríntios 12:6), e João Batista teve o mesmo cuidado. Ministros não devem agir como se fossem senhores.
João também os direcionou para alguém maior do que ele, alguém que podia fazer por eles o que ele não podia. “Eu batizo com água, e aí termina a minha atuação. A minha tarefa é conduzir vocês àquele que vem depois de mim e entregá-los a ele.” A grande obra dos ministros de Cristo é apontar todos para Cristo. Não anunciamos a nós mesmos, mas a Cristo Jesus, o Senhor.
João deu a esse grupo a mesma resposta que já tinha dado ao povo (João 1:15). Ele permaneceu firme no seu testemunho, não como um caniço agitado pelo vento. O Sinédrio tinha ciúmes da influência dele sobre o povo, mas João não teve medo de lhes dizer que alguém maior do que ele já estava entre eles. Cristo estava ali, no meio deles, naquele momento, e eles não o conheciam.
Cristo estava entre o povo simples e parecia um deles. Muito verdadeiro valor está escondido neste mundo, e a verdadeira grandeza frequentemente passa despercebida. Os santos são “os ocultos” de Deus, por isso o mundo não os conhece. O próprio Deus muitas vezes está mais perto de nós do que imaginamos. “O Senhor está neste lugar, e eu não o sabia.” Eles olhavam em volta procurando o Messias, dizendo: “Ele está aqui” ou “Ele está ali”, enquanto o reino de Deus já estava no meio deles (Lucas 17:21).
Então João Batista lhes mostra o quanto Cristo é mais elevado do que ele. Cristo, diz ele, vem depois de mim, mas é antes de mim em prioridade e dignidade. João já tinha dito isso antes, e agora o repete com ainda mais humildade: “Não sou digno de desatar a correia da sua sandália.” Em outras palavras, João declara que não é apto nem para o serviço mais humilde em torno de Cristo. Os que estimam a Cristo consideram mesmo o serviço mais simples prestado a ele como grande honra (1 Samuel 25:41; Salmo 84:10).
Se um homem tão grande como João se achava indigno de estar próximo de Cristo, quanto mais devemos nós nos humilhar. Chama atenção que esses principais sacerdotes e fariseus, depois de ouvirem essa indicação a respeito do Messias que estava chegando, não tenham perguntado logo quem ele era e onde poderiam encontrá-lo. João era a pessoa mais indicada para lhes dizer isso. Mas eles não estavam buscando instrução com ele. Vieram para perturbar João, não para aprender com ele, e, por isso, sua ignorância foi voluntária. Eles poderiam ter conhecido Cristo, mas se recusaram a conhecê-lo.
O testemunho de João também aconteceu em Betábara, além do Jordão, o lugar onde ele batizava (João 1:28). Betábara significa “casa da passagem”, e alguns entendem que foi exatamente o lugar onde Israel atravessou o Jordão para entrar na terra prometida, sob a liderança de Josué. Se assim foi, é apropriado que ali tenha sido aberto, por Jesus Cristo, o caminho para a vida do evangelho. O lugar ficava longe de Jerusalém, do outro lado do Jordão, talvez para que o que João fazia ali chamasse menos atenção dos governantes. Como Amós, que teve de profetizar no campo, e não perto da corte, João falou em um lugar afastado da cidade. Foi triste que Jerusalém tenha mantido à distância de si mesma as coisas que pertenciam à sua paz. João fez essa confissão no mesmo lugar onde batizava, para que todos os que vinham para ser batizados pudessem ouvi-la e para que ninguém pudesse dizer depois que não tinha escutado o seu testemunho.
Deste capítulo
João 1:1
"No princípio era o Verbo, e o Verbo estava junto de Deus, e o Verbo era Deus."
João 1:2
"Ele estava no princípio junto de Deus."
João 1:3
"Tudo foi feito por meio dele, e sem ele nada foi feito."
João 1:4
"Nele havia vida, e a vida era a luz dos homens."
João 1:5
"A luz resplandece nas trevas, e as trevas não a compreenderam."
João 1:6
"Houve um homem enviado por Deus, que se chamava João."
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