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João 1:15 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje

Tradução: Bíblia BibleGuided — Português Brasileiro

" João dá testemunho dele e exclama: “Este é aquele de quem eu disse: O que vem depois de mim é maior do que eu, porque existia antes de mim”. "

João 1:15

menu_book Versículo no contexto

13 os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus.

14 E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, e vimos a sua glória, a glória que o Filho único recebe do seu Pai, cheio de graça e de verdade.

15 João dá testemunho dele e exclama: “Este é aquele de quem eu disse: O que vem depois de mim é maior do que eu, porque existia antes de mim”.

16 Todos nós recebemos da sua plenitude graça sobre graça.

17 Pois a Lei foi dada por Moisés; a graça e a verdade vieram por Jesus Cristo.

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auto_stories Comentário Bible Guided

Nesses versículos, o evangelista volta ao testemunho de João Batista a respeito de Cristo, em (João 1:15). Ele já havia dito que João veio como testemunha (João 1:8), e agora mostra que João de fato deu esse testemunho. João clamou em alta voz, assim como os profetas haviam anunciado que ele seria a voz do que clama. Os profetas do Antigo Testamento clamavam para expor o pecado, e este profeta do Novo Testamento clamou para revelar o Salvador.

Isso mostra que seu testemunho foi aberto e público. Ele o anunciou de modo que todos pudessem ouvir, porque todos precisavam disso. Os falsos mestres agem às escondidas, mas a verdadeira sabedoria fala abertamente onde as pessoas se reúnem. Também mostra que ele falou com liberdade e plena convicção. Ele clamou como alguém certo da verdade e alegre por anunciá-la. A criança que saltara no ventre de sua mãe à aproximação de Cristo agora acolhe a manifestação pública de Cristo com a mesma alegria.

A mensagem de João remetia ao que ele dissera no início do seu ministério. Ele havia dito ao povo que esperasse Aquele que viria depois dele, e que ele mesmo era apenas o precursor, o que preparava o caminho. Ele deixara isso claro desde o começo. É um consolo para um ministro saber que começou sua obra com motivos honestos e com o propósito sincero de honrar somente a Cristo.

Agora João aplica aquela mensagem anterior a Jesus, aquele que ele havia batizado recentemente e a quem o céu aprovara de modo tão evidente. “Este era aquele de quem eu dizia.” João fez mais do que deixar o povo esperando alguma figura futura, como muitos profetas do Antigo Testamento haviam feito. Ele indicou a pessoa claramente. Era como se dissesse: “Este é exatamente aquele que eu tinha em mente, e tudo o que eu disse se refere a ele.” Ele já havia dado a Jesus o lugar mais elevado: “O que vem após mim, no tempo e na aparição pública, é antes de mim; aquele que me segue na pregação e na formação de discípulos é maior em todos os sentidos.” Assim como um príncipe tem preferência acima do arauto que lhe prepara o caminho, assim Cristo é preferido acima de João.

Jesus devia ser chamado Filho do Altíssimo (Lucas 1:32), enquanto João era apenas o profeta do Altíssimo (Lucas 1:76). João era servo da nova aliança, mas Cristo é o Mediador da nova aliança, aquele que põe Deus e os homens em relacionamento. Embora João fosse grande e bem conhecido, ele entregou de boa vontade a Jesus o lugar que lhe pertencia. Todos os ministros de Cristo devem fazer o mesmo, colocando Cristo e os interesses dele acima dos seus próprios. Os que buscam seus próprios interesses em vez dos de Cristo fazem uma obra pobre (Filipenses 2:21).

João acrescenta a razão pela qual Cristo é superior a ele: “porque foi primeiro do que eu.” A expressão original pode significar “ele era o meu primeiro” ou “ele era a minha origem”. “O Primeiro” é um dos nomes de Deus (Isaías 44:6). Cristo era antes de João em antiguidade, pois existia antes de Abraão (João 8:58), na verdade, antes de todas as coisas (Colossenses 1:17). João veio apenas recentemente, mas as “saídas” de Cristo são desde os tempos antigos, desde os dias da eternidade (Miqueias 5:2). Isso mostra as duas naturezas de Cristo. Como homem, ele apareceu depois de João. Como Deus, ele existia antes de João, e sua existência eterna explica essa afirmação.

Cristo também era antes de João em posição e autoridade. Ele era o Príncipe de João, aquele por causa de quem João foi enviado. Cristo era o Mestre de João, e João era seu servo e mensageiro.

Isto também é graça e verdade em relação à lei dada por Moisés. É o cumprimento de todas as promessas do Antigo Testamento. As Escrituras muitas vezes unem misericórdia e verdade, com o sentido de misericórdia segundo a promessa. Do mesmo modo, graça e verdade aqui significam graça segundo a promessa (Lucas 1:72; 1 Reis 8:56). É também a substância de todos os sinais e sombras do Antigo Testamento. Havia certa graça nas cerimônias dadas a Israel e nos modos como Deus tratou com Israel, mas tudo aquilo era apenas sombra dos bens futuros, da graça revelada por meio de Jesus Cristo. Ele é o verdadeiro cordeiro da Páscoa, o verdadeiro bode emissário, o verdadeiro maná. Eles tiveram graça na figura; nós temos graça na pessoa, e isso é graça e verdade.

As palavras “veio” ou “foi feito” mostram que a graça e a verdade foram introduzidas na história por meio de Cristo, empregando o mesmo verbo usado em (João 1:3) para a criação de todas as coisas. Moisés apenas tornou a lei conhecida, mas o próprio ser dessa graça e dessa verdade, bem como a sua revelação, procedem de Jesus Cristo. Ele as fez conhecer, assim como fez o mundo no princípio. Por meio dele, essa graça e essa verdade permanecem firmes.

Outro dom que recebemos de Cristo é uma revelação clara do próprio Deus (João 1:18). Ele deu a conhecer Deus a nós, embora ninguém jamais tenha visto a Deus em tempo algum. Isto faz parte da graça e da verdade que vieram por Cristo: o conhecimento de Deus e a amizade com ele.

Isso também mostra os limites de toda outra forma de revelação. Ninguém jamais viu a Deus. Como a natureza de Deus é espiritual, ele não pode ser visto com olhos físicos. Ele é aquele a quem nenhum ser humano viu nem pode ver (1 Timóteo 6:16). Por isso precisamos viver pela fé, pela qual vemos aquele que é invisível (Hebreus 11:27). Isso também quer dizer que a revelação do Antigo Testamento foi breve e incompleta em comparação com o que veio por meio de Cristo. Tudo o que se conhecia antes da vinda de Cristo era muito menos do que agora foi esclarecido. Vida e imortalidade foram trazidas à luz de modo muito mais pleno do que antes.

Também significa que nenhum dos profetas do Antigo Testamento pôde tornar Deus conhecido às pessoas tão plenamente quanto o Senhor Jesus, porque nenhum deles viu a Deus em tempo algum. Moisés viu a semelhança do Senhor (Números 12:8), mas lhe foi dito que não poderia ver a face de Deus (Êxodo 33:20). A santa religião de Cristo é especialmente recomendada a nós porque foi fundada por aquele que viu a Deus e conheceu a sua mente mais plenamente do que qualquer outro jamais conheceu.

A revelação do evangelho é totalmente suficiente por causa de seu Autor. O Filho unigênito, que está no seio do Pai, esse o revelou. Só ele era plenamente adequado para tornar Deus conhecido e plenamente capaz de fazê-lo. Ele era digno de tomar o livro e abrir os seus selos (Apocalipse 5:9). Sendo o Filho unigênito, quem melhor para conhecer o Pai, ou para dar a conhecer o Pai, do que o próprio Filho (Mateus 11:27)? Ele compartilha da mesma natureza do Pai, de modo que quem o vê, vê o Pai (João 14:9). O servo não sabe o que faz o seu senhor como sabe o Filho (João 15:15). Moisés foi fiel como servo, mas Cristo é fiel como Filho.

Ele também está no seio do Pai. Ele esteve no coração do Pai desde a eternidade. Mesmo quando estava na terra, permaneceu, como Deus, no seio do Pai, e voltou para lá quando ascendeu. Estar no seio do Pai significa estar na maior e mais perfeita proximidade com o Pai.

Ele estava no seio do amor especial de Deus, querido para ele e sempre o seu prazer. Todos os santos de Deus estão em sua mão, mas o Filho estava em seu seio, um com o Pai em natureza e ser, e assim um com ele no grau mais elevado de amor. Ele também estava no seio do conselho secreto de Deus. Assim como o Pai e o Filho tinham perfeito prazer um no outro, também se conheciam plenamente (Mateus 11:27). Ninguém era mais apto a tornar Deus conhecido, porque ninguém conhecia a mente do Pai como ele.

Costumamos dizer que nossos planos mais profundos guardamos em nosso seio, isto é, ocultos no coração. Cristo tinha acesso aos planos secretos do Pai. Os profetas se sentavam a seus pés como aprendizes, mas Cristo estava deitado no seio do Pai como amigo. Veja Efésios 3:11. Depois ele tornou tudo isso conhecido livremente. A palavra “ele” não está no original. Ele declarou o que ninguém jamais tinha visto ou conhecido acerca de Deus, não apenas o que estivera oculto do povo de Deus, mas o que estava escondido no próprio Deus (Efésios 3:9). A palavra usada indica uma explicação simples, clara e completa, não meras sugestões vagas. Agora até quem corre pode ler a vontade de Deus e o caminho da salvação. Esta é a graça e a verdade que vieram por meio de Jesus Cristo.

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