Versículo em destaque
Joel 1:8 - Significado e aplicação
Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje
Tradução: Bíblia BibleGuided — Português Brasileiro
" Clame como uma virgem cingida de saco para chorar o prometido de sua juventude. "
Joel 1:8
Versículo no contexto
Entender os versículos ao redor evita interpretações incorretas:
6 Minha terra foi invadida por um povo forte e inumerável; seus dentes são dentes de leão, e ele tem mandíbulas de leoa.
7 Devastou o meu vinhedo, destruiu minha figueira, descascou-a completamente, lançou-a por terra, e seus ramos ficaram brancos.
8 Clame como uma virgem cingida de saco para chorar o prometido de sua juventude.
9 Já não há oferta nem libação no Templo do Senhor. Os sacerdotes, servos do Senhor, estão de luto.
10 Os campos estão devastados, e o solo está enlutado. O trigo foi destruído, o mosto se perdeu, e o óleo se estragou.
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O juízo aqui é descrito como extremamente doloroso, algo que atinge a todos. Não tira apenas o prazer dos bêbados; se fosse só isso, seria mais fácil suportar. Tira também o alimento necessário para a vida. Por isso, todos são chamados a lamentar (Joel 1:8), como uma virgem que chora a morte daquele a quem estava prometida, ou como uma jovem esposa cujo marido morre de repente.
Entre dois jovens recém-casados, especialmente quando se uniram por amor e combinavam bem um com o outro, a dor pela separação é muito profunda. Assim também haveria grande tristeza pela perda do cereal e do vinho. Quanto mais nos apegamos aos confortos terrenos, mais difícil é deixá-los. Linguagem semelhante aparece em (Isaías 32:10-12).
Dois grupos, em especial, são chamados a lamentar essa devastação: os lavradores e os sacerdotes. Primeiro, que os lavradores e vinhateiros chorem (Joel 1:11). Eles devem se envergonhar de todo o cuidado e trabalho gastos nas vinhas, porque tudo terá sido em vão. Verão o fruto do seu esforço ser consumido diante de seus olhos, sem poder salvar nada. Aqueles que trabalham apenas por alimento que perece acabarão, mais cedo ou mais tarde, envergonhados do seu trabalho.
Os vinhateiros demonstrarão sua grande dor uivando, porque suas vinhas estão despojadas de folhas e frutos, e as videiras se secaram. Nada resta de onde possam tirar alimento, pagar aluguel ou sustentar a família. A destruição é descrita em termos fortes: o campo está assolado (Joel 1:10), tudo o que a terra produz foi consumido, e a própria terra parece lamentar. O solo parece triste, e todo o povo chora pelo que perdeu e pelo medo de morrer de fome (Isaías 24:4; Jeremias 4:28).
O cereal, o grão de pão que sustenta a vida, está destruído. O vinho novo, que deveria ser guardado nas adegas para substituir o velho quando acabasse, secou. Diz-se que ele está envergonhado porque prometia muito e agora não consegue cumprir. O azeite está diminuindo, secando, porque, como explica a antiga versão caldaica, as azeitonas caíram.
O povo não havia agradecido a Deus como devia pelo pão que fortalece o coração, pelo vinho que alegra o coração e pelo azeite que faz resplandecer o rosto (Salmo 104:14-15). Por isso, é justo que agora sejam levados a lamentar sua perda e necessidade. Isso inclui todos os produtos da terra que Deus dá tanto para a necessidade como para o prazer, o que é repetido em (Joel 1:11, Joel 1:12). Aí estão o trigo e a cevada, os principais grãos de pão: o trigo para os ricos e a cevada para os pobres, de modo que ricos e pobres participam igualmente dessa aflição.
As árvores também são destruídas, não só a videira e a figueira, já mencionadas (Joel 1:7), mas também as árvores que davam deleite, como o romãzeiro, a tamareira e a macieira, e, na verdade, todas as árvores do campo, tanto as frutíferas quanto as de madeira. Em suma, toda a colheita do campo falhou (Joel 1:11). Como resultado, a alegria se secou entre os filhos dos homens (Joel 1:11). A alegria da colheita, figura comum de grande e ampla felicidade, se desfaz e se transforma em vergonha e tristeza.
Quando a colheita fracassa, a alegria humana murcha. Aqueles que fundamentam sua felicidade em prazeres materiais perdem toda a alegria quando esses prazeres são tirados ou perturbados. Mas os filhos de Deus, que têm os prazeres terrenos em pouca conta e conhecem o próprio Deus como seu deleite, podem ainda se alegrar no Deus da sua salvação mesmo quando a figueira não floresce. Nesses momentos, sua alegria espiritual não morre, muitas vezes se fortalece (Habacuque 3:17-18).
Disso aprendemos três coisas. Primeiro, todos os nossos confortos terrenos são passageiros e incertos. Mesmo quando o céu dá chuva no tempo certo, a terra produz bem e a colheita está próxima, ainda assim inimigos podem vir e estragar tudo sem precisar de fogo ou guerra. É sabedoria não ajuntar tesouros em coisas que podem ser perdidas tão facilmente.
Segundo, precisamos viver em constante dependência de Deus e da sua providência, o seu governo cuidadoso sobre todas as coisas. Nossas próprias mãos não bastam para nós. Mesmo quando o grão está cheio na espiga, e mesmo quando já foi trazido para casa, se Deus sopra sobre ele, ou simplesmente deixa de abençoá-lo, nada proveito tiraremos dele.
Terceiro, o pecado causa estragos terríveis. Transforma um paraíso em deserto e uma terra muito fértil em esterilidade por causa do pecado dos que nela habitam.
Em segundo lugar, que os sacerdotes, ministros do Senhor, também lamentem, porque participam profundamente dessa perda. Eles são orientados a cingir-se de pano de saco (Joel 1:13) e, na verdade, já estavam lamentando (Joel 1:9). São chamados ministros do altar, porque serviam ali, e ministros do Senhor, ou do meu Deus, como diz o profeta, porque, ao servir no altar, serviam e honravam a ele. Aqueles que são separados para o serviço santo são ministros de Deus e estão a seu serviço.
Os ministros do altar costumavam alegrar-se perante o Senhor e gastavam boa parte do tempo cantando. Agora, porém, devem chorar e clamar, porque a oferta de manjares e a libação foram cortadas da casa do Senhor (Joel 1:9) e, de novo, da casa do vosso Deus (Joel 1:13). Ele é o vosso Deus de modo especial, porque o vínculo de vocês com ele é mais estreito do que o do restante de Israel; por isso, espera-se que se importem mais do que os outros quando algo atrapalha o serviço do seu santuário.
Vê-se também que, enquanto o povo recebia os frutos da terra em seu tempo, dava a Deus a parte que lhe era devida. Levavam ofertas ao altar e dízimos aos que serviam ali. Um povo pode caminhar rapidamente rumo a pecados maiores e ainda manter as práticas exteriores da religião.
Mas quando o alimento e a bebida faltaram, a oferta de manjares e a libação faltaram também; e essa foi a parte mais amarga da calamidade. Qualquer aflição pública que impeça o culto a Deus deve ser profundamente lamentada, especialmente pelos sacerdotes, ministros do Senhor.
Quando a pobreza faz a piedade enfraquecer e o povo negligenciar seus deveres para com Deus, isso é, de fato, um juízo muito pesado. À medida que a fome se espalhava, Deus já não podia receber seus sacrifícios, e os sacerdotes já não podiam receber o seu sustento. Por essa razão, que os ministros do Senhor lamentem.
Deste capítulo
Joel 1:1
"Oráculo do Senhor dirigido a Joel, filho de Fatuel."
Joel 1:2
"Ouçam isto, anciãos; fiquem atentos, todos vocês, habitantes da terra! Aconteceu algo semelhante nos dias de vocês ou nos dias dos pais de vocês?"
Joel 1:3
"Contem isso aos filhos de vocês, os filhos de vocês aos filhos deles, e estes à geração seguinte!"
Joel 1:4
"O que a lagarta deixou, o gafanhoto devorou; o que o gafanhoto deixou, o roedor devorou; e o que restou do roedor, o devastador comeu."
Joel 1:5
"Despertem, ó ébrios, e chorem; bebedores de vinho, lamentem-se, porque o suco da vinha foi tirado da boca de vocês!"
Joel 1:6
"Minha terra foi invadida por um povo forte e inumerável; seus dentes são dentes de leão, e ele tem mandíbulas de leoa."
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