Versículo em destaque
Jó 31:24 - Significado e aplicação
Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje
Tradução: Bíblia BibleGuided — Português Brasileiro
Nunca pus no ouro minha segurança e jamais disse ao ouro puro: ‘Você é minha esperança!’.
Jó 31:24
Versículo no contexto
Entender os versículos ao redor evita interpretações incorretas:
22 que meu ombro caia de minhas costas, e meu braço seja arrancado de seu cotovelo!
23 Pois o terror de Deus me invadiu, e diante de sua majestade não posso subsistir.
24 Nunca pus no ouro minha segurança e jamais disse ao ouro puro: ‘Você é minha esperança!’.
25 Nunca me alegrei por ser grande a minha riqueza, nem pelo fato de minha mão ter ajuntado muito.
26 Quando via o sol brilhar e a lua levantar-se em seu esplendor,
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Nestes versículos vemos mais quatro partes da defesa de Jó. Como o restante, elas mostram quem ele era e o que nós deveríamos ser. Primeiro, Jó afirma que nunca colocou o coração nas riquezas deste mundo, nem as tratou como se fossem a sua verdadeira felicidade. Ele possuía ouro e muito ouro fino, mas não fez disso a sua segurança nem a sua alegria.
Ele não pôs a sua confiança nas riquezas (Jó 31:24). Isso é algo insensato, porque o dinheiro não pode tornar ninguém verdadeiramente seguro nem feliz. Alguns confiam no dinheiro como se fosse sinal do favor de Deus, e outros como se pudesse garantir conforto nesta vida. Mas as riquezas, por si mesmas, são incertas, e o nosso desfrute delas é ainda mais incerto. É difícil ter riquezas sem confiar nelas, e isso é uma das razões pelas quais é tão difícil um rico entrar no reino de Deus (Mateus 19:23; Marcos 10:24).
Jó também declara que não tinha um orgulho especial por causa de seus bens (Jó 31:25). Não se gloriava dizendo que sua própria mão os tinha conseguido, como se sua própria força o tivesse enriquecido (Deuteronômio 8:17). Não se agradava do dinheiro mais do que das coisas espirituais, que eram a verdadeira alegria do seu coração. Mesmo na abundância, não dizia a si mesmo: “Descansa, come, bebe e folga.” E como não se comprazia excessivamente nas riquezas, pôde suportar tão pacientemente a sua perda. Quanto menos alguém se apega ao conforto, menos dor sente quando ele é tirado.
Em segundo lugar, Jó diz que nunca deu a nenhuma criatura a honra que pertence somente a Deus. Ele nunca foi culpado de idolatria (Jó 31:26-28). Seus amigos não parecem tê-lo acusado disso, mas havia, naquele tempo, pessoas que adoravam o sol e a lua. Esse era um dos mais antigos tipos de idolatria e era uma forte tentação, por causa da beleza e do poder desses astros (Deuteronômio 4:19). Naquele período, tal culto parece ter sido praticado de modo oculto, e não ainda abertamente, como se tornaria depois.
Jó manteve-se bem longe desse pecado. Nunca se curvou diante do sol ou da lua, e conservou seus olhos, seu coração e seus lábios limpos de idolatria. Nem mesmo fitava os astros de modo que lhes atribuísse honra divina. Em vez disso, pela fé, olhava através deles para o Criador, o Pai das luzes. Guardou cuidadosamente o coração, para que não fosse secretamente atraído a imaginar haver poder divino em seu brilho ou na sua influência. A idolatria começa no coração, quando a cobiça arrasta e seduz a pessoa.
Ele não realizou nem o menor gesto de adoração para com eles. Sua boca não beijou a própria mão, o que provavelmente era então um sinal comum de reverência. Jó chama esse pecado de mal digno de ser punido pelo juiz, porque prejudica nações inteiras e enfraquece a vida pública. Mais ainda, via nisso uma afronta direta ao Deus do céu, uma negação do Deus que está acima e do seu governo. A idolatria é, na prática, uma forma de ateísmo, porque nega o lugar e o poder de Deus. Precisamos ter cuidado com tudo o que, de modo sutil, nega a Deus, seu cuidado ou qualquer um de seus atributos.
Em terceiro lugar, Jó afirma que nunca desejou mal nem mesmo ao seu pior inimigo. Não era vingativo. Não apenas se recusava a revidar, como também se recusava a se alegrar com a desgraça deles. Muitos não levantam a mão contra quem lhes fez mal, mas sentem, em segredo, prazer quando essas pessoas sofrem. Jó declara que não era assim (Jó 31:29).
Mesmo quando via a ruína dos que o odiavam, não se alegrava. Isso revelaria um espírito pecaminoso e traria culpa sobre ele também (Provérbios 24:17-18). Jó acrescenta que também não desejava em silêncio que o mal caísse sobre eles (Jó 31:30).
Ele diz que nunca lançou maldição sobre a própria alma, e esse é um dos piores tipos de maldição que alguém pode desejar. Nunca desejou a própria morte, pois sabia que isso teria se tornado pecado para ele. Foi cuidadoso para não pecar com a língua (Salmo 39:1) e não permitiu que sua boca se entregasse ao mal. Por isso, não invocava destruição nem mesmo sobre o seu pior inimigo. Se outros nos odeiam, isso não nos dá o direito de odiá-los de volta.
Jó também foi fortemente pressionado em direção à vingança, mas ainda assim manteve-se limpo desse pecado (Jó 31:31). Os homens da sua tenda, seus servos e todos ao seu redor estavam tão irritados com o inimigo de Jó que teriam despedaçado esse homem, se Jó apenas lhes desse ordem. Em essência, diziam: “Quem nos dera pudéssemos nos vingar dele. Nosso senhor está disposto a perdoar, mas nós não estamos.” Isso mostra o quanto a casa de Jó o amava, pois apoiavam completamente a sua causa e odiavam seus inimigos. E mostra também o quanto Jó se continha, pois não se vingou, embora tivesse gente ao redor inflando sua ira.
Um homem bondoso costuma sentir-se menos ferido pelas ofensas do que seus amigos se sentem por ele. Além disso, pessoas em posição de poder quase sempre têm ao redor quem as incite à vingança. Davi também tinha gente assim em sua volta (1 Samuel 24:4; 1 Samuel 26:8; 2 Samuel 16:9). Mas, se alguém assim mantém o domínio próprio, apesar de conselhos maus, depois não terá do que se envergonhar. Ao contrário, isso lhe trará muita honra.
Jó diz ainda que nunca foi cruel ou indiferente com os estrangeiros (Jó 31:32). Nenhum viajante precisou passar a noite na rua, como teriam feito os anjos em Sodoma, se Ló não os tivesse recebido em casa. Esse exemplo provavelmente instruiu Jó, como também instrui a nós, a não nos esquecermos da hospitalidade para com estranhos (Hebreus 13:2). Quem está em casa deve lembrar de quem está longe de casa, colocar-se em seu lugar e fazer com eles o que desejaria para si mesmo. A hospitalidade é um dever cristão (1 Pedro 4:9).
Nos dias de prosperidade, Jó era conhecido por sua hospitalidade generosa. Ele abria a porta para a estrada ou, como também se pode entender, mantinha a porta da rua aberta para ver quem passava e convidá-lo a entrar, como fez Abraão (Gênesis 18:1).
Deste capítulo
Jó 31:1
"Eu havia feito um pacto com os meus olhos para nunca desejar olhar para uma virgem."
Jó 31:2
"Que parte Deus me daria lá do alto? Que sorte o Todo-poderoso me enviaria do céu?"
Jó 31:3
"Acaso a infelicidade não está reservada ao injusto, e o infortúnio, ao iníquo?"
Jó 31:4
"Deus não conhece os meus caminhos e não conta todos os meus passos?"
Jó 31:5
"Se caminhei com a mentira e meu pé correu atrás da fraude,"
Jó 31:6
"que Deus me pese na balança da justiça, e reconhecerá a minha integridade."
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