Versículo em destaque
Jó 1:13 - Significado e aplicação
Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje
Tradução: Bíblia BibleGuided — Português Brasileiro
" Certo dia, quando os filhos e as filhas de Jó estavam à mesa, bebendo vinho na casa do irmão mais velho, "
Jó 1:13
Versículo no contexto
Entender os versículos ao redor evita interpretações incorretas:
11 Mas estende a tua mão e toca em tudo o que ele possui. Juro-te que ele te amaldiçoará na tua face”.
12 “Pois bem!”, respondeu o Senhor. “Tudo o que ele possui está em seu poder. Mas não estenda a mão contra a sua pessoa.” Então o Satanás saiu da presença do Senhor.
13 Certo dia, quando os filhos e as filhas de Jó estavam à mesa, bebendo vinho na casa do irmão mais velho,
14 um mensageiro veio dizer a Jó: “Os bois estavam lavrando, e as jumentas pastavam perto deles.
15 De repente, os sabeus apareceram, roubaram tudo e passaram seus escravos a fio de espada. Somente eu escapei para trazer-te a notícia”.
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Aqui começa a narrativa completa das aflições de Jó.
Satanás fez com que tudo acontecesse justamente no dia em que os filhos de Jó estavam iniciando mais um ciclo de banquetes na casa do irmão mais velho (Jó 1:13). Como o primogênito provavelmente tinha a maior parte da herança, o banquete devia ser o mais farto de todos. A família inteira estava tranquila, em paz, sentindo-se segura, exatamente quando esse costume estava sendo renovado. Satanás escolheu esse momento para que o sofrimento fosse ainda mais agudo. “A noite do meu prazer se tornou em tremor para mim” (Isaías 21:4).
Os golpes vieram todos de uma vez. Enquanto um mensageiro de más notícias ainda falava, chegava outro, depois um terceiro, depois um quarto. Com a permissão de Deus, Satanás ordenou tudo assim por dois motivos. Primeiro, para que Jó interpretasse aquilo como uma ira especial de Deus contra ele, e ficasse amargurado com a providência, como se Deus tivesse decidido arruiná-lo de qualquer maneira. Segundo, para que ele não tivesse tempo de refletir, orar ou aquietar o coração em confiança paciente. Seria atropelado por uma desgraça em cima da outra. Os filhos de Deus muitas vezes passam por muitas provações ao mesmo tempo, como ondas sucessivas. Por isso, quando uma aflição vem, que ela sirva também para nos preparar para outra.
Jó perdeu tudo o que possuía, e as perdas seguiram exatamente a lista de seus bens. Ele tinha 500 juntas de bois e 500 jumentas, com servos para cuidar deles, e perdeu todos de uma vez (Jó 1:14, Jó 1:15). Não foi por descuido dos servos. Os bois estavam arando, não ociosos, e as jumentas pastavam ao lado, sob vigilância. Nem o trabalho cuidadoso nem o dever honesto podem nos livrar de problemas. Ainda assim, há algum consolo quando a aflição nos encontra onde devemos estar, e não num caminho errado. A perda veio pela maldade dos sabeus, provavelmente bandos de ladrões que viviam de saque. Eles levaram os animais e mataram os servos que tentaram defendê-los. Um servo escapou, não por misericórdia, mas para que Jó soubesse por uma testemunha ocular antes que a notícia se espalhasse mais. Satanás incitou aqueles homens e, num único ato, fez Jó sofrer e os sabeus pecarem.
Jó também tinha sete mil ovelhas, com seus pastores, e perdeu tudo de uma vez por um fogo que caiu do céu (Jó 1:16). Ele podia estar inclinado a culpar os sabeus, mas a notícia seguinte fez seus pensamentos se voltarem para o alto: “O fogo de Deus caiu do céu.” Se o trovão é a voz de Deus, o relâmpago é o seu fogo. E aquilo não foi um raio comum, pois atingiu diretamente os rebanhos de Jó e consumiu ovelhas e pastores. Satanás conduziu essa prova com cuidado, visando levar Jó a amaldiçoar a Deus. Aquelas ovelhas tinham importância especial, pois eram usadas por Jó em sacrifícios para honrar ao Senhor. Era como se Deus tivesse se irritado justamente com aquilo que Jó utilizava no culto. Satanás já havia mentido sobre Jó diante de Deus, chamando-o de servo falso; agora queria mentir sobre Deus para Jó, fazendo-o parecer um senhor duro, que não protege nem mesmo os rebanhos usados no sacrifício. Assim, poderia tentar Jó a concluir que servir a Deus não valia a pena. O mensageiro chamou aquele fogo de “fogo de Deus”, e isso era verdade o bastante, mas Satanás provavelmente queria que Jó pensasse que Deus se voltara contra ele. Jó diria depois que o terror da destruição vinda de Deus o apavorava (Jó 31:23). Quanto mais dolorosa, então, a notícia de uma destruição que parecia vir diretamente da mão de Deus. Se o fogo do céu tivesse queimado as ovelhas sobre o altar, Jó poderia interpretar como favor. Mas, por tê-las consumido no campo, ele só podia enxergar nisso desagrado. Nada parecido tinha acontecido desde que Sodoma foi queimada.
Jó tinha três mil camelos, com os servos que os apascentavam, e perdeu todos ao mesmo tempo para os caldeus, que vieram em três bandos, levaram os animais e mataram os servos (Jó 1:17). Se o fogo de Deus tivesse caído sobre os sabeus e os caldeus, em vez de cair sobre os servos inocentes de Jó, os juízos divinos pareceriam claros e evidentes como grandes montes. Mas quando os ímpios prosperam e carregam o despojo, enquanto pessoas corretas são de repente abatidas, a justiça de Deus se torna como o mar profundo, cujo fundo não alcançamos (Salmo 36:6).
Por fim veio a perda mais dolorosa de todas: os seus dez filhos. Jó foi informado de que morreram quando a casa em que estavam festejando desabou sobre eles, assim como sobre todos os servos que ali estavam, com exceção de um que escapou para trazer a notícia (Jó 1:18, Jó 1:19). Esse foi o golpe mais duro, o que mais naturalmente cortaria sua alma. Por isso o diabo o deixou para o fim, na esperança de que, se as demais perdas não o quebrassem, essa o faria. Os filhos são parte de nós mesmos, e perdê-los fere o ser humano no ponto mais sensível.
Perdê-los todos de uma vez, vê-los todos ceifados num só momento, quando tinham sido o cuidado e a esperança de tantos anos, traspassou profundamente o coração de Jó. Morreram todos juntos, sem que um só ficasse vivo. Davi, embora homem sábio e piedoso, ficou profundamente abalado com a morte de um único filho. Quanto mais pesado, então, não deve ter sido para o pobre Jó, que perdeu todos e, em um único instante, se viu sem filhos.
Eles morreram repentinamente. Se tivessem sido levados por uma doença lenta, Jó teria tido tempo para esperar a morte e preparar-se para a perda. Em vez disso, veio sem aviso. Isso tornou o golpe mais difícil de suportar, porque não houve oportunidade de preparar o coração para a ruptura.
Morreram enquanto festejavam e se alegravam. Se tivessem morrido enquanto oravam, Jó talvez pudesse carregar a dor com mais facilidade. Poderia esperar que a morte os tivesse encontrado em um bom estado espiritual. Mas serem surpreendidos naquele dia, como ladrão de noite, talvez sobrecarregados de comida e bebida, só podia aumentar seu pesar. Jó sempre se preocupara profundamente com as almas deles, e agora estavam além do alcance dos sacrifícios que ele costumava oferecer por cada um.
Vê-se assim como o mesmo fim pode alcançar todo tipo de pessoa. Os filhos de Jó eram alvos frequentes das orações do pai, viviam em amor uns com os outros, mas mesmo assim chegaram a um fim tão prematuro. Morreram por um vento levantado pelo diabo, chamado príncipe das potestades do ar (Efésios 2:2), mas tudo foi entendido como vindo diretamente da mão de Deus e sinal de sua ira. Mais tarde, Bildade interpretaria assim, dizendo: “Teus filhos pecaram contra ele, e ele os lançou na mão da sua transgressão” (Jó 8:4).
Foram tirados exatamente quando Jó mais precisava deles para consolá-lo em meio às outras perdas. Assim se mostra o quanto todo socorro criado é vazio. Só em Deus há socorro verdadeiro, e socorro presente, em todo tempo.
Deste capítulo
Jó 1:1
"Havia na terra de Hus um homem chamado Jó. Ele era íntegro e reto, temia a Deus e se afastava do mal."
Jó 1:2
"Nasceram-lhe sete filhos e três filhas."
Jó 1:3
"Ele possuía sete mil ovelhas, três mil camelos, quinhentas juntas de bois, quinhentas jumentas e uma grande quantidade de escravos. Esse homem era o mais rico entre todos os habitantes do Oriente."
Jó 1:4
"Seus filhos costumavam ir à casa uns dos outros, alternadamente, para realizar banquetes, e convidavam suas três irmãs para comer e beber com eles."
Jó 1:5
"Quando terminava a série dos dias de banquetes, Jó mandava chamar seus filhos para purificá-los e, na manhã do dia seguinte, oferecia holocaustos por cada um deles: “porque – dizia ele –, talvez meus filhos tenham pecado e amaldiçoado a Deus em seu coração”. Jó fazia isso sempre."
Jó 1:6
"Certo dia, quando os filhos de Deus se apresentaram diante do Senhor, Satanás também veio entre eles."
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