Versículo em destaque
Jeremias 9:23 - Significado e aplicação
Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje
Tradução: Bíblia BibleGuided — Português Brasileiro
" Aquele, porém, que quiser se vangloriar, glorie-se de possuir inteligência e de saber que eu, seu Senhor, exerço a bondade, o direito e a justiça sobre a terra, pois nisso encontro o meu agrado – oráculo do Senhor. "
Jeremias 9:23
Versículo no contexto
Entender os versículos ao redor evita interpretações incorretas:
21 Cadáveres humanos jazem como esterco nos campos, como feixes atrás do segador. E ninguém os recolhe”.
22 Eis o que diz o Senhor: “Que o sábio não se envaideça de seu saber, nem o forte de sua força, e que o rico não se orgulhe de sua riqueza!
23 Aquele, porém, que quiser se vangloriar, glorie-se de possuir inteligência e de saber que eu, seu Senhor, exerço a bondade, o direito e a justiça sobre a terra, pois nisso encontro o meu agrado – oráculo do Senhor.
24 Dias virão – oráculo do Senhor – em que castigarei todos os circuncidados que conservam seus prepúcios:
25 os egípcios, os judeus, os edomitas, os amonitas, os moabitas e os beduínos de cabeça raspada. Pois todas as nações são incircuncisas, assim como todos os da casa de Israel são incircuncisos de coração”.
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O profeta vinha tentando encher aquele povo de santo temor de Deus e de seus juízos, convencê-los tanto do pecado quanto da ira. Mas eles sempre encontravam alguma desculpa frágil para se esconder, para não se sentirem confrontados nem se desviarem de sua teimosia e descuido. Agora, ele trabalha para expulsá-los desses abrigos falsos e mostrar que não têm firmeza nenhuma.
Quando foram advertidos de que o juízo estava vindo e não podia ser evitado, apoiaram‑se em sua política e em seu poder. Confiaram também em suas riquezas e tesouros, achando que isso tornava Jerusalém impossível de ser conquistada. Em resposta, o profeta mostra quão tolo é gloriar‑se nessas coisas quando não se tem um Deus de aliança em quem depender. No dia da angústia, o sábio não deve se gloriar na sua sabedoria, como se a esperteza pudesse sempre superar o inimigo ou achar uma saída de última hora. A sabedoria humana pode falhar justamente quando mais se precisa dela, e a pessoa pode ser enredada pelos próprios planos, como aconteceu com Aitofel; conselheiros são muitas vezes levados cativos na derrota.
Se os planos de alguém falham, ele ainda pode pensar que a força o salvará. Mas o forte não deve se gloriar na sua força, porque a batalha nem sempre é do forte. Davi, o jovem pastor, foi mais forte em Deus do que Golias, o gigante. O poder humano nada significa sem Deus, e contra Deus é pior do que nada. Também o rico não deve se gloriar nas suas riquezas. O dinheiro pode servir para muitas coisas, mas não pode afastar o perigo. A riqueza pode até expor mais a pessoa e torná‑la alvo preferencial. Assim, nem uma nação nem um indivíduo devem confiar em homens sábios, fortes ou ricos, como se só isso bastasse para reter o desastre. Tudo isso são esperanças vazias de segurança.
Em que podemos, então, apoiar‑nos na angústia? Primeiro, no consolo de termos cumprido o nosso dever. Os que recusaram conhecer a Deus (Jeremias 9:6) se gloriarão em vão na sabedoria e nas riquezas. Mas os que de fato conhecem a Deus, compreendem que ele é o Senhor e guardam essa verdade no coração podem achar verdadeiro motivo de alegria em tempos difíceis. Segundo, se pela graça tivermos feito nosso dever em alguma medida, nossa confiança é que Deus será tudo de que precisamos. Podemos nos gloriar nisto: conhecemos e pertencemos a um Deus que exerce benignidade, juízo e justiça na terra. Ele é justo para com toda criatura e não fará injustiça, e é bondoso com seus filhos, protegendo‑os e suprindo‑os. “Porque destas coisas me agrado.” Deus se agrada de mostrar benignidade e de executar o juízo, e se agrada quando seu povo o segue nesses caminhos como filhos amados. Os que são transformados à semelhança de Deus e participam de sua santidade encontram aí a sua verdadeira glória. O Deus segundo cuja imagem estão sendo formados é aquele em quem podem confiar plenamente nos momentos de mais profunda aflição.
O profeta, porém, deixa entender que a maior parte do povo não se importava com isso. Sua esperança e alegria estavam em sua sabedoria, sua força e suas riquezas, e isso terminaria em dor e desespero. Mesmo assim, o pequeno remanescente que conhecia a Deus podia consolar‑se nesse conhecimento. Isso lhes valeria muito mais do que milhares de peças de ouro e prata.
Quando foram advertidos de quanto seus pecados ofendiam a Deus, eles buscaram outra desculpa vazia: o sinal da aliança, a circuncisão. De fato, eram o povo de Deus. Tinham o templo do Senhor na cidade e traziam a marca do seu povo em seu próprio corpo. Pareciam argumentar que o exército caldeu destruíra outras nações porque eram incircuncisas e, por isso, estavam fora da proteção especial de que Israel desfrutava.
O profeta responde que o tempo do juízo estava próximo, quando Deus castigaria todos os ímpios sem fazer diferença entre circuncisos e incircuncisos (Jeremias 9:25, Jeremias 9:26). Pelo pecado, eles haviam profanado a honra que os diferenciava e viviam praticamente como as nações incircuncisas. Assim, perderam o benefício daquele sinal exterior e não deviam esperar socorro por meio dele. Deus punirá o circunciso junto com o incircunciso. A ignorância dos incircuncisos não será desculpa para o mal que cometem, e os privilégios dos circuncisos não serão desculpa para os pecados deles. Deus julgará uns e outros conforme as suas obras.
Isso é impactante, porque Judá é colocada lado a lado com o Egito e Edom, no mesmo nível e sob a mesma sentença (Jeremias 9:26). Essas nações foram afastadas dos privilégios de Israel (Deuteronômio 23:3), mas agora é dito a Israel que compartilhará dos castigos delas. O povo “nos cantos mais remotos, que habitam no deserto” provavelmente se refere aos quedaritas e aos reinos de Hazor, comparando com (Jeremias 49:28‑32). Seja como for entendida a descrição, eram incircuncisos na carne, e Judá é posta na mesma categoria, à beira da ruína por causa do pecado.
Toda a casa de Israel é incircuncisa de coração; tem o sinal, mas não tem aquilo para o qual o sinal aponta (Jeremias 4:4). No coração são como os gentios, estranhos a Deus e inimigos na mente por meio de obras malignas. Seus corações se inclinam para os ídolos, assim como os corações dos gentios incircuncisos. A lição é clara: o sinal exterior da aliança de Deus, embora traga honra e responsabilidade, não salvará se nosso coração e nossa vida não corresponderem a essa aliança. Só isso é verdadeira circuncisão, e só isso é verdadeiro batismo: o que é do coração, e não apenas do corpo (Romanos 2:28, Romanos 2:29).
Deste capítulo
Jeremias 9:1
"Oh! Se eu encontrasse no deserto um abrigo para viajantes, abandonaria meu povo e me afastaria para longe dele, pois não passa de uma legião de adúlteros, um bando de traidores."
Jeremias 9:2
"Retesam a língua, como fazem com seus arcos, para o engano; e a lealdade não permanece neles. Caminham de crime em crime; já nem me conhecem mais – oráculo do Senhor."
Jeremias 9:3
"Que cada um de vocês se mantenha em guarda contra o amigo. Nem mesmo no irmão vocês devem confiar, pois todo irmão procura suplantar, e todo amigo calunia."
Jeremias 9:4
"Todos eles zombam do próximo; ninguém diz a verdade. Exercitam a língua na mentira e se empenham em fazer o mal."
Jeremias 9:5
"Habitam no seio da falsidade; por má-fé, recusam conhecer-me – oráculo do Senhor."
Jeremias 9:6
"Por isso, eis o que diz o Senhor dos exércitos: “Vou fundi-los num cadinho para prová-los. Que outra coisa farei diante (da maldade) da filha de meu povo?"
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