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Jeremias 5:25 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje

Tradução: Bíblia BibleGuided — Português Brasileiro

Foram as iniquidades de vocês que alteraram essa ordem, e os pecados de vocês que os privaram desses bens.

Jeremias 5:25

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auto_stories Comentário Bible Guided

Aqui o profeta mostra primeiro o dano que os pecados deles haviam causado. Eles haviam feito cessar “estas coisas”: as primeiras e as últimas chuvas, que antes vinham a seu tempo (Jeremias 5:24). Por algum tempo essas chuvas foram retidas (Jeremias 3:3), e, por causa disso, às vezes as semanas determinadas da colheita falhavam. Era o pecado deles que tinha fechado a porta do bem, quando Deus estava pronto para concedê‑lo.

Isso lembra que o pecado bloqueia o favor de Deus e tira bênçãos que já foram experimentadas. É o pecado que faz o céu parecer de bronze e a terra de ferro. Quando as pessoas se afastam de Deus, até os dons da criação parecem se fechar para elas.

Em seguida, ele mostra quão grave e ofensivo era o pecado deles. Ao abandonarem a adoração do Deus verdadeiro, até a honestidade moral mais simples desapareceu do meio deles. “Porque entre o meu povo se acham ímpios” (Jeremias 5:26), diz o Senhor, e eles eram ainda piores por estarem justamente entre o povo que pertencia a Deus.

Eram pessoas cruéis e odiosas. Homens perversos são aqueles que têm prazer em fazer o mal. Foram apanhados no próprio ato de praticar o mal. Como caçadores que armam laços para os animais, espreitavam as pessoas e faziam disso uma diversão.

Eles planejavam meios de prejudicar os justos, especialmente aqueles que os corrigiam fielmente (Isaías 29:21). Miravam também qualquer um que atrapalhasse seus interesses, ou que julgassem tê‑los insultado, ou ainda aqueles cuja propriedade cobiçavam. É como Jezabel armando contra Nabote por causa de sua vinha. Pior ainda, às vezes faziam o mal simplesmente porque amavam o mal.

Também eram falsos e traiçoeiros (Jeremias 5:27). Suas casas estavam cheias de engano, como uma gaiola cheia de pássaros, ou um curral cheio de animais cevados prontos para o abate. Toda a sua maneira de viver se baseava na fraude. Quem se relacionasse com eles dificilmente deixaria de ser enganado, pois não se importavam com o que diziam ou faziam.

Assim, iam além dos perversos descritos em (Jeremias 5:26). Aqueles que usam o engano revestido de aparência de lei e justiça podem fazer ainda mais dano que os que recorrem abertamente à força e à violência. Na verdade, eram piores do que as nações ao redor, até mesmo as mais corrompidas. O que espanta é que prosperavam nesses caminhos maus, e isso apenas endurecia ainda mais o coração deles. Tornaram‑se gananciosos porque o dinheiro não parava de entrar. Não hesitavam em fazer ainda mais mal, porque o mal parecia ser o meio de enriquecer.

Tornaram‑se ricos e poderosos. Tinham o suficiente para satisfazer os desejos da carne, e se entregavam a isso com muita disposição. Engordaram com a facilidade e o prazer. Eram polidos, refinados, agradáveis à vista, e todos os admiravam. E escapavam dos problemas que se esperaria que seus pecados trouxessem. Não eram afligidos como os outros, muito menos como homens maus deveriam ser.

Quando alcançaram poder, não o usaram para o bem. Não defendiam a causa do órfão, nem o direito dos necessitados. Órfãos com frequência precisam de ajuda e direção, e muitos se aproveitam de sua condição desamparada. Exatamente por isso os ricos e poderosos deveriam protegê‑los. Para que servem a riqueza e a influência, senão para fazer o bem? Mas esses homens nem sequer davam atenção a tais casos.

Não tinham verdadeiro senso de justiça ou compaixão. E, quando se envolviam, não era para fazer o que é certo, mas para defender o culpado. Ainda assim prosperavam, e Deus não lançou imediatamente em conta a loucura deles. Isso lembra que sucesso neste mundo não é o melhor sinal da aprovação de Deus. Muitas vezes as pessoas piores são as que mais possuem dos bens terrenos. Contudo, não se deve supor que Deus aprove sua conduta só porque o juízo demora a vir. Embora a sentença contra as más obras não seja executada logo, ela certamente será executada.

Havia uma corrupção generalizada em todas as camadas da sociedade (Jeremias 5:30, Jeremias 5:31). Uma coisa espantosa e horrível havia acontecido na terra. Espantosa, porque um povo tão privilegiado havia caído tão baixo; e horrível, porque era profundamente odiosa e de consequências terríveis. Quem quiser guardar‑se do pecado deve aprender a chamá‑lo pelo que ele é: algo horrível.

Qual era essa terrível corrupção? Os líderes enganavam o povo. Os profetas anunciavam revelações falsas, fingindo trazer mensagem do céu quando, na verdade, serviam ao inferno. A religião é mais perigosa quando vem mascarada de revelação divina. E os sacerdotes, que tinham autoridade para detê‑los, não o faziam. Pelo contrário, valiam‑se desses falsos profetas para sustentar sua própria ambição e poder. “Os sacerdotes dominam pelas suas mãos”, e os falsos profetas os ajudavam a manter sua riqueza, conforto e opressão.

O povo aceitava ser enganado. “O meu povo é assim”, diz Deus; eles deviam ter ficado ao lado dele e se levantado contra a impiedade de seus sacerdotes e profetas. Mas amavam as coisas daquele jeito. Se sacerdotes e profetas os deixassem em paz em seus pecados, eles, por sua vez, não os incomodariam nos pecados deles. Queriam soltar as rédeas e gostavam de líderes e mestres que não controlassem seus desejos nem os corrigissem.

O profeta então mostra o resultado certo de tudo isso. Eles precisavam considerar que juízo viria por causa de tanta maldade (Jeremias 5:29). “Não castigaria eu por causa destas coisas?”, pergunta o Senhor, como já havia perguntado (Jeremias 5:9). Às vezes a misericórdia parece argumentar contra o juízo, como quando Deus diz: “Como te deixaria, ó Efraim?”. Aqui, o juízo é que parece argumentar contra a misericórdia.

As palavras são fortes e solenes. Mostram tanto a certeza quanto a justiça do castigo de Deus. “Não se vingaria a minha alma?” Sim, sem dúvida, a vingança virá, a menos que o pecador se arrependa. E pessoas assim não merecem castigo? Deus não deveria vingar‑se de uma nação tão má e provocadora como esta?

Eis o resultado direto da perversidade deles: “Que fareis, pois, no fim disso tudo?” Em outras palavras, no que isso vai dar? Vocês estão avançando para pecados cada vez piores, até encherem completamente a medida da culpa.

Significa também: em que abismo de ruína isso vai terminar? Quando as pessoas chegaram a esse ponto, nada mais se pode esperar delas senão um dilúvio de pecados. E, então, nada mais se pode esperar de Deus senão um dilúvio de ira; e o que farão quando isso vier?

Aqueles que andam por caminhos maus devem pensar para onde esses caminhos conduzem. Eles levam tanto a maior profundidade de pecado quanto à ruína completa. Um fim virá. O fim de uma vida ímpia chegará, quando tudo será novamente posto em juízo, e o resultado final será certamente amargo.

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