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Jeremias 30:1 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje

Tradução: Bíblia BibleGuided — Português Brasileiro

A palavra do Senhor foi dirigida a Jeremias nestes termos:

Jeremias 30:1

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auto_stories Comentário Bible Guided

Aqui Jeremias é orientado a escrever o que Deus lhe havia falado, e isso provavelmente inclui todas as mensagens recebidas até então. Ele devia registrá-las e torná-las públicas, para que aqueles que não tinham se beneficiado ao ouvi-las uma vez pudessem refletir com mais seriedade ao lê-las depois. Mais especificamente, trata-se sobretudo das promessas sobre o retorno do povo, que estavam misturadas com outras mensagens. Jeremias devia ajuntar essas promessas, e Deus ainda acrescentaria mais palavras semelhantes.

Ele também deveria escrevê-las para as gerações futuras, que veriam seu cumprimento e teriam a fé fortalecida pela profecia. Não era para enviar isso como uma carta particular, como a do capítulo anterior enviada aos cativos, mas para registrar em um livro, guardado com cuidado nos registros públicos. Foi a partir desses livros que Daniel entendeu que o cativeiro se aproximava do fim (Daniel 9:2). Tinha de ser escrito em um livro, não em folhas soltas, porque viriam dias — ainda distantes — em que Deus traria de volta os cativos de Israel e de Judá, muitos das dez tribos junto com os das duas tribos (Jeremias 30:3). Era para ficar escrito de modo que pudesse ser lido naquele tempo também, mostrando como o cumprimento correspondia exatamente ao anúncio. Esse é um dos propósitos da profecia escrita.

Insinua-se também que Deus os amaria por causa de seus pais, como Paulo mais tarde declara (Romanos 11:28). Por essa razão, Deus os faria voltar a Canaã, a terra que tinha dado a seus pais, para que a possuíssem novamente.

Em seguida, Jeremias é instruído quanto ao que deveria escrever. São as próprias palavras que o Espírito Santo o ensina a registrar (Jeremias 30:4). As promessas escritas por ordem de Deus são tão verdadeiramente sua Palavra quanto os dez mandamentos escritos por seu próprio dedo.

Primeiro, ele devia descrever o quadro de terror e pânico em que o povo se encontrava, e no qual ainda estaria sempre que os caldeus atacassem. Isso faria com que o livramento parecesse ainda maior e mais doce (Jeremias 30:5). Eles tinham ouvido uma voz de tremor, os gritos de medo ecoando no meio do perigo. Os falsos profetas tinham prometido paz, mas a realidade era de medo e ausência de paz. Não admira que, quando a angústia vem de fora, os temores se levantem por dentro. Até mesmo os homens de guerra seriam dominados pela desgraça de sua nação, sucumbindo a ela, tão indefesos quanto mulheres em trabalho de parto, sobre as quais sobrevém uma dor intensa da qual não se pode fugir (Jeremias 30:6).

Nunca se ouve falar de um homem em dores de parto, e ainda assim aqui não se trata de poucos medrosos, mas de todo homem com as mãos sobre os lombos, em profunda angústia, como mulheres em trabalho de parto, ao verem suas cidades queimadas e sua terra arruinada. Contudo, essa dor é comparada às dores de parto, e não ao leito de morte, porque terminará em alegria, e a aflição será esquecida como a mãe esquece as dores ao ver o filho nascido. Todos os rostos empalidecerão. A palavra sugere mais que um susto repentino: descreve também um corpo enfraquecido e adoentado, como em certa enfermidade que torna o rosto lívido.

O profeta lamenta o desastre que está por vir ao contemplá-lo de antemão (Jeremias 30:7). Ele exclama: “Ah! Que grande é aquele dia”, um dia de juízo, como o grande e terrível dia do Senhor (Joel 2:31; Judas 1:6). Será tão grande que nada semelhante houve antes. Nosso Senhor falou de modo parecido a respeito da destruição posterior de Jerusalém, dizendo que não haveria outra igual (Mateus 24:21). É chamado também de tempo de angústia de Jacó, um período de pesar em que o próprio povo de Deus sofreria mais do que os outros. Todo o tempo do cativeiro foi um tempo assim. Quem se importa com o bem de Jacó e com a honra do Deus de Jacó deve se entristecer profundamente nesses períodos.

Em seguida, Jeremias deve registrar a firme promessa de que essas tribulações um dia terminarão de forma feliz. As angústias de Jacó cessarão, e ele será salvo delas. As aflições da igreja podem durar muito, mas não durarão para sempre. A salvação pertence ao Senhor, e ele a trará para sua igreja.

Os opressores de Jacó também serão impedidos de continuar causando dano e serão punidos pelo que fizeram (Jeremias 30:8). O Senhor dos Exércitos, que tem todo poder, diz: “Quebrarei o jugo do teu pescoço”, o jugo que por tanto tempo os oprimira pesadamente e os consumira. “Romperei as tuas cadeias e restituirei tua liberdade e descanso; tu já não estarás à disposição de estrangeiros. Eles não mais te governarão, nem tirarão lucro dos teus bens ou do teu trabalho.”

A misericórdia atinge aqui seu ponto mais alto: eles serão restaurados ao livre culto a Deus (Jeremias 30:9). São libertos de servir a seus inimigos, não para viverem para si mesmos, mas para servirem ao Senhor seu Deus e a Davi, seu rei. Isso significa que voltariam à devida ordem, sob o governo estabelecido por Deus, tanto no culto quanto na vida civil. Tinham sido humilhados e obrigados a servir inimigos porque não haviam servido ao Senhor como deviam, com alegria e bondade de coração (Deuteronômio 28:47).

Quando Deus os livra da angústia, ao mesmo tempo os prepara para esse livramento, dando-lhes um coração disposto a servi-lo. Ele torna a bênção mais doce ao conceder-lhes a oportunidade de o servir. Somos libertos da mão de nossos inimigos para servirmos a Deus sem temor (Lucas 1:74-75). A libertação da tribulação externa é, de fato, uma grande misericórdia quando nos conduz a um serviço mais pleno a Deus.

Eles servirão ao seu próprio Deus e já não, como nos antigos dias de rebeldia, escolherão falsos deuses, nem, como nos dias de cativeiro, serão forçados a servi-los. Servirão a Davi, seu rei, isto é, aos governantes que Deus levantaria da linhagem de Davi, como Zorobabel, ou ao menos àqueles que exerciam autoridade no trono de Davi, como Neemias. Mas isso aponta claramente para algo além. A antiga paráfrase caldaica entende esse texto como obedecer ao Messias, o Filho de Davi, seu Rei, e intérpretes judeus também o aplicam assim. A era de restauração, iniciada com o retorno do cativeiro, foi planejada para conduzi-los ao Messias.

Ele é chamado Davi, seu rei, porque era filho de Davi (Mateus 22:42) e realizou plenamente o significado desse nome. Davi foi um retrato marcante dele, tanto na humilhação como na exaltação. A aliança de realeza feita com Davi apontava principalmente para Cristo, e nele todas as promessas dessa aliança encontraram seu pleno e definitivo cumprimento.

Deus deu a Davi o trono de seu pai e o estabeleceu em Sião, seu santo monte. No Novo Testamento, muitas vezes se diz que Deus levantou Jesus, constituindo-o Rei (Atos 3:26; Atos 13:23, Atos 13:33).

Observe-se isto: aqueles que servem ao Senhor como seu Deus também devem servir a Davi, seu Rei, isto é, devem entregar-se a Jesus Cristo e permitir que ele os governe. Todos devem honrar o Filho como honram o Pai, e devem aproximar-se de Deus por meio dele, o Mediador, que está entre Deus e os homens.

Os que são libertos da escravidão espiritual devem demonstrar isso servindo a Cristo. Àqueles a quem ele concede descanso, impõe também o seu jugo.

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