Versículo em destaque
Jeremias 2:14 - Significado e aplicação
Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje
Tradução: Bíblia BibleGuided — Português Brasileiro
" Por acaso Israel é servo? É escravo nascido na própria casa? Por que foi entregue à pilhagem? "
Jeremias 2:14
Versículo no contexto
Entender os versículos ao redor evita interpretações incorretas:
12 Ó céus, fiquem pasmos, tremam de espanto e horror — oráculo do Senhor.
13 Porque meu povo cometeu uma dupla perversidade: abandonou-me, a mim, fonte de água viva, para cavar cisternas, cisternas rachadas que não retêm a água.
14 Por acaso Israel é servo? É escravo nascido na própria casa? Por que foi entregue à pilhagem?
15 Os leões enfurecidos rugiram contra ele; transformando a região em deserto, as cidades foram entregues às chamas e já não têm habitantes.
16 Até os homens de Mênfis e de Táfnis rasparam a sua cabeça.
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O profeta continua a mostrar a insensatez de abandonar o Senhor, apontando para os problemas que o povo já havia trazido sobre si mesmo. Já lhes tinha custado caro, e todas as aflições que a nação agora gemia debaixo vinham desse pecado. Essas dificuldades eram apenas um pequeno sinal de um juízo maior que ainda viria, caso não se arrependessem. Vê-se como sofreram por causa da própria loucura.
Os inimigos que abertamente se levantavam contra eles estavam prevalecendo, e o motivo disso era o pecado do povo. Em primeiro lugar, foram levados à escravidão e perderam a liberdade (Jeremias 2:14). Israel não foi criado para ser servo. Deus havia dito: “Israel é meu filho, meu primogênito” (Êxodo 4:22). Eram filhos e, portanto, herdeiros. Sua linhagem era nobre, descendentes de Abraão, amigo de Deus, e de Jacó, o escolhido de Deus. Não nasceram para a escravidão. Foram destinados à honra e ao governo, não ao cativeiro.
Por que então foi despojado da liberdade? Por que foi tratado como servo, como alguém nascido na casa da escrava? Por que se fez escravo de seus próprios desejos, dos ídolos e de coisas que não satisfazem (Jeremias 2:11)? É coisa terrível vender um direito de primogenitura por tão pouco, arrastar uma coroa tão alta no pó. Por que foi feito escravo de seus opressores? Deus havia determinado que o servo hebreu fosse liberto no sétimo ano, e que os escravos viessem das nações ao redor, e não do próprio povo de Israel (Levítico 25:44, 46). Contudo, seus governantes fizeram escravos de seus súditos, e senhores fizeram escravos de seus servos (Jeremias 34:11). Assim rebaixaram e tornaram miserável sua própria terra, embora Deus a tivesse feito honrada e feliz.
Governos e poderes vizinhos invadiam e faziam escravos alguns deles, até mesmo na própria terra. Outros talvez tenham sido vendidos como escravos em terras estrangeiras. Como perderam a liberdade? Venderam-se por causa de seus próprios pecados (Isaías 50:1). A mesma lição vale espiritualmente. A alma humana foi feita para ser escrava? Não. Então por que está arruinada? Porque entregou a própria liberdade e se fez escrava de muitos desejos e paixões. Isso é algo triste, que leva ao lamento.
Em segundo lugar, empobreceram e perderam suas riquezas. Deus os havia introduzido numa terra boa e fértil (Jeremias 2:7), mas seus vizinhos a tomaram como presa (Jeremias 2:15). Como leões novos, rugiam sobre Israel e o mantinham em constante pavor. Ora um inimigo forte, ora outro, ora vários juntos, atacavam e o venciam. Levavam a colheita da terra, deixavam-na desolada e queimavam as cidades depois de saqueá-las. Assim, as cidades ficavam sem habitantes, seja porque já não havia casas, seja porque os moradores haviam sido levados cativos.
Em terceiro lugar, foram alvo de zombaria, insulto e agressão de todos (Jeremias 2:16). Até os de Nofe e Tafnes, cidades do Egito e não conhecidas por grande poder militar, “quebraram a coroa da tua cabeça”, como se a tivessem esmagado. Em cada confronto com eles, mostravam-se mais fortes, e Judá sempre saía ferido, com a cabeça machucada. A parte principal da terra de Judá, a região mais próxima de Jerusalém, tinha sido, e ainda estava sendo, saqueada por eles. A situação de Judá tinha sido muito ruim no tempo de Manassés (2 Crônicas 33:11), e talvez ainda não tivesse se recuperado completamente.
Tudo isso veio do próprio pecado do povo (Jeremias 2:17). Não tinham eles mesmos causado isso? Ao fazer alianças pecaminosas com as nações e, sobretudo, ao copiar seus costumes idólatras, tornaram-se pequenos e desprezíveis, como todos os que um dia professam a verdadeira religião e depois a abandonam. Nada restava daquilo que antes lhes dava honra e força; por isso ninguém os respeitava ou temia. Mas não era só isso. Tinham também levado Deus a entregá-los nas mãos dos inimigos, que se tornaram instrumentos de juízo contra eles e encontraram sucesso em suas investidas. Assim, o mal que os atingia era obra deles mesmos, porque tinham deixado o Senhor seu Deus e rompido a fidelidade para com ele. Proteção e lealdade andam juntas.
Em qualquer aflição em que nos encontremos, é preciso reconhecer que ajudamos a trazê-la sobre nós, ao nos afastarmos de Deus. As palavras “Tu deixaste o Senhor teu Deus no tempo em que ele te guiava pelo caminho” significam: “Tu te desviastes justamente quando ele te conduzia à paz e à estabilidade, quando já estavas quase lá. Então fechaste a porta contra ti mesmo.”
Seus vizinhos, que pareciam ser aliados, também os enganaram, inquietaram e não lhes deram socorro, e isso igualmente veio do pecado deles. Procuraram em vão ajuda no Egito e na Assíria (Jeremias 2:18). “Que fazes tu no caminho do Egito?” Quando o perigo vinha, corriam ao Egito em busca de auxílio (Isaías 30:1, 2; Isaías 31:1). Confiavam na força do Egito e se animavam com suas promessas. Em outras ocasiões voltavam-se para a Assíria, enviando mensageiros ou indo às pressas em busca de ajuda, como se pudessem saciar-se com as águas do Eufrates. Mas o que ganhariam ali? Essas nações ajudariam em vão. Seriam como canas quebradas, e o que parecia um grande rio acabaria sendo apenas uma cisterna rachada.
Isso também aconteceu por causa do pecado deles. O juízo que mereciam certamente viria, e de que adiantaria ajuda de fora? A própria maldade os castigaria, e ninguém poderia salvá-los (Jeremias 2:19). Assim reconheceriam e veriam que é coisa má e amarga abandonar o Senhor, pois é isso que transforma inimigos em inimigos ainda mais ferozes e torna inúteis os amigos. Pecar é deixar o Senhor como nosso Deus. É a alma se afastando dele e recusando-o. Apegar-se ao pecado é afastar-se de Deus.
O pecado nasce da falta do verdadeiro temor de Deus. Esse temor deveria habitar em nós, especialmente o temor de seu santo desagrado. Quando as pessoas não têm esse temor, afastam-se do dever para com ele. O pecado é uma coisa má e é amarga. É mal em todos os aspectos, sem nenhum bem nele. É a raiz de todos os outros males. É verdadeiramente maligno, porque se opõe à natureza de Deus e corrompe a natureza humana. E é amargo também. Uma vida de pecado é como fel de amargura, e todo caminho pecaminoso termina em amargura. Seu salário é a morte, e a morte é amarga.
O resultado fatal do pecado é este: sendo o pecado mau e amargo em si mesmo, ele tem também um modo direto de nos tornar miseráveis. “A tua malícia te castigará, e as tuas infidelidades te repreenderão.” Não só te arruinará no porvir, mas já agora te traz aflições. O castigo segue o pecado tão de perto que, muitas vezes, o próprio pecado é descrito como se fosse ele mesmo o teu castigo.
Além disso, muitas vezes o castigo se ajusta de tal modo ao pecado que se pode “ler” o pecado no próprio sofrimento. A justiça do juízo torna-se então tão clara que nada resta a dizer em defesa própria. A própria maldade da pessoa a condenará e lhe fechará a boca para sempre, e ela será obrigada a reconhecer que o Senhor é justo.
Portanto, é preciso aprender disso, enxergar bem essa verdade e deixar o pecado, para que a maldade que agora serve de correção não venha a ser, por fim, a completa ruína.
Deste capítulo
Jeremias 2:1
"A palavra do Senhor veio a mim nestes termos:"
Jeremias 2:2
"“Vá e proclame aos ouvidos de Jerusalém estas palavras — oráculo do Senhor: Lembro-me da sua afeição quando você era jovem, do seu amor de noivado, no tempo em que você me seguia ao deserto, à terra sem sementeiras."
Jeremias 2:3
"Israel era, então, propriedade sagrada do Senhor. Era as primícias da sua colheita; todos os que dela comiam carregavam a culpa, e o mal lhes sobrevinha — oráculo do Senhor."
Jeremias 2:4
"Escutem a palavra do Senhor, casa de Jacó, e vocês, todas as famílias que são da casa de Israel —"
Jeremias 2:5
"oráculo do Senhor: Que injustiça seus pais encontraram em mim para se afastarem de mim, correndo atrás do que é nada e tornando-se eles mesmos vãos,"
Jeremias 2:6
"por terem deixado de dizer: ‘Onde está o Senhor, que nos fez sair do Egito, guiando-nos através do deserto, terra de desolação e de abismos, terra de aridez e de trevas, terra pela qual nenhum homem atravessa e onde homem algum habita?’."
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