Versículo em destaque
Tiago 1:13 - Significado e aplicação
Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje
Tradução: Bíblia BibleGuided — Português Brasileiro
" Ninguém, quando for tentado, diga: “É Deus quem me tenta”. Deus é inacessível ao mal e não tenta ninguém. "
Tiago 1:13
Versículo no contexto
Entender os versículos ao redor evita interpretações incorretas:
11 O sol desponta com ardor, seca a erva, sua flor cai e a beleza do seu aspecto desaparece. Assim também o rico murcha em suas empresas.
12 Feliz é o homem que suporta a tentação. Porque, depois de sofrer a provação, receberá a coroa da vida que Deus prometeu aos que o amam.
13 Ninguém, quando for tentado, diga: “É Deus quem me tenta”. Deus é inacessível ao mal e não tenta ninguém.
14 Cada um é tentado pela sua própria concupiscência, que o atrai e o alicia.
15 A concupiscência, depois de conceber, dá à luz o pecado; e o pecado, uma vez consumado, gera a morte.
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Somos ensinados aqui que Deus não é a fonte do pecado de ninguém. Não importa quem persiga os outros, nem que injustiças e maldades pratiquem contra eles, Deus não deve ser culpado por isso. E quando pessoas piedosas, debaixo de pressão e sofrimento, são tentadas a pecar, ainda assim Deus não é a causa desse pecado. Tiago parece pressupor que alguns crentes podem falhar em um tempo de provação, e que suas aflições podem levá‑los a caminhos errados. Mesmo então, se tentarem lançar a culpa sobre Deus, a culpa recai somente sobre eles.
Primeiro, nada na própria natureza de Deus dá a alguém motivo para culpá‑lo. “Ninguém, sendo tentado, diga: De Deus sou tentado; porque Deus não pode ser tentado pelo mal.” O mal moral sempre brota de alguma falha em quem o pratica, como falta de sabedoria, falta de poder ou uma vontade impura e desordenada. Mas quem pode acusar o Deus santo de carecer de qualquer uma dessas coisas, se elas pertencem ao seu próprio ser? Nenhuma situação pode jamais levar Deus a desonrar‑se ou negar‑se a si mesmo; por isso, ele não pode ser tentado pelo mal.
Segundo, nada na providência de Deus, em seu governo sábio sobre todas as coisas, pode ser, com justiça, responsabilizado pelo pecado de alguém. “E a ninguém tenta” (Tiago 1:13). Assim como Deus não pode ser tentado pelo mal, também não pode ser tentador dos outros. Ele não pode apoiar aquilo que é contrário à sua própria natureza. O coração carnal está sempre pronto a lançar a culpa de seus pecados sobre Deus, e essa inclinação vem desde o princípio. Adão disse a Deus: “A mulher que me deste... me deu da árvore”, lançando, na prática, a culpa de volta sobre Deus por ter dado a ele a mulher que o levou à queda. Ninguém fale assim. Já é ruim o bastante pecar, mas é ainda pior, depois de pecar, atribuir isso a Deus. Aqueles que culpam seus pecados à sua natureza, às circunstâncias da vida ou a alguma suposta necessidade de pecar, agem injustamente com Deus, como se ele fosse o autor do pecado. Deus envia aflições para despertar e exercitar nossas graças, não para atiçar nossos desejos corruptos.
Somos também ensinados de onde o mal realmente procede e onde a culpa deve ser colocada (Tiago 1:14). “Cada um é tentado, quando atraído e engodado pela sua própria concupiscência.” Em outras partes da Escritura, o diabo é chamado de tentador, e outras coisas também podem cooperar para nos conduzir à tentação. Mas nem o diabo nem qualquer outro devem ser culpados de modo a nos isentar de responsabilidade. O verdadeiro começo do mal e da tentação está em nosso próprio coração. O combustível já está dentro de nós, ainda que alguma causa externa assopre a chama. Se você desprezar a sabedoria, você mesmo levará as consequências (Provérbios 9:12).
Note, primeiro, o modo como o pecado cresce. Ele primeiro nos atrai e depois nos engana. A santidade tem dois lados: afastar‑se do mal e apegar‑se ao bem. O pecado age de forma oposta. Ele afasta o coração do que é bom e então o seduz em direção ao que é mau. No início, desejos corruptos, como a cobiça de algum prazer ou coisa deste mundo, afastam a pessoa da comunhão com Deus. Depois, pouco a pouco, a pessoa se fixa num caminho de pecado.
Observe também o poder e a astúcia do pecado. A expressão “atraído” indica ser levado, arrastado para fora. A palavra “engodado” indica ser seduzido e enganado por promessas atraentes e aparências enganosas. O pecado usa tanto a força quanto o ardil. Ele exerce forte pressão sobre a consciência e o entendimento, e ao mesmo tempo bajula e engana para conquistar a vontade. O pecado jamais triunfaria se não fosse ao mesmo tempo astuto e poderoso. As pessoas que se perdem são seduzidas até à própria ruína. Isso sempre justificará Deus em julgá‑las, porque foram elas mesmas que se destruíram. O pecado é delas, e o seu sangue cai sobre a própria cabeça.
Vemos também o sucesso da corrupção no coração (Tiago 1:15). “Depois, havendo a concupiscência concebido, dá à luz o pecado.” Uma vez que o pecado é permitido a ponto de agitar a concupiscência dentro de nós, esses desejos logo crescem até chegar ao consentimento, e então se diz que a concupiscência concebeu. O pecado já é real, mesmo que ainda esteja no começo. Quando cresce plenamente no pensamento, é então levado à prática. Por isso, o pecado deve ser impedido no início; se não, todo o mal que ele vier a produzir terá de ser atribuído a nós.
E vemos o desfecho final do pecado: “e o pecado, sendo consumado, gera a morte.” Uma vez que o pecado é executado em ações, ele se torna “consumado” quando é fortalecido por atos repetidos e fixado em hábito, como observa o Dr. Manton. Quando a maldade humana chega a esse ponto de plenitude, a morte é gerada. Há morte para a alma, morte para o corpo e morte eterna. Que o pecado seja, então, abandonado e deixado para trás antes que chegue a esse fim. “Por que morreríeis, ó casa de Israel?” (Ezequiel 33:11). Deus não tem prazer na morte de ninguém, assim como não tem parte alguma no pecado de ninguém. Tanto o pecado quanto a miséria procedem de nós mesmos. Nossas próprias concupiscências e desejos corruptos são nossos tentadores, e, quando tiverem lentamente nos afastado de Deus e estabelecido o domínio do pecado em nós, tornar‑se‑ão nossos destruidores.
Aprendemos ainda que, enquanto nós mesmos trazemos sobre nós o pecado e a miséria, Deus é o Pai e a fonte de todo bem (Tiago 1:16; Tiago 1:17). Devemos tomar cuidado para não pensar de forma errada a respeito de Deus. “Não erreis, meus amados irmãos”; isto é, não se desviem da Palavra de Deus e da verdade que receberam a respeito dele por meio do Senhor Jesus e da direção do Espírito. Tiago pode estar advertindo especialmente contra ideias soltas e falsas, como as de certos mestres corruptos, incluindo os nicolaítas, dos quais saíram mais tarde os gnósticos, um grupo profundamente corrompido e sensual.
Seja quais forem as ideias falsas que as pessoas corrompidas divulguem, a verdade que está em Jesus permanece firme: Deus não é e não pode ser autor ou apoiador de coisa alguma má. Ele deve ser reconhecido como a origem e a fonte de tudo que é bom. “Toda boa dádiva e todo dom perfeito vêm do alto, descendo do Pai das luzes” (Tiago 1:17). Aqui devemos notar que Deus é o Pai das luzes. A luz visível do sol e dos astros procede dele. Ele disse: “Haja luz”, e houve luz. Assim, Deus é descrito como Criador do sol e, em certo sentido, comparado a ele.
Como observa Baxter, o sol é sempre o mesmo em sua natureza e poder, embora a terra e as nuvens muitas vezes o façam parecer mutável, ao nascer, ao se pôr ou ao parecer desaparecer. Da mesma forma, Deus não muda. As mudanças e sombras que percebemos não estão nele, mas em nós.
Ele é “o Pai das luzes, em quem não há mudança, nem sombra de variação.” Aquilo que o sol é na ordem da natureza, Deus é, e de forma infinitamente maior, na graça, na providência e na glória. Ele é a fonte de todo bom dom. Como Pai das luzes, ele concede a luz da razão, pois “a inspiração do Todo‑Poderoso dá entendimento” (Jó 32:8). Ele concede também a luz do conhecimento. A sabedoria de Salomão em relação à natureza, ao governo e a toda a sua habilidade é atribuída a Deus. A luz da revelação divina vem de modo ainda mais direto do alto. A luz da fé, da pureza e de todo consolo também procede dele.
Nada de bom possuímos que não tenhamos recebido de Deus. Ao mesmo tempo, não há mal ou pecado em nós, ou cometido por nós, que deva ser atribuído a ele. Devemos reconhecer Deus como a fonte de todas as capacidades e dons que existem em suas criaturas, e como o doador de todos os benefícios que desfrutamos por meio delas. Mas nenhuma das trevas, fraquezas ou ações más das criaturas deve ser lançada sobre o Pai das luzes. Dele procede toda boa dádiva e todo dom perfeito, tanto para esta vida quanto para a vida por vir.
E, já que todo bom dom vem de Deus, também dele procede a renovação de nossa natureza, o nosso novo nascimento e todos os frutos santos e felizes que se seguem (Tiago 1:18). “De sua própria vontade nos gerou pela palavra da verdade.” Observe‑se aqui três coisas. Primeiro, o verdadeiro cristão é uma criatura nascida de novo. Ele é tão diferente de seu estado anterior como se tivesse sido feito de novo e nascido uma segunda vez. Segundo, a origem dessa boa obra está na vontade do próprio Deus. Ela não vem de nossa habilidade ou força, nem de algum bem que Deus tivesse previsto em nós, nem de qualquer coisa que tivéssemos feito. Vem somente da boa vontade e da graça de Deus.
Terceiro, o meio que Deus usa é aqui nomeado: a palavra da verdade, isto é, o evangelho. Paulo diz a mesma coisa de modo ainda mais direto: “Eu vos gerei em Jesus Cristo pelo evangelho” (1 Coríntios 4:15). O evangelho é, de fato, a palavra da verdade, ou não poderia produzir efeitos tão reais, permanentes, grandes e nobres. Podemos confiar nele e entregar a ele, com segurança, nossas almas imortais. Também o vemos atuando como meio de nossa santificação, isto é, de nosso crescimento em santidade, justamente porque é a palavra da verdade (João 17:17).
Em quarto lugar, também é declarado o propósito da graça renovadora de Deus: “para que fôssemos como que primícias das suas criaturas”. Isso significa que devemos ser a porção especial de Deus, o seu tesouro reservado, separados para ele, assim como as primícias eram separadas. Somos chamados a nos tornar santos para o Senhor, do mesmo modo que as primícias eram consagradas a ele.
Cristo é as primícias dentre os cristãos, e os cristãos são as primícias dentre as criaturas.
Deste capítulo
Tiago 1:1
"Tiago, servo de Deus e do Senhor Jesus Cristo, às doze tribos da dispersão, saudações!"
Tiago 1:2
"Considerem como suma alegria, meus irmãos, quando vocês passam por diversas provações,"
Tiago 1:3
"sabendo que a prova da fé de vocês produz paciência."
Tiago 1:4
"Mas é preciso que a paciência realize a sua obra, a fim de que vocês sejam perfeitos e íntegros, sem fraqueza alguma."
Tiago 1:5
"Se alguém de vocês necessita de sabedoria, peça-a a Deus — que dá a todos liberalmente, com simplicidade e sem recriminação —, e ela lhe será dada."
Tiago 1:6
"Mas peça-a com fé, sem nenhuma vacilação, porque o homem que vacila é semelhante à onda do mar, levantada pelo vento e agitada de um lado para o outro."
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