Versículo em destaque
Isaías 61:1 - Significado e aplicação
Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje
Tradução: Bíblia BibleGuided — Português Brasileiro
" O Espírito do Senhor repousa sobre mim, porque o Senhor me consagrou pela unção; enviou-me para levar a boa-nova aos humildes, curar os corações doloridos, anunciar aos cativos a redenção e aos prisioneiros a liberdade; "
Isaías 61:1
Versículo no contexto
Entender os versículos ao redor evita interpretações incorretas:
1 O Espírito do Senhor repousa sobre mim, porque o Senhor me consagrou pela unção; enviou-me para levar a boa-nova aos humildes, curar os corações doloridos, anunciar aos cativos a redenção e aos prisioneiros a liberdade;
2 para proclamar um ano de graças da parte do Senhor e um dia de vingança de nosso Deus; para consolar todos os aflitos,
3 para lhes dar um diadema em vez de cinzas, o óleo da alegria em vez de vestidos de luto, cânticos de glória em lugar de desespero. Então, eles os chamarão de azinheiras da justiça, plantadas pelo Senhor para sua glória.
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O melhor intérprete da Escritura também nos deu a melhor explicação destes versículos: o próprio Senhor Jesus. Ele leu esta passagem na sinagoga de Nazaré, talvez porque fosse a leitura daquele dia, e a aplicou inteiramente a si mesmo, dizendo: “Hoje se cumpriu esta Escritura em vossos ouvidos” (Lucas 4:17-21). As palavras cheias de graça que saíram de sua boca, ao expor este texto, deixaram maravilhados todos os que o ouviram.
Assim como Isaías foi enviado a anunciar liberdade aos judeus cativos na Babilônia, Cristo, o Mensageiro de Deus, foi enviado a trazer um jubileu incomparavelmente melhor a um mundo perdido. Aqui somos informados de como Cristo foi preparado para essa obra: “O espírito do Senhor DEUS está sobre mim” (Isaías 61:1). Às vezes, o Espírito de Deus vinha sobre os profetas, ensinando o que deviam dizer e impulsionando-os a falar. Cristo, porém, teve o Espírito repousando sobre ele sempre, sem medida. Ainda assim, ele o teve da mesma forma que os profetas precisavam: como Espírito de sabedoria e de fortaleza (Isaías 11:1-3). Quando iniciou seu ministério público, o Espírito desceu sobre ele como pomba (Mateus 3:16). E ele também concedeu esse mesmo Espírito aos que enviou a pregar as boas novas, quando lhes disse: “Recebei o Espírito Santo”, confirmando assim a comissão que lhes dera.
Também somos informados de como Cristo foi designado para essa obra: “O espírito do Senhor DEUS está sobre mim, porque o SENHOR me ungiu”. Deus lhe deu o Espírito porque já o havia separado, por uma unção santa e solene, para este grande ofício, assim como, antigamente, reis e sacerdotes eram escolhidos por meio da unção. Por isso o Redentor é chamado de Messias, ou Cristo, isto é, “o Ungido”, porque Deus o ungiu com óleo de alegria acima de todos os demais. “Enviou-me.” Nosso Senhor Jesus não veio por conta própria, sem ser enviado. Ele tinha uma missão daquele que é a fonte de toda autoridade. O Pai o enviou e lhe deu o mandamento. Isso nos traz grande consolo, porque tudo o que Cristo falou veio com a aprovação do céu. Sua doutrina não era dele mesmo, mas daquele que o enviou.
Também nos é dito para que obra ele foi enviado. Em primeiro lugar, ele seria pregador, exercendo o ofício de profeta. Deus se agradou tanto em manifestar, por meio dele, sua boa vontade para com os homens, que o próprio Deus, em Cristo, se tornou o pregador dessa graça. Assim, o ministério do evangelho foi honrado e a fé dos crentes, fortalecida. Ele devia pregar boas novas — isto é, o evangelho — aos mansos, aos penitentes, aos humildes e aos pobres de espírito. Para essas pessoas, a notícia de um Redentor é verdadeiramente boa nova, puro evangelho, verdade fiel e digna de toda aceitação. Os pobres muitas vezes são os mais dispostos a receber o evangelho (Tiago 2:5), e nos faz bem recebê-lo com mansidão, como convém. Cristo pregou boas novas a tais pessoas quando disse: “Bem-aventurados os mansos”.
Em segundo lugar, ele seria médico. Foi enviado a “restaurar os contritos de coração”, como se enfaixa um membro ferido para aliviar a dor, ou se envolve um osso quebrado, ou uma ferida aberta, para que possa sarar. Aqueles cujo coração é quebrantado por causa do pecado, que são profundamente humilhados por sua culpa e pelo temor da ira de Deus, encontram no evangelho aquilo que aquieta seus temores e lhes dá paz. Somente os que sentiram a dor de um arrependimento verdadeiro podem esperar o consolo e o refrigério que Deus concede.
Em terceiro lugar, ele seria libertador. Foi enviado como profeta para pregar, como sacerdote para curar e como rei para expedir proclamações. Essas proclamações são de dois tipos. Uma delas é de paz para os seus amigos: “proclamar liberdade aos cativos e a abertura de prisão aos presos”. Pela nossa culpa, estamos entregues à justiça de Deus, retidos como cativos legítimos e vendidos ao pecado até que a grande dívida seja paga. Cristo nos anuncia que satisfez plenamente a justiça divina quanto a essa dívida, e que o seu pagamento foi aceito. Se confiamos nisso e nos entregamos, com tudo o que temos, a ele, em grata submissão, podemos pedir perdão com confiança e desfrutá-lo. Não há, nem haverá, condenação para nós.
Pelo poder do pecado em nós, também estamos submetidos ao domínio de Satanás e vendidos ao pecado. Cristo nos declara que derrotou Satanás, destruiu aquele que tinha o poder da morte e providenciou graça suficiente para arrancarmos o jugo do pecado e rompemos as cadeias que estão ao nosso redor. O Filho está pronto, por seu Espírito, para nos libertar, e então seremos verdadeiramente livres. Não apenas seremos libertos da miséria do cativeiro, mas também elevados aos direitos e à honra de cidadãos. Esta é a proclamação do evangelho, como o toque da trombeta do jubileu, que anunciava o grande ano de libertação (Levítico 25:9,40). Por isso é chamado “o ano aceitável do SENHOR”, o tempo em que Deus nos recebe, o que é a fonte da nossa liberdade. Também é o ano do Senhor porque manifesta sua graça livre, para sua glória. É ano aceitável porque traz notícias de alegria, e nada poderia ser mais bem-vindo àqueles que conhecem suas próprias necessidades e fraquezas.
A outra proclamação é de guerra contra seus inimigos. Cristo anuncia “o dia da vingança do nosso Deus”, a vingança que ele executa contra o pecado, Satanás, a morte, o inferno e todo poder das trevas que precisava ser derrubado para a nossa salvação. Cristo triunfou sobre esses poderes na cruz, despojando-os, envergonhando-os e expondo-os publicamente (Colossenses 2:15). Ele também traz juízo sobre os seres humanos que rejeitam essas ofertas de graça. Tais pessoas não apenas permanecem no cativeiro que merecem, mas são tratadas como inimigas. O evangelho é resumido em (Marcos 16:16): “Quem crer e for batizado será salvo” proclama o ano aceitável do Senhor a todos os que o recebem; enquanto “quem não crer será condenado” proclama o dia da vingança do nosso Deus, a vingança que virá sobre os que não obedecem ao evangelho de Jesus Cristo (2 Tessalonicenses 1:8).
Em quarto lugar, ele seria consolador, e o é como pregador, médico e libertador. Foi enviado para consolar todos os que choram, e que, em sua dor, buscam consolo nele e não no mundo. Cristo não apenas provê consolo e o anuncia; ele também o comunica ao seu povo por meio do seu Espírito.
Em Cristo há consolo suficiente para todos os que choram, seja qual for sua dor ou aflição. Mas esse consolo é especialmente certo para os que choram em Sião, isto é, os que se entristecem de modo piedoso, segundo Deus, porque sua presença está em Sião. São pessoas que choram pelos males e pela ruína de Sião e que compartilham, em santa simpatia, as lágrimas de todo o povo sofredor de Deus, ainda que elas mesmas não estejam diretamente em aperto. Deus recolhe essas lágrimas em seu odre (Salmo 56:8) e tem consolo preparado para tais pranteadores.
Assim como as bênçãos que vêm de Sião são espirituais, os que pranteiam em Sião são pranteadores santos. Levam suas tristezas ao trono da graça, pois o propiciatório ficava em Sião, e as derramam diante do Senhor, como fez Ana. A tais, Cristo prometeu, pelo seu evangelho, e dará, pelo seu Espírito (Isaías 61:3), confortos que não apenas os sustentam na tristeza, mas transformam seu pranto em louvores.
Ele lhes dará “beleza em lugar de cinzas”. Em tempos de luto profundo, as pessoas se assentavam sobre cinzas, mas Cristo não só as erguerá dessa condição humilhante: tornará novamente formosa e agradável a sua aparência. O espírito alegre dos cristãos faz parte de sua beleza e é grande ornamento para a sua fé. No idioma original há um belo jogo de palavras: ele dará beleza em lugar de cinzas e trocará o pranto por alegria tão rápida e facilmente quanto se muda uma letra. Ele fala, e assim se faz.
Também lhes dará “óleo de gozo, em lugar de tristeza”, óleo que faz o rosto resplandecer, em vez do pranto, que escurece o rosto e o torna abatido. Esse óleo de alegria procede daquele “óleo de alegria” com que o próprio Cristo foi ungido acima de seus companheiros (Hebreus 1:9). E lhes dará “vestes de louvor, em lugar de espírito angustiado”, roupas bonitas e apropriadas para dias de ação de graças, em vez de um espírito abatido, obscurecido e carregado. Suas mágoas secretas eles as guardam consigo, porque os pranteadores de Sião choram em particular; mas a alegria que recebem é algo que se pode ver, como se estivessem vestidos com ela.
Note ainda isto: onde Deus dá o óleo de alegria, ele também dá a veste de louvor. Os consolos que vêm de Deus abrem o coração e o tornam pronto a render graças. Tudo o que nos traz alegria da parte de Deus deve nos levar a glorificar e honrar a Deus.
Ele também seria um plantador, porque a igreja é o campo e o jardim de Deus. Assim, Cristo fará tudo isso por seu povo: curando suas feridas, libertando‑os da escravidão e consolando‑os na tristeza, para que sejam chamados árvores de justiça, plantio do Senhor (Isaías 60:21). Isso significa que venham a ser, de fato, aquilo que são chamados, e sejam reconhecidos como tais, como árvores úteis na vinha de Deus, produzindo frutos de justiça como ramos plantados pelo próprio Deus.
Tudo o que Cristo faz por nós tem o propósito de nos tornar povo de Deus e, em alguma medida, úteis a ele, como árvores vivas plantadas na casa do Senhor e florescendo nos átrios do nosso Deus. E tudo isso é para a glória de Deus, para que o glorifiquemos com devoção sincera e com uma vida que seja bom exemplo. Dessa maneira, o Pai é glorificado quando damos muito fruto. Então outros, vendo o favor de Deus sobre o seu povo e a sua graça neles, serão levados a louvá‑lo, e ele será glorificado para sempre em seus santos.
Deste capítulo
Isaías 61:2
"para proclamar um ano de graças da parte do Senhor e um dia de vingança de nosso Deus; para consolar todos os aflitos,"
Isaías 61:3
"para lhes dar um diadema em vez de cinzas, o óleo da alegria em vez de vestidos de luto, cânticos de glória em lugar de desespero. Então, eles os chamarão de azinheiras da justiça, plantadas pelo Senhor para sua glória."
Isaías 61:4
"Reconstruirão as ruínas antigas, reerguerão as relíquias do passado, restaurarão as cidades destruídas, repararão as devastações seculares;"
Isaías 61:5
"virão estrangeiros apascentar o gado miúdo de vocês, e gente de fora servirá a vocês como lavradores e vinhateiros;"
Isaías 61:6
"A vocês, chamarão vocês de sacerdotes do Senhor; de ministros de nosso Deus vocês serão qualificados. Vocês se alimentarão com as riquezas das nações e brilharão com sua opulência."
Isaías 61:7
"Já que tiveram parte dupla de vergonha e tiveram como quinhão opróbrios e escarros, receberão em sua terra parte dupla de herança, e a alegria deles será eterna."
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