Versículo em destaque
Isaías 59:1 - Significado e aplicação
Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje
Tradução: Bíblia BibleGuided — Português Brasileiro
" Não, não é a mão do Senhor que é incapaz de salvar, nem seu ouvido surdo demais para ouvir, "
Isaías 59:1
Versículo no contexto
Entender os versículos ao redor evita interpretações incorretas:
1 Não, não é a mão do Senhor que é incapaz de salvar, nem seu ouvido surdo demais para ouvir,
2 são os pecados de vocês que colocaram uma barreira entre vocês e o Deus de vocês. As faltas de vocês são o motivo pelo qual a face se oculta para não ouvir vocês,
3 porque as mãos de vocês estão manchadas de sangue, e os dedos de vocês, de crimes; os lábios de vocês proferem mentiras, e a língua de vocês entretém conversas pérfidas.
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O profeta corrige aqui o engano dos que reclamavam de Deus porque não recebiam o livramento pelo qual tantas vezes jejuaram e oraram, como em (Isaías 58:3). Ele mostra, primeiro, que a falha não estava em Deus. Eles não tinham motivo para culpá-lo por não tê-los salvado de seus inimigos.
Deus continuava tão capaz de ajudar quanto sempre foi. Sua mão não está encolhida, ou seja, seu poder não se tornou mais fraco, menor ou menos eficaz. Seu poder ainda alcança tão longe e atua com tanta força como antes. A salvação do povo de Deus vem da mão do Senhor, e essa mão não enfraqueceu. Quando Deus perguntou a Moisés: “Ter-se-ia encurtado a mão do Senhor?” (Números 11:23), a resposta era não, e continua sendo não. Nem a passagem do tempo, nem inimigos poderosos, nem a fraqueza dos instrumentos humanos podem limitar o poder de Deus. Para ele é o mesmo salvar com muitos ou com poucos.
Deus também continuava tão disposto e pronto a ajudar quanto sempre foi, quando o seu povo orava. Seu ouvido não está agravado, para não poder ouvir. Embora ele ouça muitas orações e as ouça há muito tempo, continua tão inclinado a escutar quanto sempre esteve. Ainda se agrada da oração dos retos, e as promessas que deu continuam sendo firmes, “sim” e “amém”. Há aqui mais implícito do que dito diretamente. Deus não apenas pode ouvir, ele é pronto em ouvir. Ele responde antes mesmo de seu povo clamar, como em (Isaías 65:24). Portanto, se as orações não são atendidas e a salvação esperada não chega, a razão não é que Deus esteja cansado de ouvir oração, mas que nós estejamos cansados de orar. O problema não é que o ouvido dele esteja pesado quando falamos com ele, e sim que nossos ouvidos é que estão pesados quando ele fala conosco.
Em seguida, o profeta mostra que o problema vinha deles mesmos. Eram eles que impediam a própria bênção e atrapalhavam o próprio caminho. Deus se movia em direção a eles com misericórdia, e eles o retinham. “As vossas iniquidades desviam estas coisas, e impedem o bem de vós” (Jeremias 5:25).
O pecado causa grande dano. Em primeiro lugar, impede que a misericórdia de Deus desça até nós. É como um muro de separação entre nós e Deus. Por natureza já existe uma grande distância entre Deus e o homem, mas o pecado a tornou ainda maior. Ele pôs Deus e o homem em posição de oposição. O pecado provoca Deus, com justiça, e afasta o homem de Deus, de forma injusta, e assim faz separação entre eles e o seu Deus. Ele é o Deus deles, ao menos de lábios, e isso torna o pecado ainda pior, pois separa as pessoas daquele a quem afirmam servir. O pecado esconde o rosto de Deus, o que significa que o seu desagrado é grande (Deuteronômio 31:17). Ele se retira em sua presença graciosa e retém os sinais de seu favor e socorro. O pecado é profundamente pecaminoso porque afasta a criatura da lealdade ao Criador. E é profundamente danoso, porque nos separa de Deus e, assim, nos corta de todo bem e nos expõe a todo mal (Deuteronômio 29:21). Isso é o centro mesmo da maldição.
Em segundo lugar, o pecado impede que nossas orações subam a Deus. Ele o leva a esconder o rosto, para não ouvir, como já dissera em (Isaías 1:15). Se acalentamos o pecado no coração e nos damos permissão para mantê-lo, Deus não ouvirá nossas orações (Salmo 66:18). Não podemos esperar o favor de Deus enquanto insistimos em afrontá-lo.
Para justificar a Deus em esconder o rosto e continuar a contenda com eles, o profeta prossegue, nos versículos seguintes, mostrando quão numerosas e quão graves eram as suas iniquidades, conforme lhe havia sido ordenado em (Isaías 58:1). É uma lista sombria de acusações, e qualquer uma delas já seria suficiente para separar o homem de um Deus justo e santo. Podemos agrupar essas acusações em alguns pontos principais.
É preciso começar pelos pensamentos, porque todo pecado começa ali. Seus pensamentos são pensamentos de mal, como em (Isaías 59:7). Seus planos e projetos são perversos. Estão sempre elaborando alguma injustiça, sempre imaginando como satisfazer algum desejo vergonhoso (Isaías 59:4). Concebem a maldade na mente, formam-na no propósito, firmam-na na decisão e, então, dão à luz a iniquidade, executando-a quando chega a ocasião. Mesmo que a prática venha depois de luta, porque a providência se opõe e a consciência adverte, ainda assim se orgulham e se alegram quando conseguem. É como em (Tiago 1:15), quando a concupiscência, tendo concebido, dá à luz o pecado.
Isso também é descrito em (Isaías 59:5) como chocar ovos de víbora e tecer teia de aranha. Seus pensamentos e planos se dirigem a algo ou insensato ou nocivo. No melhor dos casos, são vãos, como a teia de aranha. A aranha trabalha muito, mas, terminado o trabalho, o resultado é fraco e inútil. É coisa pobre, facilmente varrida, e que não traz valor real. É isso que muitas vezes ocupa a mente dos mundanos: construir esperanças imaginárias e deleitar-se em prazeres inventados. Como a aranha de (Provérbios 30:28), agarram-se habilidosamente, mas não conseguem segurar aquilo que alcançam.
Muitas vezes, porém, seus pensamentos são piores que inúteis, são cruéis. Chocam ovos de áspide ou víbora, venenosos e que produzem criaturas perigosas. Assim são os pensamentos dos ímpios quando sentem prazer em fazer o mal. Se alguém come desses ovos, isto é, se se expõe ao dano causado por eles, está em perigo. Se um ovo é esmagado e parece prestes a ser algo seguro ou útil, dele sai uma víbora. Gente assim é perigosa de se tratar. Bem-aventurados os que têm o mínimo possível a ver com eles. Até sua teia de aranha é tecida com propósito maldoso, para prender moscas e fazer delas presa. Se não podem fazer grande mal, ao menos farão algum mal.
Desse grande montante de maldade no coração, a boca fala. Mas as pessoas nem sempre falam todo o mal que carregam por dentro. Para executar seus planos nocivos com mais eficácia, escondem-nos sob palavras suaves (Isaías 59:3). “Os vossos lábios têm falado falsamente” e, de novo, “falam mentiras”, fingindo bondade quando tramam grande dano. Ou espalham calúnias e falsas acusações contra aqueles de quem não gostam, ferindo, em segredo, sua reputação. Podem até usar falsas testemunhas contra eles e tirar-lhes os bens ou a própria vida. A língua mentirosa é como flechas agudas e brasas ardentes, e causa danos sérios.
“A vossa língua pronuncia perversidade.” Quando têm vergonha de declarar o ódio abertamente, ou medo de serem descobertos e envergonhados, murmuram em segredo. Maldizentes são, na verdade, sussurradores. As ações combinam com os pensamentos e com as palavras. São culpados de derramar sangue inocente, um dos piores crimes. “As vossas mãos estão contaminadas de sangue” (Isaías 59:3), pois o sangue deixa mancha de culpa na consciência, e somente o sangue de Cristo pode limpá-la.
E isso não foi mero acidente ou fraqueza momentânea sob pressão. “Os seus pés correm para o mal” (Isaías 59:7), isto é, apressam-se para o pecado de modo natural e ávido. Impelidos por malícia e vingança, correm a derramar sangue inocente, como se temessem perder a oportunidade de cometer alguma crueldade (Provérbios 1:16; Jeremias 22:17). “Desolação e destruição há nas suas veredas.” Por onde passam, levam dano consigo. Todo o seu caminho conduz à ruína, e não se importam com a devastação que causam. Têm sede de sangue, e seus dedos estão manchados de outros pecados também (Isaías 59:3). Roubam as pessoas de seus bens e tomam tudo o que conseguem alcançar.
“Confiam na vaidade” (Isaías 59:4). Apoiam-se em artifícios desonestos para enriquecer, mas esses artifícios se revelarão vazios. Suas mentiras acabarão enganando a si mesmos. As coisas em que trabalham com tanto afinco são obras de pecado. Toda a sua vida é um longo curso de opressão e de criação de problemas. A violência está em suas mãos porque a violência enche seus pensamentos e corações.
Ninguém tenta deter esses abusos ou corrigi-los (Isaías 59:4). Ninguém clama por justiça, ninguém se queixa quando as santas leis de justiça de Deus são violadas, ninguém busca socorro para os maltratados. Pessoas particulares deveriam contribuir para o bem público, revelando o mal escondido e dando às autoridades a chance de puni-lo. Uma nação está em má condição quando os governantes governam mal e o povo se contenta com isso.
A verdade é combatida, e ninguém a defende. Ninguém tem coragem ou consciência para sustentar uma causa honesta contra a fraude aberta e a injustiça. O caminho da paz é tão ignorado quanto o caminho da verdade. Não o conhecem, isto é, nunca se ocupam em pensar no que promove a paz. Não fazem esforço para evitar contendas, punir a quebra da paz ou apaziguar conflitos entre vizinhos. São estranhos a tudo o que é quieto e pacífico, e preferem o que é barulhento e agitado. “Não há juízo nos seus caminhos”, isto é, não há verdadeiro senso de justiça em sua conduta. Tratam a justiça como coisa pequena e rompem toda barreira quando ela se interpõe entre eles e seus planos gananciosos e maliciosos.
Em tudo isso, eles agem de forma insensata, muito insensata, e contra os próprios interesses. Os que praticam o mal confiam em coisas vazias, que certamente falharão (Isaías 59:4). As teias que tecem com tanta habilidade e esforço não se tornarão roupas, e as próprias obras deles não os cobrirão nem os protegerão (Isaías 59:6). Podem até ferir outros com seus esquemas, mas jamais conseguirão, por meio deles, trazer verdadeiro bem para si mesmos.
Não há nada a ganhar com o pecado, e isso ficará evidente quando as contas forem acertadas. Esses caminhos de pecado são caminhos tortuosos (Isaías 59:8). Eles apenas confundem os que andam por eles e nunca os conduzem ao destino que imaginam alcançar. Ainda que alguém diga que terá paz enquanto continua pecando, está enganando a si mesmo, pois não conhecerá a paz.
Deste capítulo
Isaías 59:2
"são os pecados de vocês que colocaram uma barreira entre vocês e o Deus de vocês. As faltas de vocês são o motivo pelo qual a face se oculta para não ouvir vocês,"
Isaías 59:3
"porque as mãos de vocês estão manchadas de sangue, e os dedos de vocês, de crimes; os lábios de vocês proferem mentiras, e a língua de vocês entretém conversas pérfidas."
Isaías 59:4
"Pessoa alguma cita em justiça com razão, ninguém pleiteia de boa-fé: apoiam-se em argumentos falsos, pretende-se aquilo que não é. Concebeu-se a intriga e gera-se o crime."
Isaías 59:5
"Chocam ovos de áspide e tecem teias de aranha. Se seus ovos são comidos, morre-se; se um deles é quebrado, sai dele uma víbora;"
Isaías 59:6
"suas teias não poderiam servir de roupa, não podemos nos cobrir com aquilo que tecem. Fazem obras infamantes e entregam-se a atos de violência."
Isaías 59:7
"Seus pés correm para o mal: têm pressa de derramar sangue inocente. Meditam projetos malignos; só se encontram, em sua passagem, estragos e ruínas;"
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