Versículo em destaque
Isaías 52:1 - Significado e aplicação
Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje
Tradução: Bíblia BibleGuided — Português Brasileiro
" Desperte, desperte, ponha seus adornos, Sião, vista seus trajes de gala, Jerusalém, cidade santa, porque não verá mais entrar em sua casa nem incircuncisos nem impuros! "
Isaías 52:1
Versículo no contexto
Entender os versículos ao redor evita interpretações incorretas:
1 Desperte, desperte, ponha seus adornos, Sião, vista seus trajes de gala, Jerusalém, cidade santa, porque não verá mais entrar em sua casa nem incircuncisos nem impuros!
2 Sacuda a poeira que a cobre, levante-se, Jerusalém, e reine; livre-se das correntes que lhe prendem o pescoço, filha cativa de Sião.
3 Porque isto é o que diz o Senhor: “Vocês foram vendidos gratuitamente e serão resgatados sem pagamento”.
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Aqui, Deus conclama seu povo a se levantar e agir com coragem em favor da própria libertação (Isaías 52:1, Isaías 52:2). Antes, eles haviam orado para que Deus despertasse e cingisse a sua força (Isaías 51:9). Agora é Ele quem lhes diz para despertarem e se vestirem de força, para se reanimarem, saírem do desespero e tomarem novo ânimo. Devem parar de afundar sob o peso do fardo e voltar a esperar que Deus ainda fará grandes coisas em favor deles.
Ele os chama também a despertar da incredulidade, a erguer os olhos, a olhar em volta e a considerar as promessas e providências de Deus, isto é, as maneiras pelas quais Deus está agindo em favor deles. Precisam elevar suas expectativas quanto ao que Deus pode fazer. Ao mesmo tempo, devem despertar da preguiça, da lentidão e da negligência, usando todos os meios legítimos para buscar favor diante do conquistador e alcançar uma condição melhor. Não devem recorrer a caminhos injustos para se livrarem, mas agir com sabedoria dentro dos limites da justiça.
Deus lhes dá a certeza de que o cativeiro os corrigirá. “Nunca mais entrará em ti nem incircunciso nem imundo” (Isaías 52:1). Seus hábitos idólatras não serão mais introduzidos, ou pelo menos não serão tolerados. Mais tarde, nos dias de Esdras e Neemias, quando casamentos com estrangeiros trouxeram impureza, os líderes logo expulsaram esse mal e se esforçaram para manter Jerusalém como cidade santa. Da mesma forma, a Jerusalém do evangelho é purificada pelo sangue de Cristo e pela graça de Deus, sendo tornada verdadeiramente santa.
Ele também lhes assegura que o cativeiro terminará e suas cadeias serão quebradas. Não serão mais oprimidos, e nações hostis não continuarão a invadi-los. A frase pode ser entendida também assim: “O incircunciso e o imundo não virão mais contra ti.” Os pagãos não voltarão a entrar no santuário de Deus para profanar o seu templo (Salmo 79:1). Contudo, essa promessa traz uma condição: se permanecerem chegados a Deus, Ele manterá o inimigo afastado. Se voltarem à corrupção, inimigos posteriores, como Antíoco ou os romanos, profanarão e destruirão o templo. Por ora, porém, a paz se aproxima.
Por causa dessa mudança que vem, eles devem preparar-se para a alegria. São chamados a vestir roupas formosas e deixar as roupas de luto, o traje de viúva. Devem assumir uma aparência nova e cheia de esperança, porque um cenário melhor está começando. Quando as harpas haviam sido penduradas nos salgueiros, essas vestes de alegria haviam sido guardadas; agora, porém, tanto a alegria quanto a força devem ser retomadas. A alegria do Senhor é a nossa força (Neemias 8:10), e essas vestes formosas também simbolizam a armadura que protege contra a tentação e a aflição.
Jerusalém deve vestir suas roupas formosas quando se tornar cidade santa, porque a santidade é a sua verdadeira beleza. Quanto mais santos somos, mais motivo temos para nos alegrar. Eles também devem se preparar para a liberdade. São mandados a sacudir-se do pó, o pó da tristeza e da humilhação, e a levantar-se. Devem remover todo sinal de escravidão e tomar posse da liberdade com coragem. O evangelho anuncia liberdade aos que estão presos pelo medo, e ao mesmo tempo os conclama a recebê-la. Aqueles que têm sido oprimidos pelo pecado e depois encontram alívio em Cristo devem sacudir suas dúvidas e temores e soltar-se dessas prisões, pois, se o Filho os libertar, verdadeiramente serão livres.
Em seguida, o próprio Deus se move em zelo pela libertação do seu povo. Ele toma a causa deles para si e caminha para salvá-los, pois as razões para a misericórdia estão no seu próprio coração. Primeiro, Ele observa que os caldeus, os babilônios que os oprimiram, nunca honraram a Deus ao receber poder sobre o seu povo, assim como Senaqueribe não entendeu o propósito de Deus ao ser usado para corrigir e reformar Israel (Isaías 10:6, Isaías 10:7). “De graça fostes vendidos”, diz Deus, “e sem dinheiro sereis resgatados” (Isaías 52:3, Isaías 45:13). Quando se venderam pelo pecado, Deus, que tinha o primeiro e legítimo direito sobre eles, nada ganhou com esse preço. Nem sequer foi paga a dívida que tinham com Ele. Os babilônios não renderam graças a Deus pela vitória; ao contrário, insultaram e blasfemaram o seu nome por causa dela. Por isso, aqueles que os obtiveram sem nada, no fim os deixarão ir também sem nada. Quem nada dá, nada deve esperar receber, e Deus não é devedor de ninguém.
Ele também lembra que seu povo já estivera em aperto semelhante, e muitas vezes suportara, por um tempo, senhores duros. Seria, então, uma grande pena deixá-los para sempre nas mãos desses opressores (Isaías 52:4). Seu povo desceu ao Egito, isto é, foi para lá em paz, para viver, mas os egípcios os fizeram escravos e os dominaram com crueldade. Ainda assim, Deus os libertou, apesar do orgulho, do poder e das maquinações de Faraó. Por que não poderia libertá-los novamente? Depois, os assírios também oprimiram o povo de Deus sem causa, como quando as dez tribos foram levadas pelo rei da Assíria. Logo em seguida, Senaqueribe, outro rei assírio, veio com um exército destruidor e tomou as cidades fortificadas de Judá. Os babilônios podem ser chamados também de assírios, pois seu império se originou da Assíria, e igualmente oprimiram o povo sem causa. Deus agiu com justiça ao entregar o seu povo a eles, mas eles agiram mal na forma como os trataram. Não podiam reivindicá-los como súditos legítimos, como Faraó pôde, quando Israel habitava em Gósen. Quando sofremos nas mãos de homens maus e desarrazoados, traz algum consolo saber que, da parte deles, é “sem causa”. Não lhes demos motivo para nos tratarem assim (Salmo 7:3-5).
Por fim, Deus vê que a sua própria glória é prejudicada pelos males infligidos a seu povo (Isaías 52:5). Em outras palavras, pergunta que vantagem Ele recebeu se o seu povo foi levado por nada. Já não é mais adorado em Jerusalém como antes. O altar está destruído, e o templo, em ruínas. Se, em lugar disso, Ele estivesse sendo honrado mais plenamente em Babilônia, seja pelos cativos, seja pelos próprios babilônios, a situação seria diferente, e se poderia dizer que a honra de Deus cresceu ali. Mas, tristemente, não é assim.
Os cativos estavam de tal modo abatidos no espírito que não conseguiam louvar a Deus. Em vez disso, viviam clamando em angústia, e esse gemido moveu a compaixão divina. Seus dominadores os faziam gemer, como os egípcios antes fizeram Israel gemer no Egito (Êxodo 2:23). Os babilônios os trataram com ainda mais dureza e arrancaram deles queixas ainda mais fortes. A condição em que se encontravam mostrava o triste estado de seus corações, pois seus clamores não eram tão sábios nem tão piedosos quanto deveriam. Eram mais parecidos com gritos de animais do que com orações, como em (Oséias 7:14).
Apesar disso, Deus os ouviu e desceu para libertá-los, como já havia feito no Egito (Êxodo 3:7, 8). Já os habitantes da terra eram tão orgulhosos que se recusavam a glorificá-lo. Antes, continuavam blasfemando, o que o insultava e despertava a sua ira. Gabavam-se de ser mais fortes do que Deus, porque haviam dominado o seu povo. Zombavam dEle como se não pudesse salvá-los, e assim o seu nome era blasfemado todos os dias entre eles.
Quando louvavam seus ídolos, levantavam-se contra o Senhor do céu (Daniel 5:23). Deus, por assim dizer, declara: “Isso não continuará. Eu me levantarei para livrá-los.” Ele pergunta que honra possui no mundo se o seu povo, que deveria trazer-lhe glória e louvor, em vez disso lhe traz vergonha. Seus opressores não louvam a Deus, nem permitem que o seu povo o faça. O apóstolo Paulo aplica essa mesma verdade à vida pecaminosa dos judeus, pois, por causa do seu comportamento, Deus era desonrado entre os gentios, assim como fora desonrado então pelo sofrimento deles (Romanos 2:23, 24).
A glória de Deus resplandeceria ainda mais através da libertação do seu povo (Isaías 52:6). Como o seu nome estava sendo blasfemado, Ele se levantaria, e o seu povo conheceria o seu nome, o nome Jeová. Já havia manifestado esse nome quando libertou Israel do Egito (Êxodo 6:3). Deus agirá para defender a sua própria honra e mostrar a sua grandeza. Seu povo, que quase havia esquecido esse nome, tornará a conhecê-lo para seu consolo e segurança.
Eles aprenderão que Deus governa sobre o mundo e sobre tudo o que nele acontece. Aprenderão que Ele fala libertação pelo poder da sua palavra, e que somente Ele pode fazê-lo. Ele é o que primeiro falou, e tudo passou a existir. Aprenderão também que a palavra de Deus, com a qual Israel foi agraciado acima de outras nações, certamente se cumprirá no tempo certo. Ele fala por meio do profeta, e é de fato Ele quem fala, não o profeta por si mesmo. Nenhuma parte, por menor que seja, do que Ele diz deixará de se cumprir.
Deste capítulo
Isaías 52:2
"Sacuda a poeira que a cobre, levante-se, Jerusalém, e reine; livre-se das correntes que lhe prendem o pescoço, filha cativa de Sião."
Isaías 52:3
"Porque isto é o que diz o Senhor: “Vocês foram vendidos gratuitamente e serão resgatados sem pagamento”."
Isaías 52:4
"Porque isto é o que diz o Senhor Deus: “Meu povo desceu outrora do Egito para habitar ali; depois, a Assíria o oprimiu sem motivo."
Isaías 52:5
"E agora, o que faço eu aqui, diz o Senhor, já que meu povo foi levado gratuitamente? Seus opressores soltam gritos de triunfo, diz o Senhor, e meu nome é ultrajado todos os dias, sem cessar."
Isaías 52:6
"Por isso, meu povo saberá meu nome: naquele dia, compreenderá que sou eu quem diz: ‘Aqui estou!’.”"
Isaías 52:7
"Como são belos sobre as montanhas os pés do mensageiro que anuncia a felicidade, que traz as boas-novas e anuncia a libertação, que diz a Sião: “Seu Deus reina!”."
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