Versículo em destaque
Isaías 5:8 - Significado e aplicação
Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje
Tradução: Bíblia BibleGuided — Português Brasileiro
" Ai de vocês, que ajuntam casa a casa e acrescentam campo a campo, até que não haja mais lugar e vocês sejam os únicos proprietários da terra. "
Isaías 5:8
Versículo no contexto
Entender os versículos ao redor evita interpretações incorretas:
6 Eu a farei devastada; não será podada nem cavada, e nela crescerão apenas sarças e espinhos; proibirei as nuvens de derramar chuva sobre ela.”
7 A vinha do Senhor dos exércitos é a casa de Israel, e os homens de Judá são a planta de sua predileção. Esperei deles a prática da justiça, e eis o sangue derramado; esperei a retidão, e eis os gritos de socorro.
8 Ai de vocês, que ajuntam casa a casa e acrescentam campo a campo, até que não haja mais lugar e vocês sejam os únicos proprietários da terra.
9 Meus ouvidos ainda ouviram este juramento do Senhor dos exércitos: “Grande número de casas, eu o juro, será devastado; grandes e magníficas propriedades ficarão desabitadas”.
10 Dez jeiras de vinha não produzirão mais que um bato, e um homer de semente não dará mais que um efá.
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O mundo e a carne são dois grandes inimigos que podem nos dominar; porém, não corremos perigo se não nos rendermos a eles. O amor ao mundo e a entrega aos desejos da carne são os dois pecados que o profeta condena aqui em nome de Deus. Esses pecados eram comuns entre o povo de Judá, eram parte das “uvas bravas” que produziram (Isaías 5:4), e por isso Deus ameaça trazer ruína sobre eles. São pecados contra os quais todos precisamos vigiar e temer as consequências.
Em primeiro lugar, há um “ai” contra os que põem o coração nas riquezas deste mundo, colocam nelas a sua felicidade e se enriquecem por meios desonestos ou injustos (Isaías 5:8). Eles ajuntam casa a casa e campo a campo, até que não haja espaço para mais ninguém. Se pudessem, viveriam sozinhos no meio da terra, tomando para si propriedades, cargos, lucros e trabalhos. Não é pecado alguém que já tem o suficiente comprar outra casa ou outro campo, se isso é feito corretamente. A culpa deles é que seu desejo de enriquecer está fora de controle, e fazem da riqueza o principal alvo da vida. Nunca pensam que já têm o bastante. Quanto mais possuem, mais desejam, como as filhas da sanguessuga que vivem clamando: “Dá, dá”.
Não conseguem desfrutar do que têm, nem usar para o bem o que ajuntam. Estão sempre tramando como conseguir mais. Querem variedade de confortos, uma casa de inverno e outra de verão, e, se a casa ou o campo de outro lhes é vantajoso por estar perto, como a vinha de Nabote para Acabe, logo querem aquilo também. Sua cobiça não é apenas gananciosa, mas injusta para com o próximo. Querem viver de modo a não deixar lugar para mais ninguém. Para saciar seu apetite, não se importam com o que acontece às pessoas ao redor, com os direitos que tiram de seus vizinhos, com os pesos que colocam sobre os que estão sob seu poder, nem com os meios baixos e perversos que usam para amontoar tesouros. Querem alargar-se até encher todo o espaço, e ainda assim não se satisfazem (Eclesiastes 5:10).
Além disso, são insensatos em desejar isso. Por que alguém iria querer ser posto sozinho no meio da terra, se precisamos da ajuda de outros e encontramos consolo na companhia deles? Por que alguém esperaria que a terra fosse esvaziada por sua causa (Jó 18:4), se foi feita para ser habitada por muitos? Teria o vasto mundo sido feito apenas para você?
O castigo para esse pecado é que nem as casas nem os campos, que eles cobiçaram com tanta avidez, lhes trarão proveito (Isaías 5:9, 10). Deus revelou isso ao profeta como se sussurrasse em seu ouvido, como fez em outro momento (Isaías 22:14), e o profeta então anunciou publicamente, como devia, “sobre os telhados” (Mateus 10:27). As casas de que tanto se orgulhavam ficariam vazias. Ficariam desoladas, sem render aluguel, caindo em ruínas. Muitas casas ficariam sem habitantes porque o povo seria cortado à espada, pela fome, pela peste ou pelo cativeiro. Ou o comércio iria fracassar, a pobreza se espalharia pela terra, e aqueles que um dia foram proprietários teriam de alugar ou se mudar para outro lugar.
Mesmo casas grandes e belas, que normalmente atrairiam moradores, ficariam vazias porque haveria gente demais faltando. Deus não fez a terra para ser vazia, mas para ser habitada (Isaías 45:18). Mas os projetos humanos são muitas vezes frustrados, e aquilo que as pessoas constroem não cumpre o fim que imaginaram. Costuma-se dizer que tolos constroem casas para que sábios morem nelas, mas às vezes, no fim, não são construídas para ninguém. Deus tem muitos meios de esvaziar as cidades mais cheias.
Os campos deles também os decepcionariam. Dez jeiras de vinha produziriam só o bastante para um banho de vinho, cerca de oito galões, e a semente de um ômer, isto é, o que se semeia em certa extensão de terra, renderia apenas um efa, um décimo de um ômer. Assim, por causa da pobreza do solo ou do mau tempo, colheriam apenas a décima parte do que plantaram. Quem põe o coração neste mundo com justiça será frustrado naquilo que espera tirar dele.
Em segundo lugar, há um “ai” contra os que são dominados pelos prazeres dos sentidos, incluindo a embriaguez e o divertimento descuidado (Isaías 5:11, 12). Uma vida entregue aos prazeres sensuais arruína as pessoas tão certamente quanto a ganância e a opressão. Cristo pronuncia “ai” contra os ricos, mas também contra os que agora riem e estão fartos, e contra o que vivia regalado (Lucas 6:24, 25; Lucas 16:19).
Os pecadores aqui descritos são, em primeiro lugar, os dados à bebida. Transformam o beber em seu ofício, põem o coração nisso e se sobrecarregam com isso. Levantam-se cedo para correr atrás da bebida forte, da mesma forma que lavradores e trabalhadores se levantam cedo para o trabalho, como se tivessem medo de perder tempo naquilo que, na verdade, é perda de tempo. Normalmente, os bêbados se embriagam de noite, depois do trabalho do dia. Mas estes negligenciam seus deveres, abandonam-nos e se entregam a agradar a carne. Sentam-se ao copo o dia inteiro e continuam até a noite, até que o vinho os inflame. O vinho inflama seus desejos, de modo que a devassidão segue a embriaguez, e inflama suas paixões, pois quem mais, senão eles, se enchem de contendas e feridas sem causa? Fazem do beber um verdadeiro ofício. Nem mesmo esperam pelo manto da noite, como se tivessem vergonha; ao contrário, têm prazer em viver em orgias mesmo durante o dia (2 Pedro 2:13).
Em segundo lugar, são pessoas entregues à folia. Promovem banquetes, e estão tão ansiosas por prazer que não conseguem comer ou beber sem música. Querem todo tipo de instrumento, como Davi e Salomão desfrutaram em seus tempos (Amós 6:5; Eclesiastes 2:8). A harpa, o alaúde, o tamborim e a flauta precisam acompanhar o vinho, para que cada sentido seja satisfeito. Tomam o tamborim e a harpa (Jó 21:12). A música, em si, é lícita, mas quando se torna excessiva, quando o coração se apega a ela, quando se perde tempo nela e ela abafa as alegrias espirituais e piedosas, então passa a ser pecado.
Pessoas assim nunca prestam atenção a nada sério. Não consideram a obra do Senhor. Não percebem o seu poder, sabedoria e bondade nas criaturas que abusam e transformam em vaidade. Também fecham os olhos à bondade de sua providência, que lhes dá os próprios bens que usam para alimentar seus desejos.
Os juízos de Deus já os alcançaram, e sinais claros do seu desagrado estão sobre eles, mas ainda assim não se importam. Não refletem sobre a mão de Deus em tudo isso. Sua mão está levantada, mas eles recusam-se a vê-la. Não querem interromper seus prazeres nem parar para perguntar o que Deus está fazendo com eles.
Os juízos anunciados contra eles já estão, em parte, sendo executados. Primeiro, serão expulsos. A terra vomitará esses bêbados (Isaías 5:13). Chamam-se “meu povo” e se orgulham desse nome, mas já foram levados cativos, tão certo como se já estivessem no cativeiro, porque lhes falta entendimento. Como poderiam ter entendimento, se se fizeram insensatos pela embriaguez? Agem como se fossem sábios, mas, por ignorarem a causa que Deus tem contra eles e nada fazerem para se reconciliar com ele, podem, com justiça, ser chamados de povo sem conhecimento. A razão é simples: escolheram não saber. São descuidados e teimosos, e por isso são destruídos por falta de conhecimento.
Segundo, empobrecerão e passarão a precisar justamente daquilo que antes desperdiçaram em excesso. Até os homens de honra morrerão de fome, e a multidão se secará de sede. Tanto os líderes quanto o povo comum chegarão às portas da morte pela falta de comida e de água. Esse é o resultado da colheita de grãos que fracassou (Isaías 5:10), pois até o rei depende do campo (Eclesiastes 5:9). Quando a colheita falha, os bêbados são chamados a chorar porque o vinho novo lhes foi tirado da boca (Joel 1:5). A tristeza não está apenas no fato de agora lhes faltar, mas no de terem abusado dele quando o tinham. Deus é justo em fazer as pessoas necessitarem, por necessidade, daquilo que antes desperdiçaram em excesso.
Terceiro, muitos serão exterminados pela fome e pela espada (Isaías 5:14). Assim, a sepultura se alargou. Tofete, o lugar comum de enterro, é pequeno demais. Tantos morrerão que precisará ser ampliado. A sepultura se abre sem limites, sem jamais dizer: “Basta” (Provérbios 30:15-16). Isso também pode apontar para o lugar dos condenados. O luxo e o prazer conduzem para aquela terra de trevas e horror, onde são atormentados aqueles que fizeram do ventre o seu deus (Lucas 16:25; Filipenses 3:19).
Quarto, eles serão humilhados e abatidos, e toda a sua honra será lançada no pó. A morte e a sepultura farão isso de modo completo. A sua glória descerá, não apenas à terra, mas para dentro dela. Ela não os seguirá depois da morte (Salmo 49:17) para ajudá‑los de qualquer forma no além. Morrerá e será sepultada com eles, pobre glória que se desfaz tão depressa. Gloriavam‑se em seus grandes números? A sua multidão descerá à cova (Ezequiel 31:18; 32:32). Gloriavam‑se em seu esplendor? Seu luxo e pompa terão fim, juntamente com os brados que os exaltavam e os acompanhavam. Gloriavam‑se em sua alegria? A morte a transformará em pranto. O que ri e se banqueteia, e nunca aprende a ser sério, irá para o lugar em que há choro e clamor.
Assim, o homem comum e o poderoso se encontram juntos na sepultura, e ambos são humilhados sob esses juízos. Por mais alto que um homem esteja, a morte o fará descer. E por mais baixo que esteja, a morte ainda o porá mais abaixo. Diante disso, até mesmo os olhos dos soberbos deveriam já agora ser abatidos (Isaías 5:15). Aqueles que em breve serão lançados ao chão deveriam já aprender a olhar para baixo.
O fruto desses juízos será este: Deus será glorificado (Isaías 5:16). O Senhor dos Exércitos, o Deus santo, será exaltado e reconhecido como santo por meio desses atos justos. Sua justiça deve ser reconhecida ao abater aqueles que se exaltaram, e nisso ele é honrado. Ele será exaltado como o Senhor dos Exércitos, aquele que pode quebrar os mais fortes, humilhar os mais orgulhosos e domar os mais selvagens. O poder se manifesta no juízo. É honra de Deus que, embora tenha grande poder, a justiça e o direito sempre habitam onde ele governa (Salmo 89:13-14).
Ele também será honrado como Deus de perfeita pureza. Aquele que é santo, totalmente santo, será declarado santo ao punir com justiça os soberbos. Quando os orgulhosos são abatidos, o grande Deus é honrado, e também nós devemos honrá‑lo.
As pessoas piedosas também serão socorridas e consoladas (Isaías 5:17). Então os cordeiros pastarão ao seu modo. Os mansos da terra, que seguiram o Cordeiro e foram amedrontados e perseguidos por opressores soberbos, pastarão em paz em verdes pastos, e ninguém os amedrontará. Ver Ezequiel 34:14. Quando os inimigos da igreja são removidos, as igrejas têm descanso. Alguns entendem que isso significa que eles pastarão à vontade. “Bem‑aventurados os mansos, porque herdarão a terra”, e desfrutarão grande paz. Outros entendem que significa que eles pastarão conforme a sua necessidade ou capacidade, alimentando‑se da palavra, que é o pão da vida.
A própria terra ficará desolada e será tomada pelos vizinhos. Os lugares arruinados dos homens ricos, que viviam em comodidade, serão comidos por estranhos que não tinham qualquer ligação com eles. No cativeiro, os pobres do país foram deixados para serem vinhateiros e lavradores (2 Reis 25:12). Eles foram como cordeiros que passaram a pastar nos campos dos ricos, terras que ficaram abertas para serem aproveitadas por estrangeiros. Quando a igreja judaica, esse povo rico e privilegiado, foi devastada, seus privilégios passaram aos gentios, que por muito tempo foram estranhos, e os cordeiros do rebanho de Cristo foram bem‑vindos entre eles.
Deste capítulo
Isaías 5:1
"Quero cantar para o meu amigo seu canto de amor a respeito de sua vinha: meu amigo possuía uma vinha em um outeiro fértil."
Isaías 5:2
"Ele a cavou e tirou dela as pedras; plantou-a com cepas escolhidas. Edificou para ela uma torre no meio e construiu ali um lagar. Contava com uma colheita de uvas, mas ela só produziu agraço."
Isaías 5:3
"“E agora, habitantes de Jerusalém e vocês, homens de Judá, sejam juízes entre mim e minha vinha."
Isaías 5:4
"Que se poderia fazer por minha vinha que eu não tenha feito? Por que, quando eu esperava vê-la produzir uvas, ela só deu agraço?"
Isaías 5:5
"Pois bem, mostrarei agora a vocês o que hei de fazer à minha vinha: arrancarei sua sebe para que ela sirva de pasto e derrubarei seu muro para que seja pisada."
Isaías 5:6
"Eu a farei devastada; não será podada nem cavada, e nela crescerão apenas sarças e espinhos; proibirei as nuvens de derramar chuva sobre ela.”"
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