Versículo em destaque

Isaías 43:22 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje

Tradução: Bíblia BibleGuided — Português Brasileiro

" No entanto, não foi você que me chamou, Jacó; você não se fatigou por mim, Israel. "

Isaías 43:22

menu_book Versículo no contexto

20 Os animais selvagens me darão glória, os chacais e as avestruzes, pois terei feito jorrar água no deserto e correr arroios na estepe, para saciar a sede do meu povo, meu eleito;

21 o povo que formei para mim contará meus feitos.

22 No entanto, não foi você que me chamou, Jacó; você não se fatigou por mim, Israel.

23 Você não me ofereceu carneiros em holocausto, nem me honrou com sacrifícios; não cobrei de você um pesado imposto em oblações, nem sobrecarreguei você exigindo incenso.

24 Você não me comprou, a preço alto, cana perfumada, nem me fartou com a gordura das vítimas. Mas atormentou-me com seus pecados e cansou-me com suas iniquidades.

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auto_stories Comentário Bible Guided

Esta acusação contra Jacó e Israel, o povo que professava pertencer a Deus, tem o propósito de afastar de Deus qualquer culpa por tê-los enviado ao cativeiro. Eles estavam em aliança com o Senhor e tinham o seu santuário no meio deles; então, por que o Senhor tratou assim a sua terra (Deuteronômio 29:24)? A resposta é que eles haviam deixado o Senhor e se afastado dele, por isso ele, com justiça, os rejeitou e os entregou à maldição (Isaías 43:28). Antes de estarem preparados para o livramento, precisavam reconhecer isso, e o fizeram (Daniel 9:5; Neemias 9:33).

Isso faz com que a misericórdia de Deus no livramento deles brilhe ainda mais. Os versículos anteriores mostram o poder de Deus ao salvá-los; esta parte mostra a sua bondade, pois ele faria coisas tão grandiosas por um povo que o havia provocado profundamente e agora sofria o justo resultado de seu pecado. Perdoar o pecado foi uma demonstração do poder de Deus tanto quanto quebrar o jugo do cativeiro, assim como Moisés também apresenta o perdão do pecado como um grande ato de poder (Números 14:17).

Em seguida, seus pecados são mencionados. Primeiro, eles deixaram de praticar o bem que Deus havia ordenado, e isso é enfatizado aqui. Deus havia declarado o que fizera por eles e o que esperava em retribuição. Ele os formara para si mesmo, para que anunciassem o seu louvor, mas eles falharam em fazê-lo e lhe deram uma retribuição muito pobre por tantos favores.

Tinham deixado de orar. “Tu não me invocaste, ó Jacó.” Jacó era conhecido como homem de oração (Oséias 12:4), mas seus descendentes não seguiram seu exemplo. Entristece a Deus quando os filhos se afastam da devoção de seus antepassados piedosos. Usar o nome de Jacó e, ao mesmo tempo, viver sem oração é zombar de Deus e enganar a si mesmo.

Também haviam se cansado do culto. “Mas te cansaste de mim, ó Israel.” Eles já haviam andado em comunhão com Deus e em seu serviço, mas agora passaram a tratá-lo como um peso, dizendo na prática: “Que canseira!” Aqueles que deixam de invocar a Deus, de fato estão dizendo que se cansaram dele e querem outro senhor.

Mostravam-se mesquinhos em sua devoção. Queriam uma religião barata e procuravam evitar formas de culto que lhes custassem algo. Não haviam trazido sequer os animais menores, os cordeiros e bodes exigidos para holocaustos (Isaías 43:23), muito menos o gado maior. Agiam como se não pudessem poupá-los porque os precisavam para sua subsistência, revelando pouca consciência da grandeza de Deus e do dever que tinham para com ele. Não traziam nem um cordeiro do rebanho para a sua honra, embora ele o tivesse pedido e se agradasse em aceitá-lo.

Também não queriam pagar pela cana aromática (cálamo), usada no óleo sagrado, no incenso e em perfumes. Não se dispunham a comprar novos suprimentos e se contentavam em oferecer o que era velho e sem valor (Isaías 43:24). Enquanto adoradores generosos traziam incenso voluntário junto com outras ofertas, esse povo não era assim. Não enchiam o altar com ofertas abundantes, nem davam a gordura dos sacrifícios como lhes cabia.

O que ofereciam, de fato, não honrava a Deus, de modo que era como se nada tivessem oferecido (Isaías 43:23). Alguns sacrificavam a falsos deuses. Outros traziam ofertas ao Deus verdadeiro, mas de forma descuidada ou com espírito hipócrita. Assim, em vez de honrá-lo, acabavam por desonrá-lo.

Sua negligência se tornava ainda mais grave pelo fato de que Deus não havia tornado o seu serviço pesado. Não os havia sobrecarregado com ofertas, nem os tinha cansado com incenso. Seus mandamentos não eram severos, nem mesmo nas exigências de sacrifício. Não eram mais custosos do que um povo em terra fértil podia suportar, nem exigiam mais tempo do que se podia separar. O que tornava esses mandamentos especialmente razoáveis era que Deus pedia que o servissem com alegria e júbilo diante dele (Deuteronômio 12:12).

Tinham muitas festas, e apenas um dia por ano era separado para afligir a alma. Ainda que a lei cerimonial possa ser chamada de pesada em comparação com o jugo suave de Cristo (Atos 15:10), ainda assim era leve se comparada ao culto cruel prestado aos falsos deuses. Deus não lhes pediu que sacrificassem seus filhos, como exigia Moloque. Ele os havia tratado com bondade, e, no entanto, eles o trataram com descaso.

Em segundo lugar, cometiam o mal que Deus havia proibido, e a negligência muitas vezes conduz a isso. “Mas me fizeste servir com teus pecados.” Quando as pessoas usam os dons de Deus para alimentar paixões pecaminosas, ou fazem a providência de Deus sustentar seus planos perversos, é como se fizessem Deus servir com seus pecados. Isso também pode significar que o pecado, em si mesmo, é uma aflição e um peso para Deus. O pecado desgasta as pessoas, faz a criação gemer e também cansa a Deus. A Escritura diz que ele se entristece, se magoa e é oprimido pelos pecadores, como uma carroça carregada de feixes (Isaías 7:13; Salmo 95:10; Ezequiel 6:9; Amós 2:13; Isaías 1:24).

O contraste é marcante. Deus não os fez servir com sacrifícios, mas eles o fizeram servir com seus pecados. Ele não os cansou com seus mandamentos, mas eles o cansaram com sua desobediência. Assim procedem maus servos com um bom Senhor. Deus se preocupa com o nosso bem-estar, mas nós pouco cuidamos da sua honra. Isso deveria nos levar a permanecer fiéis ao nosso dever, pois o seu serviço é bom, razoável e não é pesado demais para nós.

Mostra-se também que eram filhos da desobediência, porque o seu primeiro pai, isto é, seus antepassados, havia pecado. Eles não apenas pecaram em seus pais, mas também imitaram os pecados deles. Esdras admite isso abertamente: “Desde os dias de nossos pais até hoje estamos em grande culpa” (Esdras 9:7). Seus antepassados são chamados de seu primeiro pai para nos lembrar da rebelião de nosso primeiro pai, Adão, e para que reconheçamos que devemos rastrear todos os nossos pecados até essa fonte corrompida.

Eram também alunos da desobediência. Seus mestres haviam pecado contra Deus, e seus pecados eram públicos e vergonhosos. O povo, naturalmente, aprenderia a viver do mesmo modo. A condição de um povo é terrível quando seus líderes o conduzem ao pecado e quando seus instrutores, que deveriam corrigi-lo, contribuem para corrompê-lo.

Os sinais da ira de Deus contra eles por causa de seus pecados, em Isaías 43:23, foram claros. Ele trouxe ruína tanto sobre a igreja quanto sobre o Estado. A honra da igreja foi lançada por terra e tratada com desprezo: “Profanei os príncipes do santuário.” Isso se refere aos sacerdotes e levitas, que serviam com grande dignidade e autoridade no templo. Eles próprios se haviam tornado vis pela sua conduta maligna, e então Deus os tornou vis por meio das aflições e do desprezo em que caíram (Malaquias 2:9).

A honra do Estado também foi destruída. “Dei Jacó à maldição”, isto é, para ser amaldiçoado, odiado e maltratado por todos os vizinhos, “e Israel ao opróbrio”, isto é, para ser insultado, zombado e exposto ao escárnio de seus inimigos. Eles podiam zombar do que havia de bom entre eles, como seus sábados (Lamentações 1:7), mas Deus permitiu esse opróbrio como disciplina pelo que havia de errado. Quando as pessoas nos desonram, isso deve nos humilhar por causa da desonra que temos trazido a Deus. Devemos suportar isso com paciência, pois o sofrimento é justo, e reconhecer que a nós pertence a vergonha.

Apesar de tudo isso, Deus mostra as riquezas de sua misericórdia. Em Isaías 43:25 ele diz: “Eu, eu mesmo, sou o que apago as tuas transgressões.” Essa promessa de perdão surge de maneira totalmente inesperada. A acusação havia sido severa: “Mas me cansaste com tuas iniquidades” (Isaías 43:24). Poderíamos esperar que as próximas palavras fossem: “Eu, eu mesmo, sou o que te destruirei.” Em vez disso, Deus declara que perdoará. Assim ele nos ensina que perdoar as ofensas é o melhor modo de aliviar o peso delas e de não nos deixarmos desgastar por elas.

Isso é dado para encorajar ao arrependimento, porque há perdão em Deus, e também para mostrar como sua misericórdia é livre. Quando o pecado chega a ser muito grande, a graça se mostra ainda maior. Isso se aplica, em primeiro lugar, aos pecados de Israel como nação. Quando Deus suspendeu os juízos que havia ameaçado e os impediu de serem destruídos totalmente, mesmo ao corrigi-los, ele estava apagando suas transgressões. Embora os disciplinasse, reconciliou-se novamente com eles e não os eliminou como povo. Ele fez isso muitas vezes, até que rejeitaram Cristo e seu evangelho. Isso foi um pecado contra o próprio remédio, e então ele não os perdoaria mais como nação, mas os destruiria completamente.

Aplica-se também a cada pessoa crente que verdadeiramente se arrepende, com todos os seus pecados, sejam muitas quedas, sejam graves retrocessos. Observe como o perdão é descrito. Ele apaga as transgressões, como a nuvem se desfaz ao sol (Isaías 44:22), como uma dívida é riscada do livro, ou como uma sentença é cancelada quando é revogada. Diz ainda que não se lembrará mais do pecado, o que significa que não apenas remove a pena do que passou, mas também que isso não diminuirá o seu amor no futuro. Quando Deus perdoa, ele esquece.

A base desse perdão não está em nada que haja em nós. É “por amor do seu nome”, por causa da sua misericórdia, de sua promessa e, especialmente, por causa de seu Filho, para que ele seja glorificado nisso. Deus toma para si a glória desse ato: “Eu, eu mesmo, sou aquele.” Ele reivindica o perdão como direito que lhe pertence. Ninguém pode perdoar pecados senão Deus, e ele está disposto a fazê‑lo. É seu propósito firme, e ele o faz de bom grado, com prazer.

As palavras em (Isaías 43:26), “Desperta a minha memória”, podem ser entendidas de duas maneiras. Primeiro, como repreensão a um fariseu orgulhoso, uma pessoa autoconfiante, que se apoia na própria justiça diante de Deus e espera favor por seus méritos, não pela graça livre. É como se Deus dissesse: “Se você tem algo a dizer em sua própria defesa, algo a apresentar para ser perdoado por sua causa e não por minha, traga isso à mente. Apresente sua causa e diga‑me quais são os seus méritos.” Mas qualquer um desafiado assim ficará sem palavras.

Em segundo lugar, essas palavras podem ser ouvidas como na boca de um publicano humilde, isto é, de um pecador arrependido. Se Deus está pronto para perdoar o pecado e, perdoando, não mais se lembrará dele, então que nós nos lembremos dos pecados que ele já perdoou. Eles devem permanecer diante de nós para nos humilhar, ainda que estejam perdoados (Salmo 51:3). Lembremos também a ele as promessas que fez aos pecadores arrependidos e a satisfação que seu Filho ofereceu em favor deles. Apresente essas coisas diante dele quando buscar perdão, e declare‑as, para que seja justificado gratuitamente por sua graça. Este é o único caminho, e é um caminho seguro, para a paz. Somente reconheça a sua transgressão.

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