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Isaías 30:1 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje

Tradução: Bíblia BibleGuided — Português Brasileiro

" “Ai dos filhos rebeldes” — diz o Senhor —, “eles seguem um plano que não vem de mim.” “Fazem alianças sem o meu consentimento, acumulando, assim, falta sobre falta. "

Isaías 30:1

menu_book Versículo no contexto

1 “Ai dos filhos rebeldes” — diz o Senhor —, “eles seguem um plano que não vem de mim.” “Fazem alianças sem o meu consentimento, acumulando, assim, falta sobre falta.

2 Eles se voltam para o Egito sem me consultar, para se refugiar sob a proteção do faraó e se abrigar à sombra do Egito.

3 O apoio do faraó será uma decepção para vocês, e o abrigo à sombra do Egito, uma ignomínia.

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auto_stories Comentário Bible Guided

Era com frequência a falha e a loucura do povo judeu que, quando um vizinho os insultava, eles buscavam socorro em outro vizinho, em vez de se voltarem para Deus e confiarem nele. Contra Israel, recorreram à Síria (2 Reis 16:2-3). Contra a Síria, recorreram à Assíria (2 Reis 16:7). Aqui, contra a Assíria, recorreram ao Egito, e Rabsaqué, um comandante assírio, zombou deles por isso (2 Reis 18:21).

Observe primeiro como esse pecado é descrito e o que o tornava tão ofensivo a Deus. Quando estavam em perigo e angústia, não buscavam a direção de Deus. Agiam por conta própria, embora tivessem um meio claro e certo de consultar o Senhor, seja por meio do Urim, instrumento sacerdotal de orientação, seja por meio dos profetas. Confiavam tanto em seus próprios planos que julgavam desnecessário pedir conselho a Deus. Na verdade, não queriam ouvir a resposta dele.

Tomavam conselho uns com os outros, mas não consultavam a Deus. Faziam a própria cobertura, tentando se proteger da tempestade, mas não se abrigavam sob o Espírito de Deus, que falava pelos profetas. Por isso, sua cobertura seria curta demais, e seu refúgio se mostraria enganoso. Também não podiam contar com Deus. Não julgavam suficiente ter Deus ao seu lado, e não se preocupavam em fazê-lo seu amigo. Pelo contrário, se fortaleciam no poder de Faraó. Vi­am na proteção do Egito um escudo, quando na verdade era apenas uma sombra fraca.

Em segundo lugar, veja quão mau era esse pecado. Ele mostrava que eram filhos rebeldes, e contra eles é pronunciado um “ai” com esse nome (Isaías 30:1). Eram chamados filhos de Deus, mas, por não quererem confiar nele, mostravam com razão que eram rebeldes. Se desconfiamos do cuidado de Deus, na prática estamos nos desviando do nosso dever para com ele.

Além disso, acrescentavam pecado sobre pecado. Sua aflição viera por causa do pecado, e em vez de se arrependerem, continuavam a pecar contra o Senhor (2 Crônicas 28:22). Os que abusam da bondade de Deus, usando-a para alimentar seus próprios desejos, também abusam de suas aflições, transformando-as em desculpa para a desconfiança. Assim, tornam sua culpa ainda maior. Amontoam pecado sobre pecado e, enquanto carregam sua própria carga, é justo que Deus torne pesado o castigo.

O que agravava ainda mais o pecado deles era, primeiro, o empenho que colocavam em conseguir o Egito como aliado. Andavam e viajavam longe para articular esse plano, mas nunca perguntavam se Deus o aprovava. Segundo, gastavam muito para realizá-lo (Isaías 30:6). Carregavam os animais do sul, isto é, os animais que levavam tesouros rumo ao Egito, com suas riquezas. Como gente apavorada, achavam que estariam mais seguros em qualquer lugar, menos onde estavam.

Podiam ter enviado suas riquezas como presentes aos oficiais de Faraó, para ganhar seu favor, ou como pagamento de tropas auxiliares. Deus os teria ajudado gratuitamente, mas, escolhendo a ajuda do Egito, teriam de pagar caro por ela. E a riqueza assim empregada não lhes seria proveitosa. Transportavam seus bens por uma terra de aperto e angústia, aquele grande deserto entre Canaã e o Egito, onde havia leões e serpentes abrasadoras (Deuteronômio 8:15). Estavam dispostos a enfrentar esse perigo para levar seus tesouros ao Egito.

Ou a expressão pode referir-se ao próprio Egito, que fora antigamente casa de servidão, e assim uma terra de aperto e angústia, cheia de perigos. Vê-se a que riscos as pessoas se expõem quando abandonam a Deus, e que perigos enfrentarão quando se apegam a confiança mundana e a socorros puramente humanos.

Em terceiro lugar, considere o resultado. Os egípcios receberam bem seus mensageiros e se mostraram dispostos a negociar (Isaías 30:4). Seus príncipes estavam em Zoã, a corte de Faraó, e os emissários de Israel obtiveram audiência com o rei, que os animou a confiar em sua amizade e no auxílio que prometeu. Mas o Egito não corresponderia às suas expectativas. Ele não poderia ajudá-los (Isaías 30:5). E quando Deus declara que não haverá ajuda (Isaías 30:6), isso basta, pois toda criatura só é aquilo que ele permite que seja.

As tropas que o Egito deveria enviar talvez não estivessem prontas a tempo. Ou, se fossem reunidas, talvez não estivessem aptas para a batalha. Ou o Egito poderia não querer empregar seus melhores soldados. Ou a viagem poderia ser longa demais para que o socorro chegasse em momento oportuno. Ou os egípcios poderiam não ser fiéis, mas em segredo inclinar-se para a Assíria por algum interesse. No fim, a ajuda do Egito seria inútil, vã e sem propósito (Isaías 30:7). Seria mais prejudicial do que benéfica.

Assim, esse povo, que agora ardia de desejo pela amizade do Egito, mais tarde se envergonharia tanto do Egito quanto da confiança que nele depositou (Isaías 30:3). A força de Faraó, na qual se gabavam, se tornaria sua vergonha. Seus vizinhos zombariam deles, e eles mesmos se culpariam por terem confiado nessa força. A sombra do Egito, aquela terra descrita como cheia de asas que fazem sombra (Isaías 18:1), acabaria em confusão. Não apenas falharia, mas ainda enfraqueceria outros apoios e traria dano.

Mais tarde, Deus ameaçou a ruína do Egito por essa mesma razão, porque agiu traiçoeiramente com Israel e se tornou para ele como uma cana quebrada (Ezequiel 29:6-7). Os príncipes e mensageiros de Israel, tão empenhados em firmar uma aliança, viriam a perceber a fraqueza, ou melhor, a baixeza do Egito, e se envergonhariam de um povo que não podia nem ajudá-los nem lhes trazer proveito, mas apenas desonra (Isaías 30:5).

Os que confiam em Deus, em seu poder, em seu cuidado e em suas promessas, jamais serão envergonhados por terem esperado nele. Mas os que se apoiam em qualquer criatura, cedo ou tarde acharão essa confiança desonrosa. Deus é verdadeiro e digno de confiança. Todo homem é mentiroso e precisa ser observado com cautela. O Criador é uma rocha eterna; a criatura é uma cana quebrada. Não podemos esperar pouco demais do homem, nem esperar demais de Deus.

Em quarto lugar, aqui está a lição e advertência de tudo isso (Isaías 30:7). “Portanto”, diz o Senhor, “clamei contra esse projeto deles. Tornei isso conhecido, para que todos atentem para o que estão fazendo. Insisti nesse ponto, como quem fala com plena convicção.”

A força deles estaria em ficarem quietos, em depender humildemente de Deus e de sua bondade, e em se submeterem silenciosamente à sua vontade. Não deveriam correr de um lado para outro, aflitos, lançando-se em grandes esforços para buscar socorro aqui e ali. Se permanecermos em tranquilidade no tempo da angústia, esperando na salvação do Senhor e aguardando-a em silêncio, usando apenas meios lícitos e corretos para nossa defesa, isso fortalecerá nossa alma tanto para o dever quanto para o sofrimento. E também atrairá para o nosso lado a força de Deus.

Enfraquecemos a nós mesmos e fazemos Deus se retirar de nós quando tomamos a força humana como nosso apoio, porque então nosso coração se desvia do Senhor. Depois de termos nos esgotado procurando ajuda nas criaturas, descobriremos que o melhor é recuperar as forças descansando no Criador. Então poderemos dizer: “Eis-me aqui; faça ele de mim o que lhe parecer bem.”

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