Versículo em destaque
Isaías 3:16 - Significado e aplicação
Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje
Tradução: Bíblia BibleGuided — Português Brasileiro
" E o Senhor disse: “Já que as filhas de Sião são pretensiosas, andam com o pescoço erguido, fazem acenos com os olhos e caminham com passos afetados, fazendo retinir as argolas de seus tornozelos, "
Isaías 3:16
Versículo no contexto
Entender os versículos ao redor evita interpretações incorretas:
14 O Senhor entra em juízo contra os anciãos e os magistrados de seu povo. “Foram vocês que devoraram a vinha; o espólio do pobre está em suas casas.
15 Por que vocês pisam o meu povo e maltratam a face dos pobres?” — declara o Senhor, Deus dos exércitos.
16 E o Senhor disse: “Já que as filhas de Sião são pretensiosas, andam com o pescoço erguido, fazem acenos com os olhos e caminham com passos afetados, fazendo retinir as argolas de seus tornozelos,
17 o Senhor tornará sua cabeça calva e deixará sua fronte descoberta”.
18 Naquele tempo, o Senhor lhes tirará as joias, as argolas, os colares, as lúnulas,
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A tarefa do profeta era mostrar a cada tipo de pessoa o que ela acrescentara à culpa da nação e qual parte deveria esperar no juízo que vinha. Aqui ele repreende e adverte as filhas de Sião, as mulheres de Jerusalém, e aponta seus pecados. Moisés já tinha advertido na lei que Deus também julgaria a mulher mimada e delicada (Deuteronômio 28:56), e os profetas muitas vezes explicam e aplicam a lei; por isso agora ele mostra a essas mulheres como elas sofreriam nas calamidades futuras.
Em primeiro lugar, observe o pecado atribuído às filhas de Sião, conforme diz (Isaías 3:16). O profeta deixa claro que fala com autoridade de Deus, para que ninguém pensasse que era impróprio tratar de tais assuntos ou se ofendesse “em defesa das senhoras”: “Diz ainda mais o Senhor”. Quer ouçam, quer se recusem a ouvir, precisam saber que Deus vê e detesta profundamente o orgulho e a vaidade de mulheres soberbas, e que sua lei alcança até o modo de se vestir. Duas coisas lhes são imputadas aqui: altivez e devassidão, isto é, um jeito insinuante e sem reserva de se comportar. Ambas contrariam a modéstia, o pudor e o bom senso que devem marcar as mulheres que professam honrar a Deus (1 Timóteo 2:9).
Elas mostravam o que havia em seus corações pelo modo de andar e de se portar. Eram altivas, andando com o pescoço erguido, como se quisessem parecer mais altas, ou como se ninguém fosse digno de falar com elas ou de receber sequer um olhar ou um sorriso. Seus olhos eram impudentes; olhavam de uma maneira que enganava e atraía outros para o pecado. Afectavam um jeito duro e exibido de andar, para que fossem notadas e admiradas, como se estivessem desfilando o fato de ter aprendido passos elegantes em alguma “escola de dança” da moda.
Andavam a passos miúdos e delicados, quase como se não quisessem que a planta do pé tocasse o chão. Faziam tilintar os pés, talvez por causa de correntinhas ou pequenos sinos presos aos calçados. Ou andavam como se estivessem amarradas, como um cavalo treinado para marchar de certo jeito. Assim veio Agague, rei dos amalequitas, andando delicadamente diante de Samuel (1 Samuel 15:32). Esse modo forçado e afetado é ridículo para pessoas sensatas e, por revelar uma mente vaidosa, é ofensivo a Deus.
Duas coisas tornavam esse pecado ainda pior. Primeiro, eram filhas de Sião, mulheres do monte santo, e deveriam demonstrar a gravidade e sobriedade que convém a mulheres que professam piedade. Segundo, pelo contexto parece que eram esposas e filhas dos príncipes que saqueavam e esmagavam os pobres (Isaías 3:14; Isaías 3:15), justamente para manter o luxo e o orgulho de suas casas.
Os castigos anunciados para esse pecado combinam perfeitamente com ele, como um rosto que corresponde ao outro no espelho (Isaías 3:17; Isaías 3:18). Andavam com o pescoço estendido, mas Deus ferirá a cabeça delas com chagas e rapará sua nudez. Isso derrubará sua postura orgulhosa e as envergonhará tanto que não desejarão mostrar a cabeça, pois terão de cortar o cabelo. Doenças repugnantes muitas vezes são enviadas como justa punição para o orgulho e, por vezes, para o pecado sexual, consumindo o corpo e a carne.
Não se importavam com quanto gastavam em roupas finas, mas Deus as reduziria a tal pobreza e angústia que não teriam roupas suficientes para se cobrir. A vergonha delas ficaria exposta por meio dos trapos. Também se apegavam muito a seus enfeites, mas Deus os tiraria quando suas casas fossem saqueadas, suas riquezas levadas e elas mesmas conduzidas ao cativeiro. O profeta menciona muitos de seus ornamentos como se as tivesse observado ao se vestir. Não importa tanto identificar com exatidão cada item, nem se tradutores posteriores acertaram o nome de todos. As modas mudam, e os nomes das modas também, de modo que alguns adornos usados hoje talvez sejam tão difíceis de identificar daqui a cem anos quanto esses.
Ainda assim, a menção desses objetos é útil porque expõe a insensatez das filhas de Sião. Alguns desses artigos provavelmente eram estranhos e ridículos, e, se não estivessem na moda, teriam sido motivo de riso. Eram mais adequados a brinquedos de crianças do que a ornamentos de mulheres adultas subindo ao monte de Sião. Mesmo as coisas decentes e úteis, como linho, capuzes e véus, não precisariam ser possuídas em tanta quantidade e variedade. Roupas são necessárias, e as pessoas devem tê-las de acordo com sua condição, mas que necessidade havia de tantos trajes diferentes, a ponto de não quererem ser vistas com o mesmo vestido dois dias seguidos?
Tudo isso revela orgulho e curiosidade vaidosa, além de consumir uma quantidade de dinheiro que deveria ter sido usada em vida piedosa e generosidade. E é de se temer que inquilinos pobres tenham sido oprimidos ou credores pobres enganados para sustentar esse tipo de gasto. A longa lista de enfeites também mostra quanto valor davam a eles, como seus corações estavam presos a essas coisas, com que cuidado os contavam e comentavam, quão exigentes eram e quão insaciáveis em seus desejos. Uma criada podia lembrar-se de todos, mesmo que fossem muitos (Jeremias 2:32), e falar deles com tanto prazer como se fossem assuntos de grande importância. O profeta não diz que tais itens fossem pecaminosos em si mesmos, pois podiam ser usados de modo lícito. Ele mostra que se tornaram pecaminosos porque as mulheres se orgulhavam deles, e por isso seriam despojadas de tudo.
Eram extremamente cuidadosas e caprichosas com suas roupas, mas Deus transformaria os corpos que tanto enfeitavam em vergonha e peso para elas (Isaías 3:24). Em lugar de perfume, haveria mau cheiro, seja de roupas usadas por muito tempo, seja de alguma doença repulsiva, seja dos emplastros usados para tratá-la. Em vez de um cinto rico e bordado, haveria rotura: ou o rasgar das vestes em sinal de luto, ou roupas velhas, podres e rasgadas em farrapos. Em vez de cabelos bem arrumados, trançados e enfeitados com pó e adereços, haveria calvície, porque o cabelo seria arrancado ou rapado, como se fazia em grande tristeza (Isaías 15:2; Jeremias 16:6) ou em profunda humilhação e escravidão (Ezequiel 29:18).
Em vez de uma túnica fina, echarpe ou faixa, vestiriam pano de saco, sinal de profunda vergonha. Em vez de formosura, haveria queimadura, isto é, o rosto escurecido e crestado pelo sol. As que antes se orgulhavam da beleza seriam levadas cativas e ficarão maltratadas pelo tempo e pelas intempéries, e muitas vezes os rostos mais belos são os primeiros a estragar-se com o rigor do clima.
Disso se aprendem duas coisas. Primeiro, não devemos ser caprichosos nem vaidosos em relação às roupas, nem correr atrás de vestes caras e chamativas. Não devemos ter orgulho delas. Segundo, não devemos nos sentir seguros desfrutando prazeres terrenos, pois não sabemos quão rápido podem ser tirados de nós, nem quão duras podem se tornar nossas circunstâncias.
Esses enfeites também tinham a intenção de atrair homens e conquistar seu afeto (Provérbios 7:16,17), mas não restará ninguém para ser encantado por eles (Isaías 3:25). Seus homens cairão à espada, e seus valentes morrerão na batalha. O fogo os destruirá, e então as moças não serão dadas em casamento, como em (Salmo 78:63).
Quando Deus dá ordem à espada, os fortes em geral caem primeiro, porque são os que mais se expõem ao perigo. E quando os guardas de Sião são abatidos, não é de admirar que as portas de Sião chorem e se lamentem (Isaías 3:26), porque os inimigos tomaram o controle delas. A própria cidade, devastada e esvaziada, se assentará no chão como uma viúva enlutada. Se o pecado é tolerado dentro dos muros, o pranto e a tristeza logo se aproximam das portas.
Deste capítulo
Isaías 3:1
"Eis que o Senhor, Deus dos exércitos, tirará de Jerusalém e de Judá todo sustentáculo e todo recurso: toda a reserva de pão e toda a reserva de água,"
Isaías 3:2
"o valente e o guerreiro, o juiz e o profeta, o adivinho e o ancião,"
Isaías 3:3
"o chefe de cinquenta, o grande e o conselheiro, aquele que possui segredos e se dedica aos sortilégios."
Isaías 3:4
"Por príncipes eu lhes darei meninos, e adolescentes terão poder sobre eles."
Isaías 3:5
"Os povos maltratarão uns aos outros; cada um atormentará seu próximo. O jovem insultará o velho, e o vilão, o nobre."
Isaías 3:6
"Um homem se aproximará de outro e dirá: “Você tem um manto na casa de seu pai; é necessário que seja nosso príncipe; tome esta ruína sob seu poder”."
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