Versículo em destaque
Isaías 28:23 - Significado e aplicação
Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje
Tradução: Bíblia BibleGuided — Português Brasileiro
" Deem ouvidos para ouvir minha voz; estejam atentos para escutar minha palavra! "
Isaías 28:23
Versículo no contexto
Entender os versículos ao redor evita interpretações incorretas:
21 Porque o Senhor se levantará como no monte Farasim e fremirá como no vale de Gabaon, para concluir sua obra, sua obra singular, e executar seu trabalho, seu trabalho inaudito.
22 Assim, pois, parem de zombar, para que os grilhões de vocês não se apertem, porque ouvi uma sentença de ruína, por ordem do Senhor dos exércitos, contra toda a terra.
23 Deem ouvidos para ouvir minha voz; estejam atentos para escutar minha palavra!
24 Será que o trabalhador trabalha sempre para semear? Cava e prepara incessantemente o seu terreno?
25 Será que, depois de aplainar a superfície, ele não espalhará ali a nigela e semeará o cominho? Ele lançará ali o trigo e a cevada, e a espelta a eito.
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Esta parábola, como muitas das parábolas do nosso Senhor, é tirada do trabalho de um lavrador. Ela começa com um chamado solene à atenção: quem tem ouvidos para ouvir deve ouvir e entender (Isaías 28:23).
A cena é clara. O lavrador trabalha com muito cuidado e bom senso, seguindo o método correto no seu labor. Ao lavrar e semear, ele não passa o dia inteiro revolvendo a terra sem propósito. Ele ara com esperança e semeia com esperança (1 Coríntios 9:10). Ele despedaça os torrões duros para que o solo possa receber a semente. Em seguida, lança a semente certa no tipo de solo adequado.
Ele sabe que tipo de grão convém ao terreno argiloso e qual se adapta melhor ao terreno arenoso. O trigo ocupa o lugar principal, porque é o principal cereal e uma das safras mais importantes de Canaã (Ezequiel 27:17). A cevada é lançada onde lhe convém. Nisso vemos a sabedoria e a bondade de Deus na natureza. Ele nos deu diferentes tipos de solo e diferentes tipos de culturas para se ajustarem a eles.
A mesma sabedoria aparece na debulha (Isaías 28:27-28). O lavrador adapta seu modo de trabalhar ao tipo de grão que está tratando. O endro e o cominho, que se soltam com facilidade, são apenas batidos com um bastão ou vara. Mas o grão para pão exige mais força: é esmagado com um trenó de debulhar, provido de dentes de ferro, que é arrastado sobre ele para separar o grão da palha.
Mesmo assim, ele não fica debulhando sem fim. Ele para quando o grão já está solto. Ele não o esmaga misturando tudo com a terra debaixo da roda de um carro, nem o despedaça por completo sob os cascos de cavalos. A moagem virá depois. Note quanta labuta é necessária não só para produzir o alimento, mas também para prepará-lo. E tudo isso ainda é para um alimento que perece. Quanto mais empenho cabe em trabalhar pelo alimento que permanece para a vida eterna.
O grão para pão é moído, ferido. Assim também Cristo o foi. “Agradou ao Senhor esmagá-lo”, para que se tornasse para nós o pão da vida.
O sentido da parábola não é tão imediato. Muitos intérpretes entendem que ela traz uma resposta adicional aos que desprezavam os juízos de Deus. A lição seria: assim como o lavrador não ara para sempre, mas finalmente lança sua semente, assim também Deus não ficará advertindo para sempre. Em determinado tempo ele cumprirá suas ameaças e trará o juízo merecido sobre os pecadores, mas o fará com sabedoria e com medida, de acordo com as forças deles. Seu propósito não é apenas destruir, mas reformar e conduzi-los ao arrependimento.
Podemos, porém, aplicar essa parábola de modo mais amplo. Em primeiro lugar, o Deus que dá ao lavrador essa habilidade deve ser perfeitamente sábio. É o Senhor quem instrui o lavrador, como seu Deus, no que deve fazer (Isaías 28:26). Os agricultores precisam de bom juízo para administrar seu trabalho, e não devem entrar nessa ocupação sem ao menos algum entendimento. Eles também devem aprender pela observação e pela experiência. Como “até o rei se mantém do campo”, aperfeiçoar a agricultura é um serviço prestado a todos.
A habilidade do lavrador vem de Deus, assim como todo dom bom e perfeito. Isso suaviza o peso da maldição sobre o trabalho humano. Quando Deus mandou o homem lavrar a terra, também o ensinou a fazê-lo bem. De outro modo, em nossa grande insensatez, poderíamos ter passado a vida inteira trabalhando na areia do mar em vão. Deus dá às pessoas a capacidade, a inclinação e até o gosto por esse serviço. Se a providência não tivesse preparado especialmente alguns para esse ofício e não os tivesse disposto a nele labutar, logo nos faltariam as coisas necessárias à vida.
Se alguns são mais sábios e hábeis que outros no trato destas ou de outras tarefas, devemos atribuir isso a Deus. Os lavradores, mais do que muitos outros, dependem diretamente da providência divina, por isso devem buscar sua direção em seu trabalho. O mesmo vale para a maneira como o lavrador debulha o grão. Isso também vem do Senhor dos Exércitos (Isaías 28:29). Até a orientação simples do bom senso deve ser reconhecida como procedente do Senhor dos Exércitos. Se as pessoas agem com prudência e cuidado, Deus é a fonte dessa sabedoria. Ele é sábio em conselho e excelente em obras.
As obras de Deus estão de acordo com sua vontade. Ele nunca age contra o que determinou, como frequentemente fazem os homens. Todo o seu plano está cheio de conselho sábio. É por isso que ele é excelente em operar, porque é maravilhoso em conselho.
Em segundo lugar, a igreja de Deus é sua lavoura (1 Coríntios 3:9). Se Cristo é a videira verdadeira, o Pai é o agricultor (João 15:1), e ele continua trabalhando nela por meio de sua palavra e de suas ordenanças. O lavrador não rompe o solo endurecido para que possa receber a semente? Assim também Deus, por meio de seus ministros, revolve o solo inculto do coração. Uma vez preparado o solo, o lavrador lança a semente no lugar certo; do mesmo modo, Deus semeia sua palavra pela mão de seus ministros (Mateus 13:19), que devem repartir corretamente a palavra da verdade e dar a cada um a porção que lhe convém.
Seja qual for o tipo de “solo do coração”, há alguma palavra nas Escrituras adequada a ele. E, assim como Deus usa com sabedoria sua palavra, também usa com sabedoria sua vara. As aflições são os instrumentos de debulhar de Deus. Servem para nos desprender do mundo, separar de nós a palha e preparar-nos para um serviço útil. Quando Deus utiliza a aflição, ele a mede segundo as nossas forças. Não será mais pesada do que o necessário. Se um simples bastão ou vara basta, ele não recorrerá a roda de carro nem a cavalos.
Quando é preciso uma pressão mais forte, como acontece com o grão para pão que não se limpa de outro modo da palha, ainda assim ele não debulhará para sempre. Ele não repreenderá continuamente. Sua ira dura só um momento, e ele não esmaga para sempre os presos da terra sob seus pés. Também nisso devemos enxergar que ele é maravilhoso em conselho e excelente em obras.
Deste capítulo
Isaías 28:1
"Ai da coroa pretensiosa dos embriagados de Efraim e da flor murcha que ostenta seu ornato, dominando o vale fértil de homens vencidos pelo vinho."
Isaías 28:2
"Eis que vem, por ordem do Senhor, um homem forte e poderoso como uma chuva de pedras, um furacão destruidor. Como trombas-d’água que se abatem com violência, ele precipita tudo por terra."
Isaías 28:3
"A coroa pretensiosa dos embriagados de Efraim será pisada aos pés,"
Isaías 28:4
"e também a flor murcha que ostenta seu ornato, dominando o vale fértil. Será como o figo prematuro, antes do verão, que alguém vê, logo colhe e, mal o tem na mão, já o devora."
Isaías 28:5
"Naquele dia, o Senhor dos exércitos será uma coroa resplandecente, um diadema esplêndido para o restante do seu povo,"
Isaías 28:6
"um espírito de justiça para o juiz que faz parte do tribunal, e de valentia para aqueles que rechaçam o inimigo às portas."
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