Versículo em destaque
Isaías 27:7 - Significado e aplicação
Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje
Tradução: Bíblia BibleGuided — Português Brasileiro
" Será que o Senhor os feriu como feriu aqueles que os feriam? Massacrou-os como massacrou aqueles que os massacravam? "
Isaías 27:7
Versículo no contexto
Entender os versículos ao redor evita interpretações incorretas:
5 a menos que se coloquem sob minha proteção, que façam a paz comigo, que façam comigo a paz!
6 Um dia, Jacó lançará raízes, Israel produzirá flores e botões, e eles cobrirão o mundo de frutos.
7 Será que o Senhor os feriu como feriu aqueles que os feriam? Massacrou-os como massacrou aqueles que os massacravam?
8 Ele fez justiça mediante a expulsão e o exílio deles, arrebatando-os com seu sopro impetuoso, como o vento do Oriente.
9 Assim foi expiado o crime de Jacó, e este é o resultado do perdão de seu pecado: ele quebrou as pedras dos altares, como se trituram as pedras de cal; as estacas sagradas e os monumentos ao sol já não se erguem,
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Aqui o profeta volta a falar de misericórdia e juízo. Antes, ele havia anunciado juízo contra os inimigos de Deus e misericórdia para a sua igreja. Agora ele fala de um juízo que recai sobre a própria igreja, mas ainda assim misturado com misericórdia.
Primeiro, o juízo é ameaçado até contra Jacó e Israel. Eles florescerão e brotarão, como diz o versículo 6, mas alguns ainda serão feridos e mortos (Isaías 27:7). Se Deus encontra algo errado entre o seu povo, ele assinala isso com sinais do seu desagrado. O juízo começa pela casa de Deus, e aqueles que Deus conheceu entre todas as famílias da terra são tratados primeiro.
Jerusalém, sua cidade fortificada, também seria tornada vazia e desolada (Isaías 27:10-11). Deus havia tentado muitos meios para corrigi-los, mas muitos desses esforços pareceram não surtir efeito. Por isso, por um tempo, ele deixaria a terra devastada, o que aconteceu quando Jerusalém foi destruída pelos babilônios, o povo da Caldeia. Então aquela casa ficou deserta por muito tempo. Se juízos mais leves não produzem o efeito pretendido, Deus envia juízos mais pesados, porque, quando julga, ele leva sua obra até o fim.
Jerusalém fora em outro tempo uma cidade fortificada, não tanto pelos muros ou pela sua situação, mas pela graça e pela proteção de Deus. Porém, quando Deus foi provocado a retirar-se, a sua defesa se foi, e ela ficou como um deserto. Nos jardins agradáveis de Jerusalém, o gado pastaria e se deitaria sem que ninguém o expulsasse. Comeria os ramos tenros das árvores frutíferas. Isso também pode indicar que o povo se tornaria presa fácil para os seus inimigos.
Quando os ramos secassem ainda presos à árvore, enfraquecidos pelo vento e pela geada e nunca devidamente podados, seriam quebrados para servir de lenha. Então mulheres e crianças viriam recolhê-los e os colocariam no fogo. Isso aponta para uma ruína completa, até mesmo das próprias árvores. E retrata também o triste estado da vinha em Isaías 27:2, quando produziu uvas bravas (Isaías 5:2). Jesus parece aludir a isso quando diz que os ramos que não permanecem nele são ajuntados, lançados no fogo e queimados (João 15:6), o que foi especialmente verdadeiro em relação aos judeus incrédulos.
O sentido é esclarecido nas palavras seguintes: é um povo sem entendimento, grosseiro e insensato, sem conhecimento de Deus. Não tem gosto pelas coisas divinas, como um ramo seco, sem seiva. Essa é a raiz de todos os pecados que levaram Deus a deixá-los desolados, primeiro sua idolatria e depois sua incredulidade. Os ímpios podem ser muito hábeis em outros assuntos, até sábios em política, mas nas questões mais importantes são sem entendimento. Como essa ignorância é escolhida por eles, não os desculpa. Ao contrário, agrava sua culpa.
Assim, aquele que os fez não terá misericórdia deles, nem os salvará da ruína que trazem sobre si mesmos. Aquele que os formou em povo, formou-os para si, para manifestar o seu louvor. Mas, já que não cumprem esse propósito e, em vez disso, detestam ser corrigidos e transformados, ele os rejeitará e não lhes mostrará favor. Então estão perdidos. Se aquele que nos fez pelo seu poder não nos tornar felizes com o seu favor, teria sido melhor nunca termos sido feitos.
Os pecadores muitas vezes se consolam com a esperança de serem poupados. Pelo menos pensam que Deus não os tratará tão severamente quanto seus ministros advertem, porque Deus é misericordioso e porque foi ele quem os criou. Mas isso mostra quão fracas são essas desculpas. Se não têm entendimento, então, ainda que ele os tenha feito, e ainda que não odeie nada do que criou, e ainda que tenha misericórdia preparada para os que o buscam de verdade, ele não terá misericórdia deles nem lhes mostrará favor.
Apesar disso, há também muita misericórdia misturada nesse juízo. Entre os corruptos e rebeldes há pessoas piedosas, um remanescente eleito pela graça, e Deus terá misericórdia deles e lhes mostrará favor. Essas promessas parecem se ajustar às muitas aflições da igreja, para as quais Deus bondosamente providenciaria algum alívio.
Embora sejam feridos e mortos, não será da mesma forma nem na mesma medida que seus inimigos (Isaías 27:7). Deus feriu Jacó, e ele jaz ferido. Muitos dos que têm entendimento entre o povo cairão pela espada e pela chama por muitos dias (Daniel 11:33). Mas não será como foram feridos seus antigos opressores, aqueles que tinham sido a vara da ira de Deus e o bordão em sua mão. Deus os usou para corrigir o seu povo, e eles próprios um dia serão chamados a prestar contas. A criança é poupada, mas a vara é queimada.
Também não será como a maneira pela qual Deus mais tarde fere os que pelejam contra ele, quando toma a vantagem e lhes paga na mesma moeda, ou quando são mortos por amor à sua causa ao defenderem a sua verdade. O povo de Deus e os inimigos de Deus são aqui mostrados em luta mútua, como a descendência da mulher e a descendência da serpente sempre estiveram e sempre estarão. Nessa luta, morrem pessoas de ambos os lados. Deus até usa homens perversos não apenas para ferir, mas para matar o seu povo, pois eles são a sua espada (Salmo 17:13). Mas, quando o cálice de tremor chega à mão deles, irá muito pior para eles do que jamais foi para o povo de Deus em suas piores provações.
A descendência da mulher tem apenas o calcanhar ferido, mas a cabeça da serpente é esmagada e quebrada. Assim, ainda que o povo perseguido de Deus perca muito e sofra grandemente por um tempo, aqueles que os oprimem acabarão perdendo muito mais e sofrendo muito mais no fim, aqui ou na eternidade. Deus lhes retribuirá plenamente (Apocalipse 18:6).
Eles também participam das aflições desta vida presente. Tanto uns como outros são feridos, tanto uns como outros são mortos, e ambos pela mão de Deus, pois os mesmos acontecimentos sucedem ao justo e ao ímpio. Mas Jacó é ferido como seus inimigos? Não, de modo algum. O desfecho é outro, e isso muda tudo. Por mais que às vezes pareça igual a nós, há uma diferença real entre o sofrimento e a morte dos piedosos e o sofrimento e a morte dos ímpios.
Embora Deus trate com o seu povo, ele o faz com medida, e o sofrimento deles é aliviado, limitado e ajustado à sua força, não ao que merecem (Isaías 27:8). Ele manda a aflição como um médico sábio prepara o remédio para o paciente, com a dose certa de cada ingrediente, ou como o médico decide quanto sangue tirar quando abre uma veia. Da mesma forma, Deus ordena as tribulações do seu povo, e não permite que sejam tentados além do que podem suportar (1 Coríntios 10:13). Ele mede as aflições pouco a pouco, para que não sejam esmagados em excesso, porque conhece a nossa estrutura. Corrige em juízo e não derrama sobre eles todo o seu furor.
Quando Deus envia aflição, ele o faz com cuidado. Ele a mede e não permite que vá além do que podemos suportar. Quando começa a nos corrigir, considera a nossa fraqueza, e mesmo quando sua disciplina é aguda, ainda a contém. Pode parecer um vento forte do oriente, barulhento e danoso, mas ele mantém esse vento áspero sob controle. Quando está joeirando o seu trigo, envia apenas uma brisa suave que leva embora a palha, não o grão bom.
Deus manda nos ventos e mantém toda aflição sob o seu freio. Ela pode chegar ao ponto de nos assustar, mas não pode ir além do que ele permite. Portanto, não devemos perder a esperança quando as coisas parecem piores. Por mais rude que seja o vento ou alta a tempestade, Deus ainda pode dizer: “Acalma-te, emudece”.
Embora Deus aflija o seu povo, ele também faz com que essas aflições contribuam para o bem da sua alma. Ele os corrige como um pai corrige o filho, para expulsar a loucura escondida em seu coração (Isaías 27:9). Esse é o propósito do sofrimento, e Deus o ajusta a esse propósito como meio apropriado. Pela sua graça operando junto com a aflição, ela purificará o pecado e enfraquecerá os hábitos pecaminosos.
Também os afastará da prática do pecado. Este é o fruto que Deus pretende, e é o único “mal” que deseja fazer-lhes: a remoção do pecado. Não poderiam receber bondade maior, ainda que lhes custe sofrimento. Assim, quando Deus alivia a aflição e retém o vento áspero, podemos concluir que ele mira a reforma deles, não a destruição. E, porque nos trata com mansidão, devemos procurar corresponder ao propósito que ele tem nas tribulações que nos envia.
O pecado específico que essa aflição visava curar era a idolatria, o pecado que com mais facilidade enredava aquele povo e ao qual estavam fortemente apegados. “Efraim está entregue aos ídolos.” Mas, por meio do cativeiro na Babilônia, não apenas foram desmamados desse pecado, como se voltaram contra ele. “Efraim dirá: Que mais tenho eu com os ídolos?” O pecado de Jacó é tirado, até o seu pecado querido, quando ele passa a tratar as pedras do seu altar idólatra, antes preciosas e sagradas para ele, como pedras de cal quebradas. Ele não só as despreza e já não lhes dá valor, mas também se indigna contra elas e as despedaça em santa vingança.
Os bosques sagrados e as imagens não permanecerão diante desse povo arrependido. Serão destruídos e nunca mais levantados. Isso está de acordo com a lei que ordenava a destruição de todo sinal de idolatria (Deuteronômio 7:5). E, conforme essa promessa, desde o cativeiro na Babilônia, nenhum outro povo no mundo demonstrou um ódio tão profundo aos ídolos e à idolatria quanto os judeus.
A lição é clara: a aflição tem o propósito de nos separar do pecado, sobretudo daquele pecado que é a nossa fraqueza particular. Sabemos que a aflição nos fez bem quando ela nos mantém longe dos ambientes e circunstâncias que nos conduzem ao pecado. Devemos tomar todo cuidado necessário para não apenas evitar recair no pecado, mas até mesmo evitar ser novamente tentados por ele (Salmo 119:67).
Ainda que Jerusalém fique desolada e abandonada por um tempo, chegará o dia em que seus amigos dispersos serão reunidos, de todos os países para onde foram espalhados (Isaías 27:12; Isaías 27:13). Embora a nação, em seu conjunto, seja tratada como um povo sem entendimento, os verdadeiros filhos de Israel tornarão a ser ajuntados, como ovelhas trazidas de volta depois que os pastores que as dispersaram são chamados a prestar contas (Ezequiel 34:10-19).
Esses israelitas dispersos serão trazidos de muito longe. O Senhor os sacudirá, como quem sacode o fruto de uma árvore, ou os debulhará, como o grão separado da palha. Ele os encontrará e os separará dos povos entre os quais viviam e com os quais pareciam ter se misturado. Alguns virão da região do Eufrates, ao nordeste, e outros do ribeiro do Egito, ao sudoeste. Uns foram levados para a Assíria e viviam em perigo entre inimigos, prestes a perecer por falta de alimento e quase desesperados de qualquer livramento. Outros eram refugiados no Egito, para onde muitos dos que ficaram na terra depois do cativeiro babilônico foram morar, em desobediência direta ao mandamento de Deus (Jeremias 43:6, Jeremias 43:7). Deus tem misericórdia preparada para todos eles e mostrará que, embora tenham sido lançados fora, não foram rejeitados definitivamente.
Eles também serão trazidos de volta de modo humilde, pessoa por pessoa, não em grandes multidões ou em colunas de marcha. Virão silenciosamente, como se fossem entrando um após o outro. Isso mostra que apenas um remanescente será salvo, e que será salvo com dificuldade, quase como gente arrancada do meio do fogo. Não retornarão como um grupo orgulhoso, mas à medida que cada indivíduo for despertado por Deus.
Eles serão reunidos por uma grande trombeta. A proclamação de Ciro, dando liberdade aos cativos, foi como essa trombeta, despertando os judeus do sono da escravidão e conclamando-os a se levantar. Foi como a trombeta do jubileu, que anunciava a libertação. Isso também aponta para a pregação do evangelho, por meio da qual pecadores são ajuntados na graça de Deus, especialmente os que estavam longe e à beira de perecer, pois o evangelho anuncia o ano aceitável do Senhor. E aponta ainda para a trombeta do arcanjo, no último dia, quando os santos serão reunidos para a glória de Deus, inclusive aqueles que jaziam como exilados em seus túmulos.
O propósito desse ajuntamento é o culto. Eles virão para adorar o Senhor no monte santo, em Jerusalém. Quando os cativos voltaram à sua terra, a primeira preocupação e o primeiro ato deles foi restaurar o culto a Deus. O templo santo estava em ruínas, mas ainda havia o monte santo, o lugar do altar (Gênesis 13:4). A liberdade de adorar a Deus é a mais valiosa de todas as liberdades e, depois de longo tempo de repressão e dispersão, o acesso aberto à sua casa deve ser mais precioso para nós do que o acesso às nossas próprias casas.
Os que são reunidos pela trombeta do evangelho são trazidos para adorar a Deus e incorporados ao seu povo. E a grande trombeta do fim reunirá os santos, para que sirvam a Deus dia e noite em seu templo.
Deste capítulo
Isaías 27:1
"Naquele dia, o Senhor ferirá, com sua espada pesada, grande e forte, Leviatã, o dragão fugaz, Leviatã, o dragão tortuoso; e matará o monstro que está no mar."
Isaías 27:2
"Naquele dia, se dirá: “Cantem a bela vinha!"
Isaías 27:3
"Eu, o Senhor, sou o vinhateiro; no momento oportuno, eu a rego, para que seus sarmentos não murchem. Dia e noite, eu a vigio,"
Isaías 27:4
"e nada tenho contra ela. Se nela crescerem sarças e espinhos, eu lhes farei guerra e queimarei todos eles,"
Isaías 27:5
"a menos que se coloquem sob minha proteção, que façam a paz comigo, que façam comigo a paz!"
Isaías 27:6
"Um dia, Jacó lançará raízes, Israel produzirá flores e botões, e eles cobrirão o mundo de frutos."
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