Versículo em destaque
Isaías 24:1 - Significado e aplicação
Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje
Tradução: Bíblia BibleGuided — Português Brasileiro
" Eis que o Senhor devasta a terra e a deixa deserta, transtorna sua face e dispersa seus habitantes. "
Isaías 24:1
Versículo no contexto
Entender os versículos ao redor evita interpretações incorretas:
1 Eis que o Senhor devasta a terra e a deixa deserta, transtorna sua face e dispersa seus habitantes.
2 Isso acontece tanto ao sacerdote como ao leigo, ao senhor como ao escravo, à senhora como à serva, ao vendedor como ao comprador, ao que empresta como ao que toma emprestado, ao credor como ao devedor.
3 A terra será completamente devastada e inteiramente saqueada, porque o Senhor assim decidiu.
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Esta profecia nos apresenta um quadro muito sombrio e triste. Para onde quer que se olhe, tudo parece arruinado e carregado de lamento. A destruição anunciada é descrita de muitas maneiras, todas elas reforçando a seriedade do aviso.
Em primeiro lugar, a terra é despojada da sua beleza e parece ser tirada da sua ordem. Ela é tornada vazia e desolada (Isaías 24:1), como se voltasse ao primeiro caos, “sem forma e vazia” (Gênesis 1:2). Aqui, “terra” pode significar o território, e em alguns pontos isso é bem claro. Mas o alcance é mais amplo do que um só país, porque isso acontece com muitos povos e poderia acontecer também conosco. É também uma figura do que as coisas terrenas são em geral: não oferecem consolo duradouro, e um pequeno abalo é suficiente para arruiná-las.
Muitas vezes vemos grandes famílias e grandes propriedades sendo esvaziadas e arruinadas por juízos de Deus ou mesmo por lenta decadência. O pecado virou o mundo de cabeça para baixo, de modo que a terra já não é aquilo que Deus planejou que fosse como lar do homem. O pecado também espalha as pessoas. Isso começou em Babel, e ainda se vê em cidades e lares, onde parentes próximos e antigos vizinhos às vezes já nada sabem uns dos outros.
O mesmo aviso volta em Isaías 24:4. A terra pranteia e enfraquece, porque não consegue dar ao ser humano a felicidade que este esperava dela. Ela decepciona aqueles que nela confiaram demais. O mundo inteiro murcha como uma flor na mão, antes mesmo de ser plenamente desfrutado. E, à medida que a terra envelhece, também os seus moradores são consumidos. A vida humana é frágil, muitas vezes solitária e muitas vezes cercada de aflições por todos os lados (Isaías 24:6).
Quando olhamos para doenças, epidemias e febres abrasadoras, entendemos o que o profeta quer dizer ao afirmar que os moradores da terra estão queimados ou consumidos. Uns são levados por um tipo de enfermidade, outros por outro, até que restam poucos, comparados com os muitos que já viveram. Este mundo é cheio de decepções. É um vale de lágrimas e um mundo que morre, e os filhos dos homens são poucos dias e fartos de inquietação.
Em segundo lugar, é o Senhor quem traz esses desastres sobre a terra. O mesmo Senhor que fez a terra frutífera e bela para o homem também pode torná-la vazia e desolada (Isaías 24:1). Como Criador, ele tem pleno direito de julgar o que fez, e tem poder para executar a sua sentença. Quando ele falou, fará cumprir (Isaías 24:3). A sua maldição devorou a terra (Isaías 24:6), tanto a maldição geral que veio por causa do pecado de Adão (Gênesis 3:17), como as maldições especiais que povos e nações atraem sobre si por grandes maldades.
Em terceiro lugar, pessoas de toda classe e condição participarão dessas aflições (Isaías 24:2). “Como o povo, assim o sacerdote.” Isso se verifica em muitos males comuns da vida. Todos estão sujeitos às mesmas doenças, tristezas, lutos familiares e perdas. Em juízos especiais sobre nações pecadoras, Deus pode tornar o castigo tão amplo que ninguém escape. Tenham os homens muito ou pouco, podem perder tudo.
Esse juízo atinge grandes e pequenos igualmente. Como o povo, assim o sacerdote, ou o governante. Sua dignidade não os protegerá. Os anciãos não serão respeitados (Lamentações 5:12). Os sacerdotes tinham sido tão corruptos quanto o povo; por que a sua função os livraria do juízo? É como o povo, assim o sacerdote (Oséias 4:8, Oséias 4:9). O mesmo vale para senhor e servo, criada e senhora. Todos andaram pelo mesmo caminho de pecado, por isso todos sofrerão quando a terra for assolada.
Ricos e pobres também, nesse ponto, ficam no mesmo nível. Os que têm dinheiro em mãos, ou emprestam a outros, não se sairão melhor que aqueles que foram obrigados a vender sua terra e tomar emprestado a juros. Há juízos, mesmo antes do grande dia do juízo, em que ricos e pobres se encontram no mesmo chão. Assim, os que estão em posição elevada no mundo não deveriam olhar com tanto desprezo para os demais, pois logo podem ser trazidos ao mesmo nível. Um rico pode imaginar que suas riquezas são uma cidade forte, mas nem sempre isso se confirma.
Em quarto lugar, o pecado é a causa dessas calamidades. A terra é esvaziada e murcha porque está contaminada pelos que nela habitam (Isaías 24:5). O pecado humano polui a terra, e por isso Deus a torna desolada em juízo. O pecado é tão imundo que mancha a própria terra e a torna desagradável aos olhos de Deus e dos piedosos (Levítico 18:25, Levítico 18:27, Levítico 18:28). O sangue, em especial, contamina a terra (Números 35:33). A terra não lança fora os seus moradores até que eles a tenham primeiramente contaminado com seus pecados.
E o que foi que eles fizeram? Romperam as leis conforme as quais foram criados e deixaram de viver para o fim para o qual Deus os fez. Rejeitaram a lei natural que os prendia ao Deus que os criou. Alteraram também os mandamentos da religião revelada, onde tiveram acesso à sua luz. Alguns entendem que isso inclui o fato de negligenciarem esses mandamentos e não se esforçarem para guardá‑los. Transgrediram as leis de Deus, pecando; desprezaram os seus estatutos, falhando nos deveres.
Ao fazer isso, quebraram a aliança eterna, um laço permanente que se torna benção permanente para os que a guardam. É grande bondade Deus tratar com os homens por meio de alianças, prometendo fazer‑lhes o bem e chamando‑os a servi‑lo. Mesmo aqueles que não participaram da aliança de Deus com Abraão ainda foram alcançados pela sua aliança com Noé e seus filhos, chamada de aliança eterna, bem como pela sua aliança com o dia e a noite. Mas eles não guardaram os deveres dados à família de Noé. Não honraram a bondade de Deus na sucessão diária de dia e noite, nem procuraram agradecê‑lo por isso. Assim, quebraram a aliança eterna e frustraram o fim gracioso que ela visava.
Esses juízos abatem o orgulho humano e arruinam a alegria humana. Quando a terra é esvaziada, os soberbos são humilhados. Os altivos da terra enfraquecem, porque perderam aquilo que sustentava seu orgulho e lhes dava motivo de vanglória. Aqueles que mantinham a cabeça mais erguida, Deus pode fazê‑los curvar.
Esses juízos também tiram o contentamento dos homens. Esse ponto é repetido com insistência: todos os alegres de coração suspiram. Tal é a natureza da alegria mundana: é como o crepitar de espinhos debaixo da panela, que se inflamam rapidamente e logo se apagam (Eclesiastes 7:6). Grandes risadas muitas vezes terminam em suspiros. Aqueles que fazem deste mundo o seu principal prazer não podem ser felizes para sempre. Quando Deus envia seus juízos sobre a terra, ele quer tornar sérios aqueles que viviam entregues aos deleites. Que o riso se transforme em pranto. Quando a terra é esvaziada, o barulho da multidão que se divertia chega ao fim.
A alegria mundana é ruidosa, mas esse ruído não dura, e o seu fim é tristeza. Duas coisas geralmente alimentam essa alegria vazia, e ambas são retiradas do povo aqui.
A primeira é a bebida. O vinho novo “pranteia”, porque azedou por falta de quem o beba. Embora o vinho possa aliviar o coração pesado (Provérbios 31:6), ele já não agrada os alegres de coração quando a provisão falha. A videira enfraquece e quase não há esperança de colheita, por isso os alegres suspiram. Eles não conhecem outra felicidade senão ver o aumento de seu cereal, vinho e azeite (Salmo 4:7). Se suas videiras e figueiras forem destruídas, sua alegria acaba (Oséias 2:11-12). Não mais beberão vinho com cânticos e gritos de festa, como faziam. Beberão com um suspiro. A bebida forte se tornará amarga para aqueles que a bebem, porque não poderão deixar de misturar lágrimas com ela, ou porque a enfermidade lhes tirou o gosto. Deus tem muitos meios de tornar o vinho e a bebida forte amargos para os que mais os amam: por enfermidades do corpo, angústias interiores, ou pela ruína de suas riquezas ou de sua pátria.
A segunda é a música. Cessa o júbilo dos tamboris, e acaba o regozijo da harpa, como nas antigas festas (Isaías 5:12). Mais tarde, os cativos na Babilônia penduraram suas harpas nos salgueiros. Em resumo, toda alegria se escurece. Não se vê mais rosto agradável, e ninguém consegue forçar um sorriso. Toda a alegria da terra se vai (Isaías 24:11). Se esse tipo de alegria é aquele que Salomão chamou de loucura, então sua perda não é tão grande assim.
As cidades sentirão de modo especial essas desolações que atingem o campo. A “cidade da confusão” é abatida. Ela fica exposta ao ataque do inimigo, não só porque seus muros estão derrubados, mas porque o próprio povo está tomado de confusão. Cada casa está fechada, talvez por causa de uma praga que consumiu o povo, deixando pouquíssimos sobreviventes (Isaías 24:6). Casas infectadas costumam ser trancadas para que ninguém mais entre. Ou então as casas estão fechadas porque foram esvaziadas e abandonadas.
As pessoas clamam por vinho, porque a vindima foi arruinada e provavelmente não haverá mais vinho. Na cidade, até mesmo em Jerusalém, antes tão cheia de vida, não restará nada além de ruína. A relva crescerá nas ruas, e a porta da cidade será ferida de destruição (Isaías 24:12). Todos os que costumavam passar pela porta serão abatidos, e a força da cidade será eliminada. Deus pode, em muito pouco tempo, transformar uma cidade ordenada em cidade de confusão, e depois em cidade de completa desolação.
Deste capítulo
Isaías 24:2
"Isso acontece tanto ao sacerdote como ao leigo, ao senhor como ao escravo, à senhora como à serva, ao vendedor como ao comprador, ao que empresta como ao que toma emprestado, ao credor como ao devedor."
Isaías 24:3
"A terra será completamente devastada e inteiramente saqueada, porque o Senhor assim decidiu."
Isaías 24:4
"A terra está desolada e murcha; o mundo definha e esmorece, e os chefes do povo estão aterrorizados."
Isaías 24:5
"A terra foi profanada por seus habitantes, porque eles transgrediram as leis, violaram as regras e romperam a aliança eterna."
Isaías 24:6
"Por isso, a maldição devora a terra, e seus habitantes expiam suas penas; os habitantes da terra são consumidos, e apenas um pequeno número de homens sobrevive."
Isaías 24:7
"O mosto está triste, a vinha está murcha, e todos os que tinham o coração alegre suspiram."
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