Versículo em destaque
Isaías 2:1 - Significado e aplicação
Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje
Tradução: Bíblia BibleGuided — Português Brasileiro
" Visão de Isaías, filho de Amós, acerca de Judá e Jerusalém. "
Isaías 2:1
Versículo no contexto
Entender os versículos ao redor evita interpretações incorretas:
1 Visão de Isaías, filho de Amós, acerca de Judá e Jerusalém.
2 No fim dos tempos, acontecerá que o monte da casa do Senhor estará colocado à frente das montanhas e dominará as colinas. Para lá acorrerão todas as gentes,
3 e os povos virão em multidão: “Venham” — dirão eles —, “subamos à montanha do Senhor, à casa do Deus de Jacó; ele nos ensinará seus caminhos, e nós trilharemos as suas veredas”. Porque de Sião deve sair a Lei e, de Jerusalém, a palavra do Senhor.
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O título desta mensagem em Isaías 2:1 corresponde ao título geral do livro em Isaías 1:1. A única diferença é que o que ali é chamado de visão aqui é chamado de palavra que Isaías viu, ou o assunto que ele viu. Ele tinha tanta certeza da veracidade da mensagem em sua mente como se a tivesse contemplado com os próprios olhos. Ou pode significar que essa palavra lhe veio em uma visão, algo que ele viu ao receber essa mensagem de Deus. João, no Apocalipse, voltou-se para ver a voz que lhe falava (Apocalipse 1:12).
Essa mensagem começa com uma profecia sobre os últimos dias, os dias do Messias, quando o seu reino seria estabelecido no mundo, perto do fim da era mosaica. Nos últimos dias da Jerusalém terrena, pouco antes de sua destruição, a Jerusalém celestial seria firmada (Hebreus 12:22; Gálatas 4:26). Os tempos do evangelho são chamados de últimos dias por três razões. Vieram depois de longa espera, pois os crentes do Antigo Testamento os aguardaram por muito tempo. Não devemos esperar nenhuma outra obra de graça salvadora além da que temos no evangelho (Gálatas 1:8-9). E devemos aguardar a segunda vinda de Jesus Cristo no fim dos tempos, assim como os crentes do Antigo Testamento aguardavam a sua primeira vinda. Esta é a última hora (1 João 2:18).
O profeta prediz aqui o estabelecimento da igreja cristã e o plantio da fé cristã no mundo. O cristianismo se tornará o monte da casa do Senhor. Onde quer que seja verdadeiramente recebido, Deus concederá ali a sua presença, aceitará o culto do seu povo e dará instrução e bênção, assim como fazia outrora no templo, no monte Sião. A igreja do evangelho, reunida sob a autoridade de Cristo, se tornará o lugar de ajuntamento de todos os filhos espirituais de Abraão.
Promete-se, em primeiro lugar, que o cristianismo será abertamente pregado e professado. Será preparado, como se lê na margem, sobre o cume dos montes, à vista e ao alcance de todos. Por isso os discípulos de Cristo são comparados a uma cidade edificada sobre um monte, que não se pode esconder (Mateus 5:14). Muitos olhos estavam voltados para eles. O próprio Cristo falou abertamente ao mundo (João 18:20). O que os apóstolos fizeram não foi feito em segredo (Atos 26:26). Era como acender um farol ou erguer uma bandeira. Se era falado contra em toda parte, isso apenas mostrava que também era falado de em toda parte.
Em segundo lugar, será firmemente estabelecido e enraizado. Será estabelecido sobre o cume dos montes eternos, edificado sobre a rocha, de modo que as portas do inferno não prevalecerão contra ele, a menos que pudessem arrancar montes. Aquele que habita em segurança é descrito como quem habita nas alturas (Isaías 33:16). O Senhor fundou a Sião do evangelho.
Em terceiro lugar, não apenas vencerá a oposição, mas também se elevará acima de qualquer rival. Será exaltado sobre os outeiros. A sabedoria de Deus escondida nessa mensagem brilhará mais do que toda a sabedoria do mundo, inclusive sua filosofia e sua política. O culto espiritual que ela traz derrubará a idolatria das nações, e qualquer outro sistema religioso parecerá baixo e fraco ao lado dela. Veja o Salmo 68:16. Por que, ó montes elevados, olhais com inveja? Este é o monte que Deus deseja para sua habitação.
Em segundo lugar, os gentios serão introduzidos nele. As nações serão admitidas, até mesmo aquelas incircuncisas e que antes eram proibidas de entrar nos átrios do templo em Jerusalém. O muro de separação que as mantinha de fora será removido. Todas as nações afluirão a ele. Como têm acesso livre, usarão essa liberdade, e muitos abraçarão a fé cristã. Afluirão como correntes de água, o que mostra tanto o grande número de convertidos que o evangelho fará quanto a sua disposição e alegria em chegar à igreja. Não serão forçados a entrar. Virão espontaneamente. Teu povo se apresentará voluntariamente (Salmo 110:3). A Ele se congregarão os povos (Gênesis 49:10). Veja Isaías 60:4-5.
Em terceiro lugar, esse ajuntamento de convertidos trará ajuda e ânimo mútuos. Seus santos afetos e resoluções se misturarão de tal forma que virão como um só rio. Assim como os judeus, subindo a Jerusalém para o culto, chamavam amigos pelo caminho e os estimulavam a ir com eles, assim muitos gentios convidarão parentes, amigos e vizinhos a se unirem a eles no abraço da fé cristã (Isaías 2:3). “Vinde, e subamos ao monte do Senhor.” Ainda que seja subida íngreme e contrária à nossa inclinação natural, é o monte do Senhor, e Ele ajudará nossas almas a se elevarem em direção a Ele.
Aqueles que estão entrando em aliança e comunhão com Deus devem trazer consigo o maior número possível de outros. Convém que os cristãos se estimulem mutuamente às boas obras e ao convívio uns com os outros. Não devem dizer: “Subi vós ao monte do Senhor e orai por nós, enquanto ficamos em casa.” Nem devem dizer: “Nós iremos, e vós fazei o que quiserdes.” Em vez disso, devem dizer: “Vinde, e vamos juntos.” Devem ir em acordo, para que possam fortalecer-se mutuamente e sustentar a reputação uns dos outros. Nem devem dizer: “Pensaremos nisso e decidiremos depois.” Devem dizer: “Vinde, vamos logo.” Veja o Salmo 122:1. Muitos falarão assim. Aqueles a quem isso foi dito o dirão a outros.
A igreja do evangelho é chamada não apenas de monte do Senhor, mas também de casa do Deus de Jacó. Nela, a aliança de Deus com Jacó e com o seu povo de oração continua e alcança o seu cumprimento. Pois para nós hoje, como para eles, Ele nunca diz: “Buscai-me em vão” (Isaías 45:19).
Observe o que esperam ao subir ao monte do Senhor: ali Ele nos ensinará os seus caminhos. Os caminhos de Deus são aprendidos em sua igreja, na comunhão com seu povo e no uso das ordenanças que Ele instituiu. Isso inclui os caminhos de dever em que Ele requer que andemos e os caminhos de graça pelos quais Ele vem a nós. É Deus quem ensina o seu povo por meio de sua Palavra e de seu Espírito. Vale o esforço subir ao seu santo monte para ser instruído em seus caminhos, e os que se dispõem a esse esforço não o acharão perdido. Então conheceremos, se prosseguirmos em conhecer ao Senhor.
Note também o que prometem para si e uns para os outros: “Se Ele nos ensinar os seus caminhos, andaremos nas suas veredas.” Se Ele nos mostrar nosso dever, nós, pela sua graça, cuidaremos de cumpri-lo. Aqueles que ouvem a Palavra de Deus com essa humilde resolução não serão mandados embora sem aprender.
Em quarto lugar, o meio pelo qual tudo isso acontecerá é que de Sião sairá a lei, a lei do Novo Testamento, a lei de Cristo, assim como a lei de Moisés um dia saiu do monte Sinai, e a Palavra do Senhor, de Jerusalém. O evangelho é uma lei, a lei da fé. É a Palavra do Senhor. Saiu de Sião, onde o templo foi edificado, e de Jerusalém. O próprio Cristo começou na Galileia (Mateus 4:23; Lucas 23:5). Mas quando ordenou aos apóstolos que pregassem o evangelho a todas as nações, mandou que começassem em Jerusalém (Lucas 24:47). Veja também Romanos 15:19.
Embora a maior parte dos discípulos morasse na Galileia, tiveram de permanecer em Jerusalém para receber o Espírito prometido (Atos 1:4). Também pregaram o evangelho no templo, no monte Sião (Atos 5:20). Jerusalém recebeu essa honra mesmo depois de Cristo ter sido crucificado ali, por causa do que ela havia sido. De Jerusalém, o evangelho saiu e edificou a igreja de Cristo sobre o cume dos montes. Este foi o cetro forte do poder de Deus enviado desde Sião (Salmo 110:2).
Aqui está o estabelecimento do reino do Redentor no mundo. Ele julgará entre as nações. Aquele cuja Palavra sai de Sião usará essa mesma Palavra não só para trazer almas sob o seu domínio, mas também para governá-las (Isaías 2:4). Em sabedoria e justiça, dirigirá os eventos do mundo para o bem de sua igreja, corrigindo e refreando os que se opõem a ela. Pelo seu Espírito agindo na consciência das pessoas, Ele as julgará. Sua repreensão perscrutará e conterá as pessoas, pois seu reino é espiritual, não deste mundo.
A grande paz que se segue ao êxito do evangelho no mundo é descrita em seguida (Isaías 2:4). As pessoas transformarão suas espadas em relhas de arado, convertendo instrumentos de guerra em instrumentos de lavoura. Da mesma forma, quando a guerra é declarada, as relhas de arado são batidas em espadas (Joel 3:10). Nação não levantará espada contra nação como agora acontece, e não aprenderão mais a guerra, porque já não terão necessidade dela. Isso não torna toda guerra ilícita para os cristãos, nem é uma promessa de que não haverá guerras de forma alguma nos dias do Messias.
Os judeus frequentemente usam essa passagem contra os cristãos como argumento de que Jesus não é o Messias, porque dizem que a promessa ainda não se cumpriu. Mas isso pode ser respondido de várias maneiras. Primeiro, ela se cumpriu em parte no tempo pacífico em que Cristo nasceu, quando as guerras estavam bem atenuadas, como se vê no recenseamento sob César (Lucas 2:1). Segundo, o evangelho foi dado para promover a paz e afastar o ódio. Ele traz as razões e motivos mais fortes para a paz, de modo que, em justiça, deveria ter produzido esse efeito, se as paixões humanas, de onde procedem guerras e contendas, não tivessem se oposto.
Terceiro, judeus e gentios foram aproximados e reconciliados pelo evangelho, e já não havia entre eles guerras como antes, porque se tornaram um só rebanho debaixo de um só Pastor. Ver (Efésios 2:15). Quarto, à medida que o evangelho de Cristo se espalha, ele torna as pessoas pacíficas, amolece seus espíritos e lhes dá um temperamento mais brando. O amor de Cristo, derramado no coração, impele as pessoas a se amarem mutuamente. Quinto, os primeiros cristãos eram conhecidos pelo amor fraternal, e até mesmo seus inimigos percebiam isso. Sexto, há boa razão para esperar que essa promessa ainda venha a cumprir‑se de modo mais amplo nos últimos dias da igreja cristã, quando o Espírito for derramado mais abundantemente do alto. Então haverá paz sobre a terra. Quem viverá para ver Deus fazer isso? Mas certamente ele o fará no seu tempo, pois não é homem para que minta.
A passagem termina com um apelo prático (Isaías 2:5): “Vinde, ó casa de Jacó, e andemos na luz do Senhor”. Pela casa de Jacó ele pode estar se referindo tanto a Israel segundo a carne quanto ao povo espiritual de Deus. Se se trata de Israel segundo a carne, eles deveriam ser despertados a um santo zelo pelo exemplo dos gentios (Romanos 11:14). Vendo os gentios tão prontos a subir à casa do Senhor, Israel deveria ser movido a fazer o mesmo. Não deveria jamais ser dito que pecadores gentios foram melhores amigos do santo monte de Deus do que a casa de Jacó. O zelo de alguns deveria despertar a muitos.
Ou as palavras podem referir‑se a Israel espiritual, todos os que foram trazidos ao Deus de Jacó. Se, nos dias do evangelho, haverá tão grande conhecimento (Isaías 2:3) e tão grande paz (Isaías 2:4), e se participamos dessas bênçãos, então devemos viver de maneira condizente com elas. Seja o que for que os outros façam, devemos vir, sim, vir, e andar na luz do Senhor. Andemos com cuidado na luz desse conhecimento. Se Deus nos ensinará os seus caminhos e nos mostrará a sua glória na face de Cristo, então vivamos como filhos da luz e do dia (Efésios 5:8; 1 Tessalonicenses 5:8; Romanos 13:12).
Andemos também com consolo na luz dessa paz. Se não haverá mais guerra, prossigamos o nosso caminho com alegria, e que essa alegria se encerre em Deus e se torne a nossa força (Neemias 8:10). Assim, andaremos nos raios do Sol da justiça.
Deste capítulo
Isaías 2:2
"No fim dos tempos, acontecerá que o monte da casa do Senhor estará colocado à frente das montanhas e dominará as colinas. Para lá acorrerão todas as gentes,"
Isaías 2:3
"e os povos virão em multidão: “Venham” — dirão eles —, “subamos à montanha do Senhor, à casa do Deus de Jacó; ele nos ensinará seus caminhos, e nós trilharemos as suas veredas”. Porque de Sião deve sair a Lei e, de Jerusalém, a palavra do Senhor."
Isaías 2:4
"Ele será o juiz das nações, o governador de muitos povos. De suas espadas forjarão relhas de arados e, de suas lanças, foices. Uma nação não levantará a espada contra outra, e não se arrastarão mais para a guerra."
Isaías 2:5
"Casa de Jacó, venham, caminhemos à luz do Senhor."
Isaías 2:6
"Vocês rejeitaram inteiramente o povo de vocês, a casa de Jacó, porque ela está cheia de adivinhos do Oriente e de agoureiros como os filisteus; ela transige com os estrangeiros."
Isaías 2:7
"A sua terra está cheia de prata e de ouro, e há tesouros sem fim. A sua terra está cheia de cavalos, e há um sem-número de carros."
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