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Isaías 11:1 - Significado e aplicação
Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje
Tradução: Bíblia BibleGuided — Português Brasileiro
" Um renovo sairá do tronco de Jessé, e um rebento brotará de suas raízes. "
Isaías 11:1
Versículo no contexto
Entender os versículos ao redor evita interpretações incorretas:
1 Um renovo sairá do tronco de Jessé, e um rebento brotará de suas raízes.
2 Sobre ele repousará o Espírito do Senhor, Espírito de sabedoria e de entendimento, Espírito de prudência e de coragem, Espírito de ciência e de temor do Senhor.
3 Sua alegria estará no temor do Senhor. Ele não julgará pelas aparências nem decidirá pelo que ouvir dizer;
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Isaías já havia falado, neste mesmo sermão, de uma criança que nasceria, de um filho que seria dado, e do governo que repousaria sobre os seus ombros. Ele apresentou isso como consolo para o povo de Deus em tempos difíceis, assim como o Jacó moribundo, muito tempo antes, encontrara consolo no anúncio de Siló, mesmo estando no Egito. Isaías havia dito que o jugo seria despedaçado por causa da unção (Isaías 10:27). Agora ele mostra sobre quem essa unção repousaria.
Ele anuncia que o Messias, o Cristo prometido, se levantaria da casa de Davi, como o Renovo do Senhor que ele já chamara de excelente e glorioso (Isaías 4:2). A palavra usada aqui é “Netzer”, e alguns entendem que isso se relaciona com (Mateus 2:23), onde se diz que os profetas falaram do Messias como alguém que seria chamado Nazareno. Ele viria de Jessé, pai de Davi, e assim da linhagem real à qual Deus fez sua promessa. Deus havia jurado suscitar o Cristo da descendência de Davi (Atos 2:30), e Cristo é chamado de Filho de Davi porque seria mais que simples herdeiro: tomaria também o lugar de Davi como rei (Oséias 3:5).
Sua manifestação seria humilde. Ele é chamado de vara e renovo, expressões que indicam algo pequeno, tenro e fácil de quebrar. Pouco antes, os inimigos do povo de Deus haviam sido comparados a árvores fortes e altas (Isaías 10:33), mas Cristo é apresentado como um renovo tenro (Isaías 53:2). Ainda assim, esse broto aparentemente frágil venceria a todos. Diz-se que vem de Jessé, e não diretamente de Davi, porque Jessé vivia na obscuridade e sua família era de pouca importância (1 Samuel 18:18). Às vezes Davi era chamado de “filho de Jessé” em tom de desprezo e escárnio (1 Samuel 22:7).
Ele sai do tronco cortado de Jessé. A família real estava como um cedro derrubado, restando apenas um toco, quase rente ao chão e escondido entre a relva (Daniel 4:15). Mesmo assim, tornaria a brotar (Jó 14:7). Brota das raízes enterradas na terra, sem nada visível acima do solo. Na época do nascimento de Cristo, a casa de Davi de fato havia sido profundamente abatida, como se vê na condição simples e pobre de José e Maria. Cristo devia começar sua obra em humilhação, e só depois ser grandemente exaltado. Dessa forma, desde o início ele deixava claro que o seu reino não era deste mundo.
O Targum caldeu parafraseia assim: “Um rei virá dentre os filhos de Jessé, e o Messias será ungido dentre os seus descendentes.”
Isaías também declara que esse renovo tenro seria plenamente apto para a grande obra para a qual fora designado, porque o Espírito do Senhor repousaria sobre ele (Isaías 11:2). O Espírito Santo, com todos os seus dons e graças, não apenas viria sobre ele, mas permaneceria nele. Ele teria o Espírito sem medida, em plenitude, com toda a plenitude de Deus habitando nele (Colossenses 1:19; Colossenses 2:9). Ele iniciou o seu ministério público afirmando essa verdade: “O Espírito do Senhor é sobre mim” (Lucas 4:18).
Mais especificamente, ele teria o Espírito necessário para governar, para exercer o juízo que o Pai lhe confiou e para o qual lhe deu autoridade (João 5:22, João 5:27). Ele se tornaria também a fonte de graça para os crentes, de modo que, da sua plenitude, todos receberiam o Espírito de graça, como o corpo recebe vida da cabeça. Ele teria o espírito de sabedoria e de entendimento, de conselho e de conhecimento. Conheceria perfeitamente a obra e entenderia o que estava fazendo. Ninguém conhece o Pai senão o Filho (Mateus 11:27). Tudo o que ele daria a conhecer sobre Deus, seu pensamento e sua vontade, ele já conhecia em si mesmo (João 1:18). Saberia ordenar os negócios do seu reino espiritual de modo plenamente ajustado à glória de Deus e ao bem das pessoas. Estabeleceria sabiamente os termos da aliança, instituiria ordenanças sábias e guardaria em si tesouros ocultos de sabedoria. Seria o nosso Conselheiro, e Deus o faria sabedoria para nós.
Ele teria também o espírito de coragem, força e firme resolução. Sua tarefa era muito grande, e ele teria de vencer muitos obstáculos. Por isso, precisava ser fortalecido para não desfalecer nem se quebrantar (Isaías 42:4). Ficou conhecido por sua coragem ao ensinar o caminho de Deus em verdade, sem temer a opinião de ninguém (Mateus 22:16). Teria igualmente o espírito de verdadeira religião, isto é, o temor do Senhor. Ele mesmo demonstraria amor reverente ao Pai, como servo (Isaías 42:1), e foi ouvido por causa da sua piedade (Hebreus 5:7). Ao mesmo tempo, promoveria a verdadeira religião em tudo o que fizesse. A fé em Cristo nunca foi destinada a substituir o temor do Senhor, mas a aprofundá‑lo e firmá‑lo.
Isaías acrescenta que Cristo seria cuidadoso, exato e sábio no modo de governar e exercer a autoridade que receberia (Isaías 11:3). O Espírito com que seria revestido o tornaria rápido em entender o que diz respeito ao temor do Senhor, como um olfato aguçado. A Escritura frequentemente usa os sentidos do corpo para descrever a percepção da mente. São verdadeiramente sábios aqueles que o são no temor do Senhor, pois este é ao mesmo tempo fundamento e coroa da sabedoria. Mostramos que temos o Espírito de Deus quando nossos sentidos espirituais estão exercitados e entendemos claramente o que o temor do Senhor exige. As pessoas têm luz divina quando conhecem seu dever e sabem como cumpri‑lo.
Este é um dos motivos pelos quais Jesus Cristo recebeu o Espírito sem medida: para entender plenamente a sua obra. E ele de fato a entendeu, como se vê nas respostas sábias que deu a quem o interrogava. Isso também aparece no modo como executou toda a sua missão. Ele dispôs a grande questão da religião de forma tão perfeita, e de modo tão inesperado, que assegurou ao mesmo tempo a honra de Deus e a verdadeira felicidade humana. Somos levados a reconhecer que ele compreendeu tudo perfeitamente.
Isaías acrescenta ainda que ele seria justo e reto em cada ato de seu governo, com tanta equidade quanto sabedoria. Ele julgaria como ele mesmo disse, e como ele mesmo gostaria de ser julgado, com reto juízo (João 7:24).
Ele não julgaria pela aparência exterior (Isaías 11:3). Não decidiria segundo o que os olhos veem, fazendo acepção de pessoas (Jó 34:19), nem se guiaria por aparências superficiais. Não repreenderia com base em boatos, conversas do povo ou relatos de terceiros, como tantos fazem. Não julgaria as pessoas por palavras bonitas, como chamá‑lo de “Senhor, Senhor”, nem por atitudes exteriores pensadas para impressionar os outros.
Ao contrário, julgaria segundo o homem interior do coração e de acordo com os motivos íntimos que movem as pessoas. Ele vê tudo isso perfeitamente, e seu juízo nunca erra. Cristo julgará os segredos dos homens (Romanos 2:16). Ele decidirá a respeito das pessoas, não por aquilo que elas dizem ou aparentam de si mesmas, o que seria julgar segundo a vista, nem pelo que os outros pensam delas, o que seria julgar segundo o ouvir. Seu juízo é sempre verdadeiro.
Ele julgará com justiça (Isaías 11:5). A justiça será o cinto dos seus lombos. Ele será perfeitamente justo em todo o seu governo, e sua justiça será sua honra e sua formosura. Permanecerá sempre com ele, e ele agirá com retidão em todos os assuntos. Entrará em guerra em justiça, e a sua justiça será sua força e prontidão, como o homem que aperta as vestes à cintura para agir. Os que seguem a Cristo também devem cingir‑se com o cinto da verdade (Efésios 6:14), e isso trará estabilidade aos tempos.
Em justiça, ele defenderá os pobres e oprimidos (Isaías 11:4). Julgará em favor dos que têm o direito ao seu lado, ainda que sejam pobres neste mundo e humildes de espírito. É dever dos governantes proteger e livrar os pobres (Salmo 82:3, Salmo 82:4), e é honra de Cristo ser o Rei dos pobres (Salmo 72:2, Salmo 72:4). Ele também julgará com equidade pelos mansos da terra. Aqueles que suportam injustiças com mansidão e paciência estão, de modo especial, sob o cuidado e a proteção de Deus.
Alguns entendem que isso também significa que, se o seu próprio povo, os mansos da terra, fizer o que é errado, ele os corrigirá com justiça. Se pecarem, visitará a transgressão deles com a vara. Mas sempre fará isso com equidade e retidão.
Ele também julgará contra seus inimigos, os soberbos e opressores (Isaías 11:4). Ferirá a terra, isto é, o homem da terra que oprime os outros (ver Salmo 10:18), os homens deste mundo que só se ocupam das coisas terrenas (Salmo 17:14). Ele os ferirá com a vara de sua boca, isto é, com a palavra que pronunciar. Suas ameaças os alcançarão e se cumprirão.
Pelo assopro dos seus lábios, pela obra do seu Espírito e conforme a sua palavra, ele matará os ímpios. Fará isso com facilidade, apenas com uma palavra, como derrubou aqueles que vieram prendê-lo quando disse: “Sou eu” (João 18:6). Convicções apavorantes tomarão as consciências deles, e juízos mortais os arruinarão, juntamente com o seu poder e tudo em que confiam. No mundo vindouro, tribulação eterna será retribuída àqueles que atribulam o seu povo pobre e aflito.
O apóstolo aplica isso à destruição do “homem do pecado”, isto é, o iníquo, o principal inimigo de Cristo (2 Tessalonicenses 2:8), a quem o Senhor destruirá com o sopro da sua boca. A antiga tradução caldaica entende aqui como: “Ele matará aquele ímpio Romulus, ou Roma”, interpretação assim compreendida por Hugh Broughton.
Haverá também grande paz e quietude sob o seu governo. Isso explica o que foi dito em Isaías 9:6, que ele seria o Príncipe da paz. Paz aqui envolve duas coisas: unidade ou harmonia, e segurança ou proteção.
Em primeiro lugar, haverá harmonia, retratada nessas figuras em que até o lobo habita com o cordeiro. Pessoas de temperamento feroz, que antes costumavam ferir e devorar os outros, terão seu caráter tão transformado pelo poder do evangelho e pela graça de Cristo que passarão a viver em amor, até mesmo com os mais fracos. As ovelhas não ferirão umas às outras, como às vezes já fizeram (Ezequiel 34:20, Ezequiel 34:21). Até os lobos entrarão em acordo com elas. Cristo, que é a nossa paz, veio para abolir a inimizade e estabelecer amizade duradoura entre os seus seguidores, especialmente entre judeus e gentios. Quando muitos de ambos os grupos se converteram e foram reunidos em um só rebanho, então o lobo e o cordeiro passaram a habitar juntos; o lobo já não ameaçava o cordeiro, e o cordeiro já não temia.
O leopardo não despedaçará o cabrito, mas se deitará com ele. Até as suas crias se deitarão juntas e crescerão em amizade, ajudando essa amizade a permanecer. O leão deixará de ser cruel e comerá palha como o boi, como alguns pensam que os animais de rapina faziam antes da queda. A áspide e o basilisco, isto é, serpentes venenosas, não causarão mais dano, de modo que até crianças poderão brincar perto delas em segurança. Uma geração de víboras se transformará em um povo de santos, e o antigo ditado “o homem é lobo do próprio homem” deixará de valer.
Os que habitam no monte santo viverão tão pacificamente quanto as criaturas com Noé na arca. Isso contribuirá para sua preservação, porque não mais se ferirão nem se destruirão uns aos outros. Isso já se vê na admirável mudança que o evangelho produz naqueles que o recebem de verdade. Ele muda a natureza das pessoas e torna mansos e amorosos com os humildes aqueles que antes os pisavam. Quando Paulo, que antes perseguia os santos, uniu-se a eles, o lobo passou a habitar com o cordeiro. Alguns também esperam um cumprimento ainda mais pleno disso nos últimos dias, quando as espadas serão transformadas em relhas de arado.
Em segundo lugar, haverá segurança. Cristo, o grande Pastor, cuidará do rebanho de tal maneira que os que querem fazer-lhe mal não terão êxito. Não apenas deixarão de ferir uns aos outros, mas nenhum inimigo externo receberá permissão de perturbá-los. A própria natureza das aflições, e até da morte, será tão transformada que não causará nenhum dano real, muito menos ruína, a quem anda no caminho da santidade, no monte santo (1 Pedro 3:13). Quem, ou o que, nos fará mal, se formos zelosos do bem?
O povo de Deus será liberto não só do mal, mas também do medo do mal. Até a criança de peito brincará sem temor sobre a toca da áspide. O bem-aventurado Paulo fala assim quando pergunta: “Quem nos separará do amor de Cristo?” e exclama: “Onde está, ó morte, o teu aguilhão?”
Por fim, observe-se tanto o efeito como a causa dessa grande suavização e adoçamento do temperamento humano pela graça de Deus.
O resultado disso será um espírito dócil, pronto a receber instrução. Uma criança pequena guiará aqueles que antes se recusavam a ser dirigidos até mesmo pelo mais forte dos homens. Calvino entende que isso se refere à submissão voluntária aos ministros de Cristo, que devem ensinar com mansidão e não usar coerção. Eles mesmos devem ser como crianças, conforme (Mateus 18:3) e (2 Coríntios 8:5).
A causa dessa paz será o conhecimento de Deus. Quanto mais as pessoas o conhecem, mais inclinadas ficam à paz. Viverão em amor, porque a terra se encherá do conhecimento do Senhor, e esse conhecimento apagará a ira e a hostilidade.
Quanto melhor conhecemos o Deus de amor, mais somos transformados à sua semelhança. E ficamos mais benévolos para com todos os que trazem a sua imagem. A terra ficará tão cheia desse conhecimento quanto os canais do mar estão cheios de água: amplo, vasto, profundo, sólido e duradouro. Há muito mais conhecimento de Deus a ser alcançado por meio do evangelho de Cristo do que pela lei de Moisés. Sob a lei, Deus era conhecido em Judá apenas, mas agora todos o conhecerão (Hebreus 8:11). Mas, se um pretenso conhecimento de Deus desperta contendas entre as pessoas, não passa de conhecimento falso. O verdadeiro conhecimento de Deus produz paz.
Deste capítulo
Isaías 11:2
"Sobre ele repousará o Espírito do Senhor, Espírito de sabedoria e de entendimento, Espírito de prudência e de coragem, Espírito de ciência e de temor do Senhor."
Isaías 11:3
"Sua alegria estará no temor do Senhor. Ele não julgará pelas aparências nem decidirá pelo que ouvir dizer;"
Isaías 11:4
"mas julgará os fracos com equidade, fará justiça aos pobres da terra, ferirá o homem impetuoso com uma sentença de sua boca e, com o sopro dos seus lábios, fará morrer o ímpio."
Isaías 11:5
"A justiça será como o cinto de seus rins, e a lealdade circundará seus flancos."
Isaías 11:6
"Então, o lobo será hóspede do cordeiro, a pantera se deitará ao pé do cabrito, o touro e o leão comerão juntos, e um menino pequeno os conduzirá;"
Isaías 11:7
"a vaca e o urso se fraternizarão, suas crias repousarão juntas, e o leão comerá palha com o boi."
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