Versículo em destaque
Isaías 1:21 - Significado e aplicação
Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje
Tradução: Bíblia BibleGuided — Português Brasileiro
" Como se prostituiu a cidade fiel, Sião, cheia de retidão? A justiça habitava nela, e agora são os homicidas. "
Isaías 1:21
Versículo no contexto
Entender os versículos ao redor evita interpretações incorretas:
19 Se forem dóceis e obedientes, provarão os melhores frutos da terra;
20 se recusarem e se revoltarem, provarão a espada.” É a boca do Senhor que o declara.
21 Como se prostituiu a cidade fiel, Sião, cheia de retidão? A justiça habitava nela, e agora são os homicidas.
22 Sua prata converteu-se em escória, seu vinho misturou-se com água.
23 Seus príncipes são rebeldes, cúmplices de ladrões. Todos eles amam as dádivas e andam atrás do proveito próprio; não fazem justiça ao órfão, e a causa da viúva não é evocada diante deles.
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Aqui, lamenta-se profundamente a triste decadência de Judá e Jerusalém. A cidade real havia sido, em outros tempos, uma cidade fiel, leal a Deus e comprometida com o bem público da nação. A justiça era corretamente exercida em seus tribunais, e a retidão ali habitava como um modo de vida estabelecido, não apenas como uma aparência ocasional.
Isso mostra que nem uma cidade santa nem uma cidade real são realmente fiéis se os caminhos de Deus não vivem dentro delas. Um lugar pode se revestir de religião ou de autoridade governamental, mas se não possui verdadeira justiça, fracassou em sua missão. A antiga honra de Jerusalém torna sua queda ainda mais vergonhosa.
Agora aquela cidade tão bela, outrora virtuosa, tornara-se como uma esposa infiel. A justiça já não morava em Jerusalém, e até assassinos ficavam impunes. Na verdade, os próprios príncipes se tornaram tão cruéis e opressores que não eram melhores do que homicidas. Um inocente teria mais chance diante de salteadores do que diante daqueles juízes.
Esse é um agravante muito sério do pecado de qualquer povo: quando seus antepassados eram conhecidos por virtude e integridade. Quem cai de uma herança moral elevada muitas vezes se torna pior do que todos. Quando aquilo que já foi o melhor se corrompe, muitas vezes se converte no pior de tudo (Lucas 11:26; Eclesiastes 3:16; Jeremias 22:15-17).
A corrupção de Jerusalém é mostrada por meio de figuras. “A tua prata se tornou em escória.” Os governantes, que deveriam refletir honra e valor, tornaram-se tão inúteis quanto metal vil. Príncipes justos e cidades justas são como prata guardada no tesouro; mas os injustos são como resíduo que só serve para o lixo. “Como se escureceu o ouro!” (Lamentações 4:1).
“O teu vinho está misturado com água.” Alguns entendem isso de modo literal, como se o vinho que vendiam fosse adulterado e o dinheiro, falso. Mas é melhor entender como figura. A justiça havia sido diluída pelos príncipes, e a religião e a palavra de Deus haviam sido torcidas pelos sacerdotes para servir aos seus próprios interesses. A escória ainda pode brilhar como se fosse prata, e o vinho aguado ainda pode parecer vinho, mas nenhum dos dois tem valor real. Assim, mantinham uma aparência externa de justiça e virtude, mas sem verdadeira substância.
O profeta aponta também exemplos claros dessa corrupção. “Os teus príncipes são rebeldes” contra Deus e contra a sua lei. Aqueles que deveriam conter os ladrões tornaram-se seus sócios, protegendo-os e agindo como eles. Como detinham o poder, podiam lucrar com o mal de forma mais segura e mais bem-sucedida. Participavam de ganhos ilícitos e se ajuntavam com ladrões (Salmo 50:18; Provérbios 1:13-14).
Seu objetivo principal era o lucro. Amavam subornos e corriam atrás de recompensas. Preocupavam-se sobretudo com o que podiam tirar de seus cargos, por meios justos ou injustos. Estavam dispostos a fazer qualquer coisa, até contra a lei e contra a justiça, em troca de um presente secreto. Tais presentes cegavam seus olhos e os faziam perverter o juízo (Oséias 4:18).
Também falhavam em seu dever. Deveriam proteger o prejudicado e ouvir o clamor dos desamparados. Em vez disso, não defendiam o órfão, e a causa da viúva nem chegava até eles, porque a pobre viúva não tinha suborno para oferecer. Aqueles que deveriam ser defensores dos oprimidos tornaram-se seus piores opressores.
Por causa disso, o Senhor fala de intervenção. “Portanto diz o Senhor, o Senhor dos Exércitos, o Forte de Israel.” Ele tem poder para cumprir o que diz, tem exércitos sob seu comando, e sua força está comprometida com o bem de Israel. Ele declara: “Ah! Consolar-me-ei dos meus adversários.” Os ímpios, especialmente governantes cruéis, são inimigos de Deus e serão tratados como tais.
Eles também são um fardo para ele. O Forte de Israel, que pode suportar tudo e sustentar todas as coisas, ainda assim fala de estar cansado do pecado humano (Isaías 43:24; Amós 2:13). Deus escolherá o tempo e o modo de aliviar-se desse fardo, julgando aqueles que esgotaram sua paciência. Ele fala como alguém que olha para frente com certeza e triunfo. Ele aliviará a terra de seus gemidos debaixo do peso do pecado (Romanos 8:21-22) e limpará seu nome das afrontas que tem suportado.
Ele se aliviará de seus inimigos ao se vingar deles. É como se ele os cuspisse de sua boca e desse fim a eles (Apocalipse 3:16). Ele fala com santo prazer do dia da vingança que já está em seu coração (Isaías 63:4). Se o povo que professa o nome de Deus não reflete sua santidade como o Santo de Israel (Isaías 1:4), então conhecerá seu poder como o Forte de Israel.
Deus aliviará esse fardo de duas maneiras. Primeiro, reformará a sua igreja e restaurará bons juízes no lugar dos corruptos. Embora haja muita escória na igreja, Deus não a lançará fora. Ele a refinará (Isaías 1:25). Ele eliminará sua impureza, corrigirá o que está errado, silenciará o vício e a profanação, removerá os opressores e tirará deles o poder de fazer o mal. Quando as coisas chegam ao pior estado, Deus ainda pode endireitá-las. Quando ele começa a obra, ele a termina, removendo todo o estanho.
A reforma de um povo é obra do próprio Deus. Se algum dia ela acontece, é ele quem a realiza. “Voltarei contra ti a minha mão” significa: “Usarei meu poder para reavivar a religião, assim como o usei no início para estabelecê-la.” Ele pode fazer isso com um simples voltar de sua mão e pode fazê-lo de modo eficaz, porque nenhuma resistência permanece de pé diante do poder do Senhor quando este se manifesta.
Ele faz isso dando-lhes bons governantes e bons ministros de Estado (Isaías 1:26). “Restituir-te-ei juízes como os primeiros” quer dizer que ele voltará a fazer valer as leis contra os que praticam o mal. Também restaurará seus conselheiros, para que os negócios públicos sejam bem conduzidos, como eram no princípio. Pode tratar-se das mesmas pessoas que haviam sido removidas, ou de outras semelhantes a elas.
Ele também age restaurando a justiça e a retidão no meio do povo (Isaías 1:27). Ele planta princípios de justiça na mente das pessoas e, em seguida, dirige suas vidas por esses mesmos princípios. Governantes humanos podem fazer muito pela pressão externa, mas Deus opera mais fundo, pela influência de seu Espírito, como Espírito que concede juízo e discernimento (Isaías 4:4; Isaías 28:6; ver também Salmo 85:10, 11).
A reforma de um povo é também a sua redenção, e a redenção daqueles que voltam para Deus. O pecado é a pior forma de cativeiro e escravidão. A grande e duradoura redenção é aquela pela qual Israel é libertado de todos os seus pecados (Salmo 130:8). O bendito Redentor é aquele que aparta de Jacó a impiedade (Romanos 11:26) e salva o seu povo dos seus pecados (Mateus 1:21). Todos quantos o Senhor redime também são levados a voltar-se para ele, e esse retorno faz parte da própria redenção. “Seus convertidos, ou os que dela se arrependem” serão redimidos com justiça. Deus nos livra preparando-nos primeiro para esse livramento, por meio da justiça e da retidão.
O reavivamento da virtude de um povo é também a restauração de sua honra. “Depois te chamarão a cidade de justiça, a cidade fiel.” Isso significa, primeiro, que eles realmente se tornarão assim. Reformar os governantes é um bom passo para reformar a cidade e o país como um todo. Em segundo lugar, receberão o elogio de ser assim. Nenhuma honra maior pode pertencer a uma cidade do que ser chamada cidade de justiça, e recuperar a antiga honra que havia sido perdida quando a cidade fiel se tornou uma meretriz (Isaías 1:21).
Deus também trata com aqueles que odeiam a reforma, para que não permaneçam como laços ou exemplos vergonhosos dentro da cidade fiel. Trata-se de uma destruição total, não apenas de uma correção. Eles serão destruídos e consumidos, porque sua remoção é necessária para a redenção de Sião. É também uma destruição completa, tanto dos abertamente pecadores quanto dos hipócritas, daqueles que vivem na impiedade e daqueles que a encobrem com uma forma religiosa. Uns e outros serão destruídos juntos, porque ambos são abominação para Deus. Alguns se opõem à verdadeira religião de modo aberto, e outros a prejudicam fingindo praticá-la enquanto vivem contra ela. Os que abandonam o Senhor, depois de um dia terem-se ligado a ele, serão consumidos como a água encanada que logo desaparece quando é cortada da fonte.
Essa ruína também é inevitável. Seus ídolos não poderão ajudá-los, nem os carvalhos que desejaram, nem os jardins que escolheram. Essas eram as imagens e falsos deuses que adoravam nos bosques e debaixo das árvores verdes. Apegaram-se a esses ídolos, chegando a cultuá-los em particular, em seus jardins, quando a idolatria já não era mais sustentada abertamente. Essa era a prática dos transgressores e pecadores, mas eles ficarão envergonhados disso, não com arrependimento verdadeiro, e sim com desespero (Isaías 1:29). Terão motivo para se envergonhar de seus ídolos, porque, depois de toda a devoção que lhes prestaram, esses ídolos não trarão benefício algum. Na verdade, os próprios ídolos irão para o cativeiro (Isaías 46:1, 2).
Os que fazem das coisas criadas a sua confiança só estão preparando confusão para si mesmos. Eles tinham prazer nos carvalhos e nos jardins, mas se tornariam como eles. Seriam como um carvalho sem folhas, seco, queimado e despojado de sua formosura. É justo que aqueles que não produzem fruto também não ostentem folhas, como a figueira que Cristo amaldiçoou por não ter fruto. Também seriam como um jardim sem água, nem regado pela chuva nem irrigado pelo esforço humano (Deuteronômio 11:10), sem fonte (Cantares 4:15), totalmente seco e com todo o seu fruto arruinado. Assim acontece com os que confiam em ídolos ou na força do homem (Jeremias 17:5, 6). Mas os que confiam em Deus nunca o encontram como um deserto ou como águas que falham (Jeremias 2:31).
Eles também serão incapazes de salvar a si mesmos (Isaías 1:31). “O forte se tornará em estopa” quer dizer que ele será não apenas facilmente quebrado, mas também pronto para pegar fogo. E a sua obra, isto é, tudo aquilo em que se apoia para se fortalecer e garantir segurança, será como uma faísca lançada sobre a sua própria estopa. Essa faísca o incendiará, e ele e a sua obra queimarão juntos. Os seus próprios planos trarão a sua ruína. A própria coisa em que confia acenderá o fogo da ira de Deus, que queimará até as profundezas e ninguém o apagará. Quando o pecador se torna como estopa e palha, e Deus se faz para ele fogo consumidor, nada pode impedir a sua destruição total.
Toda essa passagem se aplica de várias maneiras. Aplica-se à obra abençoada de reforma no tempo de Ezequias, depois da terrível corrupção sob Acaz. Então os homens justos foram exaltados, e o rosto dos ímpios foi coberto de vergonha. Aplica-se também ao retorno do cativeiro na Babilônia, que curou de forma decisiva o povo da idolatria. Aponta ainda para o reino do evangelho e o derramamento do Espírito, pelos quais a igreja do Novo Testamento se tornaria uma nova Jerusalém, cidade de justiça. E olha também para a segunda vinda de Cristo, quando ele limpará completamente a sua eira, recolherá o trigo no seu celeiro e queimará a palha e o joio com fogo inextinguível.
Deste capítulo
Isaías 1:1
"Profecia de Isaías, filho de Amós, a respeito de Judá e Jerusalém, no tempo de Ozias, de Joatão, de Acaz e de Ezequias, rei de Judá."
Isaías 1:2
"Ouçam, céus, e você, ó terra, escute, pois é o Senhor quem fala: “Eu criei filhos e os eduquei; eles, porém, se revoltaram contra mim."
Isaías 1:3
"O boi conhece o seu possuidor, e o asno, o estábulo do seu dono; mas Israel não conhece nada, e meu povo não tem entendimento”."
Isaías 1:4
"Ai da nação pecadora, do povo carregado de crimes, da raça de malfeitores, dos filhos desnaturados! Abandonaram o Senhor, desprezaram o Santo de Israel e lhe voltaram as costas."
Isaías 1:5
"Onde ainda ferir vocês, quando persistem na rebelião? Toda a cabeça está enferma, e todo o coração, abatido."
Isaías 1:6
"Desde a planta dos pés até o alto da cabeça, não há nele coisa sã. Tudo é uma ferida, uma contusão, uma chaga viva, que não foi curada, nem ligada, nem suavizada com óleo."
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