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Isaías 1:16 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje

Tradução: Bíblia BibleGuided — Português Brasileiro

" Lavem-se, purifiquem-se. Tirem suas más ações de diante de meus olhos. "

Isaías 1:16

menu_book Versículo no contexto

14 Eu abomino as luas novas e as festas de vocês; elas me são molestas, estou cansado delas.

15 Quando vocês estendem as mãos, eu desvio de vocês os meus olhos; quando multiplicam suas preces, não as ouço. As mãos de vocês estão cheias de sangue.

16 Lavem-se, purifiquem-se. Tirem suas más ações de diante de meus olhos.

17 Parem de fazer o mal, aprendam a fazer o bem. Respeitem o direito, protejam o oprimido; façam justiça ao órfão, defendam a viúva.”

18 “Pois bem, vamos nos justificar” — diz o Senhor. “Se os pecados de vocês forem escarlates, se tornarão brancos como a neve! Se forem vermelhos como a púrpura, ficarão brancos como a lã!

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auto_stories Comentário Bible Guided

Embora Deus tivesse rejeitado o culto deles, porque os sacrifícios não podiam encobrir pecados que eles insistiam em continuar praticando, ele não os rejeitou como se não houvesse mais esperança. Em vez disso, chamou-os a se afastarem dos pecados que impediam a aceitação do culto, e então tudo estaria bem. Eles não deveriam dizer que Deus estava sendo injusto com eles. Pelo contrário, ele lhes mostrava o caminho de volta à paz com ele.

O primeiro chamado é ao arrependimento e à reforma de vida. Se queriam que seus sacrifícios fossem aceitos e suas orações respondidas, precisavam começar pelo ponto certo. É como se Deus dissesse: “Voltem à minha lei”. Ou seja, tinham de levar a sério os deveres para com o próximo, ou não deveriam esperar que Deus aceitasse seus atos de devoção. Justiça e bondade nunca compensam incredulidade e maldade; e orações e sacrifícios nunca compensam engano e opressão.

Eles tinham de parar de fazer o mal e não mais praticar injustiça, especialmente deixar de derramar sangue inocente. É isso que significa lavar-se e purificar-se em (Isaías 1:16). Não é apenas sentir tristeza pelo pecado passado, mas romper com ele para o futuro e colocar à morte os desejos pecaminosos que conduzem a ele. O pecado mancha a alma; precisamos lavar-nos dele por meio do arrependimento e do retorno a Deus. É necessário afastar não apenas os pecados abertos e visíveis, mas também as raízes ocultas e os hábitos de pecado no coração. Esses precisam ser esmagados e mortificados, isto é, colocados sob controle e mortos.

Eles também tinham de aprender a fazer o bem. Isso é necessário para que o arrependimento seja completo. Não basta deixar de fazer o mal; é preciso aprender a praticar o que é bom. Devemos permanecer ativos, não apenas deixar de praticar o errado, mas fazer o bem que o Senhor nosso Deus requer, do modo certo e com o propósito certo. É algo que se aprende: requer esforço para entender o próprio dever, interesse e cuidado por ele, e treinamento constante até que alguém se torne habilidoso na santa prática de fazer o bem.

De forma especial, Deus insiste exatamente nos deveres em que eles mais falharam: os deveres para com o próximo. Eles deviam buscar a justiça, isto é, descobrir o que é certo para poder praticá-lo. Deviam procurar oportunidades de socorrer o oprimido, inclusive aquele que eles mesmos haviam oprimido. Deveriam aliviar os sobrecarregados, como em (Isaías 58:6). Quem tem poder deve usá-lo para proteger aqueles que outros abusam, porque isso faz parte de sua obrigação. Deviam defender o órfão e a viúva, que são fracos e alvos fáceis para homens orgulhosos. Deviam falar em favor dos que não podem falar por si mesmos e que nada têm a oferecer em troca da bondade recebida.

É assim que se honra verdadeiramente a Deus: fazendo o bem no mundo. Atos de justiça e de caridade agradam mais a ele do que todos os holocaustos e sacrifícios. Em seguida, Deus mostra, por regras simples de razão, que sua forma de lidar com o povo é justa. Quando diz: “Vinde, então, e argui-me” (Isaías 1:18), o sentido é: se as mãos deles estão cheias de sangue, ele não terá nada a ver com eles, ainda que tragam muitos sacrifícios. Mas, se se lavarem e se purificarem, terão liberdade para se aproximar dele. Ele os convida a colocar a questão diante dele.

Somente aqueles que rompem sua aliança com o pecado são bem-vindos à aliança e à comunhão com Deus. Ele diz “Vinde, então” justamente àqueles a quem antes tinha mantido fora de seus átrios. Alguns tinham reclamado que Deus os tratava mal, como em (Isaías 58:3): “Por que jejuamos nós, e tu não atentas para isso?”. Faziam Deus parecer um senhor severo, impossível de agradar. Mas Deus responde: “Vamos tratar disso com justiça, e eu mostrarei que os meus caminhos são retos, e os vossos é que são errados” (Ezequiel 18:25). A verdadeira religião está de acordo com a razão; há toda a razão do mundo para fazermos aquilo que Deus ordena.

O Deus do céu se digna a argumentar com aqueles que se opõem a ele e questionam seus caminhos, porque será achado justo quando falar (Salmo 51:4). Basta que o caso seja exposto honestamente, como está aqui, e ele se resolve por si mesmo. Deus lhes mostra as condições em que se encontram, como também faz em (Ezequiel 18:21–24) e (Ezequiel 33:18–19), e então deixa que eles julguem se tais condições são justas. Não poderiam esperar razoavelmente mais do que isso: que, se se arrependessem e mudassem de caminho, seriam restaurados ao favor de Deus, mesmo depois de seus antigos pecados. É só isso que Deus pede, e isso é muito gracioso. Quem poderia pretender perdão em termos mais duros do que esses?

O que Deus exige é muito pouco: apenas que sejam dispostos e obedientes, ou, como alguns entendem, dispostos a obedecer. Eles devem sujeitar sua vontade à vontade de Deus, acolhê-la e submeter-se em tudo ao governo daquele que é infinitamente sábio e bom. Não há aqui nenhuma pena extra por sua antiga teimosia, nem um fardo mais pesado imposto sobre eles. Já que antes tinham sido obstinados e relutantes, agora deviam tornar-se ensináveis e prontos a obedecer. Ele não diz que precisam ser perfeitamente obedientes, mas voluntariamente obedientes; porque, havendo prontidão de vontade, Deus a aceita.

E a promessa que segue é grandiosa. Todos os pecados deles seriam perdoados e nunca mais seriam trazidos à lembrança contra eles. Ainda que seus pecados fossem vermelhos como escarlate ou carmesim, até mesmo a culpa de sangue, se se arrependessem, seriam perdoados e se apresentariam diante de Deus brancos como a neve. Os piores pecadores, se realmente se arrependem, terão seus pecados perdoados. Suas consciências serão aliviadas e purificadas. Ainda que seus pecados estivessem profundamente tingidos, como tecido mergulhado muitas vezes na escarlata, a misericórdia que perdoa pode apagar completamente essa mancha. Se se purificarem por meio do arrependimento e da reforma de vida, Deus os tornará brancos por meio do perdão pleno.

Se forem dispostos e obedientes, comerão o melhor desta terra, a terra prometida. Desfrutarão de todas as bênçãos da nova aliança, o novo pacto que Deus faz com seu povo, e de todo o bem da Canaã celestial. Aqueles que persistem no pecado podem até morar em uma boa terra, mas não conseguem realmente desfrutar de suas bênçãos. A culpa torna tudo amargo. Quando o pecado é perdoado, até as bênçãos comuns se tornam verdadeiros consolos.

Não podiam razoavelmente esperar outra coisa se permanecessem teimosos na desobediência. Nesse caso, seriam entregues à ruína, e a sentença da lei seria executada contra eles. Que poderia ser mais justo? (Isaías 1:20) Se recusarem e se rebelarem, se continuarem a resistir ao governo de Deus e a rejeitar sua oferta de graça, serão destruídos pela espada, pelas armas de seus inimigos, que Deus permitirá que os destruam, e pela espada da justiça de Deus, sua ira e seu juízo, que virão contra eles. É isso que o Senhor falou, e ele cumprirá sua palavra para defender a própria honra.

Os que não querem viver debaixo do governo de Deus serão, com certeza e com justiça, destruídos por sua espada. Assim, vida e morte, bem e mal, são colocados diante de vocês. Vinde, pois, e arguí com Deus. Que objeção se pode levantar contra essa justiça, ou contra aceitar os termos que ele propõe?

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