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Oseias 4:1 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje

Tradução: Bíblia BibleGuided — Português Brasileiro

" Ouçam a palavra do Senhor, filhos de Israel! Porque o Senhor está em litígio com os habitantes da terra. Não há sinceridade nem bondade, nem conhecimento de Deus na terra. "

Oseias 4:1

menu_book Versículo no contexto

1 Ouçam a palavra do Senhor, filhos de Israel! Porque o Senhor está em litígio com os habitantes da terra. Não há sinceridade nem bondade, nem conhecimento de Deus na terra.

2 Juram falsamente, assassinam, roubam, cometem adultério, usam de violência e acumulam homicídio sobre homicídio.

3 Por isso, a terra está de luto, e todos os seus habitantes perecem; os animais selvagens, as aves do céu e até mesmo os peixes do mar desaparecem.

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auto_stories Comentário Bible Guided

Aqui vemos um cenário de tribunal. Deus convoca o povo à atenção e a uma audiência séria: “Ouvi a palavra do SENHOR, filhos de Israel”, pois é uma palavra de convicção que chega a eles, querendo ou não ouvir. Quem deveria escutar com mais justiça e levar mais a sério a advertência de Deus do que os filhos de Israel, o Seu próprio povo que professa o Seu nome? Eles costumam estar dispostos a ouvir quando Ele fala consolo, mas será que ouvem da mesma forma quando Ele apresenta um processo contra eles?

Eles precisam ouvir quando Deus fala contra eles e apresenta as acusações. O SENHOR tem uma causa com os moradores daquela terra, uma terra santa. O pecado é o grande perturbador, porque abre uma separação entre Deus e o Seu povo. Deus vê o pecado no meio de Seu próprio povo, e por isso tem uma causa contra eles. Ele se ofende de modo especial quando quebram a aliança com Ele, desonram o Seu nome e retribuem a Sua bondade com ingratidão.

A causa de Deus é conduzida primeiro pelas advertências de Sua Palavra, antes de ser conduzida por Seus juízos. Assim Ele mostra que é justo em tudo o que faz e que não tem prazer na morte dos pecadores. Suas advertências devem ser levadas a sério, porque, mais cedo ou mais tarde, todos terão de ouvi-las.

A acusação é então lida, e toda a nação é responsabilizada por pecados graves, que muito provocam a ira de Deus. Primeiro, são acusados de deixar de lado os deveres mais importantes. Não há verdade nem misericórdia, não há justiça nem bondade, as coisas mais pesadas da lei de Deus, como o próprio Senhor Jesus chama (Mateus 23:23): juízo, misericórdia e fé. A maior parte do povo parecia não ter qualquer senso real de honestidade. Não se sentiam obrigados a falar e agir com verdade, mesmo quando suas palavras e atos prejudicavam os outros. Tinham ainda menos senso de misericórdia, ou de qualquer responsabilidade em cuidar dos pobres.

Isso não é de estranhar quando não há conhecimento de Deus na terra. Que bem se pode esperar onde as pessoas não conhecem a Deus? Israel já havia desfrutado do grande privilégio de ser um lugar onde Deus era conhecido e o Seu nome era honrado. Isso tornava o pecado deles ainda pior, porque não O conheciam como deveriam (Salmo 76:1).

Daí vem a culpa nacional nos pecados mais terríveis contra Deus e contra o próximo, contra a primeira e a segunda tábua da lei. Eles não tinham consideração verdadeira por nenhuma das duas. Juram em falso, mentem, matam, furtam e adulteram: pecados contra o terceiro, o nono, o sexto, o oitavo e o sétimo mandamentos enchiam a terra e estavam presentes em todas as camadas da sociedade (Oséias 4:2). A corrupção era generalizada. Os poucos justos que havia no meio deles estavam perdidos na multidão, escondidos ou se ocultando.

Com esses pecados eles “arrombam” todos os limites, isto é, ultrapassam todas as barreiras da razão, da consciência e da lei de Deus. Avançaram demais na maldade (Jó 36:9). Deixam seus desejos pecaminosos transbordarem. Rompem tudo o que deveria detê-los, como águas que ultrapassam as margens. O pecado é algo violento, e sua força é extrema. Quando as pessoas estão decididas a fazer o mal (Eclesiastes 8:11), o que pode detê-las? (Gênesis 11:6).

Quando irrompem assim, “o sangue toca no sangue”. Quer dizer, homicídios acontecem por toda parte, um depois do outro, quase sem intervalo. Um assassinato segue o outro. O sangue corre pela terra, até sangue real. Naquele tempo havia muito derramamento de sangue na disputa pelo trono. Salum matou Zacarias, Menaém matou Salum, Peca matou Pecaías, e Oséias matou Peca. É provável que houvesse violências semelhantes entre outros pretendentes também. A terra ficou assim contaminada com sangue (Salmo 106:38), cheia de sangue de um extremo ao outro (2 Reis 21:16).

Depois vem a sentença sobre essa terra culpada e poluída (Oséias 4:3): seria devastada e assolada. Como toda a terra estava infectada pelo pecado, toda a terra choraria sob os severos juízos de Deus. Ficaria em luto, despojada de suas riquezas e de sua formosura. Assim como se diz que os vales “cantam de alegria” quando há fartura e paz, aqui eles são descritos como chorando quando a guerra e a fome os deixam vazios.

Toda a terra se tornaria como enxofre, sal e abrasamento, conforme a advertência da lei (Deuteronômio 29:23). Eles quebraram todos os mandamentos de Deus, e agora Ele ameaça tirar todos os seus confortos. A terra lamenta quando não há pasto para o gado nem ervas para as pessoas. Então todos os que nela habitam desfalecerão por falta de alimento adequado e se cansarão por não terem mais os manjares ricos a que estavam acostumados. Até as feras do campo enfraquecerão (Jeremias 14:5-6).

A destruição das colheitas será tão grande que nem comida sobrará para as aves do céu. Elas também sofrerão junto com o homem, e o seu morrer ou emagrecer será um juízo sobre aqueles que enchiam suas mesas com aves selvagens. Até os peixes do mar serão tirados, ou se ajuntarão e se deslocarão para outro litoral, de modo que pescar já não será lucrativo. Nesse aspecto, a desolação será mais completa do que o dilúvio de Noé, pois aquele dilúvio não atingiu os peixes do mar, mas este os alcançará. Tirar os peixes também fez parte de uma das pragas do Egito (Salmo 105:29). Quando as águas secam, os peixes morrem (Isaías 50:2; Sofonias 1:2-3).

Quando as pessoas se tornam desobedientes a Deus, é justo que as criaturas inferiores se tornem inúteis para elas. Quanto motivo temos para admirar a paciência e a misericórdia de Deus para com a nossa terra, que, embora haja tantos juramentos falsos, mentiras, homicídios, furtos e adultérios, ainda há abundância de carne, peixe e aves sobre nossas mesas!

Em seguida vem a ordem do tribunal de que não se faça mais esforço para conduzir os condenados ao arrependimento, com a explicação dessa ordem. A determinação é esta (Oséias 4:4): ninguém procure contender ou repreender outro. Não se usem mais meios para trazê-los de volta ou corrigi-los. Que seus médicos os considerem casos perdidos, sem esperança de cura.

Isso mostra que, enquanto houver alguma esperança, devemos repreender os pecadores por seus pecados. Devemos uns aos outros tanto o dar quanto o receber correção. Era uma das leis dadas a Moisés: “certamente repreenderás o teu próximo” (Levítico 19:17), e isso é um ato de amor fraternal. Às vezes é necessária uma repreensão severa, não apenas correção, mas até uma forte contestação, porque as pessoas são muito relutantes em abandonar seus pecados. Mas quando Deus diz: “Não os repreendas mais”, é sinal de que pessoas e nações foram entregues à ruína.

Essa advertência significa mais do que apenas proibir os profetas de orar. Em alguns momentos Deus deu essa ordem, e mesmo assim os profetas continuaram a orar pelo povo. Aqui, o ponto é que o povo estava tão endurecido no pecado e tão pronto para o juízo, que falar com eles ou interceder por eles pouco adiantaria. É um sinal triste quando aqueles que deveriam falar contra os pecados do tempo se calam e desistem da luta (2 Crônicas 25:16).

As razões para essa ordem são claras. Eles estão decididos a continuar pecando, e nenhuma advertência os fará mudar. Deus diz: “O teu povo é como os que contendem com o sacerdote.” Tornaram-se tão ousados no mal e tão incapazes de suportar correção, que até atacariam um sacerdote se ele lhes dirigisse a menor repreensão. Se não aceitam reprovação dos servos escolhidos de Deus, também não a aceitarão de pessoas comuns.

Isso provavelmente aponta para o mal cometido nos dias de Joás, rei de Judá, e do seu povo, quando apedrejaram Zacarias, filho de Joiada, por lhes trazer a mensagem de Deus (2 Crônicas 24:21). Ele era sacerdote, e eles se voltaram contra ele enquanto estava entre o templo e o altar. Alguns entendem que Oséias também tinha esse episódio em mente quando falou de “sangue tocar em sangue” (Oséias 4:2). O sangue daquele que oferecia o sacrifício se misturou com o sangue do próprio sacrifício, o que mostrava o auge da maldade deles. Jesus mais tarde usou linguagem semelhante para falar da culpa que traria juízo (Mateus 23:35).

Como eles são tão contrários à correção, não se deve esperar que deem ouvidos. Além disso, Deus já decidiu trazer sua ruína. Já que rejeitaram todos os avisos e conselhos, cairão, e ninguém poderá deter o que foi determinado. O profeta que os adulou e os enganou cairá com eles. Tanto o povo quanto seu falso profeta continuarão caindo, de dia e de noite, em uma desgraça após a outra.

As trevas não os esconderão do sofrimento, e a luz não os ajudará a escapar dele. Os falsos profetas eram guias cegos, e o povo, seguidores cegos; assim, para eles, dia e noite dão no mesmo. Cairão em plena luz do dia, quando se sentirem mais seguros e quando sua vergonha poderá ser vista com maior clareza. O profeta cairá à noite, quando o terror da ruína será maior para ele. A destruição daqueles que ajudaram a arruinar outros será especialmente amarga e insuportável.

Eles talvez esperassem que sua mãe os ajudasse quando estivessem em perigo de cair, mas essa esperança falharia. Deus diz: “Destruirei a vossa mãe”, referindo‑se a Samaria, a cidade‑mãe, a nação inteira, o Estado que se erguia como uma mãe para o restante do povo. Tudo seria calado e reduzido à desolação.

Quando todos compartilham da culpa, é justo esperar que todos também participem da ruína.

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