Versículo em destaque
Hebreus 1:4 - Significado e aplicação
Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje
Tradução: Bíblia BibleGuided — Português Brasileiro
" tão superior aos anjos quanto o nome que herdou excede o deles. "
Hebreus 1:4
Versículo no contexto
Entender os versículos ao redor evita interpretações incorretas:
2 Ultimamente, falou a nós por meio de seu Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas e por meio de quem criou todas as coisas.
3 Esplendor da glória (de Deus) e imagem do seu ser, sustenta o universo pelo poder da sua palavra. Depois de realizar a purificação dos pecados, está sentado à direita da Majestade, no mais alto dos céus,
4 tão superior aos anjos quanto o nome que herdou excede o deles.
5 Pois a quem dentre os anjos Deus alguma vez disse: Tu és meu Filho; eu hoje te gerei? Ou então: Eu serei para ele um pai, e ele será para mim um Filho?
6 E novamente, ao introduzir seu Primogênito na terra, diz: Todos os anjos de Deus o adorem.
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O apóstolo já demonstrou que o evangelho é superior à lei porque Jesus Cristo é superior aos profetas. Agora ele vai além e mostra que Cristo está muito acima não só dos profetas, mas também dos próprios anjos. Com isso ele responde a uma objeção que os judeus zelosos levantariam com rapidez: a lei foi dada por meio de anjos, além de homens (Gálatas 3:19). Como os anjos são seres gloriosos, muito mais excelentes do que os homens, poderia parecer que isso tornaria a lei mais honrosa. O escritor então compara Cristo com os santos anjos, tanto em quem ele é quanto no que ele faz, e prova que Cristo é muito maior do que eles: “Feito tanto mais excelente do que os anjos, quanto herdou mais excelente nome do que eles”.
Veja, em primeiro lugar, que a natureza superior de Cristo é provada por seu nome superior. A Escritura não atribui títulos tão elevados sem que haja uma realidade correspondente na pessoa. Ela não falaria coisas tão grandes a respeito do Senhor Jesus se ele não fosse, de fato, tão grande quanto as palavras declaram. Quando se diz que Cristo foi “feito tanto mais excelente do que os anjos”, não devemos pensar que ele é uma simples criatura como os anjos. A palavra usada aqui, unida a um adjetivo, não significa propriamente “criado”, podendo significar “sendo mais excelente”, como traduz a versão siríaca. Do mesmo modo, quando a Escritura diz: “Seja Deus verdadeiro”, não quer dizer que Deus foi feito verdadeiro, mas que é reconhecido como verdadeiro.
Em segundo lugar, a superioridade de Cristo em relação aos anjos é demonstrada pela própria Escritura, e é dela que devemos tirar nossa compreensão. Sem a Escritura saberíamos muito pouco sobre Cristo e sobre os anjos. Aqui o autor reúne várias passagens em que se dizem coisas sobre Cristo que nunca são ditas de anjos. Foi dito a respeito de Cristo: “Tu és meu Filho, hoje te gerei” (Salmo 2:7). Isso pode apontar para sua filiação eterna, para sua ressurreição ou para sua entronização pública em seu reino glorioso na ascensão, quando se assentou à direita do Pai. Isso nunca foi dito a nenhum anjo. Por isso, por herança, Cristo possui uma natureza e um nome muito mais excelentes do que os deles.
Também foi dito sobre Cristo: “Eu lhe serei por Pai, e ele me será por Filho” (2 Samuel 7:14). Isso nunca foi dito acerca de anjos. As palavras vão além de afirmar: “Eu sou seu Pai e ele é meu Filho por natureza”. Elas apontam também para a admirável vinda de Cristo ao mundo, e para o fato de que sua filiação é a fonte e o fundamento de todo relacionamento gracioso que Deus mantém com os seres humanos caídos.
Outra Escritura diz a respeito de Cristo: “E outra vez, quando introduz no mundo o primogênito, diz: E todos os anjos de Deus o adorem”. Isso pode se referir ao seu nascimento neste mundo inferior, quando os anjos o serviram e o honraram. Também pode se referir à sua ascensão ao mundo superior, quando entrou em seu reino mediador, isto é, no ofício de intercessor entre Deus e os homens. Ou ainda pode apontar para sua volta para julgar o mundo. Em qualquer caso, as mais altas criaturas devem adorá-lo. Deus não permitirá que permaneça no céu um anjo que não se submeta a Cristo e não o honre. Ao fim, até os anjos caídos e os ímpios serão constrangidos a reconhecer seu poder e autoridade divinos e a se dobrarem diante dele. Aqueles que não quiseram que ele reinasse sobre eles terão de ser trazidos à sua presença para julgamento. Isso vem do Salmo 97:7: “Adorai-o, todos vós deuses”, isto é, todos os que estão acima dos homens comuns devem reconhecer que estão abaixo de Cristo em natureza e poder.
De Cristo Deus também disse: “O teu trono, ó Deus, é para todo o sempre” (Hebreus 1:8-12). Mas, a respeito dos anjos, só se diz que ele “faz dos seus anjos espíritos, e de seus ministros labareda de fogo” (Hebreus 1:7). Se compararmos o que Deus diz acerca dos anjos com o que diz acerca de Cristo, a enorme distância entre eles se torna evidente.
O que Deus diz sobre os anjos? Que faz deles espíritos, e de seus servos labareda de fogo. Isso vem do Salmo 104:4. Ali parece falar mais diretamente dos ventos e dos relâmpagos, mas aqui é aplicado aos anjos, cujo serviço Deus usa em ventos, trovões e relâmpagos. A função deles é servir a Deus e fazer a sua vontade. É uma grande honra Deus ter tais servos, embora não precise deles. Ele também os capacita para esse serviço, fazendo-os espíritos e labareda de fogo. Isso significa que lhes dá luz e zelo, energia e capacidade, prontidão e firme resolução para cumprirem sua vontade. Eles são apenas aquilo que Deus os fez ser, e servem ao Filho assim como servem ao Pai.
Mas sobre Cristo o Pai diz coisas muito mais grandiosas. Uma dessas passagens é o Salmo 45:6-7. Nela, Deus declara, antes de tudo, que Cristo é verdadeiramente e plenamente Deus. Ele o afirma com prazer e amor: “O teu trono, ó Deus”. Uma pessoa chama outra de Deus. Se Deus Pai o declara Deus, então ele é de fato Deus. Quem negar sua deidade essencial o faz para sua própria ruína; nós, porém, devemos reconhecê-lo e honrá-lo como Deus. Se não fosse Deus, nunca seria apto para realizar a obra de Mediador nem para usar a coroa do Mediador.
Em segundo lugar, Deus declara a dignidade e o governo de Cristo, pois ele tem um trono, um reino e um cetro. Ele possui todo direito, autoridade e poder, tanto como Deus sobre a natureza, a graça e a glória, quanto como Mediador. Assim, é plenamente capaz de cumprir todos os desígnios de seu reino mediador.
Em terceiro lugar, Deus declara a permanência do governo e da dignidade de Cristo, fundamentados em sua pessoa divina: “O teu trono, ó Deus, é para todo o sempre”. Isso significa de eternidade a eternidade, por todas as eras do tempo, apesar de todos os esforços da terra e do inferno para enfraquecê-lo ou destruí-lo, e por todos os intermináveis séculos da eternidade, quando o próprio tempo tiver cessado. Isso distingue o trono de Cristo de todos os tronos terrenos. Tronos terrenos se abalam e finalmente caem, mas o trono de Cristo durará enquanto durarem os céus.
Em quarto lugar, Deus declara a perfeita justiça do governo de Cristo e o exercício de seu poder em cada parte de sua administração: “Cetro de equidade é o cetro do teu reino” (Hebreus 1:8).
Ele veio para governar em perfeita justiça, e exerce seu governo em perfeita justiça. A justiça de seu reino flui da justiça de sua própria pessoa, de um amor eterno à retidão e de um ódio eterno ao mal. Não procede de mera prudência ou interesse próprio, mas de uma natureza interna firme e constante. “Amas a justiça e odeias a iniquidade” (Hebreus 1:9). Cristo veio cumprir toda justiça e introduzir uma justiça eterna. Foi justo em todos os seus caminhos e santo em todas as suas obras. Ele mostrou às pessoas a beleza da justiça e a restaurou entre elas como algo excelente e amável. Veio pôr fim à rebelião e acabar com o pecado, tratando-o como algo ao mesmo tempo odioso e destrutivo.
Deus também mostra como Cristo foi preparado para o ofício de Mediador, isto é, aquele que se coloca entre Deus e as pessoas, e como foi designado e confirmado nesse ofício (Hebreus 1:9): “Por isso Deus, o teu Deus, te ungiu com óleo de alegria mais do que a teus companheiros”. Cristo tem o nome de Messias porque foi ungido. A unção de Cristo por Deus significa que o Espírito Santo e todos os seus dons o capacitaram para a obra de Mediador, e que Deus o instalou formalmente nesse ofício, assim como profetas, sacerdotes e reis eram instalados por unção. As palavras “Deus, o teu Deus” apontam para a aliança de redenção e de paz entre o Pai e o Filho, que confirmou Cristo nesse ofício. Deus é o Deus de Cristo enquanto Cristo é homem e Mediador.
Essa unção foi com “óleo de alegria”, o que significa duas coisas. Indica a alegria e a disposição voluntária com que Cristo assumiu o ofício de Mediador, sabendo-se plenamente capaz para essa obra. Também indica a alegria proposta diante dele como recompensa de seu serviço e de seus sofrimentos, a coroa de glória e alegria que usaria para sempre após a morte. Sua unção foi acima da de seus companheiros: “Deus, o teu Deus, te ungiu com óleo de alegria mais do que a teus companheiros”. Quem são os companheiros de Cristo? Ele não tem iguais enquanto Deus, exceto o Pai e o Espírito, e estes não são aqui mencionados. Mas, enquanto homem, ele tem companheiros, e enquanto ungido para um ofício; contudo, sua unção é maior do que a de todos eles.
Esse “nome” que Cristo herdou é maior do que o de todos os anjos, que podem ser chamados seus companheiros porque são filhos de Deus pela criação e mensageiros que Deus usa em seu serviço. É maior do que o de todos os profetas, sacerdotes e reis que foram ungidos com óleo para o serviço de Deus na terra. É maior do que o de todos os santos, que são seus irmãos e filhos do mesmo Pai, já que ele participou de carne e sangue com eles. É maior do que o de todos os que eram aparentados com ele segundo a carne, especialmente a casa de Davi, a tribo de Judá e todos os seus parentes terrenos. Todos os outros servos ungidos de Deus receberam o Espírito apenas em certa medida. Cristo recebeu o Espírito sem medida. Por isso, ninguém realiza a obra de Deus como Cristo realizou, e ninguém tem tal prazer nela como ele, pois foi ungido com o óleo de alegria acima de todos os seus companheiros.
Deste capítulo
Hebreus 1:1
"Muitas vezes e de diversas maneiras, Deus falou no passado aos nossos pais por meio dos profetas."
Hebreus 1:2
"Ultimamente, falou a nós por meio de seu Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas e por meio de quem criou todas as coisas."
Hebreus 1:3
"Esplendor da glória (de Deus) e imagem do seu ser, sustenta o universo pelo poder da sua palavra. Depois de realizar a purificação dos pecados, está sentado à direita da Majestade, no mais alto dos céus,"
Hebreus 1:5
"Pois a quem dentre os anjos Deus alguma vez disse: Tu és meu Filho; eu hoje te gerei? Ou então: Eu serei para ele um pai, e ele será para mim um Filho?"
Hebreus 1:6
"E novamente, ao introduzir seu Primogênito na terra, diz: Todos os anjos de Deus o adorem."
Hebreus 1:7
"Por outro lado, a respeito dos anjos, diz: Ele faz dos seus anjos sopros de vento e dos seus ministros chamas de fogo,"
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