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Ageu 2:10 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje

Tradução: Bíblia BibleGuided — Português Brasileiro

" Sim, farei a paz reinar neste lugar, diz o Senhor dos exércitos.” No segundo ano do reinado de Dario, no vigésimo quarto dia do nono mês, a palavra do Senhor foi ouvida por meio do ministério do profeta Ageu, nestes termos: "

Ageu 2:10

menu_book Versículo no contexto

8 A prata e o ouro me pertencem — oráculo do Senhor dos exércitos.

9 O esplendor desta casa superará o da primeira — oráculo do Senhor dos exércitos.

10 Sim, farei a paz reinar neste lugar, diz o Senhor dos exércitos.” No segundo ano do reinado de Dario, no vigésimo quarto dia do nono mês, a palavra do Senhor foi ouvida por meio do ministério do profeta Ageu, nestes termos:

11 “Assim diz o Senhor dos exércitos: proponha aos sacerdotes esta questão:

12 Suponhamos que um homem traga carne consagrada na orla de sua veste. Se ele tocar com essa veste no pão, no guisado, no vinho, no óleo ou em qualquer outro alimento, acaso tal objeto se tornará santo?” “Não”, responderam os sacerdotes.

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auto_stories Comentário Bible Guided

Esta mensagem veio dois meses depois da anterior relatada no mesmo capítulo. Sacerdotes e levitas ensinavam continuamente, enquanto os profetas falavam apenas em ocasiões específicas; ainda assim, ambos os tipos de ministério eram necessários. Todos nós precisamos ouvir sobre nosso dever “a tempo e fora de tempo”, em todo tipo de circunstância.

O povo agora trabalhava arduamente na construção do templo, esperando terminá-lo logo para usá-lo no culto a Deus. Nesse momento, o Senhor lhes enviou uma palavra por meio de seu profeta, que os ajudaria de mais de uma maneira. Primeiro, essa mensagem tinha o propósito de convencê-los do pecado e adverti-los. Eles faziam uma obra muito boa, mas precisavam cuidar para que a realizassem de maneira correta, pois, do contrário, Deus não a aceitaria.

Deus via que muitos estavam estragando essa boa obra porque se aproximavam dela com coração e mãos impuros. Pessoas assim provavelmente não obteriam benefício algum do que estavam fazendo. Por isso foram advertidas a limpar as mãos com que trabalhavam, pois só os puros podem lidar adequadamente com o que é puro, e só os puros podem produzir o que é puro. O profeta ilustra isso recorrendo às regras fixas da lei cerimonial, que faziam distinção entre o que era limpo e o que era impuro. Muitas partes da lei tratavam desse assunto, mostrando que a lei cerimonial também tinha a intenção de ensinar lições espirituais.

Essa lei não era apenas um ritual judaico. Ela também tinha o propósito de instruir todos os povos no que é correto, inclusive nós que vivemos “no fim dos tempos”. Por meio dela, Deus nos mostra tanto o pecado como Cristo, tanto a nossa doença como a cura. Ageu foi orientado a perguntar aos sacerdotes sobre a lei, porque eram eles que deveriam guardar esse conhecimento, e o povo deveria buscar da boca deles a instrução da lei (Malaquias 2:7). Embora Ageu fosse profeta, nesta questão ele deveria consultar os sacerdotes.

Sua função como mensageiro extraordinário era explicar os atos providenciais de Deus e indicar deveres especiais, como já havia feito (Ageu 1:8-9). Mas ele não iria tomar o lugar dos sacerdotes, pois estes eram os ministros ordinários, encarregados de expor as ordenanças de Deus, ensinar ao povo o seu sentido e dar regras gerais para que fossem observadas. Em um caso como esse, Ageu devia recorrer a eles. Deus reparte diferentes dons entre seus servos e os chama a tarefas distintas, de modo que precisam uns dos outros e devem se ajudar mutuamente. O profeta não pode dizer ao sacerdote: “Não preciso de você”, nem o sacerdote pode dizer isso ao profeta.

Ageu também pode ter sido orientado a consultar os sacerdotes para, a partir da própria boca deles, julgar a eles e ao povo sob seus cuidados, revelando-lhes a culpa mais profunda em que viviam. A regra da lei era a seguinte: se um homem carregasse carne santa dobrada na aba da sua veste, a veste em si não poderia transmitir aquela santidade a pão, guisado, vinho ou óleo; ainda assim, a veste deveria ser tratada como coisa santa até ser lavada em lugar santo (Levítico 6:27). Em contraste, se alguém estivesse cerimonialmente impuro por ter tocado um morto, o seu toque tornava impuras outras coisas. A lei é clara: “tudo o que o imundo tocar será imundo” (Números 19:22). Mesmo assim, Ageu queria ouvir essa resposta dos próprios sacerdotes, pois, ainda que uma verdade bíblica pareça evidente, é bom ouvir um ministro confirmá-la.

O ponto é este: a impureza se espalha com muito mais facilidade do que a santidade. Como observa Grotius, há muitos caminhos para fazer o mal, mas apenas um caminho para o bem, e esse é difícil. O bem procede do que é inteiro e são, enquanto o mal pode brotar do menor defeito. Ninguém deve imaginar que pode viver entre pessoas piedosas e, por causa disso, ser aceito por Deus se ele próprio não for piedoso. Pelo contrário, deve temer tornar-se impuro pelo contato com o que é impuro e, por isso, manter distância disso.

Essa regra é então aplicada ao povo: “Assim é este povo, e assim é esta nação diante de mim” (Ageu 2:14). Aqui Deus não os chama de “meu povo” nem de “minha nação”, porque eles não eram dignos de serem reconhecidos assim. Imaginavam que seus sacrifícios sobre o altar os tornariam santos e compensariam a negligência em relação ao templo. Também pensavam que esses sacrifícios tirariam a maldição que havia caído sobre suas bênçãos materiais por causa dessa negligência. Mas Deus declara que nem a carne santa nem o altar poderiam santificar seu pão, vinho, azeite ou o restante de seu alimento e bebida.

Ao contrário, o desprezo deles pela casa de Deus havia trazido contaminação, não só sobre a vida comum, mas até sobre os sacrifícios. Enquanto permanecessem naquela negligência, tudo lhes era impuro. E assim continuaria sendo, a menos que se arrependessem. Se fossem profanos, mundanos e moralmente impuros, então, mesmo que se esforçassem no trabalho do templo e depois oferecessem muitos sacrifícios caros, isso não santificaria sua comida e bebida, nem tornaria sua vida agradável a Deus. Seus corações e conduta pecaminosos tornariam impuros e detestáveis, aos olhos de Deus, tanto o trabalho quanto as ofertas.

O mesmo perigo permanece para nós. Alguém pode ter uma devoção bonita na aparência, mas, se sua vida diária for perversa, suas devoções não trarão bênção às suas alegrias e posses. O pecado continuará contaminando tudo. Portanto, quando estivermos envolvidos em qualquer boa obra, devemos vigiar atentamente a nós mesmos, para que nossa corrupção e nosso modo descuidado de agir não tornem impuro o que fazemos.

O profeta também fala para consolar e animar. Se o coração deles estivesse reto diante de Deus e a intenção fosse sincera em servi-lo, eles receberiam o fruto de sua devoção. Deus removeria a fome que os havia disciplinado por sua negligência e lhes daria novamente abundância. São chamados a considerar isso com atenção e a observar se Deus não se mostraria, de modo pleno e manifesto, tão fiel quanto a sua palavra, abençoando e recompensando claramente a reforma que estavam empreendendo nesse assunto.

Para tornar isso muito claro, deveriam assinalar o dia em que recomeçaram a obra no templo, edificando sobre o fundamento já posto. No vigésimo quarto dia do sexto mês haviam começado a preparar os materiais (Ageu 1:15) e, agora, no vigésimo quarto dia do nono mês, começaram a assentar pedra sobre pedra na casa do Senhor. Deveriam lembrar-se desse dia e observar o que se seguiria.

Deveriam recordar como seus bens iam de mal a pior antes desse dia. Que pensassem no tempo em que tudo o que tinham claramente se desfazia (Ageu 2:16). Um homem ia ao seu celeiro esperando encontrar vinte medidas de grão, porque era isso que costumava colher daquele campo, ou o que normalmente lhe restava naquela época, ou o que calculava ter da última colheita. Mas, ao conferir, achava apenas dez medidas. O grão havia minguado no depósito, ou os ratos o haviam comido, ou alguém o havia roubado.

O mesmo acontecia no lagar. Ele esperava tirar cinquenta medidas de vinho, por ser esse o retorno habitual daquela quantidade de uvas, mas obtinha apenas vinte. Isso corresponde ao que já fora dito: “Olhastes para muito, mas eis que alcançastes pouco” (Ageu 1:9). Agimos como tolos quando colocamos nossas esperanças nas coisas criadas e supomos que o amanhã será, com certeza, tão cheio quanto o hoje, ou ainda mais. Normalmente ficamos desapontados, e, quanto maior era a expectativa, mais aguda é a frustração.

Mas, nos tesouros da nova aliança, o novo pacto em Cristo, não precisamos temer decepção quando nos aproximamos pela fé para receber deles. Porém, ainda havia mais. Deus se mostrava contra eles de forma aberta por meio do clima (Ageu 2:17). Ele os ferira com vento abrasador e geada, de modo que o que era verde se queimava e secava; com oídio e mofo, que estragavam o grão ainda na formação; e com chuva de pedras, que batia e quebrava as plantas depois de brotarem. Assim, eles perdiam o fruto do trabalho de suas mãos porque haviam ignorado a obra de Deus, a reedificação do seu templo. Quando não cuidamos dos interesses de Deus, não devemos esperar que ele cuide dos nossos.

Quando Deus nos trata dessa maneira, ele espera que retornemos a ele e ao nosso dever. Mas aquele povo ou não via a mão de Deus nesses acontecimentos e atribuía tudo ao acaso, ou não via seu próprio pecado como causa daquilo. Por isso não se voltavam para ele. Permaneceram duros, sem quebrantamento, sob esses avisos por muito tempo, e, assim, a mão de Deus continuou estendida contra eles, porque não se voltaram para aquele que os feria (Isaías 9:12-13). Era fácil perceber que, enquanto negligenciavam a obra do templo, todas as outras coisas iam de mal a pior.

Agora eles recebem outra ordem: a partir daquele dia em diante, Deus os abençoaria (Ageu 2:18-19). Eles deveriam considerar isso com muita atenção. Assim que começaram a se voltar para Deus, perceberiam que Deus também se voltava para eles. Desde o dia em que retomaram a obra no templo, deviam observar e notar uma mudança clara para melhor em todos os seus assuntos. A semente ainda estava no celeiro e não havia sido semeada. As árvores ainda não tinham brotado, e a videira, a figueira e a oliveira ainda não mostravam nenhum sinal de boa colheita para o ano seguinte. A natureza não lhes dava nenhuma promessa. Mas agora que estavam realmente assumindo o seu dever, o Deus que governa a natureza lhes dava sua promessa: “Desde este dia vos abençoarei”.

Esse foi o melhor dia de trabalho que eles já tiveram, porque a partir dele podiam marcar o retorno da sua prosperidade. Deus não diz exatamente em que forma viria a bênção, apenas: “Eu vos abençoarei”. Quem conhece o que vem da bênção de Deus sabe que não precisa de mais nada para ser verdadeiramente feliz. Se Deus os abençoasse, logo recuperariam o que haviam perdido e voltariam a prosperar tão rapidamente quanto haviam empobrecido. A bênção do Senhor enriquece, e aqueles a quem ele abençoa são realmente bem-aventurados.

Assim também, quando começamos a levar a sério o nosso dever para com Deus, podemos esperar a sua bênção. Essa “árvore da vida” é conhecida pelos seus frutos, e muitas vezes é possível notar, quase ao dia, uma mudança nítida na providência, no cuidado sábio de Deus, quando pessoas retornam ao seu dever. Então elas e os que estão à sua volta podem dizer que, desde aquele dia, são abençoadas. Veja (Malaquias 3:10). Quem é sábio prestará atenção a essas coisas e entenderá a misericórdia do Senhor.

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