Versículo em destaque
Gênesis 7:21 - Significado e aplicação
Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje
Tradução: Bíblia BibleGuided — Português Brasileiro
" Todas as criaturas que se moviam na terra foram exterminadas: aves, animais domésticos, feras selvagens, tudo o que se arrasta na terra e todos os homens. "
Gênesis 7:21
Versículo no contexto
Entender os versículos ao redor evita interpretações incorretas:
19 As águas aumentaram prodigiosamente sobre a terra e cobriram todos os altos montes que existem debaixo do céu;
20 e elevaram-se quinze côvados acima dos montes que cobriam.
21 Todas as criaturas que se moviam na terra foram exterminadas: aves, animais domésticos, feras selvagens, tudo o que se arrasta na terra e todos os homens.
22 Tudo o que respira e tem um sopro de vida sobre a terra pereceu.
23 Assim, foram exterminados todos os seres que se encontravam sobre a face da terra, desde os homens até os quadrúpedes, tanto os répteis como as aves do céu; tudo foi exterminado da terra. Somente Noé ficou e o que se encontrava com ele na arca.
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Aqui vemos a destruição completa de toda a carne pelas águas do dilúvio. Somos chamados a contemplar as desolações que Deus traz sobre a terra (Salmo 46:8) e como ele amontoa ruína sobre ruína. A morte nunca triunfara assim desde que entrou no mundo até aquele momento. É como a figura da morte montada em um cavalo amarelo, com o inferno logo atrás (Apocalipse 6:7, Apocalipse 6:8).
Todo o gado, as aves e os répteis morreram, exceto os poucos que estavam na arca. A Escritura enfatiza isso repetindo a mesma ideia: “toda a carne expirou” (Gênesis 7:21), “tudo o que tinha fôlego de espírito de vida em suas narinas, tudo o que havia em terra seca, morreu” (Gênesis 7:22), “assim foi destruído todo ser vivente” (Gênesis 7:23). Por que isso aconteceu? Os homens tinham pecado, e Deus foi justo em julgá‑los. Mas o que os animais haviam feito?
Em primeiro lugar, Deus não lhes fez injustiça alguma. Ele é o Senhor soberano de toda a vida, pois só ele dá a vida. Ele os fez como lhe agradou, e podia tirá‑los quando lhe aprouvesse. Ninguém pode dizer a ele: “Que fazes?” Ele pode fazer o que quer com o que é seu, pois criou todas as coisas para o seu próprio prazer.
Em segundo lugar, Deus usou a destruição desses seres para manifestar a sua glória. Sua santidade e justiça ficaram ali muito claramente expostas. Fica evidente que ele odeia o pecado e se indigna profundamente contra os pecadores. Até as criaturas inferiores, porque serviam ao homem, faziam parte de seus bens e tinham sido mal utilizadas a serviço do pecado, foram destruídas junto com a humanidade. Isso tornou o juízo mais impressionante, mais terrível e mais carregado da ira e indignação de Deus. A destruição delas também foi uma espécie de libertação da escravidão da corrupção, daquela mesma corrupção da qual toda a criação ainda geme esperando ser libertada (Romanos 8:21, Romanos 8:22).
Foi também um ato de sabedoria. Assim como as criaturas foram feitas para o ser humano e se multiplicaram para ele, agora, tendo o gênero humano sido reduzido a tão poucos, era necessário que os animais também fossem reduzidos. De outro modo, tomariam conta da terra, e o pequeno remanescente de pessoas não teria como lidar com eles. Deus levara isso em conta em outra ocasião: “para que o animal do campo se não multiplique contra ti” (Êxodo 23:29).
Todos os homens, mulheres e crianças do mundo, exceto os que estavam na arca, morreram. Cada pessoa pereceu (Gênesis 7:21; Gênesis 7:23). É possível que houvesse então tantos habitantes quanto hoje, ou até mais. É fácil imaginar o terror que os dominou quando viram as águas cercá‑los por todos os lados. Jesus disse que até o dia em que veio o dilúvio eles comiam, bebiam (Lucas 17:26, Lucas 17:27). Estavam submersos em falsa segurança e prazeres rasos antes de serem submersos pelo dilúvio. Viviam dizendo paz a si mesmos, mas desprezavam todas as advertências de Deus. Então a morte os surpreendeu, como aconteceu com os mensageiros de Saul em outro tempo (1 Samuel 30:16, 1 Samuel 30:17).
Que espanto os tomou naquele momento. Viram e sentiram o que antes se recusavam a crer. Convenceram‑se da sua loucura, mas tarde demais. Não encontraram lugar para arrependimento, embora o buscassem com lágrimas. Podemos imaginar que tentaram de todos os modos possíveis salvar‑se, mas tudo falhou. Alguns devem ter subido em árvores ou montes, adiando o terror por um pouco de tempo, mas o dilúvio afinal os alcançou. Outros provavelmente se agarraram à arca e só então desejaram que aquilo que haviam zombado pudesse salvá‑los. Alguns talvez tenham subido até o topo da arca, na esperança de sobreviver ali, mas morreram de fome ou foram arrastados pela chuva e pelas águas.
Outros podem ter suplicado a Noé que os deixasse entrar, apelando para antigas amizades, como pessoas que mais tarde disseram a Jesus: “Comemos e bebemos na tua presença, e tu ensinaste nas nossas ruas.” Noé poderia responder: “Sim, fiz isso muitas vezes, mas com pouco fruto. Eu chamava, e vocês recusavam. Estendi a minha mão, e vocês não deram atenção ao meu conselho” (Provérbios 1:24, Provérbios 1:25). “Agora não posso ajudá‑los. Deus fechou a porta, e eu não posso abri‑la.” Assim será naquele grande dia. Uma profissão externa elevada, ou alegar ligação com pessoas piedosas, não colocará ninguém no céu (Mateus 7:22; Mateus 25:8, Mateus 25:9). Quem não for achado em Cristo, a arca, estará perdido para sempre. A própria salvação, então, já não poderá salvá‑los (Isaías 10:3).
Alguns dos que pereceram talvez até tenham ajudado Noé a construir a arca, e ainda assim não tiveram a sabedoria de se arrepender e assegurar um lugar dentro dela. Do mesmo modo, ministros ímpios podem ajudar outros a irem para o céu e ainda assim serem lançados no inferno. É preciso considerar com seriedade esse terrível juízo. Pesar em nosso coração o horror dele. Dizer: “Horrenda coisa é cair nas mãos do Deus vivo” e: “Quem subsistirá diante dele quando estiver irado?” Dizer também: “Mau e amargo é deixares ao Senhor.” O pecado dos pecadores, se não se arrependerem, acabará por destruí‑los, se não mais cedo, certamente no fim. Se Deus é verdadeiro, assim será. Ainda que muitos se deem as mãos e se apoiem mutuamente, o ímpio não ficará sem castigo.
O justo Deus sabe como trazer um dilúvio sobre o mundo dos ímpios (2 Pedro 2:5). Elifaz usa essa história como advertência para um mundo descuidado (Jó 22:15, Jó 22:16): “Porventura queres seguir a vereda antiga, que pisaram os homens iníquos, os quais foram arrebatados antes do seu tempo, sobre cujo fundamento um dilúvio se derramou?”
Observe‑se agora a preservação especial de Noé e de sua família: “E ficou somente Noé, e os que com ele estavam na arca” (Gênesis 7:23). Noé viveu. Enquanto todos ao seu redor se tornavam testemunhas da justiça de Deus, com milhares caindo à sua direita e dez mil à sua esquerda, ele se tornou testemunha da misericórdia. Ele pôde ver apenas o castigo dos ímpios (Salmo 91:7, Salmo 91:8). No dilúvio de muitas águas, estas não chegaram até ele (Salmo 32:6).
Temos bons motivos para pensar que, enquanto a paciência de Deus retardava o juízo, Noé não só pregou àquele mundo ímpio, como também orou por ele. Se pudesse, teria afastado a ira, mas suas orações voltaram para o seu próprio seio e foram atendidas apenas na sua própria libertação, o que é apontado por Ezequiel ao dizer que “Noé, Daniel e Jó... livrariam apenas as suas almas” (Ezequiel 14:14). Há honra para aqueles que intercedem pelos outros.
Ainda assim, ele apenas viveu. Noé permaneceu vivo, e só isso. De certo modo, foi como se estivesse sepultado vivo, fechado em um espaço pequeno, atribulado pela chuva que caía sem cessar, pelas águas que subiam e pelos gritos dos vizinhos morrendo. Seu coração deve ter ficado pesado ao pensar em toda aquela ruína ao redor. Contudo, ele se consolava com isto: estava no caminho do dever e no caminho do livramento.
Aprendemos também em (Jeremias 45:4, Jeremias 45:5) que, quando há juízos devastadores na terra, não devemos esperar grandes coisas ou uma vida fácil para nós mesmos. Devemos, antes, considerar como uma grande misericórdia o simples fato de termos a vida poupada, como se fosse um despojo tirado de um inimigo vencido.
Deste capítulo
Gênesis 7:1
"O Senhor disse a Noé: “Entre na arca, você e toda a sua casa, porque reconheci você como justo diante dos meus olhos, entre os de sua geração."
Gênesis 7:2
"De todos os animais puros você tomará sete casais, machos e fêmeas, e de todos os animais impuros tomará um casal, macho e fêmea;"
Gênesis 7:3
"das aves do céu, igualmente sete casais, machos e fêmeas, para que a raça seja conservada viva sobre a face de toda a terra."
Gênesis 7:4
"Dentro de sete dias farei chover sobre a terra durante quarenta dias e quarenta noites e exterminarei da superfície da terra todos os seres que fiz”."
Gênesis 7:5
"Noé fez tudo o que o Senhor lhe havia ordenado."
Gênesis 7:6
"Noé tinha seiscentos anos quando o dilúvio veio sobre a terra."
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