Versículo em destaque
Gênesis 3:14 - Significado e aplicação
Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje
Tradução: Bíblia BibleGuided — Português Brasileiro
" Então o Senhor Deus disse à serpente: “Porque você fez isso, será maldita entre todos os animais domésticos e as feras do campo; você se arrastará sobre o seu ventre e comerá o pó todos os dias de sua vida. "
Gênesis 3:14
Versículo no contexto
Entender os versículos ao redor evita interpretações incorretas:
12 O homem respondeu: “A mulher que puseste ao meu lado me apresentou deste fruto, e eu comi”.
13 O Senhor Deus disse à mulher: ‘‘Por que você fez isso?”. “A serpente me enganou — respondeu ela —, e eu comi.”
14 Então o Senhor Deus disse à serpente: “Porque você fez isso, será maldita entre todos os animais domésticos e as feras do campo; você se arrastará sobre o seu ventre e comerá o pó todos os dias de sua vida.
15 Porei ódio entre você e a mulher, entre a sua descendência e a dela. Esta ferirá você na cabeça, e você lhe ferirá o calcanhar”.
16 Disse também à mulher: ‘‘Multiplicarei os sofrimentos de seu parto; você dará à luz com dores, seus desejos impelirão você para o seu marido, e você estará sob o domínio dele”.
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Os réus já haviam confessado sua culpa, e o Juiz conhecia perfeitamente o caso. Como nada de real foi apresentado para deter o juízo, Deus imediatamente pronuncia a sentença. Ele começa onde o pecado começou, com a serpente. Deus não interroga a serpente, não lhe pergunta o que fez nem por que fez, porque ela já se mostrara rebelde, e sua maldade era aberta e evidente. Também ela jamais receberia oportunidade de perdão, de modo que não havia razão para chamá‑la ao arrependimento. Sua ferida não foi examinada, porque não estava destinada a ser curada. Alguns entendem que os anjos caídos só foram claramente mostrados como irremediáveis quando levaram a humanidade à rebelião.
A sentença sobre o tentador pode ser vista como recaindo sobre a serpente, o animal que Satanás usou. A serpente, como as demais criaturas, fora feita para servir ao homem, mas agora fora usada para prejudicá‑lo. Por isso Deus coloca sobre a serpente uma maldição e um sinal de vergonha, revelando assim sua ira contra o pecado e seu cuidado com o mal que foi feito a Adão e Eva. As ferramentas do diabo devem participar do castigo do diabo. Do mesmo modo, os corpos dos ímpios, embora sejam apenas instrumentos do pecado, participarão do castigo eterno junto com a alma, que é o principal agente. Até mesmo o boi que matasse um homem devia ser apedrejado (Êxodo 21:28-29). Isso mostra o quanto Deus aborrece o pecado, e em especial o quanto se desagrada daqueles que levam outros ao pecado. O nome de Jeroboão fica para sempre manchado porque ele fez Israel pecar.
Primeiro, a serpente é colocada sob a maldição de Deus. Quando Deus criou os animais que se arrastam, Ele os abençoou (Gênesis 1:22), mas o pecado transformou bênção em maldição. A serpente fora mais astuta que todos os animais do campo (Gênesis 3:1), e agora é maldita mais do que todos eles. Astúcia sem santidade costuma tornar‑se maldição. Quanto mais habilmente as pessoas praticam o mal, maior dano causam e mais severo será o seu juízo. Aqueles que tentam os outros estão entre as criaturas mais amaldiçoadas debaixo do sol.
A serpente também é colocada sob o desprezo e a aversão do homem. Ela passará a ser vista como criatura baixa e desprezível, digna apenas de repulsa. “Sobre o teu ventre andarás” indica que ela não se moveria mais ereta ou apoiada em pés, mas rastejaria sobre o ventre, junto ao chão. Essa figura expressa uma condição extremamente baixa e miserável (Salmo 44:25). “Pó comerás” significa que seria forçada a uma vida vil e lastimável. Seu crime consistiu em levar Eva a comer o que não devia, e seu castigo é ser forçada a tomar o que não escolheria. Isto descreve tanto uma condição degradada quanto um espírito mesquinho. Pessoas cujo vigor se foi são descritas como lambendo o pó como a serpente (Miqueias 7:17). É triste que a maldição da serpente seja também a escolha de muitos mundanos gananciosos, cuja marca é ansiar pelo pó da terra (Amós 2:7).
A serpente também é feita criatura odiada e temida pelos homens. Deus diz: “Porei inimizade entre ti e a mulher”. As criaturas inferiores foram feitas para o homem, por isso é uma maldição quando alguma delas se volta contra ele. A serpente ferirá o homem, geralmente no calcanhar, porque não pode alcançar mais alto. Contudo, o homem será vitorioso sobre a serpente e lhe esmagará a cabeça, isto é, lhe causará ferida mortal e buscará destruir toda a sua raça. Essa maldição também explica por que a serpente, embora sutil e perigosa, não destrói a humanidade, como faria se Deus o permitisse. A sentença é reforçada pela promessa de Deus ao seu povo: “Pisarás o leão e a áspide” (Salmo 91:13), e pelas palavras de Cristo aos seus discípulos: “pegarão nas serpentes” (Marcos 16:18). Paulo ilustrou isso quando não foi ferido pela víbora que se prendeu à sua mão. Note‑se que, há pouco, serpente e mulher conversavam como se fossem amigas, mas agora são postas em inimizade duradoura. Amizades pecaminosas terminam, com justiça, em inimizades mortais. Os que se unem no mal não permanecerão unidos por muito tempo.
Essa sentença mira também o diabo, que usou a serpente como instrumento, mas foi o verdadeiro agente por trás dela. Aquele que falou por meio da serpente é ferido pelo lado da serpente. Ele é o principal alvo da sentença, que tem um lado sombrio, voltado para o diabo, e um lado luminoso, voltado para nossos primeiros pais e sua descendência.
Grandes coisas estão contidas nessas palavras. Uma vergonha duradoura é fixada sobre esse grande inimigo tanto de Deus quanto dos homens. Escondido sob a figura da serpente, ele é sentenciado a ser rebaixado e amaldiçoado por Deus. Comumente se entende que o pecado que transformou anjos em demônios foi o orgulho, e o orgulho é aqui respondido com profunda humilhação. Aquele que quis elevar‑se acima de Deus e liderar uma rebelião contra Ele é tornado desprezível e digno de ser pisado. O orgulho abate as pessoas, e Deus humilhará os que se recusam a humilhar‑se.
Ele também é feito objeto de ódio para toda a humanidade. Mesmo aqueles que são levados ao seu serviço ainda dizem odiá‑lo, e todos os que são nascidos de Deus se empenham em guardar‑se para que o maligno não lhes toque (1 João 5:18). Ele é condenado a uma vida de guerra e inimizade permanente. No fim, será igualmente destruído e arruinado pelo grande Redentor, o que é mostrado pelo quebrar de sua cabeça. Todos os seus esquemas ardilosos fracassarão, seu poder usurpado será totalmente esmagado, e ele permanecerá para sempre debaixo da honra ofendida do governo de Deus. Ao ser informado disso já agora, ele é atormentado antes do tempo.
Aqui também tem início um conflito duradouro entre o reino de Deus e o reino do diabo entre os homens. É declarada guerra entre a semente da mulher e a semente da serpente. A guerra no céu entre Miguel e o dragão começa aqui (Apocalipse 12:7). Um resultado dessa inimizade é a luta contínua entre a graça e a corrupção no coração do povo de Deus.
Satanás ataca as pessoas por meio de seus próprios desejos corruptos. Ele as importuna, prova e tenta destruir. Mas os crentes, usando as graças que Deus lhes concede, resistem a ele, lutam contra ele, apagam seus dardos inflamados e o fazem fugir. Céu e inferno jamais podem ser reconciliados, assim como luz e trevas não podem se harmonizar. Da mesma forma, Satanás e uma alma santa estão em oposição, porque são postos um contra o outro.
Há também um conflito constante neste mundo entre ímpios e piedosos. Os que amam a Deus consideram como inimigos aqueles que O odeiam (Salmo 139:21-22). A ira e o ódio dos perseguidores contra o povo de Deus procedem dessa inimizade. Ela continuará enquanto houver um justo na terra e um ímpio que ainda não esteja no inferno. Portanto, não se deve estranhar que o mundo odeie os que pertencem a Deus (1 João 3:13).
Aqui Deus também dá uma graciosa promessa a respeito de Cristo, o Libertador que resgataria a humanidade caída do poder de Satanás. Embora essas palavras tenham sido dirigidas à serpente, nossos primeiros pais as ouviram e certamente perceberam nelas um traço de graça. Eles podiam ver que se abria uma porta de esperança, pois, do contrário, o juízo que se seguiu os teria esmagado por completo. Esta foi a primeira luz do evangelho. Assim que a ferida foi causada, o remédio também foi providenciado e anunciado. Logo no início da Escritura, naquele lugar em que se diz que Cristo viria fazer a vontade de Deus (Hebreus 10:7), já se fala dEle.
Pela fé nessa promessa, nossos primeiros pais e os patriarcas antes do dilúvio muito provavelmente foram justificados, isto é, considerados justos diante de Deus, e salvos. Eles serviam a Deus dia e noite, esperando entrar na plena posse dessa promessa. Três coisas sobre Cristo são aqui reveladas.
Primeiro, sua vinda em forma humana. Ele seria a semente da mulher, a semente daquela mulher. É por isso que Lucas leva sua genealogia tão longe, para mostrar que Ele é filho de Adão. E Deus concede honra especial à mulher ao chamá‑lo sua semente, pois foi ela quem Satanás enganou, e Adão a culpou. Assim Deus manifesta sua graça. Embora a mulher tenha sido a primeira no pecado, ela seria salva através de dar à luz, como alguns entendem (1 Timóteo 2:15), isto é, por meio do filho prometido que viria dela. Ele também seria semente apenas de mulher, nascido de uma virgem, para não ser manchado pela corrupção de nossa natureza. Ele foi enviado, nascido de mulher (Gálatas 4:4), para que essa promessa se cumprisse.
Isso dá grande ânimo aos pecadores, porque seu Salvador é a semente da mulher, carne da nossa carne (Hebreus 2:11, 14). Os seres humanos são pecadores e impuros por serem nascidos de mulher (Jó 25:4), e seus dias são cheios de tribulação (Jó 14:1). Mas a semente da mulher foi feita pecado e maldição por nós, e assim nos livra de ambos.
Em segundo lugar, o sofrimento e a morte de Cristo são ilustrados na serpente ferindo o seu calcanhar, isto é, a sua natureza humana. Satanás tentou Cristo no deserto, procurando levá‑lo ao pecado. Muitos também entendem que Satanás foi o que o aterrorizou em sua agonia, tentando lançá‑lo em desespero. O diabo colocou no coração de Judas o propósito de trair Cristo, no coração de Pedro o impulso de negá‑lo, na mente dos principais sacerdotes o desejo de persegui‑lo, nas falsas testemunhas a disposição de acusá‑lo, e nas mãos de Pilatos a decisão de condená‑lo. Em tudo isso ele pretendia destruir o Salvador e arruinar a salvação. Contudo, de forma contrária ao que o inimigo planejou, Cristo destruiu aquele que tinha o poder da morte por meio da própria morte (Hebreus 2:14).
O calcanhar de Cristo foi ferido quando seus pés foram perfurados e pregados na cruz. Seus sofrimentos continuam, de certo modo, nos sofrimentos dos seus santos por causa do seu nome. O diabo os tenta, lança‑os na prisão, os persegue e mata, e assim fere o calcanhar de Cristo, porque Cristo se identifica com o que acontece ao seu povo em meio às suas aflições. Mas, enquanto o calcanhar é ferido na terra, é consolador saber que a cabeça está segura no céu.
Em terceiro lugar, a vitória de Cristo sobre Satanás viria exatamente por meio desse sofrimento. Satanás havia pisado na mulher e zombado dela, mas a semente da mulher seria levantada, no tempo certo, para vingar a sua causa. Ele pisaria Satanás, tiraria dele o seu poder, conduzi‑lo‑ia como um cativo e triunfaria sobre ele (Colossenses 2:15). Ele ferirá a cabeça da serpente, isto é, destruirá todos os planos de Satanás e todo o seu poder, reduzindo completamente o seu reino e seu domínio à ruína total.
Cristo venceu as tentações de Satanás, libertou almas de suas mãos, expulsou o maligno dos corpos das pessoas, lançou fora o valente armado e repartiu os seus despojos. Por sua morte, desferiu contra o reino do diabo um golpe mortal e incurável, uma ferida na cabeça dessa besta que jamais poderá ser curada. À medida que o seu evangelho avança, Satanás cai (Lucas 10:18) e é amarrado (Apocalipse 20:2). Pela sua graça, Cristo em breve esmagará Satanás debaixo dos pés do seu povo (Romanos 16:20), e por fim o lançará no lago de fogo (Apocalipse 20:10). A derrota definitiva do diabo será a alegria plena e eterna e a glória do povo escolhido de Deus.
Deste capítulo
Gênesis 3:1
"A serpente era o mais astuto de todos os animais do campo que o Senhor Deus tinha formado. Ela disse à mulher: “É verdade que Deus proibiu vocês de comer do fruto de toda árvore do jardim?”"
Gênesis 3:2
"A mulher lhe respondeu: ‘‘Podemos comer do fruto das árvores do jardim."
Gênesis 3:3
"Mas, do fruto da árvore que está no meio do jardim, Deus disse: ‘Vocês não comerão dele nem o tocarão, para que não morram’.”"
Gênesis 3:4
"“Oh, não! — respondeu a serpente — vocês não morrerão!"
Gênesis 3:5
"Mas Deus bem sabe que, no dia em que vocês comerem dele, seus olhos se abrirão, e vocês serão como deuses, conhecedores do bem e do mal.”"
Gênesis 3:6
"A mulher, vendo que o fruto da árvore era bom para comer, de aspecto agradável e muito apropriado para abrir a inteligência, tomou dele, comeu e o apresentou também ao seu marido, que igualmente comeu."
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