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Gênesis 15:7 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje

Tradução: Bíblia BibleGuided — Português Brasileiro

" E disse-lhe: “Eu sou o Senhor que fiz você sair de Ur da Caldeia para lhe dar esta terra”. "

Gênesis 15:7

menu_book Versículo no contexto

5 E, conduzindo-o para fora, disse-lhe: “Levante os olhos para o céu e conte as estrelas, se você é capaz... Pois bem — acrescentou ele — assim será a sua descendência”.

6 Abrão confiou no Senhor, e o Senhor “lhe imputou isso” “para sua justificação”.

7 E disse-lhe: “Eu sou o Senhor que fiz você sair de Ur da Caldeia para lhe dar esta terra”.

8 “Senhor Javé, como poderei saber se a vou possuí-la?”

9 “Tome uma novilha de três anos — respondeu-lhe o Senhor —, uma cabra de três anos, um cordeiro de três anos, uma rola e um pombinho.”

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auto_stories Comentário Bible Guided

Aqui temos a garantia dada a Abrão de que ele herdaria a terra de Canaã.

Deus primeiro diz a Abrão o que pretende fazer em relação a essa promessa, em Gênesis 15:7. Percebe-se que Abrão não reclama aqui, como havia feito quando lhe faltava um filho. Os que têm certeza de que pertencem à descendência prometida não têm motivo para duvidar de seu direito à terra prometida. Se Cristo é nosso, então o céu é nosso. Note também: quando Abrão creu na promessa anterior, em Gênesis 15:6, Deus explicou e confirmou esta outra. Quem faz bom uso do que já tem receberá mais. Deus lembra a Abrão três coisas para fortalecer sua fé quanto a essa boa terra.

Primeiro, Deus o lembra de quem ele é: “Eu sou o Senhor, Jeová”. Por isso mesmo, Deus pode dar a terra, pois é o Senhor soberano de tudo e tem o direito de dar a quem quiser toda a terra. Ele também pode concedê-la apesar de toda oposição, até mesmo dos filhos de Enaque, povo poderoso em Canaã. Deus nunca promete mais do que pode fazer, como frequentemente fazem os homens. Ele cumprirá a sua palavra, porque Jeová não é homem para mentir.

Segundo, Deus lembra a Abrão o que já tinha feito por ele. Tinha-o tirado de Ur dos caldeus, a terra de seus pais. Alguns entendem que isso significa que o tirou do fogo dos caldeus, seja do fogo da idolatria, já que adoravam o fogo, seja de perseguições. Escritores judeus preservam a tradição de que Abrão teria sido lançado numa fornalha ardente por se recusar a adorar ídolos, sendo salvo por um milagre. Mais provavelmente, trata-se simplesmente do nome do lugar. De todo modo, Deus o tirou dali por um chamado poderoso, quase como arrancar um tição do fogo. Foi uma misericórdia especial, porque Deus chamou Abrão e deixou milhares naquele lugar para perecer. Deus o chamou sozinho (Isaías 51:2). Foi também uma misericórdia espiritual, um livramento do pecado e de seu fim mortal. Se Deus salva nossas almas, nenhum bem verdadeiro nos faltará. Foi uma misericórdia recente, concedida há pouco tempo, e por isso deveria ser ainda mais comovente, como as palavras no início dos Dez Mandamentos: “Eu sou o Senhor que te tirei da terra do Egito”. Foi também uma misericórdia inicial, o começo de um curso especial de misericórdias para Abrão, e assim um penhor de outras misericórdias futuras (Isaías 66:9). Deus fala disso como algo em que ele se gloria: “Eu sou o Senhor que te tirei”. Ele se glorifica nesse ato como obra de poder e de graça, e mais tarde ainda se apresenta dessa forma (Isaías 29:22). Ele é o Senhor que redimiu Abraão, redimiu-o do pecado.

Terceiro, Deus diz a Abrão o que pretende fazer em seguida: “Eu te tirei daqui com o propósito de te dar esta terra, para herdá-la”. Isso significa não apenas morar nela, mas possuí-la como herança, o tipo de direito mais seguro e mais doce. A providência de Deus tem propósitos ocultos, mas cheios de graça, em todos os seus tratamentos com os fiéis. Não conseguimos entender esses planos até que o desfecho revele sua misericórdia e glória. O objetivo principal de todos os tratos de Deus com o seu povo é conduzi-lo em segurança ao céu. Eles são escolhidos para a salvação (2 Tessalonicenses 2:13), chamados para o reino (1 Tessalonicenses 2:12), regenerados para uma herança (1 Pedro 1:3, 1 Pedro 1:4) e, por tudo isso, preparados para ela (Colossenses 1:12, Colossenses 1:13; 2 Coríntios 4:17).

Então Abrão pede um sinal: “Senhor Deus, como saberei que hei de herdá-la?” (Gênesis 15:8). Isso não brota de desconfiança quanto ao poder ou à promessa de Deus, como aconteceu com Zacarias. Abrão deseja um sinal por dois motivos. Primeiro, queria que sua própria fé fosse fortalecida e firmada. Ele creu em Gênesis 15:6, mas aqui está, por assim dizer, dizendo: “Senhor, ajuda a minha incredulidade”. Ele cria, mas queria um sinal guardado para o tempo da prova, pois não sabia como sua fé poderia ser abalada depois. Todos nós precisamos de ajuda do céu para confirmação da fé e devemos usar os sacramentos, que são sinais instituídos para esse fim (Juízes 6:36-40; 2 Reis 20:8-10; Isaías 7:11, Isaías 7:12). Segundo, Abrão queria que a promessa fosse firmada para os seus descendentes, para que também cressem nela. Os que estão convencidos devem desejar que outros também sejam convencidos das promessas de Deus. João enviou seus discípulos a Cristo, não tanto por causa de si mesmo, mas por causa deles (Mateus 11:2, Mateus 11:3). Canaã era figura do céu. Assim, é grande bênção saber que herdaremos a Canaã celestial, isto é, ter certeza da realidade dessa felicidade e ver mais claramente o nosso direito a ela.

Deus então manda Abrão preparar um sacrifício, e por meio desse sacrifício lhe daria um sinal. Abrão obedece em Gênesis 15:9-11: “Toma-me uma bezerra…”, e assim por diante. Talvez Abrão esperasse algum sinal extraordinário vindo do céu, mas Deus lhe dá um sinal por meio de um sacrifício. Os que desejam a certeza do favor de Deus e o fortalecimento da fé devem frequentar as ordenanças de culto estabelecidas e esperar encontrar Deus nelas. Deus mandou que os animais tivessem três anos, porque assim estavam no vigor e na força. Deus deve ser servido com o melhor que temos, pois ele é o melhor.

Não lemos que Deus tenha dado a Abrão instruções detalhadas sobre como tratar os animais e as aves. Ou ele conhecia tão bem a lei e o costume dos sacrifícios que não precisava de mais detalhes, ou então Deus deu orientações que não foram registradas. Pelo menos, Abrão entendeu que tudo devia ser preparado para a solene celebração de uma aliança, e sabia o modo costumeiro de fazê-lo. Ele tomou o que Deus havia ordenado, mesmo antes de compreender plenamente como aquilo se tornaria um sinal. Foi mais um exemplo de sua pronta obediência. Ele partiu os animais ao meio, conforme o antigo costume de aliança, como em Jeremias 34:18, Jeremias 34:19, em que o bezerro é cortado ao meio e se passa entre as partes.

Depois de preparar tudo como Deus havia ordenado, Abrão ficou esperando o sinal que Deus lhe daria, como o profeta que vigia na torre (Habacuque 2:1). Enquanto a resposta de Deus se demorava, Abrão continuou esperando, e a demora tornou mais intensa a sua expectativa. Quando aves de rapina desceram sobre os corpos, como se fossem coisas comuns, deixadas sem guarda, Abrão as enxotou (Gênesis 15:11), confiando que a visão, no tempo certo, falaria e não falharia. Precisamos vigiar atentamente sobre nossos sacrifícios espirituais, para que nada os estrague nem os torne impróprios para Deus. Quando pensamentos vãos, como essas aves, descem sobre o nosso culto, devemos enxotá-los. Não devemos permitir que permaneçam, mas atender a Deus sem distração.

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