Versículo em destaque
Gênesis 12:14 - Significado e aplicação
Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje
Tradução: Bíblia BibleGuided — Português Brasileiro
" Quando Abrão chegou ao Egito, os egípcios notaram que sua mulher era extremamente bela. "
Gênesis 12:14
Versículo no contexto
Entender os versículos ao redor evita interpretações incorretas:
12 Quando os egípcios virem você, dirão: ‘É sua mulher’, e me matarão, conservando você, a você, com vida.
13 Diga, pois, que você é minha irmã, para que eu seja poupado por causa de você e conservem minha vida em atenção a você”.
14 Quando Abrão chegou ao Egito, os egípcios notaram que sua mulher era extremamente bela.
15 Os grandes da corte, ao vê-la, elogiaram-na diante do faraó, e a mulher foi introduzida no seu palácio.
16 Por causa dela, Abrão foi bem tratado pelo faraó e recebeu ovelhas, bois, jumentos, servos e servas, jumentas e camelos.
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Aqui vemos o perigo que Sarai correu por causa do rei do Egito: sua castidade — isto é, sua pureza e a honra do seu casamento — estava realmente em risco de ser violada. O perigo do pecado é o maior de todos os perigos. Os príncipes de Faraó, na verdade mais parecidos com agentes da sua imoralidade, viram Sarai e notaram o quanto ela era formosa. Eles a elogiaram diante de Faraó, mas não por aquilo que era de fato sua verdadeira honra: sua virtude, modéstia, fé e devoção a Deus, pois nada disso tinha valor para eles. Exaltaram apenas sua beleza, que lhes parecia “boa demais” para uma simples súdita.
Eles a recomendaram ao rei, e Sarai foi logo levada para a casa de Faraó, assim como mais tarde Ester foi levada ao harém de Assuero (Ester 2:8), com a intenção de ser conduzida ao leito do rei. Não devemos imaginar Sarai como alguém que estava subindo em prestígio, mas sim como alguém sendo conduzida à tentação. As causas disso foram sua própria beleza, que se torna laço para muitos, e a “meia‑verdade” de Abrão, um pecado que com frequência abre a porta para outros pecados. Enquanto Sarai corria esse perigo, Abrão foi, de certo modo, beneficiado pela situação. Faraó lhe deu ovelhas, bois e outros bens (Gênesis 12:16), esperando assim conquistar o favor de Abrão e, com isso, obter mais facilmente a mulher que ele pensava ser apenas sua irmã. Abrão não poderia ter previsto isso ao descer ao Egito, e com certeza não foi isso que planejou ao negar sua esposa. Mas Deus tirou bem do mal. Até as riquezas dos pecadores são, de certo modo, acumuladas para os justos.
Em seguida, vemos o livramento de Sarai desse perigo. Se Deus, em sua misericórdia especial, não interviesse muitas vezes para nos tirar dos apuros em que nós mesmos nos colocamos pelo nosso pecado e pela nossa insensatez, já estaríamos arruinados há muito tempo. Ele não nos trata segundo merecemos.
Primeiro, Deus enviou pragas sobre Faraó, e por esse meio impediu que ele avançasse ainda mais no pecado. É um tipo feliz de castigo aquele que nos faz parar num caminho pecaminoso e nos traz de volta ao dever, especialmente ao dever de restituir o que tomamos ou retivemos injustamente. Perceba que não foi apenas Faraó, mas toda a sua casa que foi atingida, provavelmente de modo especial aqueles príncipes que haviam elogiado Sarai diante dele. Os que participam do pecado de outros, com justiça participam também de sua punição. Os que ajudam a satisfazer as paixões alheias devem esperar compartilhar de suas pragas. Não nos é dito exatamente quais foram essas pragas, mas elas foram claras o suficiente — seja pela sua natureza, seja por alguma explicação que as acompanhou — para mostrar que Sarai era a causa delas.
Depois, Faraó repreendeu Abrão e, em seguida, o despediu com honra. A repreensão foi calma, mas totalmente justa: “Que é isso que me fizeste?” Que atitude indigna. Que conduta imprópria para um homem sábio e correto. Quando pessoas que professam servir a Deus agem de modo desonesto, sobretudo quando dizem algo que roça a mentira, devem esperar ser corrigidas e deveriam ser gratas a quem lhes fala a verdade. Até mesmo um profeta do Senhor foi justamente repreendido por um capitão pagão de navio (Jonas 1:6). Faraó argumentou com Abrão: “Por que não me disseste que ela era tua mulher?” Quis dizer que, se soubesse, não a teria levado para sua casa. É uma falha comum, mesmo entre pessoas piedosas, desconfiar dos outros além do que se deve. Muitas vezes descobrimos mais virtude, honra e consciência em certas pessoas do que esperávamos. Isso deve nos alegrar, como alegrou Abrão, que encontrou em Faraó um homem melhor do que imaginara. O amor nos ensina a esperar o melhor.
A despedida foi bondosa e generosa. Faraó devolveu a Abrão sua esposa sem ferir sua honra: “Eis aí tua mulher; toma‑a e vai‑te” (Gênesis 12:19). Quem deseja fugir do pecado precisa afastar a tentação ou afastar‑se dela. Faraó também o mandou embora em paz. Longe de planejar matá‑lo, como Abrão temera, tomou cuidado especial com ele. Muitas vezes nos inquietamos com medos que depois se mostram infundados. Tememos sem motivo real para temer. Tememos a ira de um opressor como se estivesse pronto para destruir, quando na verdade não há perigo (Isaías 51:13). Teria sido melhor, para a honra e o consolo de Abrão, ter dito a verdade desde o início, porque a sinceridade continua sendo o melhor caminho. Também está escrito que Faraó deu ordens a seus homens a respeito de Abrão (Gênesis 12:20). Isso pode significar que mandou que não lhe fizessem mal algum. Se for assim, governantes não devem apenas evitar praticar o mal pessoalmente, mas também impedir que seus servos e oficiais façam mal aos outros. Ou pode significar que, quando Abrão se preparou para sair depois da fome, Faraó designou homens para escoltá‑lo em segurança para fora do país. Faraó provavelmente ficou alarmado com as pragas (Gênesis 12:17) e reconheceu que Abrão era especialmente favorecido pelo Céu. Temendo novos castigos, tratou de garantir que Abrão não sofresse dano em sua terra.
Deus muitas vezes conquista amigos para o seu povo fazendo com que outros percebam que é perigoso prejudicá‑los. É coisa terrível fazer tropeçar um dos pequeninos de Cristo (Mateus 18:6). O salmista alude a este episódio quando diz que Deus “repreendeu a reis por amor deles” e os advertiu: “Não toqueis nos meus ungidos” (Salmo 105:13‑15). Talvez, se Faraó não tivesse mandado Abrão embora, ele pudesse ter sido tentado a permanecer no Egito e esquecer a terra da promessa. Às vezes Deus usa até os inimigos do seu povo para lembrá‑los de que este mundo não é o seu lar definitivo e de que precisam pensar em deixá‑lo.
Por fim, note a semelhança entre o livramento de Abrão do Egito e o posterior livramento de seus descendentes. Quatrocentos e trinta anos depois, a família de Abrão desceu ao Egito por causa de uma fome, e mais tarde voltaram a ir para lá pelo mesmo motivo. Ele foi tirado de lá por meio de grandes pragas sobre Faraó, e assim também foram seus descendentes. Assim como Abrão saiu despedido por Faraó, levando consigo as riquezas dos egípcios, o mesmo aconteceu com eles. O cuidado de Deus por seu povo é o mesmo ontem, hoje e para sempre.
Deste capítulo
Gênesis 12:1
"O Senhor disse a Abrão: “Deixe sua terra, sua família e a casa de seu pai e vá para a terra que eu lhe mostrar."
Gênesis 12:2
"Farei de você uma grande nação; eu abençoarei você e exaltarei o seu nome, e você será uma fonte de bênçãos."
Gênesis 12:3
"Abençoarei aqueles que abençoarem você e amaldiçoarei aqueles que amaldiçoarem você; todas as famílias da terra serão benditas em você”."
Gênesis 12:4
"Abrão partiu como o Senhor lhe havia dito, e Ló foi com ele. Abrão tinha setenta e cinco anos quando partiu de Harã."
Gênesis 12:5
"Tomou Sarai, sua mulher, e Ló, filho de seu irmão, assim como todos os bens que possuíam e os escravos que haviam adquirido em Harã, e partiram para a terra de Canaã. Ali chegando,"
Gênesis 12:6
"Abrão atravessou a terra até Siquém, até o carvalho de Moré. Os cananeus estavam então naquela terra."
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