Versículo em destaque
Gênesis 11:5 - Significado e aplicação
Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje
Tradução: Bíblia BibleGuided — Português Brasileiro
" Mas o Senhor desceu para ver a cidade e a torre que os filhos dos homens construíram. "
Gênesis 11:5
Versículo no contexto
Entender os versículos ao redor evita interpretações incorretas:
3 E disseram uns aos outros: “Vamos fazer tijolos e cozê-los no fogo”. Usaram tijolos em vez de pedras e betume em lugar de argamassa.
4 Depois disseram: “Vamos fazer para nós uma cidade e uma torre cujo topo alcance os céus. Tornemos assim célebre o nosso nome, para que não sejamos dispersos pela face de toda a terra”.
5 Mas o Senhor desceu para ver a cidade e a torre que os filhos dos homens construíram.
6 “Eis que são um só povo — disse ele — e falam uma só língua: se começam assim, no futuro nada os impedirá de executar todos os seus empreendimentos.
7 Vamos: desçamos para confundir a linguagem deles, de modo que já não compreendam um ao outro.”
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Aqui vemos o desmoronamento do plano dos construtores de Babel, e como Deus frustrou o projeto daqueles homens teimosos, de modo que o propósito dele permanecesse, apesar deles.
Em primeiro lugar, vemos que Deus prestou atenção ao que eles faziam: “Então desceu o Senhor para ver a cidade” (Gênesis 11:5). Trata-se de linguagem humana, pois Deus já conhecia perfeitamente o que estava acontecendo. O sentido é que ele conhecia aquilo com a mesma clareza com que uma pessoa passa a conhecer o que foi examinar com seus próprios olhos.
Antes de dar a sua sentença, Deus examinou o caso. Ele é sempre justo e reto ao lidar com o pecado e com os pecadores, e nunca condena sem antes considerar devidamente a causa. Isso também mostra a sua condescendência bondosa, pois ele se abaixa para notar até mesmo esse projeto orgulhoso de construção. Ele observa os acontecimentos deste mundo inferior, até mesmo os mais importantes (Salmo 113:6).
O texto diz que era a torre “que os filhos dos homens edificavam”. Essa expressão aponta para a fraqueza deles, para o seu pecado e para a sua separação do povo de Deus. Era loucura criaturas meramente humanas, frágeis como o pó, desafiarem o céu e provocarem o Senhor.
Eles eram também filhos de Adão, isto é, de Adão, o homem pecador e desobediente. Por natureza, seus filhos também são desobedientes, e tendem a corromper o que é reto. Em contraste, Héber, um homem fiel na linhagem do povo de Deus, não é encontrado entre eles. Ele e sua família são tidos como filhos de Deus, e não se juntariam a essa companhia orgulhosa.
Em segundo lugar, vemos a sábia decisão de Deus a respeito desse assunto. Ele não “desceu” apenas como espectador, mas como juiz e governante, pronto para abater os soberbos (Jó 40:11-14). Ele permitiu que avançassem bastante no projeto antes de detê-los. Isso lhes deu tempo para se arrepender, se ainda houvesse algum bom senso neles, e também tornou maior a sua vergonha quando fracassaram.
Muitas vezes Deus permite que os que se opõem à sua glória avancem longe em seus planos antes de derrubá‑los. Assim, sua queda se torna mais pública, e a própria obra deles se converte em vergonha duradoura. Eles esperavam honra daquela construção, mas ela se tornaria um sinal de desonra.
Quando já tinham alcançado verdadeiro progresso com muito esforço, Deus decidiu romper seus planos e espalhá‑los. Ele considerou primeiro a sua unidade: “Eis que o povo é um, e todos têm uma mesma língua” (Gênesis 11:6). Se permanecessem unidos na rebelião, grande parte da terra ficaria vazia, o seu poder logo se tornaria excessivo, e o pecado se espalharia com maior facilidade, porque se fortaleceriam mutuamente no mal.
Há ainda um perigo mais profundo. Se esse grupo unido continuasse crescendo, o pequeno remanescente do povo de Deus poderia ser tragado. Por isso Deus decretou que não deviam permanecer um só povo. A unidade pode servir a um propósito, mas não é prova de verdadeira igreja. É vergonhoso que os construtores de Babel, embora diferentes em famílias e interesses, fossem tão unidos contra Deus, enquanto os “construtores de Sião” tantas vezes se veem divididos no serviço a ele. Contudo, isso não deve nos espantar. Cristo não veio trazer paz nesse sentido.
Deus também considerou a sua obstinação: “Agora, não haverá restrição para tudo o que eles intentarem fazer” (Gênesis 11:6). Eles tinham rejeitado seus mandamentos e advertências, então ele tomou outro rumo. Isso mostra quão maligno é o pecado e quão resolutos os pecadores podem ser. Desde que Adão se recusou a se manter longe da árvore proibida, seus descendentes odeiam limites e resistem à correção.
Isso também mostra por que os juízos de Deus são necessários no mundo. Eles ajudam a manter a ordem e a conter aqueles que não querem ouvir a lei. Então Deus disse: “Eia, desçamos e confundamos ali a sua linguagem” (Gênesis 11:7). Ele não falava com os anjos como se precisasse de ajuda. A forma de falar indica o conselho e a ação do próprio Deus. Assim como o povo havia se exortado mutuamente: “Eia, façamos tijolos” e “Eia, edifiquemos”, agora Deus diz: “Eia, confundamos a sua linguagem”.
Há misericórdia nesse juízo. Deus não os puniu com a severidade que mereciam. Não os feriu com trovões e relâmpagos, nem os destruiu de uma vez. Não abriu a terra para engolir a eles e à sua torre. Em vez disso, os espalhou. Eles mereciam a morte, mas foram apenas dispersos em confusão. A paciência de Deus para com um mundo pecador é muito grande.
Há também sabedoria na maneira como ele os deteve. Confundindo a linguagem, tornou‑os incapazes de se entenderem. Assim já não conseguiam cooperar bem uns com os outros, porque línguas divididas resultaram em mãos divididas. Foi um meio adequado tanto para parar a construção como para afastá‑los uns dos outros, já que não podiam mais desfrutar da convivência mútua. Deus tem muitos meios eficazes de frustrar os planos de pessoas soberbas que se levantam contra ele, inclusive dividindo seus pensamentos ou dividindo a sua fala (Juízes 9:23; Salmo 55:9).
Por fim, vemos a execução do plano de Deus, que arruinou e derrotou os planos dos homens (Gênesis 11:8-9). Deus os fez aprender de quem permaneceria a palavra, se a dele ou a deles (Jeremias 44:28).
Embora estivessem unidos na sua teimosa soberba, Deus era mais forte do que eles. Exatamente naquilo em que se engrandeciam, ele se mostrou acima deles. Ninguém endurece o coração contra Deus e prospera.
Três coisas aconteceram. Primeiro, sua linguagem foi confundida. Deus, que dera a fala aos seres humanos quando os criou, agora fez esses construtores esquecerem sua antiga língua e passarem a falar uma nova. As pessoas de uma mesma família ou colônia ainda podiam se entender, mas já não compreendiam o que diziam os de outros grupos. Foi um grande milagre, mostrando que Deus pode controlar as mentes e as línguas das pessoas e incliná‑las tão facilmente quanto os ribeiros de águas.
Foi também um juízo severo sobre esses construtores. Quando perderam a antiga língua santa, ficaram separados da verdadeira igreja, que a conservou. Isso provavelmente contribuiu para que perdessem também o conhecimento do verdadeiro Deus. Ainda hoje sentimos os efeitos disso em todos os transtornos causados pela multiplicidade de línguas e no tempo e esforço necessários para aprendermos aquelas de que precisamos. Até certas contendas que nascem de mal‑entendidos de palavras talvez remontem à confusão em Babel. Alguns têm sonhado com um sistema escrito universal ou uma língua universal, mas isso parece ir de encontro à sentença de Deus, pois as línguas das nações permanecerão divididas enquanto o mundo existir.
Podemos lamentar também a perda do hebraico como língua de uso geral. A partir daí, passou a ser falado apenas pelos hebreus, e assim permaneceu até o cativeiro babilônico, quando mesmo entre eles foi substituído pelo siríaco. No entanto, assim como a confusão das línguas espalhou os filhos dos homens, o dom de línguas dado aos apóstolos (Atos 2) muito ajudou a ajuntar os filhos de Deus que estavam dispersos. Isso os uniu em Cristo, para que, com um só ânimo e uma só voz, glorificassem a Deus (Romanos 15:6).
Em segundo lugar, a obra deles foi interrompida. Desistiram de edificar a cidade. A confusão de sua linguagem tornou impossível que se ajudassem bem uns aos outros, e provavelmente também os desanimou, pois podiam perceber a mão do Senhor contra eles. É sabedoria abandonar aquilo que vemos claramente que Deus está contrariando. Deus é capaz de arruinar e reduzir a nada todos os planos dos construtores de Babel. Ele se assenta nos céus e zomba dos projetos dos reis da terra contra ele e contra o seu Ungido, e os forçará a reconhecer que não há sabedoria nem conselho contra o Senhor (Provérbios 21:30; Isaías 8:9-10).
Em terceiro lugar, os construtores foram espalhados sobre toda a terra (Gênesis 11:8-9). Partiram em grupos, por famílias e por línguas (Gênesis 10:5, 10:30-31), para as diversas terras que lhes estavam destinadas. Eles já sabiam onde deviam se estabelecer, mas não quiseram ir de boa vontade até serem forçados. Aquilo mesmo que temiam lhes sobreveio. Ao tentar evitar serem espalhados, resistindo de forma pecaminosa a Deus, acabaram atraindo sobre si aquela dispersão. Frequentemente caímos justamente no mal que tentamos evitar por meios errados.
Isso foi obra de Deus. O Senhor os espalhou. Devemos reconhecer a mão de Deus em todas as “dispersões” que acontecem pela sua providência. Se uma família é espalhada, se parentes são espalhados, se igrejas são espalhadas, é o Senhor quem faz. Ainda que essas pessoas estivessem estreitamente unidas, o Senhor as dispersou, pois ninguém consegue manter unido o que Deus quer separar. Assim, Deus os puniu com justiça pelo esforço unido em construir a torre em orgulho. Uma dispersão desonrosa é castigo justo para uma união pecaminosa. Simeão e Levi, que foram irmãos em maldade, foram divididos em Jacó (Gênesis 49:5, 49:7; Salmo 83:3-13).
Eles também deixaram para trás um lembrete permanente da própria vergonha no nome daquele lugar. Foi chamado de Babel, que significa confusão. Pessoas que buscam para si um grande nome muitas vezes acabam ficando com um nome ruim.
E, por fim, os filhos dos homens foram espalhados. Nunca mais se reuniram todos novamente, e não se reunirão, até o grande dia em que o Filho do Homem se assentar no trono da sua glória e todas as nações forem reunidas diante dele (Mateus 25:31-32).
Deste capítulo
Gênesis 11:1
"Toda a terra tinha uma só língua e usava as mesmas palavras."
Gênesis 11:2
"Alguns homens, partindo para o oriente, encontraram uma planície na terra de Senaar, onde se estabeleceram."
Gênesis 11:3
"E disseram uns aos outros: “Vamos fazer tijolos e cozê-los no fogo”. Usaram tijolos em vez de pedras e betume em lugar de argamassa."
Gênesis 11:4
"Depois disseram: “Vamos fazer para nós uma cidade e uma torre cujo topo alcance os céus. Tornemos assim célebre o nosso nome, para que não sejamos dispersos pela face de toda a terra”."
Gênesis 11:6
"“Eis que são um só povo — disse ele — e falam uma só língua: se começam assim, no futuro nada os impedirá de executar todos os seus empreendimentos."
Gênesis 11:7
"Vamos: desçamos para confundir a linguagem deles, de modo que já não compreendam um ao outro.”"
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