Versículo em destaque
Ezequiel 33:30 - Significado e aplicação
Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje
Tradução: Bíblia BibleGuided — Português Brasileiro
Quanto a você, filho do homem, seus compatriotas falam de você ao longo dos muros e nas portas das casas: venham, digam uns aos outros, entre vizinhos, venham escutar o derradeiro oráculo do Senhor.
Ezequiel 33:30
Versículo no contexto
Entender os versículos ao redor evita interpretações incorretas:
30 Quanto a você, filho do homem, seus compatriotas falam de você ao longo dos muros e nas portas das casas: venham, digam uns aos outros, entre vizinhos, venham escutar o derradeiro oráculo do Senhor.
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Os versículos anteriores falavam dos judeus que permaneceram na terra de Israel. Eles tinham recebido misericórdia, mas não voltaram para o Senhor. Aqui o Senhor repreende os que estavam em Babilônia, como cativos sob a sua disciplina, mas que não foram transformados por ela. Não eram culpados dos mesmos pecados escancarados que os outros, e mantinham alguma forma externa de religião. Ainda assim, o coração deles não estava em ordem diante de Deus.
O pecado deles aqui é zombar dos mensageiros do Senhor, um dos pecados que ajudou a trazer sobre eles toda essa ruína. Eles ainda não tinham sido curados disso. Zombavam do profeta Ezequiel de duas maneiras. Primeiro, falavam dele de modo hostil e injusto quando estavam entre si, fazendo de tudo para torná‑lo desprezível. Ezequiel não sabia disso, mas Deus lhe disse: “Os filhos do teu povo ainda falam contra ti” (Ezequiel 33:30). Pessoas em posição pública muitas vezes se tornam alvo comum de críticas, e muitos se sentem livres para julgá‑las como bem entendem.
Muitos ministros fiéis não imaginam quanto se fala contra eles a cada dia. E muitas vezes isso é para o melhor, pois, se soubessem, poderiam ficar profundamente desanimados. Deus repara em tudo o que é dito contra os seus ministros, não só ataques formais, mas também conversas descuidadas entre vizinhos, à noite, junto às paredes e às portas das casas. Se as pessoas zombam ou difamam os servos de Deus nas conversas particulares, Deus as chamará a prestar contas. Seus profetas não serão para sempre “canção de beberrões”.
Esse povo não tinha nenhuma acusação séria para fazer contra o profeta. Apenas gostava de falar dele de maneira leviana, zombeteira, em tom de piada. Diziam, em essência: “Vinde, ouvi qual seja a palavra que procede do Senhor hoje. Quem sabe seja algo novo e interessante”. Isso é grande irreverência. Assuntos sérios devem ser tratados com seriedade. Quando as pessoas conseguem transformar a pregação e a audição da palavra de Deus em motivo de brincadeira, afundaram muito fundo no pecado.
Em segundo lugar, zombavam de Ezequiel fingindo honrá‑lo enquanto compareciam ao seu ministério. Hipócritas zombam de Deus e de seus profetas, mas sua falsidade está completamente exposta diante de Deus. Um dia ela será trazida à luz. Eles tinham uma bela aparência de religiosidade, como aqueles que se aproximam de Deus com a boca e o honram com os lábios, enquanto o coração está longe dele (Mateus 15:8).
Eram assíduos e diligentes em frequentar os meios de graça, isto é, as formas pelas quais Deus transmite ajuda espiritual. Procuravam Ezequiel como o povo costumava ir. Em Babilônia, não tinham templo nem sinagoga, então iam à casa do profeta (Ezequiel 8:1) e provavelmente passavam as luas novas e os sábados em exercícios religiosos (2 Reis 4:23). Quando o profeta estava preso, a palavra do Senhor não estava presa. Como não tinham todos os recursos espirituais que desejavam, deveriam ser gratos pelo que tinham. Para eles, isso era um consolo no cativeiro.
Esses hipócritas vinham com tanta regularidade e pontualidade quanto qualquer outro. A expressão “como o povo costuma vir” sugere que vinham porque os outros vinham. Não eram movidos pela consciência para com Deus, mas pela companhia, pelo costume, pela moda. Alguém pode não ter nenhum amor interior pelas ordenanças de Deus e, mesmo assim, ser muito regular no culto externo. Caim trouxe uma oferta, e Abel também. O fariseu subiu ao templo para orar, assim como o publicano.
Também se comportavam de forma muito correta no culto público. Não cochichavam, não riam, não ficavam olhando ao redor, nem dormiam. Sentavam‑se diante de Ezequiel como povo de Deus, com todos os sinais exteriores de seriedade e calma. Esperavam até o fim, sem demonstrar cansaço, e não pareciam desejar que o sermão terminasse logo.
Além disso, prestavam muita atenção à palavra. Não ficavam distraídos com outros pensamentos. Ouvia-se o que Ezequiel dizia, e eles notavam o conteúdo das suas palavras. Até fingiam grande afeto e respeito pelo profeta. Embora não pudessem falar bem dele pelas costas, mostravam muito amor quando estavam diante dele. Provavelmente se apresentavam como seus melhores amigos e defensores, talvez até aparentando preocupação de que ele se cansasse demais pregando ou se metesse em problemas com os caldeus, os babilônios.
Eles também sentiam prazer verdadeiro na palavra, no sentido de gostar de ouvi‑la. Deleitaram‑se em conhecer os caminhos de Deus (Isaías 58:2). Herodes ouvia João Batista com prazer (Marcos 6:20). Ezequiel era para eles como uma bela canção. Seu tema era impressionante, sua linguagem agradável, suas comparações bem escolhidas, sua voz agradável, sua maneira de falar cativante. Podiam sentar e apreciar sua pregação como alguém aprecia uma peça, uma ópera ou um concerto. Ele era como alguém que tem voz suave e sabe cantar ou tocar bem.
Isso mostra que uma pessoa pode gostar do som e do estilo da palavra de God e, ainda assim, não ser tocada na consciência nem mudada no coração. O ouvido pode se agradar enquanto a natureza pecaminosa permanece intocada.
A hipocrisia de tudo isso era evidente. Eles não tinham amor verdadeiro pela palavra de Deus. Suas palavras gentis vinham apenas da boca, enquanto o coração ia atrás da avareza, isto é, um amor ganancioso ao dinheiro e aos bens. Continuavam tão apegados ao mundo quanto antes. Ouvir a palavra era só um passatempo, algo agradável por uma ou duas horas. A principal preocupação deles ainda era o campo, o negócio, e a mente voltava continuamente para essas coisas.
A avareza destrói muitos que fazem uma profissão séria de religião. O amor ao mundo, pouco a pouco, expulsa o amor de Deus do coração. Os cuidados deste mundo e a fascinação das riquezas são como espinhos que sufocam tanto a semente quanto a alma. Os que ouvem a palavra de Deus enquanto estão ocupados pensando em negócios terrenos não agradam a Deus nem trazem proveito a si mesmos. Deus observa o coração quando isso acontece.
Eles também não davam qualquer obediência real à palavra.
“Ouvem as tuas palavras”, mas apenas te dão atenção de ouvido, porque “não as cumprem” (Ezequiel 33:31). De novo, “não as cumpre” (Ezequiel 33:32). Não se deixavam convencer, por nada do que o profeta dizia, seja por autoridade, seja por argumentos racionais, a abandonar sequer um pecado que amavam, ou a obedecer a qualquer dever que fosse pesado para a carne.
Há muitos que gostam de ouvir a palavra de Deus, mas não se sentem obrigados a obedecê‑la. Assim, constroem sobre a areia e enganam a si mesmos. O simples ouvir não os salvará, se nunca colocarem a palavra em prática.
O que acontecerá no fim? A incredulidade e a negligência deles tornarão a palavra de Deus sem efeito? Não. Deus ainda mostrará que a mensagem do profeta é verdadeira, mesmo que as pessoas zombem dela e a tratem com leviandade (Ezequiel 33:33). O que ele diz se cumprirá, e nem a menor parte falhará. As maldições da lei, ainda que mentes ímpias riam delas, são inevitáveis.
Eles mesmos lamentarão sua insensatez, quando for tarde demais. Quando as coisas anunciadas se cumprirem, saberão, para sua vergonha e perda, que um profeta estivera no meio deles, embora o tenham tratado como se fosse apenas um bom orador. Os que não admitem que Deus lhes enviou um profeta, e que desperdiçam o tempo em que estão sendo advertidos, serão obrigados a se lembrar disso quando as coisas que pertencem à sua paz tiverem sido encobertas de seus olhos.
Chegará o dia em que os mundanos pensarão de modo muito diferente dessas coisas do que pensam agora, e sentirão o peso daquilo que um dia desprezaram. Saberão que um profeta esteve entre eles quando os acontecimentos coincidirem exatamente com as palavras que ouviram, e o próprio profeta se levantará como testemunha contra eles. Ele mostrará que tiveram advertências justas, mas não quiseram ouvi‑las.
Quando Ezequiel se for, aquele de quem agora falam mal, e não houver mais profeta, nem ninguém que lhes diga quanto tempo durará o juízo, então se lembrarão de que um dia tiveram um profeta, mas não o valorizaram. Os que não dão valor às misericórdias de Deus enquanto as possuem serão justamente levados a reconhecer seu valor pela perda delas, como aqueles que desejaram ver um dos dias do Filho do Homem, que antes tinham tratado com leveza, e não puderam mais ver.
Deste capítulo
Ezequiel 33:1
"A palavra do Senhor veio a mim nestes termos:"
Ezequiel 33:2
"“Filho do homem, dirija-se a seus compatriotas e diga-lhes: quando eu erguer a espada contra uma terra, e seus habitantes escolherem um dentre eles para ser sentinela,"
Ezequiel 33:3
"supondo que esse homem, vendo a espada chegar, toque a trombeta para dar o alarme à população,"
Ezequiel 33:4
"todo aquele que escutar o som da trombeta sem lhe dar atenção, e então a espada vier e o fizer perecer, esse homem será responsável pelo que lhe acontecer:"
Ezequiel 33:5
"ele ouviu o som da trombeta e, mesmo assim, não tomou precaução — ele é responsável pelo que lhe acontecer. Mas aquele que levou o alarme em consideração terá salvado a sua vida."
Ezequiel 33:6
"Supondo, ao contrário, que a sentinela veja a espada chegar e não toque a trombeta, de modo que o alarme não seja dado às pessoas e a espada venha tirar a vida de alguém, este certamente perecerá por causa de sua iniquidade, mas eu pedirei contas de seu sangue à sentinela."
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