Versículo em destaque
Ester 5:1 - Significado e aplicação
Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje
Tradução: Bíblia BibleGuided — Português Brasileiro
" Três dias depois, Ester vestiu seus trajes de rainha e se apresentou na câmara interior do palácio, diante do aposento real. O rei estava sentado sobre seu trono real, diante da porta de entrada do palácio. "
Ester 5:1
Versículo no contexto
Entender os versículos ao redor evita interpretações incorretas:
1 Três dias depois, Ester vestiu seus trajes de rainha e se apresentou na câmara interior do palácio, diante do aposento real. O rei estava sentado sobre seu trono real, diante da porta de entrada do palácio.
2 Assim que o rei viu a rainha Ester no átrio, ela conquistou suas boas graças, de modo que ele estendeu o cetro de ouro que tinha na mão. E Ester se aproximou para tocá-lo.
3 O rei lhe disse: “O que você tem, rainha Ester, e o que você quer? Mesmo a metade do meu reino eu daria a você”.
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Aqui vemos a ousada aproximação de Ester ao rei (Ester 5:1). Terminando o tempo do jejum, ela não demorou. Ao terceiro dia, enquanto a marca daquelas orações ainda estava viva em seu espírito, ela foi ao encontro do rei. Quando o coração é alargado na comunhão com Deus, torna-se mais corajoso tanto para agir quanto para sofrer por causa dele.
Alguns entendem que o jejum de três dias significou um dia inteiro e duas noites inteiras, sem qualquer alimento durante todo esse período. Assim, ele é chamado de “três dias” de modo semelhante ao tempo em que Cristo permaneceu no túmulo. Isso é reforçado pelo fato de que a rainha se apresentou no palácio no terceiro dia. Quando há um dever difícil e perigoso a cumprir, deve-se fazê-lo logo, antes que a coragem esfrie e enfraqueça. O que precisa ser feito com ousadia, deve ser feito sem demora.
Ester também se vestiu com seus trajes reais para se apresentar da melhor forma ao rei, deixando de lado as roupas de jejum. Ela se enfeitou, não para agradar a si mesma, mas ao marido. Na sua oração preservada no livro apócrifo de Ester (Ester 14:16), ela diz a Deus que detesta o sinal de sua alta posição sobre a cabeça, quando aparece assim. Aqueles cuja posição exige roupas luxuosas devem aprender com isso a manter o coração desapegado delas, sem fazer da vestimenta o seu orgulho. Ela se colocou no pátio interior, diante dos aposentos do rei, esperando entre a esperança e o temor, pronta para qualquer sentença.
O rei lhe concedeu um acolhimento favorável. Quando a viu, ela alcançou graça diante dele. O escritor apócrifo e Josefo relatam que ela levou duas servas, apoiando-se em uma enquanto a outra conduzia a sua cauda; dizem ainda que seu rosto estava alegre e formoso, embora seu coração estivesse profundamente angustiado. Acrescentam que o rei, a princípio, a olhou com severidade, o que a fez empalidecer e desfalece, inclinando-se sobre a serva; então, segundo eles, Deus mudou o espírito do rei, que se levantou temeroso do trono, tomou-a nos braços até que recobrasse as forças, e a consolou com palavras amáveis. Isso pode ter acontecido, mas a Escritura nos relata apenas o que é mais importante.
Em primeiro lugar, ele a protegeu da lei e lhe garantiu segurança, estendendo o cetro de ouro (Ester 5:2). Ela tocou a ponta do cetro em sinal de gratidão, apresentando-se como uma humilde suplicante. Como Jacó, que prevaleceu com Deus e depois também achou favor diante dos homens, assim Ester agora desfruta de graça diante do rei. Quem estiver disposto a perder a vida por amor a Deus a salvará, ou a encontrará em vida melhor.
Em segundo lugar, o rei a encorajou a falar (Ester 5:3). “Que tens, rainha Ester, e qual é a tua petição?” Ele estava muito longe de tratá-la como culpada; ao contrário, parecia contente em vê-la e desejoso de socorrê-la. O mesmo rei que antes havia rejeitado uma esposa por não vir quando foi chamada, agora não seria severo com outra esposa por vir sem ser chamada. Deus pode inclinar o coração dos homens, até mesmo dos grandes, que parecem não prestar contas a ninguém, exatamente para onde ele quer.
Ester temia morrer, mas recebeu a promessa de obter o que pedisse, ainda que fosse até a metade do reino. A providência de Deus muitas vezes se adianta aos temores de seu povo e lhes concede mais do que esperavam, sobretudo quando se expõem por sua causa. A partir desta história, como nosso Salvador ensina na parábola do juiz iníquo, devemos tomar ânimo para orar sempre e nunca desfalecer (Lucas 18:6-8). Se um rei orgulhoso diz: “Qual é a tua petição? Qual é o teu pedido? Isso te será concedido”, quanto mais Deus ouvirá e atenderá às orações de seu povo escolhido, que clama a ele de dia e de noite.
Ester se apresentou diante de um homem altivo e poderoso; nós nos achegamos ao Deus de amor e graça. Ela não foi chamada, mas nós somos convidados. O Espírito diz: “Vem”, e a esposa diz: “Vem”. Ela tinha uma lei contra si; nós temos muitas promessas a nosso favor, entre elas: “Pedi, e dar-se-vos-á”. Ela não tinha amigo que a introduzisse ou intercedesse por ela, e o favorito do rei era seu inimigo. Nós, porém, temos um advogado junto ao Pai, em quem ele se agrada. Por isso, podemos nos aproximar com confiança do trono da graça.
Em terceiro lugar, tudo o que Ester pediu naquele primeiro momento foi que o rei fosse a um banquete que ela havia preparado para ele, e que levasse junto Hamã, seu inimigo e favorito do rei (Ester 5:4, 5). Assim, ela mostrava ao rei o alto valor que dava ao seu favor e à sua presença. Qualquer outra bênção que desejasse receber dele, acima de tudo, ela queria a boa vontade do rei e estava disposta a tudo para obtê-la.
Ela também testava, dessa forma, os sentimentos dele em relação a ela. Se o rei recusasse um pedido tão simples, seria inútil apresentar um maior. Ester desejava ainda colocá-lo em um clima mais alegre, com o espírito mais ameno, para que ouvisse sua queixa com mais ternura. Ao convidar Hamã, ela agradava o rei, honrando o homem a quem o rei estimava, e ao mesmo tempo garantia a presença daquele que queria acusar. Ela não diria nada de Hamã senão o que estivesse disposta a dizer na sua frente. Esperava que, no banquete, surgisse uma oportunidade melhor e mais justa para apresentar seu pedido. A sabedoria nos ensina a lidar com pessoas difíceis e a nos aproximar delas da maneira correta.
Em quarto lugar, o rei foi prontamente ao banquete e mandou que Hamã também viesse (Ester 5:5). Isso mostrava que ele ainda tinha afeto por Ester. Se realmente tivesse intenção de destruí-la, a ela e ao seu povo, não aceitaria o banquete que ela havia preparado. Ali, o rei repetiu a mesma pergunta afetuosa: “Qual é a tua petição?” e a mesma promessa generosa de atendê-la, até a metade do reino (Ester 5:6). Era uma expressão comum, pela qual ele queria dizer que não lhe negaria nada que fosse razoável. Herodes usou palavras parecidas (Marcos 6:23).
Em quinto lugar, Ester decidiu então apenas pedir que o rei aceitasse um segundo banquete no dia seguinte, em seus próprios aposentos, novamente com a presença de Hamã (Ester 5:7, 8). Ela disse que, então, revelaria a sua causa. Essa demora em apresentar o principal pedido pode ser entendida como prudência. Ela desejava conquistar ainda mais o favor do rei e tornar-se mais bem-vinda a ele. Talvez sua coragem tenha vacilado no instante de formular o pedido, e ela quisesse mais tempo para orar, pedindo a Deus as palavras certas e sabedoria.
Pode ser também que ela soubesse que essa demora seria bem recebida como sinal de profundo respeito pelo rei, evitando parecer que o pressionava demais. O que é pedido com demasiada pressa muitas vezes é recusado com a mesma rapidez; o que é pedido depois de uma pausa costuma receber mais atenção. Nisso também vemos a providência de Deus agindo em seu coração, levando-a a esperar um dia a mais, embora ela mesma não soubesse o motivo. Deus, porém, sabia que o que aconteceria naquela noite favoreceria seu plano, elevaria Hamã ao auge de seu ódio contra Mardoqueu e prepararia o caminho para a queda de Hamã.
É provável que alguns judeus tenham acusado Ester de agir devagar demais, e que alguns até tenham começado a duvidar de sua sinceridade ou, pelo menos, de seu zelo. Mas o desenrolar dos fatos mostrou que estavam enganados, e, ao final, tudo contribuiu para o melhor.
Deste capítulo
Ester 5:2
"Assim que o rei viu a rainha Ester no átrio, ela conquistou suas boas graças, de modo que ele estendeu o cetro de ouro que tinha na mão. E Ester se aproximou para tocá-lo."
Ester 5:3
"O rei lhe disse: “O que você tem, rainha Ester, e o que você quer? Mesmo a metade do meu reino eu daria a você”."
Ester 5:4
"“Se parecer bem ao rei – respondeu ela –, venha hoje com Amã ao banquete que lhe preparo.”"
Ester 5:5
"Então o rei disse: “Apressem-se em fazer Amã vir para atender ao desejo de Ester”. O rei foi, pois, com Amã ao banquete que Ester tinha preparado."
Ester 5:6
"Enquanto se bebia o vinho, o rei disse à rainha: “Peça-me o que quiser, e será concedido a você! O que você deseja? Mesmo que fosse a metade do meu reino, você a receberia”."
Ester 5:7
"“Eis – respondeu – meu pedido e meu desejo:"
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