Versículo em destaque
Ester 3:1 - Significado e aplicação
Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje
Tradução: Bíblia BibleGuided — Português Brasileiro
" Depois desses acontecimentos, o rei Assuero elevou em dignidade Amã, filho de Amadates, o agagita, e lhe deu um lugar acima de todos os grandes que o rodeavam. "
Ester 3:1
Versículo no contexto
Entender os versículos ao redor evita interpretações incorretas:
1 Depois desses acontecimentos, o rei Assuero elevou em dignidade Amã, filho de Amadates, o agagita, e lhe deu um lugar acima de todos os grandes que o rodeavam.
2 Todos os servos do rei que estavam a serviço de sua porta dobravam os joelhos e se prostravam diante de Amã, por ordem expressa do rei. Mardoqueu, porém, não queria nem dobrar os joelhos nem se prostrar.
3 “Por que você desobedece assim à ordem do rei?”, diziam-lhe os servos que estavam à porta real.
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Aqui vemos Hamã sendo promovido pelo rei e depois honrado pelo povo. Assuero havia recentemente acolhido Ester em seu favor, mas isso não trouxe proteção imediata para os parentes dela. Nem sequer o impediu de exaltar um homem que era inimigo do povo dela. Quando pessoas justas sobem ao poder, muitas vezes descobrem que não conseguem fazer todo o bem que desejam, nem impedir todo o mal que gostariam de barrar.
Hamã era agagita, isto é, amalequita, ou pelo menos descendente de Agague, nome ligado aos governantes de Amaleque. Alguns entendem que ele era príncipe de nascimento, como Joaquim, cujo trono foi colocado acima dos outros reis cativos (2 Reis 25:28). O rei simpatizou com ele, e reis não precisam explicar por que favorecem alguém. Fez de Hamã seu favorito, seu conselheiro de confiança e principal ministro. Tamanho era o poder do favor da corte naquele tempo, que todo o povo se inclinava diante desse “sol nascente”, e os servos do rei receberam ordem de se prostrar e reverenciá‑lo (Ester 3:2).
É difícil enxergar o que o rei viu em Hamã de tão admirável ou merecedor. Ele não era homem de honra nem de justiça, e não demonstrava coragem firme nem juízo sábio. Era orgulhoso, irritadiço e ávido por vingança. Mesmo assim foi promovido, bajulado e colocado acima de todos no reino. Os favoritos de um governante nem sempre são homens dignos.
Mardoqueu manteve‑se firme em seus princípios e recusou‑se a honrar Hamã como os demais servos faziam (Ester 3:2). Seus amigos insistiram para que ele cedesse, lembrando‑o da ordem do rei e do perigo que corria se desobedecesse. Como Hamã era tão arrogante, a vida de Mardoqueu estava de fato em risco (Ester 3:3). Falaram com ele todos os dias (Ester 3:4), tentando convencê‑lo, mas ele não deu ouvidos. Declarou abertamente que era judeu e que, em consciência, não podia agir assim.
Provavelmente muitos interpretaram sua recusa da pior forma possível. Alguns diriam que era orgulho ou inveja, que ele não queria honrar Hamã porque não havia sido promovido, apesar de sua ligação com Ester. Outros talvez o julgassem desleal ao rei, ou apenas alguém difícil e “complicado”. Ninguém mais parece ter se oposto, mas ainda assim a recusa de Mardoqueu foi piedosa, prudente e agradável a Deus.
A fé de um judeu não lhe permitia prestar honra tão extrema a um simples homem, especialmente a um homem perverso como Hamã. Nos acréscimos apócrifos deste livro, Mardoqueu fala com Deus sobre isso e, em essência, diz que não recusou por orgulho, mas para não colocar a glória humana acima da glória de Deus. Afirma que não adoraria ninguém além de Deus. Além disso, via como errado demonstrar tanta honra a um amalequita, povo contra o qual Deus declarou que pelejaria para sempre (Êxodo 17:16) e acerca do qual havia dado a advertência: “Lembra‑te do que te fez Amaleque” (Deuteronômio 25:17). A verdadeira religião não destrói a boa educação; ela nos ensina a dar honra a quem honra é devida. Mesmo assim, o cidadão de Sião trata com desprezo, e não com respeito, o homem vil como Hamã (Salmo 15:4).
Que aqueles que vivem segundo a consciência permaneçam firmes e constantes, mesmo quando são acusados ou ameaçados, como aconteceu com Mardoqueu.
Hamã então começou a planejar vingança. Alguns, querendo ganhar seu favor, apontaram a falta de respeito de Mardoqueu, para ver se Hamã cederia ou destruiria o opositor (Ester 3:4). Depois o próprio Hamã percebeu a recusa e encheu‑se de furor (Ester 3:5). Um homem manso e humilde teria ignorado o desdém, dizendo algo como: “Deixem‑no, isso não me causa dano algum”. Mas o espírito orgulhoso de Hamã explodiu. Ficou inquieto e enfurecido, e todos à sua volta sentiram o peso de sua ira.
Logo se decidiu que Mardoqueu deveria morrer. O homem que não se curvou a Hamã deveria perder a cabeça. Se Hamã não podia ter a honra que desejava, teria sangue. Naquela corte, recusar‑se a honrar Hamã passou a ser tratado como crime de morte, assim como a recusa em adorar a estátua de ouro de Nabucodonosor fora considerada. Mardoqueu era um homem importante, que ocupava lugar de honra, e ainda era primo da rainha Ester. Mesmo assim, Hamã considerou sua vida como nada diante do insulto que julgava ter sofrido.
Por isso ele planejou destruir todo o povo de Mardoqueu, porque este era judeu, e essa foi a razão que deu para não se prostrar. Isso revela o orgulho insuportável de Hamã, sua crueldade implacável e o antigo ódio de um amalequita contra o povo de Deus. Saul, filho de Quis, benjamita, havia poupado Agague; mas Mardoqueu, filho de Quis, também benjamita (Ester 2:5), não encontraria misericórdia neste agagita. Hamã pretendeu exterminar todos os judeus em todo o reino de Assuero (Ester 3:6). Isso provavelmente incluía até os que tinham voltado para sua própria terra, pois ainda estavam sob o domínio do rei. “Venham, apaguemo‑los para que não sejam nação” (Salmo 83:4). Seu desejo era semelhante à crueldade atribuída a Nero, que, se pudesse, teria colocado todos sob um único golpe.
Deste capítulo
Ester 3:2
"Todos os servos do rei que estavam a serviço de sua porta dobravam os joelhos e se prostravam diante de Amã, por ordem expressa do rei. Mardoqueu, porém, não queria nem dobrar os joelhos nem se prostrar."
Ester 3:3
"“Por que você desobedece assim à ordem do rei?”, diziam-lhe os servos que estavam à porta real."
Ester 3:4
"Como lhe repetiam isso todos os dias, sem que ele lhes desse atenção, denunciaram-no a Amã, para ver se Mardoqueu persistiria em sua resolução, pois ele lhes havia dito que era judeu."
Ester 3:5
"Amã viu que Mardoqueu não queria nem se inclinar nem se prostrar diante dele, e isso o deixou furioso."
Ester 3:6
"Mas considerou pouco vingar-se somente de Mardoqueu, cuja raça conhecia, e procurou um meio de exterminar a nação de Mardoqueu, todos os judeus do reino de Assuero."
Ester 3:7
"No primeiro mês, chamado Nisã, do ano doze de Assuero, foi lançado o “Pur”, isto é, a sorte, diante de Amã, para cada dia e para cada mês, até o duodécimo mês, que é Adar."
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