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Eclesiastes 3:1 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje

Tradução: Bíblia BibleGuided — Português Brasileiro

" Para tudo há um tempo; para cada coisa há um momento debaixo do céu: "

Eclesiastes 3:1

menu_book Versículo no contexto

1 Para tudo há um tempo; para cada coisa há um momento debaixo do céu:

2 tempo de nascer e tempo de morrer; tempo de plantar e tempo de arrancar o que foi plantado.

3 Tempo de matar e tempo de curar; tempo de demolir e tempo de construir.

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auto_stories Comentário Bible Guided

Esses versículos mostram, em primeiro lugar, que vivemos em um mundo cheio de mudanças. Os acontecimentos do tempo e as condições da vida humana são muito diferentes uns dos outros, mas vêm e vão sem uma ordem fixa que possamos controlar. A vida passa constantemente de um estado a outro, como o giro de uma roda (Tiago 3:6). Há sempre um subir e um descer, um crescer e um murchar. A forma deste mundo está sempre mudando, e sempre foi assim.

Em segundo lugar, eles mostram que toda mudança em nossa vida, juntamente com o tempo apropriado para ela, está firmemente determinada por um poder superior. Devemos aceitar as coisas à medida que vêm, porque não podemos mudar o que foi designado para nós. Isso deve nos guardar de sermos orgulhosos nos tempos de bonança, como se o amanhã tivesse de ser igual ao hoje. Mas também deve nos manter firmes e tranquilos, para que desfrutemos o bem do nosso trabalho em humilde confiança no cuidado de Deus, como ele já havia aconselhado (Eclesiastes 2:24). Não devemos ser erguidos demais pela esperança nem esmagados pelo medo, mas aguardar cada acontecimento com um coração equilibrado.

Aqui o escritor apresenta uma declaração geral: tudo tem o seu tempo determinado, há uma estação para cada coisa (Eclesiastes 3:1). Coisas que parecem opostas entre si têm, cada uma, a sua vez nas mudanças da vida. O dia dá lugar à noite, e a noite volta a dar lugar ao dia. O verão se torna inverno, e o inverno volta a se tornar verão. Todo propósito tem o seu tempo. O céu mais límpido pode se encobrir, e a tristeza pode vir depois da alegria. E, por outro lado, o céu mais escuro pode se abrir, e o sol pode romper por entre as nuvens.

O que nos parece algo ao acaso, na sabedoria e na presciência de Deus, está exatamente determinado. A própria hora de cada acontecimento está marcada, e não pode ser adiantada nem atrasada nem um momento sequer. O escritor prova isso listando muitos tipos de mudança, vinte e oito ao todo, correspondendo ao ciclo da lua em suas fases de crescimento e diminuição. Algumas dessas mudanças vêm diretamente da mão de Deus, e outras dependem mais da escolha humana, mas todas são governadas pelo seu conselho. Tudo o que está debaixo do céu muda, mas no céu há um estado que não muda e um propósito imutável a respeito de todas essas coisas.

Há tempo de nascer e tempo de morrer. Esses tempos são fixados pelo conselho de Deus, e, assim como nascemos, também devemos morrer no tempo determinado (Atos 17:26). Alguns observam que o texto menciona tempo de nascer e tempo de morrer, mas não fala de tempo de viver, porque a vida é tão breve que mal precisaria ser mencionada. Assim que nascemos, começamos a morrer. Mas, tão certo quanto há um tempo de nascer e um tempo de morrer, também haverá um tempo de ressuscitar, um tempo estabelecido em que aqueles que agora jazem no pó serão lembrados (Jó 14:13).

Há tempo de Deus plantar uma nação, como ele plantou Israel em Canaã. Para lhes abrir caminho, ele também precisou arrancar as sete nações que ali estavam. Mais tarde, chegou o tempo em que Deus falou também acerca de Israel, para arrancar e destruir, quando o pecado deles havia se enchido (Jeremias 18:7, Jeremias 18:9). Há também tempo para as pessoas plantarem, uma estação do ano e um tempo da vida. Mas, quando o que foi plantado se torna infrutífero e inútil, chega o tempo de arrancar.

Há tempo de matar, quando os juízos de Deus estão na terra e tudo é devastado. Mas, quando ele volta em misericórdia, então há tempo de curar o que ele despedaçou (Oséias 6:1, Oséias 6:2), de consolar um povo depois de tê-lo afligido (Salmo 90:15). Da mesma forma, governantes às vezes precisam de medidas severas, mas também há um tempo em que devem escolher um caminho mais brando e usar remédios que curem, e não durezas que agravem.

Há tempo de derribar uma família, um patrimônio ou um reino, quando se tornaram maduros para a ruína. Mas, se o povo se volta e se arrepende, Deus encontrará tempo de edificar de novo o que ele havia derribado. Há um tempo determinado para o Senhor edificar a Sião (Salmo 102:13, Salmo 102:16). Também há tempo em que as pessoas fecham uma casa, encerram um negócio, derrubam o que foi construído, e aqueles que estão ocupados em edificar precisam estar preparados para isso também.

Há tempo de chorar e de prantear, quando a providência de Deus chama para isso, e pessoas sábias e piedosas atenderão a esse chamado. Isso é apropriado em tempos de aflição e perigo compartilhados, quando rir e festejar seria insensatez (Isaías 22:12, Isaías 22:13; Ezequiel 21:10). Mas também há tempo em que Deus chama à alegria, tempo de rir e de dançar, e então ele espera que o sirvamos com alegria e com bondade de coração. O tempo de pranto é mencionado primeiro porque é preciso semear com lágrimas antes de colher com alegria.

Há tempo de espalhar pedras, ao derrubar muros e fortificações, quando Deus concede paz à terra e tais defesas não são mais necessárias. Mas também há tempo de ajuntar pedras, para construir lugares fortes (Eclesiastes 3:5). Torres podem cair, como a torre de Siloé (Lucas 13:4), e até mesmo o templo pode ser arruinado de tal forma que não fique pedra sobre pedra. Contudo, também chega o tempo em que torres e monumentos são erguidos quando uma nação prospera.

Há tempo de abraçar o amigo quando o achamos fiel, mas também tempo de afastar-se de abraçar, quando o encontramos injusto ou infiel e temos motivos para desconfiar dele. Então a prudência nos chama a manter certa distância. Isso é frequentemente aplicado à vida conjugal, e explicado pelo ensino de Paulo sobre os deveres do casamento (1 Coríntios 7:3-5) e pelo chamado de Joel a uma santa reunião e a certa abstinência (Joel 2:16).

Há tempo de buscar, de ganhar dinheiro, de obter promoção, de fazer bons negócios e de conquistar influência, quando as oportunidades estão abertas. Essa é uma estação em que a pessoa sábia procura aquilo de que precisa. Quando alguém está começando a vida, tem uma família em crescimento, está no vigor dos anos e o trabalho vai bem, então é tempo de se empenhar e aproveitar ao máximo essa fase. Também há tempo de adquirir sabedoria, conhecimento e graça, quando a pessoa encontra real oportunidade para isso. Mas, depois, deve esperar um tempo de gastar, quando tudo o que tem mal será suficiente para suprir as necessidades. E, além disso, virá um tempo de perder, quando o que foi rapidamente ganho será rapidamente espalhado e não poderá ser retido.

Há tempo de rasgar roupas, como em profunda dor, e tempo de cosê-las de novo, como sinal de que o luto terminou. Há tempo de desfazer o que fizemos e tempo de tornar a fazer o que desfizemos. Jerônimo aplica isso ao desfazer da igreja judaica e à edificação da igreja do evangelho em seu lugar.

Há ainda tempo em que é sábio, e nosso dever, calar, quando o tempo é mau (Amós 5:13), quando falar seria como lançar pérolas aos porcos, ou quando corremos o risco de falar de forma errada (Salmo 39:2). Mas também há tempo de falar para a honra de Deus e para o bem do próximo, quando o silêncio significaria abandonar uma causa justa, e quando é necessário confessar com a boca para ser salvo. Grande parte da sabedoria cristã está em saber quando falar e quando ficar calado.

Há tempo de amar e demonstrar amizade, de ser aberto e amável, e esse é um tempo agradável. Mas também pode haver tempo de odiar, quando é preciso romper uma amizade íntima com pessoas de quem antes gostávamos, e manter alguma distância porque encontramos motivo para suspeita, ainda que o amor seja tardio em aceitar isso.

Há tempo de guerra, quando Deus tira a espada em juízo e a deixa cumprir a sua obra, e quando os governantes empunham a espada para punir o mal e proteger o que é certo. Há também tempo de paz, quando o Senhor recolhe a espada e faz cessar as guerras (Salmo 46:9), quando o objetivo da guerra foi alcançado e quando, de todos os lados, as pessoas estão dispostas a viver em paz. A guerra não durará para sempre, e nenhuma paz neste mundo pode ser chamada de permanente. Em todas essas mudanças, Deus pôs uma coisa em contraste com a outra, para que nos alegremos como se não nos alegrássemos totalmente, e choremos como se não chorássemos totalmente.

Das verdades apresentadas, tiram-se lições. Se nossa vida presente está sujeita a tantas mudanças, então não devemos esperar nela a nossa porção plena e duradoura, pois seus bens são incertos e não permanecem (Eclesiastes 3:9). Que proveito tem aquele que trabalha? O que alguém pode prometer a si mesmo ao plantar e edificar, se o que parece concluído logo pode, e certamente será, derrubado e desfeito? Todo o nosso esforço e cuidado não podem mudar nem a natureza mutável dessas coisas nem o propósito imutável de Deus a respeito delas.

Devemos então nos ver como estando à prova nesta vida. De fato, não há proveito duradouro na obra que fazemos aqui. A própria coisa, uma vez que a alcançamos, pouco bem poderá nos fazer. Mas se usarmos corretamente a forma como Deus ordena os acontecimentos, nisso haverá proveito (Eclesiastes 3:10). Tenho visto o fardo que Deus pôs sobre os filhos dos homens, não para fazê-los felizes por meio dele, mas para exercitá-los nele. Ele usa as mudanças dos acontecimentos para treinar diferentes graças, para provar a confiança que têm nele em cada virada da vida, e para ensiná-los tanto a viver na escassez como a viver na abundância (Filipenses 4:12).

Há muito trabalho e muito sofrimento entre as pessoas. Fadiga e tristeza enchem o mundo. Esse trabalho e esse sofrimento são parte daquilo que Deus nos designou. Ele nunca pretendeu que este mundo fosse o nosso descanso, e por isso não nos destinou a viver acomodados aqui.

Para muitos, esse trabalho se torna um presente. Deus o concede às pessoas como um médico administra um remédio ao paciente, para o seu bem. Esse peso é dado para nos fazer cansar do mundo e desejar o descanso que ainda há de vir. É dado também para que permaneçamos ativos e sempre tenhamos algo a fazer, pois ninguém foi enviado ao mundo para viver na ociosidade. Cada mudança de tempo traz uma nova tarefa, e devemos nos preocupar mais em cumprir esse dever do que em controlar o resultado das coisas.

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