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Deuteronômio 33:26 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje

Tradução: Bíblia BibleGuided — Português Brasileiro

" Ninguém é como o Deus de Jesurun, "

Deuteronômio 33:26

menu_book Versículo no contexto

24 Para Aser, disse: ‘Bendito seja Aser entre todos os filhos! Que seja o favorito de seus irmãos e mergulhe os pés no óleo.

25 Seus ferrolhos serão de ferro e bronze, e sua segurança durará por toda a sua existência.

26 Ninguém é como o Deus de Jesurun,

27 o Deus dos tempos antigos, que é o seu refúgio, e cujo apoio são os seus braços eternos, que, para socorrê-lo, cavalga o céu e as nuvens majestosamente. Ele expulsa o inimigo de diante de você e lhe diz: Extermine!

28 Israel habita em segurança; a fonte de Jacó corre, na solidão, em uma terra de trigo e de vinho; o céu lhe destila o orvalho.

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auto_stories Comentário Bible Guided

Estas são as últimas palavras que Moisés, esse grande escritor e líder, escreveu ou mandou escrever. São palavras muito importantes, das quais devemos aprender muito. Moisés, o homem de Deus, que conhecia a Deus e a Israel tanto quanto qualquer ser humano poderia conhecer, gasta o último fôlego louvando o Deus de Israel e o Israel de Deus. Aos olhos dele, ambos são incomparáveis, e seu juízo se manteve claro até o fim.

Não há Deus como o Deus de Israel. Nenhum dos deuses das nações podia fazer por seus adoradores o que o Senhor fez por seu povo. Por isso Moisés diz: “Não há outro, ó Jesurum, semelhante a Deus” (Deuteronômio 33:26). Jesurum é um nome dado a Israel, e significa o povo reto de Deus. Quando buscamos que Deus nos abençoe, fazendo-nos bem, devemos bendizê-lo, falando bem dele. Uma das maneiras mais solenes de louvar a Deus é afirmar que ninguém é como ele.

Esse era o privilégio de Israel. Cada nação se gloriava no seu deus, mas nenhuma tinha um Deus de quem pudesse se gloriar como Israel tinha. Era também a grande felicidade deles terem sido trazidos a uma aliança, um relacionamento obrigatório, com um Deus assim. Moisés destaca dois pontos que mostram claramente a superioridade do Deus de Jesurum sobre todos os outros deuses.

Primeiro, seu poder e autoridade soberanos. Ele cavalga sobre os céus, e com sua majestade sobre as mais altas nuvens. Isso quer dizer que ele manifesta sua grandeza e glória acima do mundo e usa as forças dos céus, as nuvens e tudo o que elas produzem, para executar seus propósitos neste mundo aqui embaixo. Ele dirige tudo isso como um homem dirige o cavalo em que cavalga. Quando há algo a fazer por seu povo, ele “cavalga sobre os céus” para fazer, com rapidez e força. Nenhum inimigo pode chegar na frente dele nem barrar o seu caminho.

Segundo, sua eternidade infinita. Ele é o Deus eterno, e seus braços são eternos (Deuteronômio 33:27). Os deuses das nações eram invenções recentes e logo desapareceriam. Mas o Deus de Jesurum é eterno. Ele existia antes de todos os séculos e permanecerá quando o próprio tempo tiver chegado ao fim (Habacuque 1:12).

Também não há povo como o Israel de Deus. Moisés já havia chamado cada tribo de feliz, e aqui, no final, declara todos felizes em conjunto. São tão abençoados em todos os aspectos que nenhuma nação debaixo do sol pode ser comparada a eles (Deuteronômio 33:29). “Bem-aventurado és tu, ó Israel; quem é como tu?” A verdadeira felicidade deles é que o Senhor é o seu Deus. Se Israel honrar a Deus como um Deus sem igual, ele os favorecerá e fará deles um povo sem igual, inveja dos vizinhos e alegria de todos os que os amam.

“Quem é como tu, ó povo?” Cristo fala assim de sua noiva: “Eis que tu és formosa, amiga minha”; e ela responde: “Eis que tu és formoso, amado meu.” Que outra nação, sim, nem mesmo todas as nações juntas, é como o teu povo Israel? (2 Samuel 7:23). O que se diz aqui sobre a igreja de Israel e suas honras e privilégios pertence também à igreja dos primogênitos, cujos nomes estão escritos nos céus. A igreja cristã é o Israel de Deus, como o apóstolo a chama (Gálatas 6:16). A paz pertence a ela, e ela é honrada acima de todas as sociedades do mundo, assim como Israel foi.

Nunca houve um povo tão bem instalado e abrigado. “O Deus eterno é o teu refúgio” (Deuteronômio 33:27). A palavra também pode significar “tua habitação”, um lar onde se está seguro, estabelecido e em descanso. Todo verdadeiro israelita tem em Deus a sua casa. A alma volta para ele e nele descansa como seu refúgio (Salmo 116:7), seu esconderijo (Salmo 32:7). Os que fazem dele a sua habitação desfrutarão de todo o conforto e proveito de morar nele (Salmo 91:1). Moisés já havia considerado Deus como a casa de Israel ainda no deserto: “Senhor, tu tens sido o nosso refúgio de geração em geração” (Salmo 90:1). Mesmo ao entrarem em Canaã, não deviam mudar de habitação. Ainda precisariam do Deus eterno, e ainda o teriam. Sem ele, a própria Canaã se tornaria um deserto e uma terra de trevas.

Nunca houve um povo tão bem sustentado. “Por baixo de ti estendem-se os braços eternos” (Deuteronômio 33:27). Isso significa que o poder onipotente de Deus está empenhado em proteger e consolar todos os que nele confiam, especialmente em suas aflições mais duras e seus fardos mais pesados. Esses braços eternos sustentam a igreja como um todo, para que não afunde nem seja esmagada. Debaixo da igreja está aquela rocha eterna sobre a qual ela é edificada, e as portas do inferno jamais prevalecerão contra ela (Mateus 16:18). Os mesmos braços sustentam cada crente, de modo que, embora possam ser oprimidos, não serão arrasados. Por mais baixo que o povo de Deus seja abatido, os braços eternos estão debaixo, impedindo que seu espírito desfaleça, que sua coragem se acabe e que sua fé venha a falhar, mesmo quando são afligidos acima de suas forças. A aliança eterna e a consolação eterna que dela fluem são verdadeiramente braços eternos. Por eles, os crentes têm sido maravilhosamente sustentados e mantidos animados nos piores tempos. A graça de Deus lhes basta (2 Coríntios 12:9).

Nunca houve um povo tão bem comandado e conduzido à batalha. “Ele lançará o inimigo diante de ti”, por seu poder onipotente, que abrirá espaço para o povo, e por sua ordem, que o apoiará: “Destrói-os.” Israel estava prestes a entrar numa terra completamente ocupada por um povo forte e perigoso, que se considerava dono legítimo por ali ter se estabelecido primeiro. Como poderia Israel, então, expulsá-los com justiça e sucesso? Deus daria a eles uma comissão para destruir os cananeus, e isso os justificaria diante do mundo. Como Senhor soberano de toda vida e de toda terra, ele não apenas permitiu, mas claramente ordenou e determinou que Israel tomasse Canaã e passasse a fio de espada seu povo. Autorizados por ele, podiam fazer isso de modo justo e honroso, sem qualquer acusação de roubo pela terra nem de homicídio pelos golpes. Deus também lhes daria força para realizar isso. Na prática, ele o faria por eles. Ele expulsaria o inimigo diante deles, pois até o pavor de Israel os poria em fuga. Deus expulsou as nações para plantar o seu povo (Salmo 44:2). Da mesma forma, os crentes são mais que vencedores sobre seus inimigos espirituais por meio de Cristo que os amou. O Capitão da nossa salvação expulsou o inimigo diante de nós quando venceu o mundo e despojou principados e potestades na cruz. Sua ordem para nós é: “Destrói-os.” Segue a vitória, e repartirás o despojo.

Nunca houve um povo tão bem seguro e protegido. Israel então habitaria em segurança, só.

Os que habitam em Deus e fazem do seu nome a sua torre forte moram em segurança. Seu lugar de defesa é a fortaleza das rochas (Isaías 33:16). Eles “habitarão sós confiados”. Isso significa, em primeiro lugar, que estarão seguros mesmo quando estiverem sozinhos. Não precisam de alianças com as nações vizinhas, nem têm motivo para esperar auxílio delas, e ainda assim viverão seguros. Estão de fato seguros, e sabem que estão.

Também significa que estão seguros por estarem “sós”, no sentido de separados. Enquanto permanecessem puros e não se misturassem com as nações ao redor, conservavam-se como povo especial e distinto. Essa diferença em relação às outras nações fazia com que se destacassem como uma ave de várias cores (Jeremias 12:9), o que atraía a antipatia dos vizinhos. No entanto, essa mesma diferença os protegia do mal que os vizinhos desejavam fazer, porque os mantinha sob o cuidado de Deus. Todos os que permanecem perto de Deus serão por ele guardados em segurança. No reino de Cristo está prometido que Israel habitará seguro (Jeremias 23:6).

Nunca houve um povo tão bem provido. “A fonte de Jacó”, isto é, a geração presente desse povo, da qual viriam as gerações futuras, seria posta em boa terra. O “olho de Jacó”, pois a mesma palavra pode significar fonte e olho, estava voltado para uma terra de cereal e de vinho. Enquanto estavam acampados onde se achavam, Canaã estava bem diante deles, do outro lado do rio, e logo estaria em suas mãos e debaixo de seus pés. A terra para a qual olhavam era abençoada com solo fértil e com o orvalho do céu. Era uma terra de cereal e de vinho, os frutos de que as pessoas realmente precisam. Até os céus, por cima, derramariam orvalho sobre ela, pois sem esse orvalho, até a boa terra logo falharia. Todo verdadeiro israelita mantém o olhar da fé voltado para uma pátria superior, a Canaã celestial, cheia de bens melhores do que cereal e vinho.

Nunca houve um povo tão bem ajudado. Quando estavam em aperto, o próprio Deus “cavalgava sobre os céus” para socorrê-los (Deuteronômio 33:26). Eles eram um povo salvo pelo Senhor (Deuteronômio 33:29). Se se viam em perigo ou lhes faltava qualquer bem, tinham um Deus eterno a quem recorrer e um poder onipotente em quem confiar. Nada poderia, em última análise, prejudicar aqueles a quem Deus ajudava, e era impossível que o povo salvo pelo Senhor viesse a perecer. Os que são acrescentados a Israel do evangelho são os que haverão de ser salvos (Atos 2:47).

Nunca houve um povo tão bem armado. O próprio Deus era o escudo da sua ajuda; assim, ele os armava para a defesa e os protegia de todo agressor. Ele também era a espada da sua excelência; assim, os armava para o ataque e os tornava fortes e vitoriosos na batalha. Deus é chamado de espada da excelência deles porque, lutando por eles, os fazia maiores do que os demais povos. Ou pode significar que, em tudo o que fazia por eles, mantinha o olhar voltado para o seu santuário no meio deles, chamado de a excelência de Jacó (Salmo 47:4; Ezequiel 24:21; Amós 6:8). Aqueles em cujo coração a santidade é a verdadeira glória têm o próprio Deus como escudo e espada. Eles estão defendidos com toda a armadura de Deus. Sua palavra é a espada, e a fé nessa palavra é o escudo (Efésios 6:16, 17).

Nunca houve um povo tão seguro da vitória sobre os seus inimigos. Seus inimigos seriam achados mentirosos para com eles; isto é, acabariam tendo de se sujeitar, ainda que contra a vontade, de modo que a rendição seria apenas fingida. Mesmo assim, a vitória seria real, pois Israel pisaria sobre o pescoço deles, como diz a tradução grega antiga, e como se vê em Josué 10:24. Eles pisariam suas fortalezas, por mais altas que fossem, e humilhariam seus palácios e templos, ainda que estes fossem tidos como sagrados. Se seus inimigos fossem achados mentirosos para com eles, então eles pisariam sobre os altos destes. Se os inimigos não pudessem ser contidos por pactos e alianças, seriam quebrados pela força da guerra. Assim o Deus de paz esmagará Satanás debaixo dos pés de todos os crentes, e o fará em breve (Romanos 16:20).

Reunindo tudo isso, só se pode dizer: “Bem-aventurado és tu, ó Israel! Quem é como tu, um povo assim?” Verdadeiramente felizes são o povo cujo Deus é o Senhor.

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