Versículo em destaque
Deuteronômio 23:15 - Significado e aplicação
Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje
Tradução: Bíblia BibleGuided — Português Brasileiro
" Porque o Senhor, seu Deus, anda pelo meio do acampamento para proteger você e livrá-lo dos seus inimigos; o seu acampamento deverá ser santo; não aconteça que, à vista de alguma coisa chocante, o Senhor se afaste de você. "
Deuteronômio 23:15
Versículo no contexto
Entender os versículos ao redor evita interpretações incorretas:
13 Haverá, fora do acampamento, um lugar retirado para onde você poderá ir.
14 Você terá consigo, entre suas bagagens, uma pá, da qual se servirá para abrir um buraco quando se afastar e, ao partir, cobrirá com terra os seus excrementos.
15 Porque o Senhor, seu Deus, anda pelo meio do acampamento para proteger você e livrá-lo dos seus inimigos; o seu acampamento deverá ser santo; não aconteça que, à vista de alguma coisa chocante, o Senhor se afaste de você.
16 Você não entregará ao senhor dele o escravo fugitivo que se refugiar em sua casa.
17 Ele ficará com você, em sua terra, no lugar que tiver escolhido em uma de suas cidades, onde lhe parecer melhor, e você não o molestará.
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Aqui são dadas orientações acerca de cinco assuntos que, em si mesmos, não têm ligação direta uns com os outros.
A terra de Israel é tratada como um lugar de abrigo para servos maltratados por seus senhores, que fugissem de países vizinhos em busca de segurança ali (Deuteronômio 23:15-16). Não se deve pensar que isso significasse acolher todo servo fugitivo apenas porque fugiu de seu trabalho. Israel não precisava encher-se de fugitivos por esse motivo. Mas não deviam entregar um servo amedrontado a um senhor irado até que, após cuidadosa investigação, ficasse claro que o servo realmente havia prejudicado o seu senhor e merecia o castigo.
É algo nobre proteger o fraco, enquanto ele não for uma pessoa perversa. Deus permite que seu povo ampare os oprimidos. O anjo mandou Agar voltar para sua senhora, e Paulo enviou Onésimo de volta a Filemom, porque nenhum dos dois tinha motivo justo para fugir, nem corria risco voltando. Mas o servo aqui é alguém que foge para salvar a vida, buscando refúgio entre o povo de Deus porque ouviu dizer que eles são misericordiosos, como Ben-Hadade ouvira falar dos reis de Israel (1 Reis 20:31). Entregar um homem assim seria como lançar um cordeiro na boca de um leão.
Se ficasse evidente que o servo havia sido abusado, não deviam apenas protegê-lo, mas, se ele quisesse unir-se à fé deles, também deviam ajudá‑lo a se estabelecer entre o povo. Ele deveria ter liberdade para escolher onde morar, onde lhe fosse mais conveniente, e não voltar a ser oprimido. Assim, logo perceberia a diferença entre a terra de Israel e outras terras e a escolheria como sua habitação permanente. Novos convertidos e pessoas que buscam a verdade devem ser tratados com especial bondade, para que não encontrem motivo para voltar atrás.
Por outro lado, a terra de Israel não devia ser refúgio para o pecado sexual. Não se devia permitir que nenhuma prostituta, nem homem entregue a esse tipo de impureza, vivesse entre eles. Não devia haver casas de impureza, mantidas por homens ou mulheres. Uma razão está claramente subentendida: eles eram israelitas. Esse nome tinha peso. Para uma filha de Israel tornar‑se prostituta, ou um filho de Israel tornar‑se rufião, explorador ou devasso, seria desonra para a família de onde vinha, para o povo a que pertencia e para o Deus a quem prestava culto. É algo mau em qualquer pessoa, mas especialmente vergonhoso em Israel, um povo santo (2 Samuel 13:12).
Além disso, um sinal da ira de Deus é colocado sobre esse pecado. O dinheiro ganho pela prostituta, e o preço de um “cão”, isto é, de um sodomita, rufião ou devasso, não devia ser trazido à casa do Senhor por nenhum voto. Entre os gentios, o lucro da prostituição às vezes era levado aos seus templos, mas isso foi proibido em Israel. Isso significa, primeiro, que Deus não aceitaria oferta de gente tão perversa. Eles nada tinham para trazer senão o que ganharam no pecado, de modo que o sacrifício deles só poderia ser repugnante a Deus (Provérbios 15:8). Significa também que não deviam imaginar que fazer votos e trazer ofertas lhes daria licença para continuar pecando. Alguns envolvidos nesse tipo de vida, ao que parece, tentavam se justificar assim, dizendo, em essência: “Já paguei meus votos, agora posso seguir” (Provérbios 7:14-15). Nada deve ser aceito como pagamento que compense a culpa. E não podemos honrar a Deus com nossa riqueza se ela não foi adquirida de modo honesto e digno. Importa não só o que damos, mas como obtivemos o que damos. Deus aborrece o roubo usado para holocaustos, e aborrece igualmente a impureza.
A lei também regula aqui a questão dos juros em empréstimos (Deuteronômio 23:19-20). Não deviam emprestar a um israelita cobrando juros. As propriedades deles vinham diretamente de Deus, e, tendo ele separado Israel das demais nações, poderia ter ordenado que tudo fosse possuído em comum. Em vez disso, como sinal da herança comum que tinham na terra concedida por ele, Deus ordenou que se emprestassem uns aos outros sem juros, sempre que houvesse necessidade. Nas circunstâncias deles, isso muitas vezes causaria pouca ou nenhuma perda ao credor, pois a terra estava dividida, as propriedades, estabelecidas, e eles não eram um povo mercantil. Raramente precisariam de grandes somas, apenas de auxílio para necessidades familiares quando a colheita falhasse ou algo semelhante. Numa situação assim, exigir juros sobre um pequeno empréstimo seria crueldade.
Quando quem toma emprestado utiliza o dinheiro para obter lucro, é justo que o credor participe do ganho. Mas quando alguém toma empréstimo para suprir necessidades básicas, deve-se mostrar bondade, e devemos emprestar “sem nada esperar em troca”, se tivermos condições de fazê-lo (Lucas 6:35). Todavia, podiam emprestar a estrangeiros cobrando juros. Um estrangeiro era geralmente visto como alguém que vivia do comércio e ganhava dinheiro com seus negócios, de modo que podia legitimamente lucrar com o que tomava emprestado. Isso mostra que o juro, em si, não é errado, pois não deviam oprimir o estrangeiro, e ainda assim lhes era permitido cobrar juros dele.
Exige-se aqui também o cumprimento dos votos, pelos quais prendemos a nossa própria alma, e isso faz parte da lei natural gravada no coração humano (Deuteronômio 23:21-23). A pessoa é deixada livre para fazer ou não tais votos. Se alguém decidir não fazer voto de sacrifício ou oferta especial, além do que a lei já exigia, não comete pecado. Deus já havia mostrado que aceitava uma oferta voluntária feita por voto, ainda que fosse apenas um pouco de flor de farinha (Levítico 2:4 e seguintes), e isso bastava de incentivo para aqueles que desejassem fazê-lo.
Isso também tinha a finalidade de impedir que os sacerdotes, que recebiam boa parte dos votos e ofertas voluntárias, pressionassem o povo a fazer votos além de sua capacidade ou vontade. Por isso o povo é claramente informado de que não peca se não faz tais votos, embora fosse pecado deixar de oferecer os sacrifícios que Deus havia especificamente ordenado. Como observa bem o bispo Patrick, Deus deseja que as pessoas o sirvam com facilidade, e quer que todas as suas ofertas sejam livres e alegres.
Mas, uma vez feito o voto, pesa sobre nós a obrigação mais forte de cumpri‑lo, e cumpri‑lo sem demora. Não devemos tardar em pagá‑lo, para que o atraso não esfrie o nosso zelo, o voto não seja esquecido, ou não aconteça algo que nos impeça de cumpri‑lo.
Aquilo que saiu de seus lábios como voto solene e deliberado não deve ser retirado. Deve ser cumprido e executado de maneira plena e pronta. A regra do evangelho vai ainda além, pois Paulo diz que “cada um contribua segundo propôs no coração” (2 Coríntios 9:7), mesmo antes que essa decisão se transforme em palavras.
Há ainda uma forte razão para pagar nossos votos: se não o fizermos, Deus o requererá de nós. Ele tratará de modo certo e severo conosco, não só por mentir, mas por tentar zombar dele, e de Deus ninguém zomba impunemente (Eclesiastes 5:4).
Aqui também se concede permissão a viajantes que passassem por um campo de cereal ou vinhedo, para colherem e comerem espigas ou uvas que estivessem à beira do caminho, quer por necessidade, quer por simples desejo, contanto que nada levassem consigo (Deuteronômio 23:24-25). Por isso os discípulos não foram culpados por arrancarem espigas. A lei permitia isso. Eles foram censurados porque o fizeram no dia de sábado, o que a tradição dos anciãos havia proibido.
Essa lei mostrava a Israel quanta fartura de cereal e vinho haveria em Canaã. Haveria tanta abundância que o pouco tirado à beira da estrada não faria falta. Teriam o bastante para si e para seus amigos. Ao mesmo tempo, providenciava para os viajantes pobres, aliviando o cansaço da jornada, e nos ensina a mostrar bondade a pessoas em tal condição.
Os judeus dizem que essa lei se destinava principalmente a favorecer os trabalhadores que colhiam o cereal e a vindima. A boca deles não devia ser amordaçada, como também não se devia amordaçar o boi que pisa o grão. Ensina-nos ainda a não levar a propriedade ao extremo em coisas pequenas, onde é fácil dizer: “Que é isso entre mim e você?”. As uvas comidas por um viajante não eram propriamente suas, e o dono não lhas havia dado formalmente. Mas era algo de tão pequeno valor que o viajante tinha razão para supor que o proprietário, se ali estivesse, não as negaria, assim como ele mesmo não negaria igual gentileza. Por isso, não era furto tomá-las.
Essa regra ainda estimulava a hospitalidade. Ensina-nos a estar prontos a repartir, dispostos a comunicar, e a não considerar cada dádiva como perda. Mas também nos adverte a não abusar da bondade do próximo, nem transformar uma pequena permissão em exigências desmedidas. Não devemos esticar um palmo até virar braça. Podiam comer algumas uvas no campo do vizinho, mas isso não significava que podiam levá-las consigo.
Deste capítulo
Deuteronômio 23:1
"Ninguém tomará por esposa a mulher de seu pai, nem levantará a cobertura do leito paterno.”"
Deuteronômio 23:2
"“O homem cujos testículos foram esmagados ou cujo membro viril foi cortado não será admitido na assembleia do Senhor."
Deuteronômio 23:3
"O bastardo tampouco entrará na assembleia do Senhor, nem mesmo até a décima geração."
Deuteronômio 23:4
"O amonita e o moabita não serão admitidos na assembleia do Senhor, nem mesmo até a décima geração,"
Deuteronômio 23:5
"nem nunca jamais, porque não quiseram sair ao encontro de vocês no caminho com pão e água, quando vocês saíram do Egito, e também porque contrataram contra você Balaão, filho de Beor, de Petor, na Mesopotâmia, para amaldiçoar você."
Deuteronômio 23:6
"Mas o Senhor, seu Deus, que ama você, não quis ouvir Balaão e transformou para você a sua maldição em bênção."
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