Versículo em destaque
Atos 7:42 - Significado e aplicação
Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje
Tradução: Bíblia BibleGuided — Português Brasileiro
" Mas Deus se afastou e os abandonou ao culto dos astros do céu, como está escrito no livro dos profetas: Por acaso, casa de Israel, vocês me ofereceram vítimas e sacrifícios durante quarenta anos no deserto? "
Atos 7:42
Versículo no contexto
Entender os versículos ao redor evita interpretações incorretas:
40 dizendo a Aarão: Faça para nós deuses que vão adiante de nós, porque, quanto a este Moisés, que nos tirou da terra do Egito, não sabemos o que aconteceu com ele.
41 Naqueles dias, fizeram um bezerro de ouro, ofereceram um sacrifício ao ídolo e se alegravam diante da obra de suas mãos.
42 Mas Deus se afastou e os abandonou ao culto dos astros do céu, como está escrito no livro dos profetas: Por acaso, casa de Israel, vocês me ofereceram vítimas e sacrifícios durante quarenta anos no deserto?
43 Vocês aceitaram a tenda de Moloc e a estrela do deus de vocês, Renfão, figuras que vocês fizeram para adorá-las! Por isso, eu os deportarei para além da Babilônia.
44 A arca da Aliança esteve com os nossos pais no deserto, conforme Deus ordenou a Moisés que a fizesse segundo o modelo que havia visto.
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Duas coisas se destacam nesses versículos.
Primeiro, Estêvão os repreende pela idolatria de seus antepassados. Deus entregou Israel a esse pecado como castigo por terem se desviado dele logo no começo, quando adoraram o bezerro de ouro. Esse foi um dos juízos mais severos que poderia cair sobre eles, assim como Deus entregou o mundo gentio a uma mente que o rejeitou. Quando Israel se apegou aos ídolos, primeiro ao bezerro de ouro e depois a Baal-Peor, Deus, por assim dizer, disse: “Deixem-nos; sigam o seu caminho” (Atos 7:42). Ele já os havia advertido contra esse tipo de culto e lhes dado boas razões para evitá‑lo, mas, quando insistiram, ele os entregou aos seus próprios desejos teimosos. Deus retirou sua graça que os continha, e então eles seguiram seus próprios planos e se tornaram espantosamente devotados à idolatria.
Estêvão confirma isso citando Amós 5:25. Ele faz isso porque é menos ofensivo expor-lhes seu verdadeiro caráter e o juízo que se aproximava por meio de um profeta do Antigo Testamento, a quem eles deveriam respeitar. O profeta primeiro os repreende por não terem oferecido sacrifícios a Deus no deserto: “Porventura me oferecestes vítimas e sacrifícios no deserto por quarenta anos?” Não, eles não ofereceram. Durante todo aquele período, os sacrifícios a Deus foram interrompidos, e eles nem sequer celebraram a Páscoa depois do segundo ano. Deus mostrou paciência com eles naquele tempo de instabilidade, mas eles agiram mal quando, mais tarde, passaram a oferecer sacrifícios aos ídolos, embora ele os tivesse poupado de oferecê‑los a si mesmo. Isso também corrige o orgulho que tinham nos costumes dados por Moisés e o temor de que Jesus alterasse esses costumes. Logo depois de os receberem, esses costumes ficaram suspensos por quarenta anos, o que mostra que não eram essenciais da forma como eles imaginavam.
Em segundo lugar, Estêvão responde à acusação de que falara contra o templo, o lugar santo, em Atos 7:44-50. Eles o acusaram de dizer que Jesus destruiria o templo, e Estêvão está dizendo, em essência: “E se eu de fato tivesse dito isso?” A glória do Deus santo não está presa dentro de um único edifício, de modo que sua honra permanece intocada mesmo se o templo for destruído. Antes que Israel tivesse qualquer lugar fixo de adoração, os patriarcas, como Abraão, Isaque e Jacó, adoraram a Deus de modo aceitável em altares ao lado de suas tendas, ao ar livre. O Deus que foi adorado sem um lugar santo naqueles primeiros tempos ainda pode ser adorado se este lugar cair.
O próprio lugar santo começou como um tabernáculo, uma tenda móvel. Isso mostra que nunca foi destinado a durar para sempre. Se o tabernáculo pôde dar lugar ao templo sem desonra para Deus, então o templo também pode dar lugar a algo maior. O mesmo padrão se aplica agora, quando o templo material dá lugar ao templo espiritual, e mais tarde o templo espiritual dará lugar ao templo eterno. O tabernáculo também era um “tabernáculo do testemunho”, um sinal de coisas melhores que viriam, apontando para o verdadeiro tabernáculo que o Senhor armou, e não o ser humano (Hebreus 8:2). Sua verdadeira glória estava em apontar para o templo de Deus aberto no céu (Apocalipse 11:19), para Cristo habitando entre nós, “armando sua tenda” na terra (João 1:14), e para o seu corpo como o verdadeiro templo.
O tabernáculo foi construído exatamente como Deus havia ordenado a Moisés no monte, o que mostra claramente que ele estava destinado a apontar para além de si mesmo. Como sua origem foi celestial, seu propósito e seu significado também eram celestiais. Portanto, não havia nenhuma desonra em dizer que esse templo feito por mãos seria destruído para dar lugar a outro templo, não feito por mãos humanas. Essa foi a acusação feita contra Cristo (Marcos 14:58), e era a mesma acusação que agora era levantada contra Estêvão.
Por fim, aquele tabernáculo foi inicialmente erguido no deserto. Ele não pertencia, por natureza, a essa terra que eles julgavam dever conservá‑lo para sempre. Seus pais o trouxeram para Canaã, a terra que antes pertencia às nações gentias, antes que Deus as expulsasse dali. Do mesmo modo, Deus pode estabelecer seu templo espiritual em lugares que agora estão nas mãos dos gentios. O tabernáculo entrou com Josué, e é melhor entender assim tanto aqui quanto em Hebreus 4:8, para evitar confusão.
E, ao mencionar aqui o nome Josué, que em grego é Jesus, Estêvão talvez esteja sugerindo algo mais profundo. Assim como o antigo Josué introduziu o povo naquele tabernáculo exterior e simbólico, o novo Josué, Jesus, levaria o verdadeiro tabernáculo à posse dos gentios.
Aquele tabernáculo permaneceu por muitos anos, até o tempo de Davi, mais de quatrocentos anos depois, antes que alguém pensasse em construir um templo (Atos 7:45). Davi encontrou graça diante de Deus e desejou também esse outro favor: a oportunidade de construir uma casa para Deus, uma morada fixa e estabelecida para a shechinah, isto é, para os sinais visíveis da presença de Deus entre o povo (Atos 7:46). Aqueles que acham graça diante de Deus devem estar dispostos a promover o seu reino entre as pessoas.
Deus se importava tão pouco com um templo, ou com aquele lugar santo do qual eles eram tão ciumentos, que, quando Davi pediu para construir um, Deus recusou. Ele não tinha pressa de ter um templo, como disse a Davi (2 Samuel 7:7). Assim, não foi Davi, mas seu filho Salomão quem edificou uma casa para Deus anos depois. Mesmo antes de existir qualquer templo, Davi desfrutava de rica comunhão com Deus no culto público, como seus Salmos demonstram.
Deus muitas vezes deixou claro que templos construídos por mãos humanas não o agradam em si mesmos, e não podem acrescentar nada à sua plenitude e alegria. Quando Salomão dedicou o templo, ele mesmo reconheceu que Deus não habita em templos feitos por mãos humanas. Deus não precisa deles, não é ajudado por eles e não pode ser limitado a eles. O mundo inteiro é o seu templo, pois ele está presente em toda parte e o enche com sua glória. Por que, então, precisaria de um templo para se manifestar?
Os falsos deuses das nações precisavam de templos feitos por mãos humanas, porque eles próprios eram deuses feitos por mãos humanas (Atos 7:41). Não tinham outro lugar para se manifestar senão em seus próprios santuários. Mas o único Deus vivo e verdadeiro não necessita de templo algum. O céu é o seu trono, onde ele descansa, e a terra é o estrado de seus pés, sobre o qual governa (Atos 7:49-50). Que casa alguém poderia edificar para ele que se compare ao que ele já possui? Qual seria o lugar do seu descanso? De que precisaria ele de uma casa, seja para descansar, seja para se revelar? Não foi a sua mão que fez todas essas coisas?
Essas obras de Deus manifestam seu eterno poder e sua divindade (Romanos 1:20). Elas se mostram tão claramente a todos que os que adoram outros deuses são indesculpáveis. E assim como o mundo é o templo de Deus, onde ele se dá a conhecer, também é o templo onde ele é adorado. A terra está cheia da sua glória, e por isso é o seu templo (Isaías 6:3). A terra está, e estará, cheia do seu louvor, e todos os confins da terra o temerão (Salmo 67:7; Habacuque 3:3). Por essa razão, ela é o seu templo.
Não havia, portanto, nenhum insulto real contra esse lugar santo, por mais que eles assim o interpretassem, em dizer que Jesus destruiria esse templo e levantaria outro, no qual todas as nações seriam recebidas (Atos 15:16-17). E isso não teria parecido estranho a quem entendesse a passagem da Escritura que Estêvão citou, Isaías 66:1-3. Esse texto mostra o relativo desprezo de Deus pela forma exterior do culto e prediz claramente tanto a rejeição dos judeus incrédulos quanto a acolhida dos gentios humildes e contritos na igreja.
Deste capítulo
Atos 7:1
"Então o sumo sacerdote lhe perguntou: “É realmente assim?”."
Atos 7:2
"Ele respondeu: “Irmãos e pais, escutem. O Deus da glória apareceu ao nosso pai Abraão quando ele estava na Mesopotâmia, antes de ir morar em Harã."
Atos 7:3
"E lhe disse: Saia do seu país e do meio da sua parentela, e vá para a terra que eu lhe mostrarei."
Atos 7:4
"Ele saiu da terra dos caldeus e foi morar em Harã. Dali, depois que seu pai faleceu, Deus o fez passar para esta terra, na qual vocês agora habitam."
Atos 7:5
"Não lhe deu nela propriedade alguma, nem sequer um palmo de terra, mas prometeu dá-la a ele como posse e, depois dele, à sua posteridade, quando ainda não tinha filho algum."
Atos 7:6
"Foi assim que Deus falou: Sua descendência habitará em terra estrangeira, será reduzida à escravidão e maltratada durante quatrocentos anos."
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