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Atos 7:17 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje

Tradução: Bíblia BibleGuided — Português Brasileiro

" Aproximava-se o tempo em que deveria cumprir-se a promessa que Deus havia jurado a Abraão. O povo cresceu e se multiplicou no Egito "

Atos 7:17

menu_book Versículo no contexto

15 Jacó desceu ao Egito e morreu ali, assim como os nossos pais.

16 Seus corpos foram levados para Siquém e colocados no sepulcro que Abraão havia comprado, a peso de dinheiro, dos filhos de Hemor, de Siquém.

17 Aproximava-se o tempo em que deveria cumprir-se a promessa que Deus havia jurado a Abraão. O povo cresceu e se multiplicou no Egito

18 até que se levantou outro rei no Egito, que nada sabia de José.

19 Esse rei, agindo com astúcia contra a nossa raça, maltratou os nossos pais e os obrigou a abandonar seus filhos para privá-los da vida.

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auto_stories Comentário Bible Guided

Estevão passa agora a falar sobre o crescimento notável de Israel no Egito. Pela providência de Deus, aquele povo passou de uma família a uma nação em pouco tempo. Isso aconteceu exatamente quando se aproximava o tempo da promessa, o tempo em que Deus os formaria como povo. Nos primeiros 215 anos depois da promessa feita a Abraão, a família da aliança cresceu apenas até setenta pessoas. Nos 215 anos seguintes, chegaram a 600.000 homens de guerra. A obra de Deus pode avançar mais rapidamente quando está mais próxima do seu alvo. Por isso, não se deve desanimar quando as promessas de Deus parecem tardar. Deus sabe recuperar o tempo que parece perdido e, quando chega o ano do livramento, ele pode fazer em um dia o que parece trabalho dobrado.

Esse crescimento aconteceu no Egito, onde eles eram oprimidos e tratados com dureza. A vida lhes foi tornada tão amarga que alguém poderia pensar que evitariam ter filhos. Em vez disso, casavam-se confiando que Deus os visitaria no tempo certo, e Deus os abençoou, dizendo: “Frutificai e multiplicai-vos”. Tempos de sofrimento muitas vezes têm sido tempos de crescimento para a igreja.

Então Estevão volta-se para as grandes aflições que sofreram ali (Atos 7:18-19). À medida que os egípcios viam os hebreus se multiplicar, aumentavam-lhes os fardos. Estevão destaca três aspectos desse tratamento. Primeiro, uma ingratidão vergonhosa. Eles foram oprimidos por um novo rei que não conhecia José, isto é, que não se lembrava do grande serviço que José prestara ao Egito. Se se tivesse lembrado, não teria retribuído tão mal à família de José. Quem faz mal a pessoas boas mostra profunda ingratidão, porque essas pessoas são bênçãos para o tempo e o lugar em que vivem.

Segundo, havia maldade astuciosa e política perversa. Os egípcios “usaram de astúcia” com o povo de Deus. Diziam, na prática: “Vamos agir sabiamente”, pensando estar se protegendo. Mas na verdade agiam como insensatos, apenas acumulando ira para si mesmos. Quem se julga sábio enquanto age com falsidade ou crueldade contra seus irmãos está em grande engano.

Terceiro, havia crueldade brutal. Para exterminá-los, lançavam fora seus filhos recém-nascidos para que não sobrevivessem. Matar os bebês parecia um meio seguro de esmagar uma nação ainda na infância. Estevão menciona isso em parte para lembrá-los de quão humildes foram os começos de Israel, como um bebê indefeso e rejeitado (Ezequiel 16:4). Ele também quer que lembrem quanto deviam a Deus pelo cuidado que ele teve com eles, um cuidado que não mereciam. E quer que vejam que o que estavam fazendo contra a jovem igreja cristã era tão perverso e injusto, e tão inútil no fim, quanto o que os egípcios fizeram contra Israel. “Vocês pensam que estão sendo sábios ao nos ferir”, ele diz em essência, “e ao perseguirem os novos crentes, estão fazendo o mesmo que os egípcios fizeram quando lançaram fora os filhos. Mas verão que isso não adiantará. Apesar do ódio de vocês, os discípulos de Cristo hão de crescer e se multiplicar.”

Em seguida, Estevão fala de Moisés, a quem Deus levantou para ser o libertador de Israel. Como Estevão fora acusado de falar contra Moisés, ele fala dele com grande honra. Moisés nasceu quando a perseguição contra Israel estava no auge, especialmente por causa da ordem cruel para matar os recém-nascidos. Foi exatamente nesse tempo que Moisés nasceu (Atos 7:20) e ele próprio correu o risco de ser vítima daquele decreto sanguinário, assim como Jesus mais tarde em Belém. Deus muitas vezes prepara o livramento para o seu povo quando as trevas são mais densas e a aflição é maior.

Moisés também era muito formoso. Seu rosto parecia brilhar desde o nascimento, como sinal da honra que Deus planejava para ele. A expressão indica que ele era agradável a Deus, separado desde o ventre, e isso o tornava precioso aos olhos do Senhor. A santidade é a beleza que Deus mais estima. Ele também foi maravilhosamente preservado na infância. Primeiro, seus pais cuidadosos o guardaram em casa por três meses, enquanto ousaram fazê-lo. Depois, a providência de Deus o conduziu aos braços da filha de Faraó, que o acolheu e o criou como filho (Atos 7:21). Aqueles a quem Deus tenciona usar de maneira especial, ele também guarda de maneira especial. Se Deus protegeu a criança Moisés, certamente protegerá os interesses de seu santo Servo Jesus (Atos 4:27) contra todos os inimigos que se levantarem contra ele.

Moisés tornou-se então um grande conhecedor, instruído em toda a sabedoria dos egípcios, conhecidos por sua cultura refinada, especialmente em filosofia, astronomia e, talvez, nos estudos de hieróglifos que podem ter contribuído para sua idolatria. Por ser educado na corte, tinha acesso aos melhores livros, mestres e companhia, e tinha capacidade para tirar bom proveito disso. Ainda assim, há boa razão para crer que não esqueceu o Deus de seus pais nem se entregou às práticas e estudos ilícitos dos magos egípcios, senão na medida necessária para desmascará-los e refutá-los.

Ele também se tornou um homem de destaque no Egito, o que parece ser o sentido de ter sido “poderoso em palavras e obras”. Mesmo que não fosse rápido no falar e tivesse dificuldade de expressão, ainda assim falava com grande senso. O que dizia tinha peso, e as pessoas percebiam a razão e a força de suas palavras. Em suas ações, demonstrava coragem, habilidade e êxito. Assim, a educação humana o preparou para o serviço, embora ele ainda não pudesse estar plenamente equipado sem a luz do próprio Deus.

Ao dizer tudo isso, Estevão mostra que, apesar das falsas acusações, ele tinha a mais alta estima por Moisés. Estevão também destaca a primeira tentativa de Moisés de libertar Israel, que foi rejeitada e não aceita pelo povo. Essa parte da história é importante, como se vê em (Êxodo 2:11-15) e também em (Hebreus 11:24-26), onde é descrita como um ato de santa renúncia. Aqui, Estevão a apresenta como o início da obra pública para a qual Moisés foi chamado (Atos 7:23). Quando tinha quarenta anos, na plena força da vida e pronto para a honra na corte de Faraó, veio ao seu coração, posto ali por Deus, visitar seus irmãos, os filhos de Israel, e ver como poderia ajudá-los. Ele se apresentou como homem público, agindo em um papel público. Começou a ser o libertador de Israel defendendo um israelita oprimido e matando o egípcio que o maltratava (Atos 7:24).

Ao ver um de seus irmãos israelitas sofrer injustiça, Moisés sentiu ao mesmo tempo compaixão pelo oprimido e justa indignação contra o agressor. Nesse papel público, defendeu o homem oprimido e derrubou o egípcio. Se fosse apenas um homem privado, não poderia ter feito isso legitimamente, mas ele sabia que seu chamado vindo do céu lhe dava sustentação. Também supunha que seus irmãos, que certamente conheciam a promessa feita por Deus a Abraão, entenderiam que Deus estava usando a vida dele para lhes trazer livramento.

Moisés não poderia ter agido com tamanha coragem e firmeza se Deus não lhe tivesse dado poder e autoridade especiais. Se o povo tivesse entendido os sinais do tempo, poderia ter visto nisso o início do seu resgate. Mas não entenderam. Não tomaram esse ato como o levantar de um estandarte e o tocar de uma trombeta para anunciar Moisés como seu libertador.

Em segundo lugar, Moisés agiu como juiz de Israel. Deu um claro sinal disso no dia seguinte, quando tentou resolver uma contenda entre dois hebreus, como diz (Atos 7:26). Apresentou-se a eles enquanto brigavam e, com a dignidade e autoridade de um governante, procurou reconciliá-los. Como líder, quis decidir a questão entre eles e disse, em essência: “Homens, vocês são irmãos por nascimento e por fé. Por que estão se ferindo uns aos outros?” Ele via que, como na maioria das brigas, ambos tinham alguma culpa. Se a paz e a amizade fossem restauradas, os dois lados precisariam ceder e perdoar.

Quando Moisés devia ser o libertador de Israel do Egito, matou o egípcio e assim livrou o israelita da mão dele. Mas, quando devia ser juiz e legislador de Israel, governou com cetro de ouro, não com vara de ferro. Não matou o povo quando brigava entre si. Em vez disso, deu-lhes boas leis e resolveu suas contendas e apelações, como se lê em (Êxodo 18:16).

Mas o israelita que estava mais errado rejeitou Moisés, como diz (Atos 7:27). Não quis aceitar a correção, embora fosse justa e suave. Estava pronto a atacar Moisés com palavras e perguntou: “Quem te constituiu príncipe e juiz sobre nós?” Pessoas orgulhosas e contenciosas não gostam de ser corrigidas. Aqueles israelitas preferiam ser governados duramente por seus feitores a serem libertos e terem sua mente guiada pela razão por meio do seu libertador.

O homem ficou tão irritado com a repreensão de Moisés que jogou na cara dele a morte do egípcio. Aquilo que deveria ter sido visto como o primeiro sinal de uma ajuda maior que viria, ele transformou em acusação contra Moisés: “Queres tu matar-me, como ontem mataste o egípcio?” (Atos 7:28). Na prática, ele tratou o ato de Moisés como um crime e o ameaçou de delatar. No entanto, aquele ato havia sido um sinal de desafio contra os egípcios e um sinal de amor e livramento para Israel.

Depois disso, Moisés fugiu para a terra de Midiã e não fez mais nenhuma tentativa de libertar Israel durante quarenta anos. Ali ele viveu como estrangeiro, casou-se e teve dois filhos com a filha de Jetro, como diz Atos 7:29.

Assim se vê como isso confirma o ponto de Estêvão. Acusaram-no de falar contra Moisés, mas ele devolve a acusação, lembrando os insultos que seus pais haviam dirigido a Moisés. Em vez de se exaltarem e arrumarem contendas com Estêvão, alegando defender a honra de Moisés, eles deveriam se envergonhar e se humilhar diante dessa história. Estêvão tinha tanto respeito por Moisés quanto qualquer um deles.

Eles também o perseguiam por falar de Cristo e do evangelho, enquanto colocavam Moisés e a lei em oposição a Jesus. O alerta de Estêvão é claro: cuidem para não repetir o erro de seus pais, rejeitando aquele que Deus levantou como Príncipe e Salvador. Se eles não fechassem teimosamente os olhos à luz, veriam que Deus queria usar Jesus para libertá-los de uma escravidão pior do que a do Egito. Por isso, não deviam rejeitá-lo, mas recebê-lo como seu governante e juiz.

Precisavam ainda tomar cuidado para não sofrer o mesmo destino de seus pais. Porque seus pais rejeitaram Moisés, foram justamente deixados para morrer na escravidão, e o livramento prometido só veio quarenta anos depois. Se empurrassem o evangelho para longe, ele seria levado aos gentios. Se não quisessem a Cristo, então não o teriam. Esse seria o seu juízo, como em (Mateus 23:38-39).

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