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2 Timóteo 1:6 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje

Tradução: Bíblia BibleGuided — Português Brasileiro

" Por esse motivo, exorto você a reavivar a chama do dom de Deus que recebeu pela imposição das minhas mãos. "

2 Timóteo 1:6

menu_book Versículo no contexto

4 Quando suas lágrimas me vêm à memória, sinto grande desejo de ver você, para me encher de alegria.

5 Conservo a lembrança daquela sua fé tão sincera, que primeiro esteve em sua avó Loide e em sua mãe Eunice e que, não tenho a menor dúvida, habita também em você.

6 Por esse motivo, exorto você a reavivar a chama do dom de Deus que recebeu pela imposição das minhas mãos.

7 Pois Deus não nos deu um espírito de timidez, mas de fortaleza, de amor e de sabedoria.

8 Portanto, não se envergonhe do testemunho de nosso Senhor, nem de mim, seu prisioneiro, mas sofra comigo pelo Evangelho, fortalecido pelo poder de Deus.

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auto_stories Comentário Bible Guided

Aqui Paulo lembra Timóteo do seu dever e o exorta a cumpri-lo. Até as melhores pessoas precisam ser lembradas, porque todos nós precisamos ser despertados em relação ao que já sabemos. Pedro diz a mesma coisa quando escreve com o propósito de despertar a mente sincera dos crentes por meio de lembranças (2 Pedro 3:1).

Paulo primeiro diz a Timóteo que desperte o dom de Deus que está nele. É como cutucar o fogo escondido debaixo das cinzas para que volte a arder. O dom aqui corresponde a todos os dons e graças que Deus havia concedido a Timóteo para capacitá-lo à obra de evangelista, incluindo os dons especiais do Espírito Santo, dados pela imposição das mãos do apóstolo. Timóteo precisava usar esses dons, porque dons se desenvolvem pelo uso. “Ao que tem, se lhe dará mais” (Mateus 25:29). A melhor forma de aumentar tais dons é aproveitar toda oportunidade para exercê-los. Seja esse dom algo comum ou extraordinário — e Paulo parece ter em vista sobretudo o extraordinário — ele enfraqueceria se Timóteo não o despertasse.

Paulo também parece distinguir isso da ordenação de Timóteo, que foi feita “com imposição de mãos do presbitério”, isto é, dos anciãos da igreja (1 Timóteo 4:14). É provável que Timóteo tenha recebido os dons extraordinários do Espírito Santo por meio da imposição das mãos de Paulo, e depois tenha sido ordenado ao ministério pelos anciãos. O principal obstáculo à utilidade e ao crescimento em nossos dons é o medo servil. Por isso Paulo adverte Timóteo que Deus não nos deu espírito de temor (2 Timóteo 1:7). Foi o medo que levou o servo inútil a enterrar o talento, em vez de usá-lo (Mateus 25:25).

Muitas vezes Deus disse ao seu povo que não temesse. Não devemos temer a aparência das pessoas. Não devemos temer os perigos que acompanham a obediência. Em vez disso, Deus nos deu espírito de poder, de amor e de moderação. Moderação (ou mente sã) significa uma mente calma, firme, sensata. O espírito de poder dá coragem e força para enfrentar as aflições. O espírito de amor — amor a Deus — nos sustenta em meio à oposição, assim como Jacó suportou um serviço duro por amor a Raquel. O amor a Deus nos ergue acima do medo dos homens e de todo o mal que eles possam nos fazer. O espírito de moderação nos ajuda a resistir aos medos que a nossa própria imaginação cria.

Esse é o tipo de espírito que Deus dá aos seus ministros, não um espírito covarde. É espírito de poder, porque eles falam em nome daquele que tem todo o poder no céu e na terra. É espírito de amor, porque o amor a Deus e às almas deve aquecer todo aspecto do seu serviço. É espírito de moderação, porque anunciam palavras de verdade e sobriedade.

Em seguida, Paulo diz a Timóteo que espere o sofrimento e se prepare para ele. “Portanto, não te envergonhes do testemunho de nosso Senhor, nem de mim, que sou prisioneiro seu” (2 Timóteo 1:8). O evangelho de Cristo não é motivo de vergonha. Tampouco o são aqueles que sofrem por causa dele. Timóteo não deve se envergonhar de Paulo, embora ele esteja agora acorrentado. Não deve temer identificar-se com os que sofrem por Cristo, mesmo que ele mesmo ainda não esteja sofrendo.

O evangelho é o testemunho de nosso Senhor, porque por meio dele Cristo testifica de si mesmo a nós, e, quando o mantemos, testificamos dele. Paulo é chamado “prisioneiro do Senhor”, isto é, está preso por causa de Cristo (Efésios 4:1). Não temos nenhum motivo para nos envergonhar nem do testemunho de Cristo nem dos seus prisioneiros. Se nos envergonharmos deles agora, Cristo se envergonhará de nós depois. Por isso Timóteo deve participar das aflições do evangelho “segundo o poder de Deus”. Isso significa que ele deve esperar sofrer por causa do evangelho, preparar-se para isso e estar disposto a tomar seu lugar entre os crentes sofredores neste mundo.

Ele não deve apenas compadecer-se dos que sofrem por causa do evangelho, mas estar pronto a sofrer com eles. Quando o próprio evangelho é pressionado e combatido, todo aquele que espera obter por meio dele vida e salvação deve estar disposto a sofrer juntamente com ele. Suportamos melhor as aflições quando buscamos em Deus a força para enfrentá-las. Todos os cristãos, e especialmente os ministros, devem esperar perseguição por causa do evangelho. E Deus ajustará as provações à força que ele mesmo concede, como promete em (1 Coríntios 10:13).

Paulo então lembra Timóteo das grandes coisas que Deus fez por nós por meio do evangelho (2 Timóteo 1:9,10). Isso o encoraja a sofrer por ele. O primeiro motivo é a própria natureza do evangelho, com seu propósito glorioso e gracioso. Paulo muitas vezes faz uma pausa quando fala de Cristo e do evangelho, porque o seu coração está cheio deles. Eles são a nossa salvação e devem ser o nosso maior anseio.

O evangelho tem o propósito de nos salvar. “Ele nos salvou”, diz Paulo, falando do propósito certo de Deus, embora a obra completa ainda esteja em andamento. Deus fala de coisas ainda não concluídas como se já estivessem terminadas (Romanos 4:17). O evangelho também tem o propósito de nos tornar santos. Deus nos chamou com santa vocação, um chamado à santidade. O próprio cristianismo é uma vocação santa. Todos os que serão salvos futuramente estão sendo santificados agora. Quando o evangelho atua de fato em uma pessoa, torna essa pessoa santa.

A fonte disso é a graça livre e o eterno propósito de Deus em Cristo Jesus. Se a salvação tivesse sido conquistada por mérito nosso, seria difícil sofrer por ela. Mas, sendo ela dada pela graça e não pelas obras, não devemos achar que sofrer por ela é demais. Essa graça nos foi dada antes dos tempos eternos, isto é, no plano eterno de Deus. Ela veio em Cristo Jesus, porque todo dom que Deus concede a pecadores vem por meio de Cristo.

O evangelho é também a manifestação aberta desse propósito e dessa graça. Ele se tornou claro pela manifestação de nosso Salvador Jesus Cristo, que estava com o Pai desde a eternidade e conhecia perfeitamente todos os seus desígnios graciosos. Por meio da vinda de Cristo ao mundo, esses propósitos foram revelados de maneira nítida para nós.

Cristo Jesus sofreu por causa disso; deveríamos nós achar demais sofrer por causa do mesmo? Pelo evangelho de Cristo, a morte foi destruída. Ele não apenas enfraqueceu a morte, mas tirou-lhe o domínio sobre nós. Ao remover o pecado, ele quebrou o aguilhão da morte, pois “o aguilhão da morte é o pecado” (1 Coríntios 15:56). Ele mudou o lugar e o poder da morte. Aquilo que antes era inimigo tornou-se servo, a porta pela qual os crentes saem deste mundo de tribulação e pecado e entram em um mundo de perfeita paz e pureza.

A morte já não triunfa sobre os que creem no evangelho; ao contrário, eles triunfam sobre a morte. Por isso podemos dizer: “Onde está, ó morte, o teu aguilhão? Onde está, ó sepultura, a tua vitória?” (1 Coríntios 15:55). Cristo também trouxe à luz a vida e a imortalidade por meio do evangelho. Ele nos mostrou o mundo vindouro com muito mais clareza do que já havia sido mostrado antes, e revelou a recompensa bem-aventurada que segue a obediência e a fé. Ele não apenas colocou essa esperança diante de nós, mas a ofereceu a nós no evangelho.

Devemos valorizar ainda mais o evangelho porque ele revela a vida e a imortalidade. Nesse ponto, ele supera todas as revelações anteriores. É o evangelho da vida e da imortalidade, porque as põe diante de nós, nos conduz pelo caminho certo para elas e nos dá fortes motivos para buscar glória, honra e imortalidade.

Paulo então apresenta seu próprio exemplo (2 Timóteo 1:11,12). Ele foi constituído pregador do evangelho, especialmente mestre dos gentios, as nações não judaicas. Considerava isso digno de sofrimento, e Timóteo deveria pensar o mesmo. Ninguém precisa temer ou se envergonhar de sofrer por causa do evangelho. Paulo diz: “Porque eu sei em quem tenho crido, e estou certo de que é poderoso para guardar o meu depósito até aquele dia”.

Pessoas piedosas frequentemente sofrem muitas coisas pela melhor causa do mundo; no caso de Paulo, por pregar e conservar o evangelho. Elas não precisam se envergonhar, porque a causa em favor da qual sofrem se levantará a seu favor. Os que a combatem é que serão cobertos de vergonha. Os que confiam em Cristo sabem em quem confiaram. Paulo fala com santa confiança, como se dissesse: “Estou em terreno firme. Entreguei um grande depósito às mãos do melhor guardador”.

O que devemos confiar a Cristo? Devemos entregar-lhe a salvação de nossas almas e a sua preservação segura para o reino celestial. Tudo o que colocarmos em suas mãos, ele guardará. Virá um dia em que nossas almas serão reclamadas. Então se perguntará: “O que fizeste da alma que te foi confiada? A entregaste a Deus ou a Satanás? Usaste-a a serviço do pecado ou a serviço de Cristo?” Será um dia solene, em que teremos de prestar contas da nossa mordomia (Lucas 16:2) e também de nossas almas. Se confiarmos nossas almas a Jesus Cristo com fé ativa e obediente, podemos estar certos de que ele é poderoso para guardá-las, e elas estarão prontas para nossa consolação naquele dia.

Depois Paulo exorta Timóteo a conservar o modelo das sãs palavras (2 Timóteo 1:13). Isso pode se referir a um breve resumo da fé, a uma espécie de catecismo ou a um esboço das verdades cristãs tiradas das Escrituras. Num sentido mais amplo, pode significar as próprias santas Escrituras. Tendo-as recebido, Timóteo deve guardá-las firmemente, trazê-las à memória e permanecer fiel a elas. Ele precisa resistir a todo falso ensino que corrompe a fé cristã. Ele deve conservar o que ouviu de Paulo.

Paulo foi inspirado por Deus, por isso é correto apegar-se firmemente às sãs palavras que temos nas Escrituras, porque sabemos que são as próprias palavras de Deus. Esse é um ensino são, que não pode ser justamente condenado (Tito 2:8). Mas devemos mantê-lo com fé e amor. Isso significa aceitá-lo como verdadeiro e recebê-lo como algo digno de plena aceitação. Devemos guardá-lo em um bom coração, como em um cofre seguro. A palavra de Deus é como um tesouro escondido no coração (Salmo 119:11).

Fé e amor pertencem um ao outro. Não basta concordar intelectualmente com o ensino correto. Também é necessário amá-lo, crer em sua verdade e amar a sua bondade. Devemos ainda transmiti-lo com amor, falando a verdade em amor (Efésios 4:15). Fé e amor estão “em Cristo Jesus”. A fé e o amor cristãos se prendem a Jesus Cristo, por meio de quem Deus nos fala e por meio de quem falamos com Deus.

Timóteo, como ministro, deve conservar o modelo das sãs palavras para o bem dos outros. A expressão também pode ser entendida como “palavras que curam”, porque a palavra de Deus tem poder para curar; ele enviou a sua palavra e os sarou. O mesmo pensamento aparece em (2 Timóteo 1:14): “Guarda o bom depósito que te foi confiado pelo Espírito Santo que habita em nós”.

Esse bom depósito é o modelo das sãs palavras, a doutrina cristã confiada a Timóteo em seu batismo e no ensino que recebeu logo no início de sua vida cristã, e novamente em sua ordenação ao ministério. A doutrina cristã é um encargo colocado em nossas mãos. Ela é confiada aos cristãos em geral, e de modo especial aos ministros. É algo muito bom, de valor incalculável em si mesma e de grande benefício para nós. É um tesouro precioso, porque revela as riquezas insondáveis de Cristo (Efésios 3:8).

Ela nos é dada para ser mantida pura e completa, e para ser transmitida aos que virão depois de nós. Devemos preservá-la e não contribuir para enfraquecer sua pureza, diminuir seu poder ou reduzir sua plenitude. Somos chamados a guardá-la pelo Espírito Santo que habita em nós. Mesmo aqueles que foram bem instruídos não conseguem manter o que aprenderam sem a ajuda do Espírito Santo. Não devemos confiar em nossa própria força, mas conservar a verdade pelo Espírito Santo.

O Espírito Santo habita em todos os verdadeiros ministros e crentes. Eles são o seu templo, e ele os capacita a manter o evangelho puro e sem corrupção. Ainda assim, eles devem empregar seus melhores esforços. A ajuda do Espírito não anula a responsabilidade humana. Os dois atuam juntos de maneira harmoniosa.

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