Versículo em destaque
2 Samuel 6:20 - Significado e aplicação
Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje
Tradução: Bíblia BibleGuided — Português Brasileiro
" Quando Davi voltou para abençoar a família, Micol, filha de Saul, veio ao seu encontro e lhe disse: “Como o rei de Israel se distinguiu hoje, dando-se em espetáculo às servas de seus servos e descobrindo-se sem pudor, como qualquer um do povo!” "
2 Samuel 6:20
Versículo no contexto
Entender os versículos ao redor evita interpretações incorretas:
18 Terminadas essas cerimônias, abençoou o povo em nome do Senhor dos exércitos
19 e distribuiu a toda a multidão do povo de Israel, tanto aos homens como às mulheres, a cada um, um bolo, um pedaço de carne e uma torta. Então toda a multidão se retirou, indo cada um para a sua casa.
20 Quando Davi voltou para abençoar a família, Micol, filha de Saul, veio ao seu encontro e lhe disse: “Como o rei de Israel se distinguiu hoje, dando-se em espetáculo às servas de seus servos e descobrindo-se sem pudor, como qualquer um do povo!”
21 “Foi diante do Senhor que dancei, respondeu Davi, diante do Senhor, que me escolheu e me preferiu a seu pai e a toda a sua família, para fazer de mim o chefe de seu povo de Israel. Foi diante do Senhor que dancei.
22 E me rebaixarei ainda mais e me aviltarei aos seus olhos, mas serei honrado pelas escravas de quem você falou.”
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Davi havia despedido o povo com uma bênção e depois voltou para casa para abençoar a sua própria família (2 Samuel 6:20). Isso quer dizer que ele orou com eles e por eles, e deu graças por aquele grande ato de misericórdia que Deus havia concedido à nação. Líderes e servos de Deus não devem imaginar que o culto público os dispensa do culto em família. Depois de abençoarem a congregação com ensino e oração, devem voltar para casa e fazer o mesmo com os seus, pois sobre eles recai uma responsabilidade especial.
Davi tinha ao seu redor profetas, sacerdotes e levitas, que podiam atuar como “capelães” de sua casa. Ainda assim, ele não entregou essa obrigação nas mãos deles. Ele mesmo abençoou a sua casa. Adorar a Deus é obra digna de anjos, portanto nunca é algo indigno até da pessoa mais importante. Sem dúvida Davi voltou para casa com uma alegria maior do que nunca, pois a arca, o cofre sagrado que simbolizava a presença de Deus, estava agora tão perto de sua morada. Contudo, esse dia tão feliz terminou em tristeza por causa do orgulho e da irritação de sua esposa. Nem mesmo os lares reais estão livres de conflitos familiares.
Davi havia agradado a todo o povo de Israel, mas Mical, filha de Saul e esposa de Davi, se ofendeu por ele ter dançado diante da arca. Enquanto ele estava fora, ela o desprezou em pensamento; quando ele chegou em casa, ela o enfrentou abertamente. Ela não se indignou porque Davi havia sido generoso com o povo, nem por tê-los alimentado. O que a incomodou foi imaginar que ele teria rebaixado a própria dignidade ao dançar diante da arca. Sua ira brotou do orgulho, não da cobiça.
Quando Mical viu Davi dançando diante do Senhor pelas ruas, passou a desprezá‑lo em seu coração (2 Samuel 6:16). Achou que aquela alegria intensa e aquela devoção à arca eram tolices, indignas de um grande guerreiro, estadista e rei. Na opinião dela, era aceitável que ele estimulasse a devoção nos outros, mas algo abaixo de sua posição manifestar ele mesmo essa devoção com tanta clareza. Provavelmente pensava: “Que papel ridículo meu marido está fazendo. Que apego exagerado a essa arca, que bem poderia ter ficado onde estava. Religião demais quase o deixou fora de si.” Pessoas com pouca ou nenhuma vida espiritual costumam olhar para atos de piedade como se fossem coisas pequenas e ridículas.
Quando Davi chegou em casa, no melhor estado de espírito possível, Mical correu para insultá‑lo, antes mesmo que ele pudesse entrar e ter um momento de privacidade. Ela o ridicularizou, dizendo na prática: “Quão glorioso foi hoje o rei de Israel. Que figura você fez diante do povo. Que atitude imprópria para o seu cargo e sua posição.” O desprezo por ele e pelo seu modo de adorar já havia crescido em seu coração, e agora sua boca o revelou. O que a incomodava era o amor de Davi pela arca, um amor que ela preferia que nunca tivesse sido demonstrado. Porém, ela atribuiu a esse amor um significado perverso, como se dançar diante da arca fosse comportamento leviano e indecente. Disse que ele se havia descoberto diante das servas, como um homem sem vergonha. Não há qualquer motivo para pensar que isso fosse verdade. Davi, sem dúvida, manteve a ordem e não perdeu o domínio de si. Mas quem ataca a verdadeira piedade costuma revesti‑la de palavras feias e torná‑la pior do que é.
Difamar alguém por uma devoção sincera já é, por si só, profundamente errado. Falar assim do próprio marido tornava isso ainda pior. Ela deveria honrá‑lo. A sabedoria e a virtude de Davi estavam muito além de seus ataques maldosos, e ele havia mostrado tanto amor por ela que não aceitou a coroa sem antes exigir que fosse restaurada a ele (2 Samuel 3:13). A atitude de Mical revelava mais a filha de Saul do que a esposa de Davi ou a irmã de Jônatas.
Davi respondeu à repreensão dela, mas não lançou de volta seus pecados passados. Não lembrou que ela, certa vez, o havia deixado e se ligado a outro homem. Ele perdoara aquilo e, portanto, havia posto o assunto de lado, ainda que sua consciência talvez o inquietasse quanto a tê‑la recebido de novo, pois tal união é descrita como trazendo contaminação sobre a terra (Jeremias 3:1). Em vez disso, ele se limitou a defender o que fizera.
Ele afirmou que tinha agido diante do Senhor, tendo Deus em vista (2 Samuel 6:21). Por mais injusta que fosse a interpretação que Mical desse àquilo, sua consciência o assegurava de que seu alvo verdadeiro era a glória de Deus. Davi também a lembrou de que Deus havia rejeitado a casa de seu pai para dar a ele o trono; logo, ela não deveria se considerar a melhor juíza do que era apropriado. Deus havia escolhido a Davi em lugar de seu pai e o constituíra príncipe sobre Israel. Agora era dele que procedia a verdadeira honra. Se a devoção sincera a Deus havia sido desprezada e vista como coisa baixa na corte de Saul, Davi mesmo assim continuaria a dançar diante do Senhor e trabalharia para que essa devoção voltasse a ser honrada. E, se isso o fazia parecer humilde, ele estava disposto a se humilhar ainda mais (2 Samuel 6:22).
Devemos ter cautela para não condenar a devoção alheia apenas porque não corresponde às nossas preferências. Talvez não saibamos quão sinceros são seus corações, e não temos direito de desprezar quem Deus acolheu. Se podemos agradar a Deus no que fazemos em matéria de religião, e se o fazemos diante do Senhor, então a crítica humana não deveria pesar tanto. Se estamos retos aos olhos de Deus, pouco importa se o mundo nos considera pequenos.
Quanto mais alguém é ridicularizado por fazer o que é certo, mais firme deve permanecer. Deve apegar‑se à sua fé e à sua prática com ainda mais convicção, pois Satanás usa outros para envergonhá‑lo e afastá‑lo do bem. As palavras de Davi significam: “Se for preciso, eu me humilharei ainda mais.”
Ele também tinha em vista humilhar‑se perante Deus. Em outras palavras, ele dizia: “Serei vil aos meus próprios olhos e não julgarei nada baixo demais, se isso trouxer honra a Deus.” Em juízo e em batalha, ninguém defendia melhor a grandeza e a autoridade de um rei do que Davi. Mas, no culto, ele deixava de lado toda consideração de dignidade real. Prostrava‑se diante do Senhor, tomava parte nas tarefas mais humildes em honra à arca e não via nisso qualquer perda. A pessoa mais importante continua sendo menor do que o menor dever ligado às ordenanças de Jesus Cristo, isto é, aos mandamentos e práticas que Cristo instituiu para a sua igreja.
Davi sabia também que as próprias pessoas de quem Mical dizia ter vergonha o respeitariam por isso. As servas não pensariam menos dele por causa de tais atos de devoção. Ao contrário, iriam admirá‑lo ainda mais. Os verdadeiramente piedosos, às vezes, são aprovados na consciência até daqueles que falam mal deles (2 Coríntios 5:11).
Não devemos permitir que o medo da crítica nos afaste do dever. Se permanecermos firmes e resolutos, essa fidelidade muitas vezes nos dará uma boa reputação maior do que imaginamos. A piedade traz consigo uma honra própria; por isso, não devemos tratá‑la com descuido, nem ter vergonha de assumi‑la.
Davi se contentou em defender o seu procedimento e não levou adiante a discussão com Mical. Mical, filha de Saul e esposa de Davi, havia zombado de sua devoção, e Deus a puniu por isso, deixando‑a sem filhos dali em diante (2 Samuel 6:23). Ela envergonhou injustamente a Davi por ele ter honrado a Deus, e o Senhor, com justiça, colocou sobre ela uma vergonha duradoura. Aqueles que honram a Deus são por ele honrados. Mas os que o desprezam, e desprezam seus servos e seu serviço, serão, eles mesmos, tidos em pouca estima.
Deste capítulo
2 Samuel 6:1
"Davi reuniu novamente toda a elite de Israel, num total de trinta mil homens."
2 Samuel 6:2
"Davi pôs-se a caminho com toda a sua gente, indo a Baala de Judá, para trazer dali a arca de Deus, sobre a qual é invocado o nome do Senhor dos exércitos, que se assenta sobre os querubins."
2 Samuel 6:3
"Colocaram a arca de Deus num carro novo e a levaram da casa de Abinadab, situada na colina. Oza e Aio, filhos de Abinadab, conduziram o carro novo."
2 Samuel 6:4
"Oza andava junto à arca de Deus, e Aio marchava diante dela."
2 Samuel 6:5
"Davi e toda a casa de Israel dançavam com todo o entusiasmo diante do Senhor e cantavam ao som de harpa, cítaras, tamborins, sistros e címbalos."
2 Samuel 6:6
"Quando chegaram à eira de Nacon, Oza estendeu a mão para a arca do Senhor e a segurou, porque os bois tinham escorregado."
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