II Macabeus 7:1
Havia também sete irmãos que certo dia foram presos com sua mãe, e o rei, por meio de golpes de azorrague e de nervos de boi, quis obrigá-los a comer a proibida carne de porco.
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42 versículos | Bíblia BibleGuided — Português Brasileiro
Havia também sete irmãos que certo dia foram presos com sua mãe, e o rei, por meio de golpes de azorrague e de nervos de boi, quis obrigá-los a comer a proibida carne de porco.
Um deles tomou a palavra e falou assim em nome de todos: “O que você pretende perguntar e saber de nós? Estamos prontos para morrer antes de violar as leis de nossos pais”.
O rei, fora de si, ordenou que aquecessem assadeiras e caldeirões até ficarem em brasa.
Assim que ficaram em brasa, ordenou que cortassem a língua daquele que havia falado por todos e, depois, que lhe arrancassem a pele da cabeça e também lhe cortassem as extremidades, tudo isso diante de seus irmãos e de sua mãe.
Em seguida, mandou levá-lo ao fogo, inerte e mal respirando, para assá-lo. Enquanto o vapor da assadeira se espalhava em profusão, os outros, com sua mãe, encorajavam uns aos outros a morrer corajosamente.
“O Senhor nos vê — diziam — e certamente terá compaixão de nós, como diz claramente Moisés em seu cântico de admoestações: Ele terá compaixão de seus servos.”
Desse modo, depois que o primeiro morreu, levaram o segundo ao suplício. Arrancaram-lhe a pele da cabeça com os cabelos e lhe perguntaram: “Você comerá carne de porco ou prefere que seu corpo seja torturado membro por membro?”.
Ele respondeu: “Não” — no idioma de seu país. Por isso, sofreu os mesmos tormentos do primeiro.
Estando prestes a dar o último suspiro, disse: “Maldito, você nos arranca a vida presente, mas o Rei do universo nos ressuscitará para uma vida eterna, pois morremos por fidelidade às suas leis”.
Depois deste, torturaram o terceiro. Reclamada a língua, ele a apresentou imediatamente e estendeu as mãos corajosamente.
Declarou com nobreza: “Do céu recebi estes membros, mas os desprezo por amor às suas leis, e dele espero recebê-los novamente um dia”.
O próprio rei e os que o acompanhavam ficaram admirados com o heroísmo daquele jovem, que considerava os sofrimentos como nada.
Depois que este morreu, aplicaram os mesmos suplícios ao quarto,
e este disse, quando estava a ponto de expirar: “É uma sorte desejável morrer pela mão humana com a esperança de que Deus nos ressuscite. Para você, porém, certamente não haverá ressurreição para a vida!”.
Em seguida, arrastaram o quinto e o torturaram.
Encarando o rei, disse-lhe: “Embora seja mortal, você tem poder sobre os homens e faz o que quer. Todavia, não pense que nosso povo esteja abandonado por Deus!
Espere, e verá quão grande é a sua potência e como ele castigará você e a sua raça”.
Depois deste, fizeram o sexto se aproximar, e ele disse antes de morrer: “Não se iluda. Nós mesmos merecemos estes sofrimentos, porque pecamos contra nosso Deus. Em consequência, recebemos estes flagelos surpreendentes.
Mas não creia que você ficará impune depois de ter ousado combater contra Deus”.
Particularmente admirável e digna de elogios foi a mãe que viu seus sete filhos morrerem no espaço de um único dia e suportou isso com heroísmo, porque sua esperança repousava no Senhor.
Ela encorajava cada um deles em seu idioma materno e, cheia de nobres sentimentos, com coragem varonil, realçava seu temperamento de mulher.
“Não sei — dizia-lhes ela — como vocês cresceram em meu seio, pois não fui eu que lhes dei o espírito e a vida, nem fui eu que ajuntei os membros de vocês.
Mas o Criador do mundo, que formou o homem em sua origem e deu existência a todas as coisas, restituirá a vocês, em sua misericórdia, tanto o espírito como a vida, se agora fizerem pouco caso de vocês mesmos por amor às suas leis.”
Todavia, receando o desprezo e temendo o insulto, Antíoco fez apelos insistentes ao mais jovem, que ainda restava, prometendo-lhe sob juramento torná-lo rico e feliz se abandonasse as tradições de seus antepassados, tratá-lo como amigo e confiar-lhe cargos.
Como o jovem não lhe dava nenhuma atenção, o rei mandou que a mãe se aproximasse e o aconselhasse, para que o adolescente salvasse sua vida.
Como ele insistiu por muito tempo, ela consentiu em persuadir o filho.
Ela se inclinou sobre ele e, zombando do cruel tirano, disse-lhe na língua materna: “Meu filho, tenha compaixão de sua mãe, que trouxe você por nove meses no seio, que o amamentou durante três anos, que o nutriu, o conduziu e o educou até esta idade.
Eu lhe suplico, meu filho: contemple o céu e a terra. Reflita bem: tudo o que você vê, Deus criou do nada, assim como todos os homens.
Portanto, não tema este algoz, mas seja digno de seus irmãos e aceite a morte, para que, no dia da misericórdia, eu encontre você no meio deles”.
Assim que ela terminou de falar, o jovem disse: “O que vocês estão esperando? Não atenderei às ordens do rei. Obedeço àquele que deu a Lei a nossos pais por intermédio de Moisés.
Mas você, que é o inventor dessa perseguição contra os judeus, não escapará da mão de Deus.
Quanto a nós, é por causa de nossos pecados que sofremos
e, se o Deus vivo e Senhor nosso se irou por pouco tempo contra nós para nos punir e corrigir, ele há de se reconciliar novamente com seus servos.
Ímpio, não se exalte sem razão, embalando-se em esperanças vãs, enquanto levanta a mão contra os servos do céu.
Você ainda não escapou do julgamento do Deus Todo-poderoso, que tudo vê!
Enquanto meus irmãos participam agora da vida eterna, em virtude do sinal da Aliança, depois de terem padecido por um instante, você sofrerá o justo castigo de seu orgulho pelo julgamento de Deus.
A exemplo de meus irmãos, entrego meu corpo e minha vida pelas leis de nossos pais e suplico a Deus que ele não demore a se compadecer de seu povo. Que você, em meio aos sofrimentos e às provações, reconheça nele o Deus único.
Enfim, que se detenha em mim e em meus irmãos a cólera do Todo-poderoso, que se desencadeou sobre toda a nossa raça”.
Abrasado de ira e enfurecido pela zombaria, o rei maltratou este com maior crueldade do que os outros.
Assim, o jovem morreu purificado de toda mancha e completamente entregue ao Senhor.
Seguindo as pegadas de todos os seus filhos, a mãe morreu por último.
Terminamos aqui nossa narração a respeito dos banquetes rituais e destas perseguições atrozes.
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