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2 Reis 2:1 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje

Tradução: Bíblia BibleGuided — Português Brasileiro

" Eis o que aconteceu no dia em que o Senhor arrebatou Elias ao céu em um turbilhão: Elias e Eliseu partiram de Gálgala. "

2 Reis 2:1

menu_book Versículo no contexto

1 Eis o que aconteceu no dia em que o Senhor arrebatou Elias ao céu em um turbilhão: Elias e Eliseu partiram de Gálgala.

2 Elias disse a Eliseu: “Fique aqui, porque o Senhor me mandou a Betel”. “Por Deus e por sua vida — respondeu Eliseu —, não deixarei você.” E desceram a Betel.

3 Os filhos dos profetas que estavam em Betel saíram ao encontro de Eliseu e lhe disseram: “Você sabe que o Senhor vai tirar hoje o seu amo de sobre a sua cabeça?”. “Sim, eu sei disso! Fiquem calados!”

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auto_stories Comentário Bible Guided

A vida e o ministério de Elias não são datados com tanta precisão como os de muitas outras figuras bíblicas. Não sabemos quantos anos ele tinha, nem exatamente em que momento do reinado de Acabe ele apareceu pela primeira vez, nem quando desapareceu nos dias de Jorão. Por isso, não podemos saber com exatidão quanto tempo durou o seu serviço, embora normalmente se estime algo em torno de vinte anos.

Aqui somos informados de que Deus havia decidido levar Elias ao céu numa espécie de redemoinho (2 Reis 2:1). Ele não passaria pela morte como os outros homens, mas seria levado, corpo e alma, ao céu, assim como aconteceu com Enoque. Também passaria por qualquer transformação necessária para ser adequado à vida naquele mundo espiritual, assim como acontecerá com os que estiverem vivos quando Cristo voltar. Não nos é dito por que Deus concedeu a Elias essa honra especial acima dos outros profetas.

Podemos, porém, pensar em três razões. Primeiro, Deus se lembrou do serviço passado de Elias, que foi extraordinário e fora do comum, e quis recompensá-lo, além de encorajar os filhos dos profetas a seguirem seu exemplo de zelo e fidelidade, mesmo quando isso lhes custasse caro. Segundo, Deus olhou para o estado escuro e corrompido da igreja e deu uma prova clara de que existe vida depois desta, elevando o coração dos poucos fiéis para si mesmo e para essa vida melhor. Terceiro, Deus olhou adiante para a era do evangelho e, ao tomar Elias, deu uma figura da ascensão de Cristo e do céu sendo aberto para todos os crentes.

Elias muitas vezes viveu pela fé e pela oração, com o céu em vista, e agora é levado para lá, para assegurar-nos a nossa própria esperança. Se vivermos na terra considerando o céu como nossa verdadeira pátria, logo também estaremos lá. A alma, que é a pessoa real, será feliz ali para sempre.

Eliseu também decidiu que ficaria com Elias enquanto ele estivesse na terra. Elias parecia tentar afastá-lo, pedindo que ficasse em Gilgal, depois em Betel, depois em Jericó (2 Reis 2:2, 2 Reis 2:4, 2 Reis 2:6). Alguns pensam que Elias fez isso por humildade, pois sabia qual glória Deus lhe havia preparado e não queria parecer orgulhoso nem ter isso espalhado entre as pessoas. Os verdadeiros servos de Deus normalmente não desejam ser proclamados como favoritos, como acontece com os favoritos dos governantes terrenos. Mais provavelmente, Elias estava provando Eliseu, para que a firme lealdade deste ficasse ainda mais evidente, de modo semelhante ao que Noemi fez ao insistir que Rute voltasse.

As insistências de Elias não tiveram efeito. Eliseu não ficaria em nenhum lugar enquanto seu mestre avançava em direção ao céu e o deixava na terra. “Aconteça o que acontecer, não te deixarei.” Ele fez isso não apenas porque amava Elias, mas também porque desejava ser ajudado o maior tempo possível pelas conversas santas e celestiais de Elias. Essa comunhão sempre lhe fora proveitosa, e provavelmente agora o seria ainda mais. Devemos buscar o bem espiritual uns dos outros enquanto estamos juntos, porque nosso tempo em comum é breve.

Eliseu também queria estar certo quanto à partida de Elias e vê-lo quando fosse levado, para que sua fé fosse fortalecida e sua compreensão do mundo invisível crescesse. Ele já seguia Elias havia muito tempo e não queria deixá-lo justamente agora, quando esperava uma bênção final na despedida. Os que seguem a Cristo não devem cansar-se nem esmorecer no fim.

Antes de partir, Elias visitou as escolas dos profetas e se despediu deles. Parece que havia tais escolas em muitas cidades de Israel, talvez até em Samaria. Encontramos filhos dos profetas, e em bom número, até mesmo em Betel, onde um dos bezerros de ouro havia sido levantado, e em Jericó, que tinha sido recentemente reconstruída em aberta afronta à maldição de Deus. Em Judá havia sacerdotes, levitas e o serviço do templo, mas em Israel Deus, em sua bondade, supriu essa falta por meio dessas escolas, onde homens eram formados na religião e na devoção. Também pessoas fiéis iam até lá para adorar em conjunto e receber instrução, quando não tinham acesso aos sacrifícios ou ao incenso.

Dessa forma, a verdadeira religião foi mantida viva em um tempo de ampla rebelião contra Deus. O poder de Deus agia fortemente por meio desses profetas, e muitos dos filhos da “desolada” eram mais numerosos e mais honrados do que os filhos da “casada”. Nenhum dos sumos sacerdotes se igualava a Elias e Eliseu e, pelo que sabemos, nenhum dos dois jamais serviu no templo em Jerusalém. É provável que Elias tenha tido parte na fundação desses centros de formação religiosa, e agora os visitou antes de sua partida para instruí-los, encorajá-los e abençoá-los.

Os que estão prestes a ir para o céu devem se importar com aqueles que deixam na terra. Devem deixar com eles sua experiência, seu testemunho, seus conselhos e suas orações (2 Pedro 1:15). Quando Cristo declarou com triunfo: “Agora não estou mais no mundo”, ele também disse com ternura: “Mas eles ainda estão no mundo” e orou: “Pai, guarda-os”.

Os filhos dos profetas sabiam, seja por Elias mesmo, seja pela ação do Espírito entre eles, seja pelo caráter solene de sua despedida, que ele logo seria levado. Por isso disseram a Eliseu, tanto em Betel (2 Reis 2:3) quanto em Jericó (2 Reis 2:5): “Sabes que hoje o Senhor tomará o teu mestre acima da tua cabeça?” Não disseram isso para provocá-lo nem para insinuar que ele passaria a ser igual a eles. Estavam demonstrando o quanto se sentiam afetados por aquilo e avisando Eliseu para que se preparasse para essa perda.

Não sabemos nós que nossos parentes mais próximos e nossos amigos mais queridos em breve nos serão tirados? É o Senhor quem os toma, e não os perdemos até que ele chame de volta o que é dele. Ele remove nossos superiores que estão sobre nós, nossos inferiores que estão sob nós e nossos iguais que caminham ao nosso lado. Portanto, cumpramos fielmente nosso dever em cada relacionamento, para que possamos olhar para trás com paz quando esse vínculo for rompido.

Eliseu sabia muito bem disso, e seu coração já estava pesado de tristeza, como aconteceu com os discípulos em situação parecida (João 16:6). Por isso, ele não precisava ser lembrado disso novamente, nem queria ouvir mais. Não deixaria que o perturbassem, desviando-o desses pensamentos tão sérios ou afastando-o de seus cuidados para com o mestre. “Eu sei; calai-vos.” Não era uma resposta áspera nem desrespeitosa aos filhos dos profetas. Ele queria que eles, e ele mesmo, permanecessem calmos e em silêncio, esperando o que Deus faria, com reverência e quietude: “Eu sei; estejam em silêncio” (Zacarias 2:13).

Eles ficaram de longe, observando, sem se aproximar (2 Reis 2:7). Cinquenta deles pararam à distância, desejosos de satisfazer sua curiosidade, mas Deus dispôs as coisas de tal modo que pudessem ver com seus próprios olhos a honra que o céu conferia àquele profeta que tinha sido desprezado e rejeitado pelos homens. As obras de Deus merecem nossa atenta consideração. Quando o céu se abre, o chamado é: “Sobe aqui e vê”.

A milagrosa abertura do rio Jordão foi o sinal de entrada antes de Elias ser levado para a Canaã celestial, assim como tinha sido antes de Israel entrar na Canaã terrena (2 Reis 2:8). Ele precisava passar o Jordão antes de ser levado, porque aquela era sua terra natal, porque ficava perto do lugar onde Moisés morreu e porque isso daria honra a essa parte do país, que era tão desprezada.

Elias e Eliseu poderiam ter atravessado o Jordão em uma balsa, como outros viajantes, mas Deus escolheu glorificar Elias em sua partida, assim como havia glorificado Josué em sua entrada, abrindo as águas desse rio (Josué 3:7). Como Moisés, com a vara, dividiu o mar, Elias, com o seu manto, dividiu o Jordão. Ambos eram sinais de seu ofício, marcas de seu chamado. Nos tempos antigos, as águas se abriam diante da arca; agora se abriam diante do manto do profeta, que, na ausência da arca, era um claro sinal da presença de Deus.

Quando Deus leva seus fiéis para o céu, a morte é o Jordão que eles precisam atravessar imediatamente antes de serem recebidos ali. Contudo, eles encontram um caminho através dele, e esse caminho se torna seguro e consolador. A morte de Cristo abriu essas águas, para que os remidos do Senhor possam passar. “Ó morte, onde está o teu aguilhão, o teu dano, o teu terror?”

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