Versículo em destaque
1 Pedro 4:12 - Significado e aplicação
Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje
Tradução: Bíblia BibleGuided — Português Brasileiro
" Caríssimos, não se perturbem no fogo da provação, como se alguma coisa extraordinária acontecesse a vocês. "
1 Pedro 4:12
Versículo no contexto
Entender os versículos ao redor evita interpretações incorretas:
10 Como bons administradores das diversas graças de Deus, cada um de vocês coloque à disposição dos outros o dom que recebeu:
11 a palavra, para anunciar as mensagens de Deus; um ministério, para exercê-lo com uma força divina, a fim de que, em todas as coisas, Deus seja glorificado por Jesus Cristo. A ele sejam dados a glória e o poder por toda a eternidade! Amém.
12 Caríssimos, não se perturbem no fogo da provação, como se alguma coisa extraordinária acontecesse a vocês.
13 Pelo contrário, alegrem-se por serem participantes dos sofrimentos de Cristo, para que possam alegrar-se e exultar no dia em que sua glória for manifestada.
14 Se vocês forem ultrajados pelo nome de Cristo, bem-aventurados são vocês, porque o Espírito de glória, o Espírito de Deus, repousa sobre vocês.
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Os conselhos e consolos repetidos em todos os capítulos desta carta mostram o quanto esses novos crentes corriam perigo por causa da perseguição à sua fé. Ter uma conduta correta em meio ao sofrimento é uma das partes mais difíceis da vida cristã, mas é necessária para a honra de Cristo e para nosso próprio consolo. Por isso, depois de insistir, mais acima neste capítulo, no importante dever de mortificar o pecado, o apóstolo passa agora ao dever igualmente necessário de ter paciência no sofrimento. Um espírito indisciplinado e sem freio não está bem preparado para as provações.
Percebe-se, em primeiro lugar, a maneira terna como o apóstolo fala a esses cristãos pobres e desprezados. Ele os chama de amados. Em seguida, note-se o conselho dele sobre o sofrimento: eles não deviam achar isso estranho, nem se assustar, como se lhes tivesse acontecido algo totalmente inesperado. Mesmo quando o sofrimento é doloroso e intenso, ele vem para prová-los, não para destruí-los. Prova a sinceridade deles, a sua força, sua paciência e sua confiança em Deus.
Em vez de apenas suportarem, deveriam alegrar-se, porque seus sofrimentos podem, com justiça, ser chamados de sofrimentos de Cristo. São do mesmo tipo e pela mesma causa que os dele. Neles, são conformados a Cristo. Ele sofre no seu povo e sente a fraqueza deles. E, se participamos de seus sofrimentos, também participaremos de sua glória e o encontraremos com grande alegria quando ele se manifestar para julgar seus inimigos e coroar seus servos fiéis (2 Tessalonicenses 1:7).
Os verdadeiros cristãos amam e reconhecem os filhos de Deus mesmo em sua condição mais baixa e dolorosa. É isso que o apóstolo faz aqui, quando chama esses crentes aflitos de amados. Os cristãos também não têm motivo para se espantar com a crueldade e a perseguição do mundo, porque o próprio Cristo sofreu e ensinou que segui-lo significa negar a nós mesmos e deixar tudo por ele. Os cristãos não devem apenas ser pacientes, mas até se alegrar nos sofrimentos mais duros por causa de Cristo, pois esses sofrimentos são sinais do favor de Deus, ajudam a espalhar o evangelho e nos preparam para a glória. Aqueles que se alegram em sofrer por Cristo um dia se alegrarão com ele para sempre.
A partir da “prova de fogo”, o apóstolo passa a um tipo mais leve de perseguição, a que vem pela língua, pela calúnia e pelo insulto. Ele parte do pressuposto de que eles seriam injuriados, difamados e caluniados por causa do nome de Cristo. Nesse caso, ele afirma: Bem-aventurados sois vós. A razão é que o Espírito de Deus está com eles para fortalecê-los e consolá-los, e o Espírito de Deus é também o Espírito de glória, o Espírito que os sustentará e os preparará para a glória eterna.
Esse Espírito glorioso repousa sobre eles, habita com eles e os ampara. Que grande privilégio é esse. Quando eles sofrem com paciência, confiam nas promessas de Deus e permanecem firmes na verdade que o Espírito Santo revelou, eles honram o Espírito. Mas quando os ímpios zombam e insultam esses crentes, também estão insultando o Espírito que habita neles. As melhores pessoas e as melhores coisas deste mundo costumam ser alvo de desprezo. Jesus Cristo, seus seguidores, o Espírito de Deus e o evangelho são todos difamados e atacados. Porém, a felicidade do povo de Deus não é interrompida pela aflição; muitas vezes, ela se eleva por meio dela. Uma pessoa sobre quem o Espírito de Deus repousa não pode ser verdadeiramente miserável, por maiores que sejam suas tribulações. E, quando os ímpios envergonham os crentes por causa de Cristo, tratam o Espírito Santo com o mesmo desprezo. Quando o povo de Deus é caluniado por causa do nome de Cristo, o Espírito Santo é honrado neles.
O apóstolo também os adverte para que não sofram como malfeitores, como se fossem culpados de pecados reais. À primeira vista, tal advertência poderia parecer desnecessária para cristãos tão íntegros. Mas seus inimigos os acusavam de muitos crimes vergonhosos. Assim, ao expor as regras da vida cristã, o apóstolo julgou necessária essa advertência. Ele proíbe que causem dano à vida, aos bens ou ao bom nome de qualquer pessoa, que pratiquem qualquer tipo de mal, ou que se intrometam nos assuntos alheios sem chamada ou necessidade.
Ele acrescenta que, se alguém sofre por causa do cristianismo e o faz com um espírito cristão paciente, essa pessoa não deve considerar isso uma vergonha, mas uma honra. Deve glorificar a Deus por tê-lo julgado digno de tamanho privilégio. As melhores pessoas ainda precisam de advertências contra os piores pecados. Há pouco consolo no sofrimento quando nós mesmos o atraímos por meio do nosso pecado e da nossa insensatez. Não é o simples fato de sofrer, mas a causa do sofrimento que faz um mártir. E devemos agradecer a Deus se ele nos chama a sofrer por sua verdade, por seu evangelho, ou pela nossa obediência fiel a qualquer verdade ou dever cristão.
O apóstolo então lhes lembra que suas provações estavam bem próximas, e que precisavam estar preparados. Ele diz que é chegado o tempo em que o juízo começa pela casa de Deus. Este tem sido muitas vezes o procedimento de Deus. Quando ele traz grandes angústias e juízos severos sobre nações inteiras, costuma começar primeiro com o seu próprio povo (Isaías 10:12; Jeremias 25:29; Ezequiel 9:6). Um tempo de sofrimento generalizado estava próximo, conforme o próprio Jesus havia predito (Mateus 24:9-10). Isso torna todos esses chamados à paciência ainda mais necessários.
Ele lhes apresenta dois consolos. Primeiro, os juízos começarão pela casa de Deus, mas apenas começarão ali. As provações e correções deles não durarão para sempre. Segundo, seus problemas serão leves e breves, se comparados com o que cairá sobre o mundo ímpio, inclusive sobre seus próprios compatriotas incrédulos, os judeus, e sobre os idólatras e descrentes entre os quais viviam. Se tais coisas acontecem ao próprio povo de Deus, que será daqueles que não obedecem ao evangelho de Deus?
Disso aprendemos, primeiro, que mesmo os melhores servos de Deus ainda têm pecado suficiente em si para tornar adequada e necessária a sua disciplina. O juízo começa pela casa de Deus. Segundo, os que pertencem à família de Deus têm aqui, nesta vida, o pior que lhes acontecerá. Mesmo sua condição mais difícil é suportável e logo terá fim. Terceiro, aqueles que desobedecem ao evangelho de Deus não são, de fato, parte de sua igreja e de sua casa, ainda que façam as maiores declarações em contrário. O apóstolo separa claramente os desobedientes da casa de Deus.
O sofrimento das pessoas piedosas nesta vida é um aviso da dor terrível que virá sobre os desobedientes e incrédulos. Que será, então, dos que não obedecem ao evangelho? Ninguém é capaz de descrever plenamente o quão terrível será o fim deles. Pedro também aponta para o destino desesperador dos ímpios: “Se o justo apenas se salva, onde aparecerá o ímpio e o pecador?” (1 Pedro 4:18). Isso vem de Provérbios 11:31: “Eis que o justo recebe na terra a retribuição; quanto mais o ímpio e o pecador!”. A antiga versão grega do Antigo Testamento apresenta essa ideia na mesma forma que Pedro usa aqui.
Aprendemos disso, em primeiro lugar, que os sofrimentos duros dos piedosos neste mundo são um triste sinal de juízos ainda mais pesados que virão sobre os pecadores impenitentes. Mas, se tomarmos a salvação em seu sentido mais pleno, também aprendemos que mesmo os melhores servos de Deus precisam se aplicar com seriedade para assegurar a salvação de suas almas. Há muitos sofrimentos, tentações e dificuldades a serem vencidos, e muitos pecados a serem mortificados. A porta é estreita e o caminho é apertado; portanto, não é coisa pequena o justo ser salvo. Ainda assim, a necessidade da salvação deve pesar mais do que a dificuldade do caminho. As lutas mais duras são no começo. Deus oferece sua graça e ajuda. A batalha não durará para sempre. Sê fiel até à morte, e Deus te dará a coroa da vida (Apocalipse 2:10).
Aprendemos também que o ímpio e o pecador estão certamente debaixo de condenação. Onde permanecerão? Como enfrentarão o seu Juiz? Onde poderão se esconder? Se o justo apenas se salva, então o ímpio certamente perecerá.
Quando os cristãos são chamados a sofrer segundo a vontade de Deus, devem preocupar-se, acima de tudo, com a segurança de suas almas. A aflição expõe a alma a perigo, e só Deus pode guardá-la, se a colocarmos em suas mãos enquanto perseveramos em boa conduta. Deus é o Criador de nossas almas e concedeu livremente muitas promessas de salvação eterna. Em todas elas ele se mostrará fiel e verdadeiro (1 Pedro 4:19).
Aprenda-se aqui que todos os sofrimentos que chegam aos piedosos acontecem segundo a vontade de Deus. Além disso, em qualquer tribulação, os cristãos devem se preocupar mais em guardar suas almas do que em preservar seus corpos. A alma é o bem de maior valor e também o que corre maior perigo. Se o sofrimento externo desperta medo, ira, frustração ou outras paixões pecaminosas dentro de nós, então é a alma que mais sofre. Se a alma não for bem guardada, a perseguição pode levar pessoas a se desviarem da fé (Salmo 125:3).
A única maneira segura de guardar a alma é entregá-la a Deus enquanto se faz o que é correto. Entregue sua alma a Deus por meio de consagração sincera, oração e obediência paciente nas boas obras (Romanos 2:7).
Quando pessoas piedosas passam por aflições, elas têm fortes motivos para confiar e entregar suas almas a Deus, porque ele é o Criador e é fiel em todas as promessas que fez.
Deste capítulo
1 Pedro 4:1
"Assim, pois, como Cristo sofreu na carne, armem-se também vocês desse mesmo pensamento: quem sofreu na carne rompeu com o pecado,"
1 Pedro 4:2
"a fim de que, no tempo que lhe resta para o corpo, já não viva segundo as paixões humanas, mas segundo a vontade de Deus."
1 Pedro 4:3
"Que lhes baste que, no tempo passado, vocês tenham vivido segundo os caprichos dos pagãos, em luxúrias, concupiscências, embriaguez, orgias, bebedeiras e criminosas idolatrias."
1 Pedro 4:4
"Eles estranham agora que vocês já não se lancem com eles nos mesmos desregramentos de libertinagem e, por isso, cobrem vocês de calúnias."
1 Pedro 4:5
"Eles prestarão contas àquele que está pronto para julgar os vivos e os mortos."
1 Pedro 4:6
"Pois foi para isso que o Evangelho também foi pregado aos mortos: para que, embora sejam condenados em sua humanidade de carne, vivam segundo Deus quanto ao espírito."
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