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1 Coríntios 7:17 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje

Tradução: Bíblia BibleGuided — Português Brasileiro

Quanto ao mais, que cada um viva na condição na qual o Senhor o colocou ou em que o Senhor o chamou. É isso que recomendo a todas as igrejas.

1 Coríntios 7:17

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auto_stories Comentário Bible Guided

Aqui o apóstolo aproveita a ocasião para dizer aos crentes que permaneçam na condição em que estavam quando o evangelho os alcançou e se converteram. Seu ponto principal é este: a situação de vida de cada pessoa faz parte da ordenação de Deus. Deus reparte a cada um o seu lugar na vida e também dirige os seus passos.

Por isso Paulo diz: “Cada um ande como Deus lhe repartiu, cada um como o Senhor o chamou”. Em outras palavras, se você estava em determinada condição quando veio a Cristo, permaneça nessa condição e viva como cristão dentro dela. O evangelho traz direção para todo tipo de situação, e em qualquer contexto a pessoa pode viver de modo que honre a posição em que está. É dever de todo cristão ajustar sua conduta tanto à sua situação de vida quanto aos mandamentos de Deus, estar contente com a sua porção e agir, em seu posto e em seu lugar, como convém a um seguidor de Cristo. Paulo deixa claro que isso não era um conselho restrito a uma igreja, mas uma regra para todas as igrejas.

Em seguida, Paulo dá exemplos concretos. Primeiro, a circuncisão. Foi alguém chamado já circuncidado? Não procure desfazer a circuncisão. Foi alguém chamado incircunciso? Não busque ser circuncidado. Não importa se o homem é judeu ou gentio, se pertencia ou não à aliança especial feita com Abraão. Um judeu que vem a Cristo não precisa se inquietar desejando ser incircunciso. Um gentio que vem a Cristo não precisa sentir-se pressionado a circuncidar-se, como se lhe faltasse algum sinal essencial do povo de Deus.

Paulo explica o motivo: “a circuncisão nada é, e a incircuncisão nada é, mas sim a observância dos mandamentos de Deus” (1 Coríntios 7:19). O que conta para sermos aceitos por Deus não são marcas exteriores, mas a religião prática, isto é, a obediência sincera aos mandamentos de Deus. Rituais externos sem piedade interior não têm valor algum. Por isso, cada um deve permanecer na vocação, isto é, no estado de vida, em que foi chamado (1 Coríntios 7:20).

Em segundo lugar, Paulo fala sobre escravidão e liberdade. Naquele tempo, a escravidão era comum, e muitas pessoas eram compradas e vendidas como propriedade. Se alguém foi chamado sendo escravo, não deve ficar excessivamente perturbado por isso. Essa condição não é incompatível com seu dever, sua confissão cristã ou sua esperança em Cristo. No entanto, se houver oportunidade de alcançar a liberdade, essa oportunidade deve ser aproveitada.

A liberdade tem muitas vantagens externas em relação à escravidão. A pessoa livre tem mais domínio sobre si mesma, mais controle sobre seu tempo e não está debaixo da autoridade de outro homem. Nesse sentido, a liberdade é uma condição externa melhor. Ainda assim, a situação exterior não decide a posição de alguém diante de Deus. Aquele que foi chamado sendo escravo é liberto do Senhor, e o que foi chamado sendo livre é servo de Cristo. Um escravo, quanto às coisas deste mundo, pode ser livre do domínio do pecado. Um homem livre, quanto às coisas deste mundo, continua obrigado a entregar-se inteiramente à vontade e ao serviço de Cristo, e esse serviço é a verdadeira liberdade.

O nosso consolo e a nossa felicidade dependem do que somos para Cristo, não do que somos no mundo. Uma boa condição exterior não nos dá o direito de negligenciar deveres cristãos, e uma condição exterior ruim não nos impede de gozar dos privilégios cristãos. Um escravo pode ser o liberto de Cristo, e um homem livre pode ser, ainda assim, servo de Cristo. Paulo acrescenta que os crentes foram comprados por preço, de modo que não devem tornar-se servos dos homens no sentido mais profundo. Ele não quer dizer que o escravo deva abandonar o seu senhor, ou que o servo possa desconsiderar o dever de agradar ao seu senhor. Isso iria contra todo o argumento de Paulo. O que ele quer dizer é que nenhum senhor humano pode exigir o tipo de obediência que pertence somente a Cristo. Cristo pagou um preço infinitamente maior e tem um direito muito mais forte sobre nós. Ele deve ser servido sem limites e sem reservas. Os servos de Cristo não devem ficar debaixo do comando absoluto de nenhum outro senhor. Não devem servir a ninguém além do que é compatível com a obediência a ele. Ninguém pode servir a dois senhores.

Alguns entendem essa passagem de outra forma. Tomam-na como se se referisse a pessoas que foram compradas para fora da escravidão pela generosidade de outros cristãos e, então, leem assim: “Foste resgatado da escravidão por preço? Não te tornes escravo de novo.” Essa interpretação combina com o conselho anterior de Paulo de que, se o escravo puder tornar-se livre, escolha a liberdade. As palavras admitem esse sentido, mas o outro entendimento parece mais natural. Ver também (1 Coríntios 6:20).

Paulo conclui reunindo todo o assunto: “Irmãos, cada um permaneça diante de Deus naquilo em que foi chamado” (1 Coríntios 7:24). Ele está falando do estado em que a pessoa se encontrava quando veio a Cristo. Ninguém deve usar a fé ou a religião como desculpa para romper com os deveres comuns de família, sociais ou civis. O crente deve permanecer com calma e contentamento na condição em que está, e pode fazer isso porque pode permanecer ali com Deus.

A presença especial e o favor de Deus não estão presos a nenhuma condição ou função exterior. Uma pessoa circuncidada pode gozar do favor de Deus, e uma incircuncisa também. Um homem preso pode tê-lo tanto quanto um livre. Assim, não há distinção entre grego e judeu, circuncisão e incircuncisão, bárbaro e cita, servo e livre (Colossenses 3:11). O favor de Deus não é limitado por essas diferenças.

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