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1 Coríntios 6:12 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje

Tradução: Bíblia BibleGuided — Português Brasileiro

Tudo me é permitido, mas nem tudo convém. Tudo me é permitido, mas eu não me deixarei dominar por coisa alguma.

1 Coríntios 6:12

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auto_stories Comentário Bible Guided

O versículo 12 e a primeira parte do 13 parecem se ligar ao antigo debate cristão sobre comidas limpas e impuras. Ao mesmo tempo, preparam o terreno para a advertência de Paulo contra o pecado sexual. Essa ligação fica clara quando lembramos a decisão dos apóstolos em (Atos 15), onde a proibição de certos alimentos aparece junto com a proibição da fornicação.

Alguns crentes em Corinto pareciam pensar que eram tão livres em questões sexuais quanto em relação à comida. Como a fornicação não era condenada pelas leis do país, estavam prontos a dizer: “Todas as coisas me são lícitas”. Paulo se opõe com firmeza a essa ideia perigosa. Ele ensina que muitas coisas podem ser lícitas em si mesmas, mas ainda assim não serem sábias ou adequadas em determinada situação.

O cristão não deve perguntar apenas: “Isso é permitido?” Mas também: “Isso convém à minha vocação, ao meu caráter, aos meus relacionamentos e à minha esperança?” Ele precisa tomar cuidado para que, ao esticar demais essa regra, não acabe ficando sob o domínio de um engano ou de um desejo pecaminoso. “Todas as coisas me são lícitas”, diz Paulo, “mas eu não me deixarei dominar por nenhuma” (1 Coríntios 6:12). Mesmo em coisas lícitas, ele não se deixaria governar por uma autoridade falsa.

Ele estava longe de pensar que qualquer poder terreno tivesse o direito de impor suas opiniões às pessoas nas coisas de Deus. Há uma liberdade que Cristo nos deu, e nela devemos permanecer firmes. Mas Paulo jamais usaria essa liberdade para deixar que o desejo do corpo o governasse. Ainda que todas as comidas fossem lícitas, ele não se tornaria glutão ou beberrão. Muito menos usaria a ideia de liberdade cristã para desculpar a fornicação, que podia até ser tolerada pela lei de Corinto, mas era contrária à lei da natureza e totalmente imprópria para um cristão.

A afirmação de Paulo sobre os alimentos e o ventre também serve de advertência contra qualquer forma de autocomplacência. “Os alimentos são para o estômago e o estômago para os alimentos” (1 Coríntios 6:13). O alimento foi feito para sustentar o corpo, e o corpo foi feito para receber alimento. Mas se comer não é sábio, e especialmente se isso começa a me dominar, então devo me abster. Deus destruirá tanto o estômago como os alimentos, pelo menos em seu uso e relação atuais. Vem um dia em que o corpo humano não terá mais necessidade de comida.

Alguns antigos escritores entenderam isso como se o próprio estômago fosse retirado na ressurreição, junto com a necessidade de se alimentar. Seja isso verdade ou não, o ponto principal permanece: haverá um tempo em que comer e a fome física chegarão ao fim. A esperança de ficarmos livres dos apetites físicos na vida futura é um forte motivo para não sermos dominados por eles agora. Esse é, ao que parece, o ponto de Paulo aqui.

Alguns leitores ligam essa passagem com a advertência anterior de Paulo sobre processos na justiça, especialmente diante de juízes incrédulos e inimigos do evangelho. Entendida assim, a lição seria que pode ser lícito defender nossos direitos, mas nem sempre é sábio fazê‑lo. Os cristãos também deveriam evitar colocar‑se sob o controle de juízes, advogados e agentes legais incrédulos. Porém, essa ligação não parece tão natural aqui. A transição para a advertência contra a fornicação se encaixa muito melhor.

“Mas o corpo não é para a prostituição, senão para o Senhor, e o Senhor para o corpo” (1 Coríntios 6:13). As carnes e o ventre pertencem um ao outro, mas fornicação e corpo não pertencem. O corpo nunca foi feito para o pecado sexual. Ele foi feito para o Senhor, para o serviço e a honra de Deus. Foi destinado a ser instrumento de justiça para santificação (Romanos 6:19), e, por isso, jamais deve ser transformado em instrumento de impureza.

O corpo também foi destinado a pertencer a Cristo. Por isso não deve ser feito corpo de prostituta, nem usado de qualquer maneira que o desonre (1 Coríntios 6:15). Alguns entendem “o Senhor para o corpo” como significando que Cristo é Senhor sobre o corpo, com direito e autoridade legítimos sobre ele. Ele assumiu um corpo humano e participou de nossa natureza para se tornar cabeça da igreja e governar todas as coisas (Hebreus 2:5, Hebreus 2:18). Devemos cuidar para não usar o que pertence a Cristo como se fosse apenas nosso.

Outros entendem “o Senhor para o corpo” no sentido de que Cristo é a favor da ressurreição e glorificação do corpo, o que se encaixa com o versículo seguinte. “Ora, Deus não somente ressuscitou o Senhor, como também nos ressuscitará a nós pelo seu poder” (1 Coríntios 6:14). Ele transformará o nosso corpo abatido para ser conforme o seu corpo glorioso, segundo o poder com que também pode sujeitar a si todas as coisas (Filipenses 3:21). É uma honra para o corpo que Jesus Cristo tenha ressuscitado dentre os mortos. E será também uma honra para nossos corpos que eles sejam ressuscitados.

Por isso não devemos manchar estes corpos com o pecado, tornando‑os vis. Se forem guardados puros, serão conformes ao corpo glorioso de Cristo, embora agora sejam humildes. A esperança de ressurreição em glória deveria impedir os cristãos de desonrar seus corpos com concupiscências carnais. Paulo apresenta ainda outro motivo: “Ou não sabeis que os vossos corpos são membros de Cristo?” (1 Coríntios 6:15). Se a alma é unida a Cristo pela fé, então a pessoa inteira pertence ao seu corpo místico, o seu corpo espiritual de crentes. Até o corpo participa dessa união.

Que honra é essa para o cristão. A própria carne do crente é, de certo modo, parte do corpo místico de Cristo. É bom conhecer a altura da posição que ocupamos, para vivermos de modo condizente com ela. Paulo pergunta: “Tomarei eu, pois, os membros de Cristo e os farei membros de uma meretriz? De modo nenhum.” Isso seria um uso terrível dos membros de Cristo, e uma profunda ofensa tanto contra Cristo como contra nós mesmos.

Em seguida ele acrescenta: “Ou não sabeis que o que se ajunta com a meretriz, faz‑se um corpo com ela? Porque serão dois numa só carne” (1 Coríntios 6:16, 1 Coríntios 6:17). Mas o que se une ao Senhor é um mesmo espírito com ele.

Nada se opõe mais aos honrosos vínculos e relacionamentos de um cristão do que esse pecado. Ele é unido ao Senhor em comunhão com Cristo e se torna participante do seu Espírito pela fé. Um mesmo Espírito vive, respira e age na cabeça e nos membros. Cristo e seus discípulos fiéis são um (João 17:21-22).

Mas o homem que se ajunta com uma prostituta torna‑se um corpo com ela, porque “serão dois numa só carne” pela união física. Deus destinou essa união exclusivamente ao casamento. Então, alguém que está tão unido a Cristo que é um espírito com ele também se unirá a uma prostituta para se tornar uma só carne com ela? Não seria isso uma tentativa vergonhosa de juntar Cristo e prostitutas? Poderia algo insultar mais profundamente a Cristo ou a nós mesmos? Nada poderia ser mais contrário à nossa fé e à nossa vocação.

Por essa razão, o pecado sexual é uma grande ofensa contra o Cabeça e Senhor do cristão, e uma séria desonra à sua profissão de fé. Não admira que o apóstolo diga: “Fugi da prostituição” (1 Coríntios 6:18). Afaste‑se dela. Mantenha‑se longe do alcance das tentações e de situações que as despertem. Desvie os olhos e os pensamentos para outras coisas. Muitos dos antigos pais da igreja diziam que outros pecados se vencem lutando, mas este só se vence fugindo.

Um quarto motivo é que esse pecado é contra o próprio corpo. “Qualquer outro pecado que o homem comete é fora do corpo; mas o que fornica peca contra o seu próprio corpo” (1 Coríntios 6:18). Nos outros pecados, o corpo é usado como instrumento. O beberrão abusa do vinho, o glutão abusa da comida e assim por diante. Mas esses pecados não entregam as forças do corpo a outra pessoa, nem o mancham da mesma maneira. Esse pecado é especialmente chamado de impureza e poluição porque nenhum outro revela tanta vergonha, sobretudo em um cristão. Ele peca contra o seu próprio corpo, o contamina e o rebaixa, tornando‑o um só corpo com aquela pessoa vil com quem peca. Lança opróbrio sobre aquilo que o seu Redentor honrou de modo tão elevado ao unir a si mesmo. Não devemos tornar ainda mais vergonhosos estes corpos já humildes, pecando contra eles.

Um quinto motivo é que os corpos dos cristãos são templos do Espírito Santo que neles habita e que receberam de Deus (1 Coríntios 6:19). Quem está unido a Cristo é um mesmo espírito com ele. Ele se entregou a Cristo, e por essa entrega foi separado para uso de Cristo. Então o Espírito Santo o possui, o enche e habita nele. É isso que é um templo: um lugar onde Deus habita, separado para o seu uso, pelo seu próprio direito e pela entrega da criatura. Os verdadeiros cristãos são assim templos do Espírito Santo. Logo, o Espírito deve ser Deus, e a conclusão é clara: não pertencemos a nós mesmos.

Entregamo-nos a Deus, e ele tomou posse de nós e por nós. Mais do que isso, ele nos comprou por preço. Em resumo, nossos corpos foram feitos para Deus e foram comprados para ele. Se somos realmente cristãos, nossos corpos foram entregues a ele, e ele vive e opera neles por seu Espírito. Portanto, nossos corpos não são nossos, mas dele. Então iremos desonrar o seu templo, profaná-lo, torná-lo algo comum e entregá-lo a uma prostituta? Isso seria um sacrilégio horrível. É roubar a Deus da pior maneira possível. O templo do Espírito Santo deve ser mantido santo. Nossos corpos devem ser guardados como pertencendo a ele e próprios para o seu uso e habitação.

O apóstolo também argumenta a partir do nosso dever de glorificar a Deus tanto no corpo como no espírito, já que ambos pertencem a ele (1 Coríntios 6:20). Ele fez ambos, ele comprou ambos, e assim ambos pertencem a ele e devem ser usados para ele. Eles não devem ser contaminados, desviados dele ou entregues ao pecado. Em vez disso, devem ser preservados como vasos prontos para o uso do nosso Senhor. Devemos considerar todo o nosso ser como santo ao Senhor e usar nossos corpos como propriedade que pertence a ele e é consagrada ao seu serviço. Devemos honrá-lo com nossos corpos e espíritos, pois ambos são dele. Por isso devemos evitar a imoralidade sexual, não apenas o ato externo, mas também o adultério do coração, como nosso Senhor o chama (Mateus 5:28). Corpo e espírito devem ser mantidos limpos, para que Deus seja honrado em ambos.

Mas quando corpo ou espírito é contaminado por um pecado tão brutal, Deus é desonrado. Portanto, fugi da imoralidade sexual, e de fato fugi de todo pecado. Usai vossos corpos para a glória e o serviço de seu Senhor e Criador. Não somos donos de nós mesmos, e não temos direito de nos usar como bem entendemos. Devemos usar a nós mesmos conforme a vontade dele e para a sua glória, pois pertencemos a ele e devemos servi-lo (Atos 27:23).

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