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1 Coríntios 1:17 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje

Tradução: Bíblia BibleGuided — Português Brasileiro

" Cristo não me enviou para batizar, mas para pregar o Evangelho; e isso sem recorrer à habilidade da arte oratória, para que a cruz de Cristo não seja desvirtuada. "

1 Coríntios 1:17

menu_book Versículo no contexto

15 Assim, ninguém poderá dizer que vocês foram batizados em meu nome.

16 (Aliás, batizei também a família de Estéfanas. Além destes, não me consta ter batizado mais ninguém.)

17 Cristo não me enviou para batizar, mas para pregar o Evangelho; e isso sem recorrer à habilidade da arte oratória, para que a cruz de Cristo não seja desvirtuada.

18 A linguagem da cruz é loucura para os que se perdem, mas, para os que foram salvos, para nós, é uma força divina.

19 Está escrito: Destruirei a sabedoria dos sábios e anularei a prudência dos prudentes.

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auto_stories Comentário Bible Guided

Paulo pregava o evangelho e a cruz de Cristo sem se apoiar em linguagem rebuscada nem em discurso refinado (1 Coríntios 1:17). Ele não usava o estilo persuasivo, a oratória ornamentada nem as formulações filosóficas exatas que os gregos tanto valorizavam e que alguns nessa igreja pareciam admirar. Ele evitava esse caminho para que a cruz de Cristo não perdesse a sua força. Se as pessoas cressem por causa da habilidade humana, poderiam elogiar o pregador em vez de louvarem a verdade de Cristo crucificado.

Paulo havia sido instruído na doutrina judaica aos pés de Gamaliel, um mestre respeitado, mas deixou de lado esse tipo de prestígio quando pregava Cristo. Ele falava de maneira simples sobre Jesus crucificado, anunciando que aquele que foi crucificado em Jerusalém é o Filho de Deus e o Salvador da humanidade. Ensinava que todos os que querem ser salvos precisam se voltar do pecado, crer nele e se submeter ao seu governo e aos seus mandamentos. Essa verdade não precisava de enfeites. Ela brilhava por sua própria luz e se propagava por sua autoridade divina, pelo poder do Espírito, sem precisar de ajuda humana.

A pregação simples de um Jesus crucificado era mais poderosa que toda a oratória e filosofia do mundo pagão. Mas as reações a essa mensagem eram muito diferentes. Para os que se perdem, ela parece loucura; para os que são salvos, é o poder de Deus (1 Coríntios 1:18). É pedra de tropeço para os judeus e loucura para os gregos, mas, para os que são chamados, tanto judeus como gregos, Cristo é o poder de Deus e a sabedoria de Deus (1 Coríntios 1:23-24).

Cristo crucificado era pedra de tropeço para os judeus porque eles não conseguiam aceitá-lo. Esperavam um Messias como um grande governante terreno, por isso não admitiam como libertador e rei alguém que se mostrava tão humilde e morreu de forma tão vergonhosa. Desprezaram-no e o trataram como maldito por ter sido pendurado numa árvore, e não se deixaram satisfazer por um sinal que não se ajustasse às suas exigências, ainda que seu poder divino tivesse aparecido em muitos milagres. Os judeus continuavam pedindo sinais (1 Coríntios 1:22; Mateus 12:38).

Para os gregos, Cristo crucificado parecia loucura. Zombavam da ideia de um Salvador crucificado e desprezavam a forma como os apóstolos anunciavam essa mensagem. Os gregos valorizavam a sabedoria. Eram um povo de estudo, de habilidade, de debate, conhecido há muito tempo pelo conhecimento e pela pesquisa. Nada, na mensagem simples da cruz, se ajustava ao seu gosto, alimentava o seu orgulho ou satisfazia o seu amor por argumentos engenhosos. Por isso, receberam-na com desprezo. Como alguém poderia ser salvo por quem não salvou a si mesmo? Como poderiam confiar em alguém condenado e crucificado como criminoso, nascido em condição humilde e levado a uma morte tão desonrosa? O orgulho da razão e do saber humano não aceitava essa mensagem. Os gregos a trataram como loucura e, em seu orgulho e teimosia, foram deixados à própria ruína. É justo que Deus deixe as pessoas entregues a si mesmas quando zombam com tanta arrogância de sua sabedoria e de sua graça.

Mas, para os que são chamados e salvos, Cristo é a sabedoria de Deus e o poder de Deus. Aqueles que são chamados e santificados, que recebem o evangelho e são iluminados pelo Espírito, veem mais da sabedoria e do poder de Deus na doutrina de Cristo crucificado do que em todas as outras obras divinas. Os que são salvos se tornam reconciliados com a mensagem da cruz e passam a conhecer, na experiência real, os mistérios de Cristo crucificado.

Isso também cumpre a antiga profecia: “Destruirei a sabedoria dos sábios e aniquilarei o entendimento dos entendidos” (Isaías 29:14). Onde está o sábio? Onde está o escriba? Onde está o questionador deste mundo? Acaso Deus não tornou louca a sabedoria do mundo? (1 Coríntios 1:19-20). Todo o saber que o mundo estimava foi humilhado, vencido e ofuscado pela mensagem cristã e pela glória da cruz. Governantes e filósofos pagãos, rabinos e mestres judeus, e até aqueles que investigavam profundamente os segredos da natureza, todos foram colocados diante de um limite que não podiam transpor. Esse plano estava além do alcance dos melhores estadistas, filósofos e eruditos, tanto judeus quanto gregos.

Quando Deus decidiu salvar o mundo, fez isso do seu próprio modo, e com plena razão. O mundo, com toda a sua sabedoria, não conheceu a Deus (1 Coríntios 1:21). Todo o saber do mundo pagão não podia, de fato, conduzir as pessoas de volta a Deus. Mesmo com toda a sua sabedoria, permaneceram ignorantes e ímpias. O conhecimento em que confiavam só alimentou o orgulho e as afastou ainda mais de Deus. Por isso, aprouve a ele salvar os que creem por meio daquilo que o mundo chama de loucura da pregação. Não é loucura em si, mas apenas segundo o juízo comum dos homens.

A própria mensagem parecia loucura para o espírito mundano. Que vivamos por meio de alguém que morreu, recebamos bênçãos por meio de alguém que se fez maldição, e sejamos declarados justos diante de Deus, isto é, justificados, por alguém que foi condenado, tudo isso soava absurdo para pessoas cegas pelo orgulho e apegadas aos seus preconceitos e ideias. E também o modo como o evangelho foi pregado lhes parecia loucura. Deus não usou filósofos famosos, grandes oradores ou grandes estadistas para fundar a igreja ou espalhar o evangelho. Chamou alguns pescadores e os enviou para esse trabalho. Foram esses os encarregados de fazer discípulos entre as nações e levar ao mundo o tesouro do conhecimento que salva.

À primeira vista, nada neles parecia grandioso ou impressionante o suficiente para parecer coisa de Deus. Assim, os orgulhosos, que davam grande valor ao saber e à posição social, desprezaram a mensagem porque desprezavam os mensageiros. E, no entanto, a loucura de Deus é mais sábia do que os homens (1 Coríntios 1:25). Os caminhos que Deus escolhe, e que o orgulho humano critica como fracos ou insensatos, contêm mais verdadeira sabedoria, força e resultado do que todo o aprendizado humano. “Vede a vossa vocação, irmãos”: não são muitos os sábios segundo a carne, nem muitos os poderosos, nem muitos os nobres que são chamados (1 Coríntios 1:26). O cristianismo, em sua aparência externa, carregava traços de humildade e fraqueza. Poucos de alta posição, de grande riqueza, saber ou honra pública foram escolhidos para o ministério. Deus não escolheu filósofos, oradores, estadistas ou homens de grandes recursos e influência para anunciar o evangelho da graça e da paz.

Não escolheu os sábios segundo o padrão humano. Poderia parecer que reputação de sabedoria e cultura ajudaria a promover o evangelho. Também não escolheu, em grande número, os poderosos e nobres, embora muitos imaginassem que posição social e honra pública tornariam as pessoas mais dispostas a recebê-lo. Mas Deus não vê como o ser humano vê. Ele escolheu as coisas loucas deste mundo, as fracas deste mundo e as desprezadas deste mundo, pessoas de origem humilde, baixa posição e pouca instrução formal, para serem os pregadores do evangelho e os edificadores da igreja. Os pensamentos dele não são os nossos pensamentos, e os caminhos dele não são os nossos caminhos. Ele julga melhor do que nós quais instrumentos e métodos mais servem à sua glória.

Poucos de alta posição e boa reputação foram chamados para serem cristãos. Assim como os mestres eram pobres e humildes, a maioria dos crentes também o era. Poucos dos sábios, dos poderosos e dos nobres receberam a mensagem da cruz. Os primeiros cristãos, tanto entre judeus quanto entre gregos, eram fracos, insignificantes e desprezados segundo o padrão do mundo. Tinham pouco conhecimento humano e ocupavam cargos muito modestos na vida. E, mesmo assim, quão grandes sinais de sabedoria divina se veem em todo o plano do evangelho e, em especial, nesta parte do seu êxito.

Isso mostra o quanto o evangelho é adequado para derrubar o orgulho e a vaidade humanos. Deus escolheu as coisas loucas do mundo para envergonhar as sábias, pessoas com pouco estudo para envergonhar as mais instruídas, e as coisas fracas do mundo para envergonhar as fortes. Pessoas de baixa condição e poucos recursos são usadas para derrubar e ultrapassar o poder e a autoridade de reis terrenos. Ele também escolhe o que é vil e desprezado, o que é tido em mais baixa conta, para envergonhar tudo o que as pessoas estimam e admiram. Escolhe as coisas que não são, para reduzir a nada as que são. A conversão dos gentios, a quem os judeus mais desprezavam, abriria caminho para o fim da antiga ordem judaica, uma ordem na qual os judeus confiavam e de que se orgulhavam para se colocarem acima do resto do mundo.

Os judeus costumavam falar dos gentios dessa forma, como se nada fossem. O evangelho destrói esse modo orgulhoso de pensar. Ele envergonha a erudição e o orgulho do saber grego e derruba o sistema judaico no qual tanto se gloriavam. Assim, ninguém tem do que se gloriar diante de Deus (1 Coríntios 1:29). Somente a sabedoria divina traçou o caminho da salvação, e somente a graça divina o revelou e o fez conhecido. Os homens jamais o teriam descoberto por si mesmos. E, apesar de todos os ataques da astúcia humana e do poder humano, o evangelho se espalhou. Deus fez assim para que o orgulho humano fosse humilhado e a sua glória sobressaísse em tudo. A ordem do evangelho é feita para abater o orgulho do ser humano.

Mas o evangelho também é perfeitamente adequado para glorificar a Deus. Há grande poder e glória no coração do cristianismo e em tudo o que ele produz. Embora os ministros fossem pobres e sem instrução, e embora a maior parte dos convertidos viesse das camadas mais humildes, a mão do Senhor estava com os pregadores, e o seu poder atuava fortemente no coração dos ouvintes. Em Cristo, tanto ministros quanto crentes recebem o que é verdadeiramente grande e honroso. Tudo o que temos vem de Deus como fonte, e chega até nós por meio de Cristo como o caminho.

Cristo foi feito por Deus para nós sabedoria, justiça, santificação e redenção (1 Coríntios 1:30). Ele é tudo o que precisamos e tudo o que, de fato, podemos desejar de modo legítimo. Somos tolos, ignorantes e cegos nas coisas de Deus, apesar de todo o conhecimento que dizemos ter, e ele se torna sabedoria para nós. Somos culpados e estamos debaixo da sentença da justiça divina, e ele se torna a nossa justiça, o grande sacrifício e o pagamento pelos nossos pecados. Somos corrompidos e pecadores, e ele se torna a nossa santificação, a fonte da nossa vida espiritual. Dele, a cabeça, essa vida é comunicada a todos os membros de seu corpo espiritual, por meio do Espírito Santo. Estamos em cativeiro, e ele se torna nossa redenção, nosso Salvador e libertador.

Observe isto: onde Cristo se torna justiça para uma alma, ali ele também se torna santificação. Ele nunca livra uma pessoa da culpa do pecado sem também libertá-la do poder do pecado. Ele é feito justiça e santificação para que, ao final, seja redenção completa, libertando a alma do próprio pecado e ressuscitando o corpo do sepulcro. O propósito de tudo isso é que toda carne se glorie no Senhor (1 Coríntios 1:31). Deus quer que todo o nosso gloriar-se seja no Senhor e, como a salvação vem somente por meio de Cristo, esse propósito fica plenamente assegurado. Em todo o plano, o homem é humilhado, e Deus é glorificado e exaltado.

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